
Sem se atar a rótulos, etiquetas, carimbos, griffes ou afins, o The Church vem se destacando como um grupo que consegue agradar os mais diversos públicos possíveis, desde os surfistas de cabelos verdes aos hippies mais enrugados e fedorentos.
É difícil falar no The church. Pra início de conversa essa banda vem sendo recebida
das mais disparatadas formas nos mais diversos cantos do mundo. Em Londres, por exemplo, o Church
é tido como neo-psicodélico e, nos shows, atrai toda a casta de hippies viajandões
e encharcados de LSD que sobraram dos anos 60; Na Austrália, onde surgiu, o grupo é
o xodózinhos dos surfistas,e até hoje não sai dos top ten locais; nos Estados
Unidos a crítica ainda os considera um sub-Echo, mas o público em geral acha o máximo;
No Japão, é a sensação do momento. No Brasil? Bem... no Brasil, trata-se
de apenas mais uma bandinha pop que, de vez em quando, toca nas r´dios. Por tudo isso, como
eu disse, é difícil se falar no The Church. Mas vamos tentar!
A banda não é nova nem aqui nem na China: surgiu em 1980, quando os australianos
Nick Ward (bateria), Peter Koppes (guitarra) e Steve Kilbey (baixo e vocal principal), então representantes de um
movimento poético-estudantil muito em moda naquela época, descobriram que tinham grande afinidade
pela música - especialmente Floyd, Grateful Dead e folk americano - e resolveram musicar
seus poemas. Deu certo, e, em pouco tempo a banda ja dava seus primeiros mini-concertos nos pubs de
Sydney. O guitarrista Marty wilson-Piper uniu-se ao grupo e, graças às suas
influências - não as musicais, mas sim os populares "pistolões" - conseguiu um
contrato de gravação. O primeiro single foi um fracasso total que mal ficou nas lojas
e logo foi recolhido para virar vinil reciclado. Os poucos exemplares remanescentes são raridades
disputados a golpes ninja pelos fãs. Pra compensar, o segundo single - "Unguarded Moment" -
estourou, ainda que tal êxito não-aguardado tenha se dado mais as "estratégias
promocionais" usadas - leia-se jabá oferecido as rádios - do que à sorte. Mesmo
assim, a música era boa e, com a divulgação que recebeu, acabou caindo no
agrado popular e abriu caminho para o primeiro LP, Of Skins And Hearts (81), Platina na
Austrália e ouro no Canadá, a bolachinha serviu inclusive de passaporte para a Europa.
Onde as coisas começaram mesmo a acontecer.
Após uma pequena mudança estrutural - o baterista Nick Ward foi vergonhosamente chutado
por incompetência, entretanto em seu lugar o novato, porém talentoso Richard Plog - , o
Church grava seu segundo album, intitulado Blurred Crusade. Junto a ele - que alias é considerado por muitos
como o album de estréia do grupo - , veio uma mamutesca trune pela Europa, na privilegiada posição de
headlining. Nessa época, o som da guitarra do Church - instrumentos elétricos
tocados a maneira acústica, sem nenhum efeito, resultando num som caracteristico e, por vezes,
U2niano - já era marca registrada.
Em 83 veio mais um LP, Seance, que estourou na inglaterra e valeu ao Church uma capa no
bizantino NME. Mas foi só em 84 que o grupo conseguiu realizar o sonho de toda banda inglesa:
penetrar no sedutor mercado americano. Isso foi feito com o album Remote Luxury, gravado
com os EUA em mente e apoiado por uma arriscadíssima turnê ianque que rendeu mais frutos que o esperado.
Todos os discos do Church foram lançados lá e, para melhor aproveitar os loiros do
sucesso, a banda resolveu ficar por Nova Iorque mesmo. Nos States é gravado Heyday,
outro grande êxito de 87, e Starfish, o mais recente da banda e já lançado entre nós.
Que, não satisfeito em se igualar ao sucesso dos trabalhos anteriores, parece ter sido feito para
virar um cláassico. Pop, bem entendido. E quem gosta do Floyd, folk e afins, vai sem dúvida achar o Church
interessante. Assim como os que curtem Echo, Cure, U2, ou até mesmo qualquer porcaria que toca na rádio. Afinal,
é difícil resistir as cançõeszinhas tão bem feitinhas como as
de Starfish.
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