"Não há dúvida que uma literatura, sobretudo uma literatura nascente, deve principalmente alimentar-se dos assuntos que lhe oferece sua região; mas não estabelecemos doutrinas tão absolutas que a empobrecem. O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos, no tempo e no espaço".

(In.: ASSIS, Machado de)

A História e a Literatura

O estudo da História pela História é coisa para antiquários e não oferece à mente moderna benefícios práticos alguns. O estudo do passado só importa se for relacionado ao presente, se servir de gênese à compreensão da contemporaneidade; dentro da literatura a História surge não como Ciência, mas vem reproduzida através das mais variadas modalidades escritas do fazer literário, citaremos por exemplo, o caso do teatro no Brasil que só evoluiu como atividade contínua a partir da Independência do nosso país, já que nos primeiros séculos após o descobrimento tivemos manifestações insuficientes para afirmar a existência da verdadeira arte dramática a qual possuímos hoje. Conheceu-se nesta fase as obras dos padres jesuítas e dos autores brasileiros como: Botelho de Oliveira, Antonio José da Silva e Gonçalves de Magalhães.

O teatro fortaleceu-se com a vinda da Família Real que culminou com o processo da emancipação política brasileira, inspirando Martins Pena a criar a Comédia de Costumes e Farsas baseadas na história de vida das sociedades colonial e imperial. Martins, como escritor atento, criou tipos irônicos, engraçados e caricatos baseando-se nos jovens, moças e velhas solteironas das sociedade burguesa do Rio de Janeiro do início do século XIX.

Temos além deste, outros exemplos para reforçar a idéia de que a História anda de mãos dadas com a "arte da palavra", é o caso de uma das obras do cearense José Martiniano de Alencar, quando reconstituiu a briga entre Olinda e Recife através do seu romance, A Guerra dos Mascates. Alencar no entanto, ao criar seu romance não o fez como um jornalista, o fez na visão do belo, do estético, porém não de forma isolada, a História teve aí a sua contribuição como registro para o enredo de seu texto.

No processo didático estudamos a organização econômica, política e social do homem destacando a sua localização geográfica por Estado ou Nação assim como a época do acontecimento. O estudo científico de cada povo seja ele europeu, asiático ou americano, no caso brasileiro (nordestino, sulista ou nortista) possui a sua história cuja riqueza cultural é por si só invejável, em razão da heterogeneidade etno-cultural.

As ações do homem na natureza, tanto no Brasil quanto no mundo, tem trazido sérios problemas para ele próprio que está por exigir uma mudança de atitude explícita nas manifestações de ecologistas numa advertência constante aos homens que controlam o poder, principalmente àqueles das grandes potências, primeiros responsáveis pela devastação da natureza. Tal estudo está a cargo das diversas áreas do conhecimento humano, porém a História tem uma responsabilidade maior devido ao seu papel político-social. Não menos importante é o papel da Literatura porque ela retrata também a vivência do homem na sociedade, seus valores e comportamentos, fato comprovado através dos romances Vidas Secas, de Graciliano Ramos e O Quinze, de Raquel de Queiroz.

A História, disciplina que integra a área de Ciências Humanas, orienta o homem a respeito da relação do estudo com os conflitos atuais, e a Literatura se utiliza da língua mater, seu instrumento, para repensar o real e social, apresentá-lo de forma metaforizada e levar a sociedade a refletir a respeito de suas problemáticas de uma forma mais dinâmica, sem respostas imediatistas e absolutas, deixando sempre o "final da estória ou história" a critério da imaginação e criatividade humana.

 

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