"Aspectos da Mulher na Realidade Brasileira Atual"
Tradicionalmente o segundo domingo de maio é comemorado o DIA
DAS MÃES; no dia 30 de abril foi comemorado o DIA NACIONAL DA MULHER,
mas anteriormente em 08/março foi festejado o DIA INTERNACIONAL
DA MULHER. Recorrendo ao DICIONÁRIO DE DATAS COMEMORATIVAS - Ed.UNED,
de autoria de André Carvalho, assim se manifesta a cerca das datas:
a) Dia das Mães:... A origem de comemoração do
DIA DAS MÃES é a seguinte: uma senhorita norte-americana,
Miss Annie Jerwis, de Filadélfia, depois de perder sua mão,
mostrava-se inconsolável. Quanto mais tempo decorria, em vez de
diminuir, parece que maior ia-se tornando a dor daquele delicado coração
de mulher. Algumas amigas de Annie Jerwis, verdadeiramente contristadas
com aquele sofrimento, e com o intuito de elevar-lhe o espírito,
prontificaram-se a perpetuar a memória da mãe da amiga. Comunicaram,
então a ela a intenção de realizar alguma coisa que
imortalizasse a lembrança de sua mãe querida. Miss Annie
Jerwis, de espírito delicado, sensibilizou-se profundamente com
aquela idéia. E pediu, então, que uma homenagem se tributasse,
não apenas a sua mãe, mas a todas as mães, vivas e
mortas. Realizada a festa, foi ela repetindo e generalizando por outras
localidades, como tudo o que agrada ao povo. E, anualmente, em toda a nação
norte-americana, grandes homenagens se prestavam às mães.
O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, indo de encontro aos desejos
do povo, tornou oficial aquela comemoração, instituindo,
por decreto, o DIA DAS MÃES, em 09 de maio de 1914....E o Sr.Getúlio
Vargas, quando ainda Chefe do Governo Provisório, pelo decreto nº21.366,
de 05 de maio de 1932, tornou a festa também oficial no Brasil,
instituindo o Dia das Mães, a ser celebrado no segundo domingo de
maio...".
b) DIA NACIONAL DA MULHER: Foi a 30 de abril que nasceu a fundadora
do Conselho Nacional da Mulheres, Sra.Jerônima Mesquita. Como homenagem
àquela extraordinária mulher, grande filantropa, foi escolhido
o dia de seu nascimento, 30 de abril para o DIA NACIONAL DA MULHER."
c) DIA INTERNACIONAL DA MULHER: A data foi escolhida pela UNESCO, com
o fim de assinalar a primeira manifestação de mulheres organizada
em torno de reivindicações especificamente femininas. Em
08 de março de 1857, 129 operárias de uma fábrica
têxtil de Nova Iorque paralisaram o trabalho reivindicando salário
igual para função igual, exercida por homem. Os patrões
trancaram e incendiaram a fábrica, e morreram queimadas as 129 operárias."
Já estudei este tema em 1985, gostaria de destacar algumas expressões
que ouvi: Quais foram as mudanças observadas nos últimos
tempos, que impulsionaram o movimento de reconhecimento de igualdade dos
sexos? O que há de mal na mulher rural ser parideira e integrante
da força de trabalho, será que ela se sente infeliz com esta
condição?
Ora, para responder estas duas questões, entre outras de pessoas
que são incapazes de reconhecer que as mulheres são tão
humanas quanto os homens. Se quisermos extrapolar os limites de nosso país,
exemplificaremos os EUA: em 1976 a Dra.. Shere Hite apresentou seu relatório
que conclui "o sexo é uma instituição que consagra
a opressão da mulher"; em 1983 a física Sally Ride torna-se
primeira astronauta; em 1984 pela primeira vez uma mulher, Geraldine Ferraro,
concorre à vice-presidência da República. Temos então
alguns exemplos brasileiros: em 1975 a Dra. Eny Carbonari se tornava a
primeira diretora de presídio do Rio de Janeiro e do país;
no início dos anos '80 a antropóloga Maria Dulce Gaspar passou
por 60 boates para compor sua tese, que passou para o livro "Garotas de
Programa"; em 1985 a sexóloga Marta Suplicy publicou "De Mariazinha
a Maria"; em 22 de julho de 1985, no Fórum Lafaiete/B.Horizonte,
tomou posse a Juíza Auditora Militar da Justiça Militar de
Minas Gerais, a Dra. Sônia Diniz Viana. Mais recentemente podemos
citar o estudo da CIDH-Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
órgão vinculado à OEA, apresentando o Informe sobre
a Condição da Mulher nas Américas, conforme divulgado
em O ESTADO DE SÃO PAULO-25/abr/98-pag.A-15. No caso da mulher rural
é praticamente impossível saber seu grau de felicidade e
realização pessoal, pois a ela não foi dada outra
opção a não ser gerar filhos e compartilhar com o
homem os encargos do plantio e colheita.
Mas devemos continuar pensando no sopé da pirâmide social,
ou seja como estão se sentindo as garis, as faveladas, as bóia-frias,
as prostitutas das zonas de baixo meretrício e das jovens meretrizes
que são encaminhadas, pela fome e
até mesmo pelos pais, para complementar a renda familiar, colocando
à venda seus corpos nas cidades e nas estradas do interior do país.
Uma solução plausível para esta situação
de degradação humana seria dar-lhes instrução,
educação e cultura. Este é um processo longo, difícil
e complexo, pois somente dando estrutura cultural é que será
possível dar condições de propiciar alternativas de
conscientização das potencialidades e verdadeira razão
de ser da mulher enquanto ser humano. Isto quer dizer que desta forma ela
será capaz de decidir como e quando deverá entregar-se de
corpo, mente, espírito e alma a um ou vários homens, quantos
filhos quer ter, qual sua tendência profissional e assim por diante.
Outra alteração psicossocial extremamente necessária
é a mudança da estrutura social machista que nos vem sendo
imposta ao longo dos tempos, do tipo: homem não deve chorar, cozinha
é lugar de mulher, futebol não é esporte feminino,
mulher não deve subir em árvores, entre outros padrões
machistas. Foi com espanto que ouvi de uma pessoa que "talvez meu lado
feminino não estivesse se sobressaindo", devido ao afinco com que
tenho me dedicando ao assunto, ao comentar que minha maneira de pensar
havia modificado nos últimos anos, pois até então
mulher nada mais era que um fenômeno biológico e natural representado
pela minha mãe, esposa e filha, além do aspecto da estética
das minhas colegas de trabalho. É muito simples constatar que não
seria muita coisa hoje se não fossem estas mulheres, principalmente
o espírito crítico e a facilidade de percepção
transmitidos por minha mãe (destaque-se que depois dos 50 anos desvencilhou-se
das amarras da vida doméstica preenchida pelo tricô e foi
à luta, sendo admitida por concurso no TRT-SP como Agente de Portaria,
com muita garra concluiu o supletivo, fez o Curso Superior de Geografia
e por concurso interno já é Auxiliar Judiciária).
Outra mulher marcante em minha vida, tem sido minha esposa que além
do apoio moral, compartilha vibrantemente em cada vitória e me levanta
e me prepara para a próxima batalha, após cada derrota.
A alteração da estrutura social esperada, pelas mulheres,
não deve ser imposta num estilo "Guerra dos Sexos", mas sim através
da necessária manutenção da postura feminina deixando
de lado o estilo feminista e agressivo, desta forma as mulheres deverão/poderão
vir a se transformar nos agentes de mudança com sua natural feminilidade
e não impositora de posições extremistas.
A crescente participação da mulher na força de
trabalho é expressiva, senão vejamos esta evolução
no Brasil ocorrida nas últimas décadas: (Veja tabela e gráfico)
Tendo em vista atual explosão demográfica, uma vez que
a taxa de crescimento já atinge cifra em torno de 3% a.a.,
pode ser sugerida uma mescla de maternidade responsável com
um controle de natalidade para que seja interrompido o ciclo de pobreza,
subnutrição, risco de vida para a mãe e o bebê,
delinqüência juvenil e todos os problemas de carência
sócio econômica que imperam atualmente nas favelas, periferia
e no meio rural.
A respeito da violência sexual, acredito que será reduzida
na medida em que haja conscientização feminina de diminuir
o sentido "mulher vende tudo", até seu próprio corpo. No
entanto deveremos exercer não uma censura prévia contra novela,
filmes de televisão e de cinema de uma forma puritana, mas sim uma
que se respeite as diferenças regionais e que dê liberdade
de escolha às famílias tradicionais de todo o território
nacional.
Por último, devemos esperar que no III Congresso Mundial da
Mulher no ano 2000, a mulher brasileira possa levar para lá uma
experiência de profícua alteração sócio-cultural,
colocando-a nem acima e nem abaixo do homem, mas sim ao lado dele em todas
posições e atividades sociais, políticas, culturais
e econômicas.
Para encerrar gostaria de deixar à reflexão dos seres
humanos interessados num novo gênero de princípio de relações
humanas, as palavras do grande pensador argentino Carlos Bernardo Gonzalez
Pecotche, que em sua novela psicodinâmica O SENHOR DE SANDARA, em
castellano à página 307 temos: "...Tanto o homem como a mulher
haviam sido dotados do poder de pensar, de sentir, de amar, de criar e
procriar, com o qual essa finalidade se irá cumprindo cronologicamente.
Mas ainda descobriu algo mais, e era o papel principalíssimo que
a mulher haveria de desempenhar na vida do homem, já que na natureza
feminina está contida grande parte dos mistérios que o homem
deverá descobrir para lograr sua ascensão ao domínio
da sabedoria" Mais adiante, à página 427, encontramos: "Escravas
da vaidade, do orgulho e de outras não menos perniciosas debilidades
que influem sobre a instabilidade humana, se entregam sem recato nos braços
do capricho quando a vida lhes sorri" . Já em REVISTA LOGOSOFIA-Março/1941,
reproduzido na COLEÇÃO DA REVISTA LOGOSOFIA-Tomo III, página
2 assim se pronunciou: "...A mulher deve ser fina em seus modos e em sua
linguagem. Todo gesto, expressão ou atitude que atente contra sua
feminilidade, a enfeia e chega até convertê-la em um ser que
inspira desprezo. Para adquirir as belas qualidades que tanto adornam seu
caráter, é necessário que a mulher se disponha a ele
com especial dedicação. Aprendendo a conhecer de que modo
os pensamentos atuam e influenciam a vida, buscará a companhia daqueles
que elevem seu espírito e contribuam, por um lado a dar brilho a
sua figura de mulher superior no meio ambiente em que atue, e por outro,
a que sua alma desfrute das inumeráveis prerrogativas que abre o
conhecimento às possibilidades de viver uma vida mais ampla e mais
cheia de atrações que a vulgar, por conter uma variedade
tão incontável de motivos que não só despertam
ao ser interno em um novo mundo, senão que o extasiam ante a
grandeza dessa parte da criação que permanece ignorada
para os que não sabem que existe nem se aprestam a obter os meios
para conhecê-la. O cultivo mental deve constituir, pois, para a mulher,
uma necessidade intensa como a que sente para embelezar sua pessoa... E
quem senão os próprios filhos haverão de recordar
com gratidão essa graça, pouco menos que sublime, que uma
mãe inteligente e culta derrama sobre a alma dos mesmos? Que prêmio
maior pode haver para seus sacrifícios que aquele que em seu nome,
símbolo de exemplo, seja bendito e venerado por todos? Mulheres
assim como as que forjam o ideal das gerações."
S.Paulo, 12 de Maio de 1998.
Adm.Luiz Roberto Nascimento
CRA-SP-57867(Pós Graduado em Finanças)
Trav.Aldo Della Maggiori,80
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