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Mafra
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Formada
por dois núcleos habitacionais, a Vila Velha, constituída ao redor
do antigo castelo, e a Vila Nova, desenvolvida à sombra do Convento,
Mafra é sede de concelho e de comarca.
Conquistada aos Mouros em 1147, recebeu foral em
1190. |
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Palácio Nacional de
Mafra. |
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Vestígios arqueológicos sugerem que o povoado hoje
denominado por Mafra foi habitado pelo menos desde o Neolítico.
A origem do termo Mafra continua envolta em mistério, sabendo-se
apenas que evoluiu de Mafara (1189), Malfora (1201) e Mafora (1288).
Alguns autores encontraram na sua origem o arquétipo
turânico Mahara, a grande Ara, vestígio de um culto de fecundidade
feminina outrora existente no aro da vila. Outros, radicaram o nome
no árabe Mahfara, a cova, na presunção de que a povoação se encontrava
implantada numa cova, facto desmentido pelo reconhecido arabista
David Lopes. A vila está, isso sim, situada numa colina, cercada
por dois vales onde correm as ribeiras conhecidas por Rio Gordo
e Rio dos Couros.
Certo também é que Mafra foi uma vila fortificada,
podendo ainda hoje encontrar-se, na Rua das Tecedeiras, um pouco
da muralha que a cercava.
Os limites do castelo, que tudo leva a crer assenta
sobre um povoado neolítico, sucessivamente reocupado até à Idade
do Ferro, compreendiam toda a zona da "Vila Velha", que
hoje se inclui no espaço delimitado a Oriente pelo Largo Coronel
Brito Gorjão, a Sul pela Rua das Tecedeiras, a Ocidente pelo Palácio
dos Marqueses de Ponte de Lima e a Norte pela Rua Mafra Detrás do
Castelo. A designação desta rua deve-se ao facto de a povoação ter
voltado, literalmente, as costas ao flanco norte, por ser o mais
exposto aos ventos. A densa floresta que, consta, existiu até ao
século XIX na Quinta da Cerca, constituída por árvores de grande
porte, reforçaria o paravento.
Em 1147, Mafra é conquistada aos Mouros por D. Afonso
Henriques, e em 1189 a vila é doada pelo Rei D. Sancho I ao Bispo
de Silves, D. Nicolau, que no ano seguinte lhe confere o primeiro
foral. |
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Em 1513 o Rei D. Manuel concede Foral Novo a Mafra,
o que subentende a relativa importância da vila, que em breve diminuiria
drasticamente. Um censo da população datado de 18 de Setembro de
1527 apura 191 vizinhos, dos quais apenas quatro vivem em casais
na vila. Quando, em 1717, o Rei D. João V lança a primeira pedra
da construção do Palácio, Mafra resumia-se a uns casarios, aglomerados
a centenas de metros do Monumento. Em Agosto de 1787, William Beckford
escreverá: "É pouco interessante a perspectiva que se goza
do adro da Basílica. O que se vê são os telhados de uma aldeia insignificante
e uns cabeços de areia, destacando sobre uma estreita faixa de oceano.
Da esquerda a vista é limitada pelos escarpados montes de Sintra
e à direita, um pinhal, na quinta do Visconde de Ponte de Lima,
é que dá aos olhos algum refrigério".
Ao longo do século XIX começou a povoação a crescer
em direcção ao Monumento, embora o seu aspecto rural de vila saloia
só tenha sido perdido no século XX, como provam as palavras de José
Mangens, em 1936, ao descrever a antiga Rua dos Arcipestres, parte
dela actual 1º de Maio: "(…) nada oferece de interessante e
mais parece uma vila de aldeia sertaneja, com os seus casebres arruinados
e típicos portais de quintais, blindados com latas velhas (…)". |
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A invasão das tropas francesas de Napoleão em 1807
e a fuga do Rei D. Manuel II para o exílio em 1910 foram episódios
que agitaram a vida desta vila nos últimos séculos.
Corria o dia 8 de Dezembro de 1807 quando as tropas
de Napoleão entraram em Mafra para montar quartel-general no Palácio.
Parte do exército seguiu para Peniche e Torres Vedras, enquanto
o restante ficou aquartelado no Palácio e Convento, e os oficiais
nas casas da vila, sob o comando do General Luison.
A invasão duraria cerca de nove meses. No dia 2 de
Setembro o exército inglês irrompia em Mafra, saudado com grande
alegria pela população e ao som dos carrilhões.
A 5 de Outubro de 1910 de novo o povo de Mafra viveria
um dia único. A revolução republicana estalara na véspera em Lisboa,
o Rei D. Manuel II refugiara-se durante a noite no Palácio e abandonava
Mafra, num automóvel escoltado, acompanhado da sua mãe e avó, rumo
à Ericeira, onde o Iate D. Amélia os conduziria a Gibraltar e ao
exílio.
Volvidos quatro anos sobre a fuga de El-Rei, novo
sobressalto em Mafra: no dia 20 de Outubro, um grupo de monárquicos
reuniu-se no largo D. João V e, munido de algumas armas, encaminhou-se
para a Escola Prática de Infantaria, instalada no Convento, depois
de cortar os fios telefónicos e telegráficos. A revolta foi facilmente
anulada pelos militares, acabando na cadeia de Mafra cerca de uma
centena de pessoas. |
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Desde a construção do Monumento que os militares
conferem parte do ambiente humano à Vila de Mafra.
Como descreve Guilherme José Ferreira de Assunção,
em "À Sombra do Convento...", após as primeiras visitas
de D. Maria II à vila de Mafra foi reconhecida a vantagem da instalação
de um corpo militar no Convento, "o que não demorou a acontecer
e o que conseguiu transformar a vida da população, até aí arrastada
e em precárias condições de existência".
A partir de 1840 o Convento passou a ser ocupado
por tropa, e em 1859 cerca de quatro mil recrutas ali assentaram
praça para receber instrução no Depósito Geral de Recrutas, criado
por D. Pedro V. Esta instituição seria extinta no ano seguinte,
após 94 recrutas terem falecido supostamente devido a doença infecto-contagiosa.
De 1848 a 1859, e de 1870 a 1873 o Convento alberga o Real Colégio
Militar.
Em 1887 é criada a Escola Prática de Infantaria e
Cavalaria e no ano seguinte é construída, na Tapada, a carreira
de tiro, de que passou a ser frequentador o Rei D. Carlos, entusiasta
dos concursos de tiro. Em 1896 é criada a Escola Central de Sargentos,
dependente da Escola Prática de Infantaria.
Em
1911 é fundado o Depósito de Remonta e Garanhões, que dá lugar,
em 1950, à Escola Militar de Equitação e sete anos mais tarde ao
Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos.
Hoje continua a funcionar o agora denominado (desde
1993) Centro Militar de Educação Física e Desportos, no Largo General
Conde Januário, e a Escola Prática de Infantaria, no Convento de
Mafra. |
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