NÚCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL DE FEIRA DE SANTANA - NTE 03 |
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Curso: Informática Educativa e Projetos
MEMORIAL
por Fátima Suely Barbosa da Silva Correia
" Gente de boa memória jamais entenderá aquela escola. Para entender é preciso esquecer quase tudo que sabemos. A sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer é livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentaram em nós, e que nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são. Não. Não é preciso que as coisas continuem a ser do jeito como sempre foram. "
Rubem Alves (Escola da Ponte -4)
Gostaria de iniciar as minhas reflexões sobre o Curso de Informática Educativa e Projetos, proposto pelo NTE 03, fazendo inferência a este trecho acima destacado, escrito por Rubem Alves.
Ao iniciarmos as discussões para montagem do Curso, muitas foram as propostas a serem seguidas e muitas as indagações de como seria feito um curso capaz de fazer o professor-cursista repensar a sua prática.
Por sugestão de nossa colega Elyene Adorno optamos por trabalhar com Projetos de Aprendizagem criando durante o curso um espaço para que os próprios cursistas construíssem seus projetos, fazendo com que o conhecimento crescesse a partir das experiências vividas por eles.
Elyene então nos presenteou com os textos de Rubem Alves intitulados Escola da Ponte, uma série de seis crônicas onde o autor descreve a sua experiência de visitante numa escola em Portugal com este nome.
Assim como Fernando Pessoa e Rubem Alves posso dizer sobre a Escola da Ponte que " Quando te vi, amei-te já muito antes..." Eu , que não pensava existir e até ser possível ensinar e aprender do jeito de lá, fiquei extasiada e encantada com tamanha sabedoria descrita nos textos, uma verdadeira viagem por dentro daquela escola tão simples e ao mesmo tempo tão rica de saberes e de sabor...
Começamos então a montar o nosso curso tendo sempre na mente o desejo de transferir o que lemos para a nossa vivência no NTE.
Esta foi a nossa proposta: vivenciar a Escola da Ponte nesses dias, buscando uma nova maneira de aprender por projetos, considerando cada um como ser único capaz de estabelecer relações, construir conceitos, elaborar hipóteses relacionando-as e buscando testá-las através dos diversos instrumentos por eles escolhidos.
Percebemos que, este caminho escolhido nos trouxe muito trabalho no sentido de que foi preciso que estivéssemos sempre planejando, avaliando as atividades, e, replanejando o dia seguinte, buscando aparar as arestas e reconfigurando sempre o nosso planejamento para que este estivesse de acordo com os anseios dos nossos alunos-professores.
Em diversas situações estabeleceram-se conflitos ao exemplo do momento de escolha dos temas para os projetos ou mesmo nas discussões quando das opiniões diversas sobre um mesmo problema levantado. Assim como na Escola da Ponte, tais conflitos eram resolvidos pelos alunos, que buscavam, no consenso, a melhor maneira para encaminhar as decisões que eram tomadas pela turma e não apenas por nós orientadoras.
Ao término do nosso curso, e olhando para trás, posso afirmar que nestes dias o ato de esquecer foi essencial para que pudéssemos levar adiante a nossa proposta. Esquecer os jeitos aprendidos nos bancos das Universidades, ou copiados de outras experiências,. Esquecer que o ato de ensinar diz respeito apenas ao professor e que ele é o único capacitado a encaminhar o processo de ensino-aprendizagem, esquecer para "livrar-se dos jeitos que se sedimentaram em nós."
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