Sofrendo com as depredações após cada jogo, o estádio do Maracanã pode ser fechado no ano que vem. Nesta terça-feira, o presidente da Suderj, Sérgio Emilião, admitiu que o Campeonato Brasileiro pode ser a última competição realizada no local até o Pan-Americano do Rio.
"Estamos apelando aos torcedores e às torcidas
organizadas para ajudar na manutenção do Maracanã. Sozinha, a Suderj não
consegue fiscalizar e controlar tudo o que acontece aqui dentro. Se esse
cenário continuar do jeito que está, no fim do ano podemos ter de fechar
novamente o estádio", disse Emilião.
O quadro é grave. A cada partida, cerca de 30 poltronas são destruídas. Em
clássicos, o número dobra. Feitas de plástico especial anti-fogo, cada uma
custa R$ 100,00. No início do ano, a reserva era de um milhão de poltronas.
Hoje, restam cerca de 10.000.
O prejuízo continua em outras áreas. Os banheiros também são depredados a
cada jogo. A maioria das cabines teve suas portas arrancadas. Em alguns dos
banheiros, até mesmo os vasos sanitários desapareceram.
Em uma visita ao local nesta semana, o UOL Esporte teve acesso a um
dos banheiros masculinos, em que nenhuma das cabines tinha porta. As
cabines, feitas de pedra, racharam quando as portas foram arrancadas.
"O vandalismo não é novo e não é culpa das torcidas organizadas, por
exemplo. Mas o trabalho que estamos fazendo de prevenção é complicado. Já
colocamos algumas pessoas nos banheiros para fazer a segurança, mas não deu
certo", afirmou Emilião.
Os funcionários foram ameaçados por grupos de pessoas e
deixaram o local. "A solução é colocar policiamento no local. Mas seria
necessário também a cooperação das pessoas, para denunciar o que acontece."
Até mesmo fios elétricos foram roubados, nas rampas de acesso às
arquibancadas. O prejuízo já é de R$ 800 mil. "É claro que isso preocupa.
Estamos refazendo mais de uma vez uma série reformas, que já foram feitas",
reclamou Emilião.
Algumas soluções já estão se tornando realidade. A polícia militar, que faz
o policiamento durante os jogos, já se prontificou a ajudar na manutenção
das instalações. Em 2006, 50 pessoas estão sendo processadas por depredação.
Além disso, 26 das 56 câmeras que estarão em ação durante o Pan-Americano já
estão em funcionamento e flagaram algumas das depredações. A Suderj também
tenta fazer com que os próprios membros das torcidas organizadas ajudem na
proteção ao patrimônio.
"Já estamos, também, usando algumas de nossas armas. Impedimos algumas
torcidas de entrar com bandeiras ou instrumentos musicais, para punir as
torcidas que estão prejudicando o Maracanã. Pode não ser culpa das torcidas,
mas de indivíduos, mas queremos que todos ajudem a coibir esse tipo de
coisa", completou o presidente da Suderj.
No Pan-Americano, o Maracanã será usado como palco das cerimônias de
abertura e encerramento dos Jogos. Será, também, a sede do futebol, caso a
modalidade consiga resolver o impasse que ameaça a categoria no Rio 2007.