livros artigos biografia outros...
ENLOUQUESENDO O POSS�VEL TEXTO

Dirlen Valder Loyolla*

            O R que falta ao BASIL�Edif�cio do poema-narrativa Os Deuses Comem P�o, de Marcos Vin�cius Teixeira, n�o pode ser apenas o R comum da palavra Raz�o. O livro, tamb�m mosaico de id�ias sobre a trivialidade da vida contempor�nea, mostra-se, metaling�isticamente, tamb�m como questionador da exist�ncia humana, da aventura emp�rica do conhecer ante o explorar o mundo sem as gra�as da experi�ncia. Para tal empenho, com efeito, nada mais apropriado do que a figura do criador (mais ainda: do criador-personagem dentro de um mundo extremamente confuso; um mundo de dados e verdades v�rias, fragmentadas sofias e de perda cont�nua do sujeito conhecedor (o sujeito que lia?).

            Em seu poema, Teixeira consegue captar bem o processo de perda do �ser pensante�, processo este iniciado a partir do desenvolvimento de nossa mentalidade ocidental tecnoconsumista. A t�cnica utilizada pode ser detectada a partir do momento no qual o autor cria um narrador �econ�mico� em seu discurso. A descri��o dos personagens e dos ambientes, seguindo tal economia discursiva, consegue identificar eficazmente o processo individual de perda sofrido pelos �entes� do poema: os personagens, o edif�cio, as cidades, o Brasil.

            O universo dessa narrativa l�rica teixeireana desenha-se atrav�s de cores �cansadas�, desbotadas e perdidas em seu transcurso original. As coisas n�o t�m mais sentido, uma vez que tudo se resume numa massa compacta e feia, sem objetivo, limites ou desejo de perpetua��o. As coisas parecem haver se acostumado a um estado deplor�vel de ser: mostram-se como coisas vendidas, prostitu�das, esgotadas, mortas. Interessantemente, a perda de um centro instaura a confus�o ca�tica de tal universo. � nesse sentido que a loucura evidente se torna a bandeira de todos os �poss�veis personagens�, uma vez que, na aus�ncia de um centro gerador, todos s�o poss�veis personagens ou s�o, com efeito, centros geradores em potencial.

            Dentro desse mundo positivo e pragm�tico ainda existe espa�o para uma contempla��o metaf�sica, evocada unicamente atrav�s de um apelo simbolista. Tal apelo n�o poderia existir, logicamente, se n�o fosse a partir de um breve par�nteses. No mais, a vida continua pulsando, mecanicamente, em sua superficialidade. Superficialidade de Minas? Superficialidade brasileira? Humana? O novo existe ou existe apenas a vontade do novo? A sa�da do tormento (se h� sa�da de tal tormento) ainda estar�, no futuro, ligada � fuga pela Arte? A humana condi��o humana jamais se libertar� de sua essencialidade negativa, a qual anseia pelo resumo de tudo. A vida, mesmo assim, fornece-nos as chaves (que n�o funcionam, com certeza!) relacionadas ao mist�rio; e se n�o fossem essas entorpec�ncias �amarelas� (pingas p�ginas) para tranq�ilizar-nos a alma? �Enlouqueser� podemos. �Enlouquesomos� o que podemos ser; textos revistos a cada dia.

* Dirlen Valder Loyolla � mestre em Literatura Brasileira pela UFMG.

voltar
www.geocities.com/noventodotempo

 

Hosted by www.Geocities.ws

1 1