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"Filosofar é reaprender a ver o mundo"

   
Templo da Concórdia em Agrigento Origem histórica da razão

              A razão surgiu na Grécia antiga por volta do ano 600 a.C. (entre os séculos VII e VI a.C.). Ela surgiu como forma de explicação da realidade. Antes, porém, do aparecimento da razão, os homens utilizavam-se do mito para entender todas as coisas existentes em seu mundo.

              O mito é uma narração, um relato que se propaga e se consolida popularmente. São histórias contadas pelo povo (de geração para geração) para "explicar" determinados fenômenos ou mesmo qualquer atitude humana que seja significativa.

              "Um mito é um modelo exemplar de atitudes consagradas pelos Deuses para que os homens as repitam." Assim todos os mistérios que envolvem o nascimento, a morte, a chuva, a vegetação e etc. tornavam-se significativos a partir da explicação mítica. Ou seja, o mundo não é um amontoado de objetos porque o mito articula e dá significado a esses objetos. A Lua, o Sol, as águas e as plantas têm sua história mítica, principalmente a que se refere à sua origem. É dessa maneira que os objetos passam a pertencer ao "mundo", passam a ser reais. Isto é, o mundo e os objetos que nele estão, sem uma história mítica é o caos, é um amontoado de coisas. O mundo, sem uma história mítica, não existe, pois não tem sentido, não tem significado. Um objeto só passa a ser real e significativo a partir do momento em que o homem passa a conhecer sua história mítica. É somente a partir desse momento que homem e objetos (ou natureza) passam a fazer parte do mesmo "mundo".

              Portanto, o mito, como forma de explicação do mundo, foi suficiente enquanto o homem aceitou pacientemente todas as revelações transmitidas pelos seus antepassados. Várias circunstâncias, porém, concorreram para que o mito fosse substituído pela razão. O comércio entre as cidades, por exemplo, fez com que aparecessem vários mitos diferentes que tinham por finalidade explicar uma mesma coisa. Isso fez com que os homens começassem a questionar a veracidade do mito. Outra circunstância foi, possivelmente, a emergência da democracia na Grécia antiga. Os homens precisaram argumentar sobre seus problemas cotidianos. Com isso tiveram que deixar de lado os Deuses e os mitos, pois precisaram raciocinar.

              Com certeza o mito não era uma pura imaginação desordenada e já nele se encontrava algo de lógico, de racional. Justamente por isso é que foi possível a passagem do pensamento mítico ao racional, isto é, bastou privilegiar sua lógica. Com certeza também a razão não surgiu de repente e espontaneamente, pois ela é uma criação histórica do homem.

              Portanto, em oposição ao mito a razão passa a ser uma nova maneira de explicar a realidade. Através da razão o homem passa a indagar sobre suas ações, passa a indagar sobre aquilo que conhece, passa a indagar sobre todas as coisas. Enfim, passa a indagar sobre o mundo que o rodeia. Mais importante ainda será a indagação que o homem fará sobre si mesmo por intermédio da razão. Porque somente a razão proporciona ao homem a possibilidade de refletir sobre aquilo que pensa.

 
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