Amor
por Artur da Távola


O amor, este bacilo invisível e incontrolável,
pelo qual raros são os que não
se deixam contagiar, tem poderes inimagináveis.

Quando chega, não pede licença e, quando
menos se percebe, já está
instalado feito posseiro, dono do corpo e da alma de quem dominou.

Tudo o que o amor toca, se transforma
como se houvesse sido atingido pela
varinha de condão da mais poderosa fada
do universo. E nesta mágica
revolucionária de que só este sentimento é capaz,
bandidos se transformam
em mocinhos, covardes em heróis, velhos em crianças,
ateus em crédulos e
insensíveis em corações derretidos que se abrem feito o sésamo de Ali-Babá.
O amor é tão diferente de tudo, que quanto mais
se conheça dele, mais ele
espanta e amedronta.
O amor, o bichinho danado e traidor,
só deixa aparecer seu lado bom.
Todas as interrogações se transformam
em promessas e todas as dúvidas
tomam jeito de esperanças.

O mundo fica mais amigável, e a gente sente vontade
de afagá-lo inteiro num
só abraço........ e como o primeiro amor é favo doce,
que a gente pensa poder
engolir todo de uma só vez, sem se arriscar nem a uma dor de barriga, nunca
em nenhuma das outras situações que a vida oferece,
ninguém consegue se
sentir mais potente.

Mas quando o amor foi experimentado,
deixou de existir e surge de novo, ao
invés da primeira experiência servir para nos
fazer mais fortes e seguros, é
justamente ela que nos dá a consciência da
vulnerabilidade e da fragilidade
que este sentimento impõe a todos os que atinge.

O amor é assim mesmo: o mais democrático dos sentimentos.

Vence todas as diferenças, une todas as distâncias, iguala todos os seres
humanos.

 


 

 

 

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