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Fórum Social Capixaba Um outro Espírito Santo é possível
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Notícias do Fórum Social Capixaba
Fórum Social Capixaba discute produção e distribuição de riquezas Jacson Segundo
'É impossível distribuir renda sem distribuir riqueza'
Na conferência Produção industrial e agrícola e distribuição de riqueza, realizada neste sábado, no Fórum Social Capixaba, os conferencistas demonstraram a situação de crise no Brasil e no Espírito Santo e formularam alguns prognósticos do Governo Lula. Compuseram a mesa o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro e os professores de economia Carlos Brandão (Unicamp) e Maurício Sabadini (Ufes).
Maurício Sabadini, por sua vez, disse que, devido à destruição do mercado de trabalho, que aconteceu a partir da década de 1990, aumentou a participação das mulheres no mercado de trabalho, diminuiu a força dos sindicatos, aumentou o desemprego e, conseqüentemente, o mercado informal. Com isso, o capitalismo por si só gerou um exército de mão-de-obra excedente. Assim, os trabalhadores informais aumentaram a reserva de mercado, diminuindo o salário de quem está trabalhando, diminuindo também o índice de desemprego e as tensões sociais. Reconstrução nacional, iniciar o desmonte do pacto e dominação interna, inclusão da população que vive à margem e resgate das diversidades do país devem ser algumas das atitudes do novo presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva, segundo o professor Carlos Brandão. Para ele, a maior parte da população possui pouca ou quase nenhuma consciência política e de classe, além da falta sedimentação e homogeneização.
"Alívio com a vitória do Lula". Com esse desabafo, Gilmar Mauro iniciou sua fala. Segundo ele, o MST irá manter a autonomia, ou seja, não haverá nem alinhamento, nem sectarismo. "Isso nos dará maior liberdade para continuar com a nossa luta", concluiu. Ele disse ainda que estão acontecendo diversas palestras para conscientizar os sem terra de que Luís Inácio terá muitas dificuldades para converter a "reforma agrária ao contrário" proporcionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, nos seus oito anos de "desgoverno". "Ao contrário do que se diz nos meios de comunicação, mais de 4 milhões de pessoas deixaram o campo nos últimos 10 anos. Entre os que ficaram, 80% possuem renda familiar de até 2 salários mínimos. Desse percentual, 50% sobrevivem com até 1 salário mínimo e 11% não possuem renda. E o processo de concentração cresceu abruptamente. Por isso a reforma é ao inverso", explicou Gilmar Mauro.
Os componentes
da conferência não tiveram pontos divergentes - ao contrário,
todos concordaram nos diversos aspectos apresentados, principalmente no
que se refere às táticas que o novo presidente deverá
utilizar: "aumento do mercado interno e políticas de geração
de emprego".
Jacson Segundo e é estudante de comunicação social da Universidade Federal do Espírito Santo.
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