Teste nuclear norte-coreano deverá ser subterrâneo, diz especialista

Se a Coréia do Norte levar adiante a ameaça de realizar um teste nuclear, deve optar por ação subterrâneo ao invés de uma explosão na atmosfera --o que geraria um "impacto teatral", segundo opinião John Pike, membro do centro de estudos Global Security em Washington. "Acreditamos que os norte-coreanos dispõem de um túnel horizontal sob uma colina."

Um teste nuclear na atmosfera provoca a tradicional nuvem em forma de cogumelo, liberando imensas quantidades de radioatividade. Um teste subterrâneo, em geral, significa apenas um leve tremor que, em tese, evita a propagação de radiações.

De acordo com o especialista, dois motivos justificam a possível opção norte-coreana, caso o teste seja mesmo levado a cabo. O primeiro é evitar que as radiações contaminem a atmosfera. O segundo é que com a liberação de dejetos os inimigos têm acesso a informações técnicas sobre o armamento nuclear.

"É preferível ter centenas de metros de rochas por cima, o que significa a necessidade de cavar um túnel a 300 metros de profundidade", disse.

Para realizar a explosão subterrânea é necessário dispor de um local no fundo do túnel onde se coloca o artefato nuclear para que detectores meçam os nêutrons e os raios X, explica Pike. Segundo ele, também são instalados cabos por todo o túnel até a superfície, para que a detonação possa ser feira após este túnel ser fechado.

"A maioria dos testes nucleares realizados durante a Guerra Fria por Estados Unidos e União Soviética eram subterrâneos, depois da proibição de outras formas de exercícios --na atmosfera e submarinas-- pelo tratado de limitação dos testes nucleares de 1963", disse Pike.

Segundo a Federação de Pesquisadores Científicos Americanos, o dispositivo de diagnóstico pode ser um cilindro de dois metros de diâmetro, com comprimento de 30 metros e conter todos os instrumentos necessários para registrar os dados em tempo real no momento da explosão. 'Este cilindro poderia conter chumbo e outros materiais para proteger os detectores.

De acordo com o site da federação, quando se leva a cabo a detonação de um artefato nuclear, a energia liberada produz temperaturas e uma pressão extremamente elevadas que fazem o aparelho e as rochas que o cercam literalmente evaporar. Uma fração de segundo depois da detonação se forma geralmente uma cavidade esférica no lugar onde estava o artefato explosivo.

Depois de vários minutos ou horas, quando os gases dessa cavidade esfriam, a pressão diminuiu e o teto da cavidade desaba, provocando a formação de uma coluna vertical de escombros, conhecida como chaminé de escombros, que de fato se parece com uma gigantesca cratera.

Após o esfriamento da cratera, geralmente é feito um orifício no local da explosão para extrair mostras, altamente radioativas, mas que proporcionam informações importantes sobre o teste nuclear, segundo a federação.

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