"E se alguém lhe disser: Que feridas são essas entre as tuas
mãos? Dirá ele: São as feridas com que fui ferido em casa
dos meus amigos" (Zacarias 13.6).
As mais belas mãos são, sem dúvida, aquelas que apresentam
marcas de serviços e sacrifício em favor de alguém
individualmente ou de uma causa comprovadamente digna.
Assim, as mãos que realizam um trabalho justo, fiel e
constante em nome do Senhor Jesus, hão de compartilhar a
bênção eterna nas mansões celestiais. O Príncipe da Paz não
tem em suas mãos também as marcas de serviço e sacrifício
prestados aos homens? Há uma lenda bastante antiga que fala
a respeito de um príncipe, que pediu aos arautos do reino
que proclamassem por todo o seu território que ele se
comprometia a casar-se dentro de um tempo determinado,
com a jovem que tivesse as mais belas mãos.
Essa proclamação alvoroçou todo aquele reino. Os maiores
súditos encheram-se de vaidade e de esperança, no sentido de
verem suas filhas sendo conduzidas pelas mãos do príncipe,
numa cerimônia nupcial que por certo mudaria o rumo e os
recursos da família. Assim, todos procuraram preservar e até
cultivar da melhor maneira possível, a beleza das mãos de
suas filhas, não lhes permitindo realizar qualquer atividade
manual que porventura viesse marcá-las.
Certo dia, uma linda jovem que, como as demais, estava sendo
poupada das mais simples tarefas, a fim de lhe garantir a
beleza das mãos, cansou-se das horas ociosas e saiu a
passear pelo campo. Andou bastante, deleitando-se com tudo
de belo que a natureza criara - céu azul, montanhas, relva
verde, flores e um regato com águas frescas e cristalinas.
Ao se aproximar da água, viu um infeliz carneirinho preso
nas reentrâncias de uma cerca feita de pedras brutas. Ele
carecia de socorro urgente. Olhou então para as suas mãos,
que conservava aveludada, e depois reparou o animalzinho, já
dilacerado pela luta. A piedade venceu. Entretanto, salvando
o animal, suas mãos foram cruelmente atingidas por
ferimentos tão graves que as cicatrizes profundas nunca mais
puderam ser removidas. Fez tudo o que lhe foi possível,
porém inutilmente. Estava então convencida de não ser aquela
que o príncipe haveria de escolher; mas, nem por isto se
tornou infeliz.
Quando, no tempo aprazado, o príncipe começou a percorrer
o reino para consumar a escolha, conforme proclamação
amplamente divulgada, ele viu aquela moça de semblante tão
terno, expressões despretensiosas, porém, com as mãos
deformadas pelos sulcos que as marcavam. Ainda assim o
príncipe se deteve falando com ela e foi então que ficou
sabendo por que aquilo lhe acontecera. Sentiu-se maravilhado
com a bravura da jovem e foi por isso que ele a amou tão
profundamente, ao ponto de transformá-la em sua rainha...