Roberto
Godoy
Contra armas químicas, Bush pode usar arma nuclear
São Paulo - O pior pesadelo das
forças da coalizão envolvidas na Operação Liberdade Iraquiana, um ataque com
ogivas químicas sobre grandes concentrações das tropas anglo-americanas, pode
levar o presidente George W. Bush a ordenar uma retaliação nuclear, empregando a
mais nova arma do arsenal atômico americano, a B61-11
de alta precisão.
Segundo
informou hoje à noite a secretaria de informações do Pentágono, cerca de 15
unidades da B61-11 foram transferidas para a base de Incirlik, na Turquia, sob guarda do 39º Esquadrão de Apoio
e Manejo de Munições Especiais.
Em tempo de
paz, 135 bombas desse modelo são mantidas em instalações militares avançadas da
aviação dos EUA na Bélgica, na Alemanha, na Grécia, na Itália, na Holanda e na
Inglaterra.
O equipamento
está relacionado na lista de sistemas de armas que consta da vasta documentação
- cerca de 8 mil páginas - encaminhada pela Casa
Branca ao Congresso em outubro de 2002, referente à mobilização para a 2ª
Guerra do Golfo.
Nessa época a
administração Bush subsidiava o Capitólio com
informações para obter autorização do Legislativo para uso da força contra o
Iraque, à revelia de um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU).
A B61-11 é a mais moderna e a
primeira bomba nuclear dotada de recursos de inteligência eletrônica por meio
de um kit JDAM, de guiagem por sinais de satélite e
GPS. Faz parte do armamento padrão dos bombardeiros invisíveis B-2 Spirit, B-1 Lancer e B-52H.
Aviões menores
como os caças F-11A Night Hawk,
de tecnologia furtiva, F-15DEagle
e F-16CD da última geração, também podem lançá-la. Sua principal característica
é a baixa potência e a possibilidade de ser empregada como destruidora de
fortificações subterrâneas. Os efeitos da explosão - de 0,3 kilotons
a 3,4 kilotons - atingem um raio máximo de 1,6 mil
metros. O combustível da bomba é uma combinação de trítio e deutério, produzida
nas centrais de Kansas City especificamente para carregar essa arma.
As B61-11 eventualmente envolvidas na 2ª Guerra do Golfo foram
desenvolvidas na planta industrial de Whiteman, no
estado do Missouri, a partir de 1993. A principal característica da bomba é a
reduzida área de destruição e o decaimento rápido da
radiação.
Os primeiros
lotes eram de versões convertidas do modelo B-61 de menor resolução em relação
ao objetivo, anterior à série 11. O contrato inicial de 50 bombas, com o
conjunto JDAM de navegação acoplado organicamente, foi concluído em 1998.
O uso das
bombas B61-11 e da configuração B-83, mais pesada,
orientada por radar e direcionador laser, é tático.
No teatro de
operações do Iraque elas serviriam para atacar instalações subterrâneas de
grande profundidade, blindadas e protegidas.
Também seriam um instrumento de dissuasão para impedir o emprego de
armas - químicas, radioativas ou biológicas - de destruição maciça pelas forças
de Saddam.
O especialista
americano em guerra atômica, Johny Dover, do Caleb Center de Estudos Estratégicos, considera a disponibilidade
dos sistemas táticos "uma tentação muito grande para o apetite
profissional dos guerreiros da nação".
O cientista
social lembra que em maio de 2002 o presidente George W. Bush baixou um ato
formalizando a doutrina dos ataques preventivos para anular qualquer ameaça
representada por agentes militares com poder de destruição em massa. "Esse
ato permitirá a um general em campanha decidir sozinho pelo uso de uma bomba
nuclear de menor porte, se vier a ter percepção de uma eventual ameaça."
Essa decisão
poderia receber o apoio da opinião pública dos Estados Unidos em larga
proporção. De acordo com Dover, "uma pesquisa de
abrangência nacional, realizada há pouco mais de 3
meses, indicou que 60% da população americana apoiaria o uso de armas nucleares
em alto risco". O exemplo utilizado no levantamento foi a
reconhecida capacidade do Iraque deflagrar, em 45 minutos, uma ação com mísseis
equipados com gases letais do tipo VX.