São Luiz Gonzaga é uma obra de autoria do Irmão José Brasanelli, o escultor mais famoso dos Sete Povos. É

uma estátua lavrada em cedro, no tamanho pouco acima do natural. É uma obra impressionante, também por suas

dimensões: pesa 110 quilos e tem uma altura de 2,10 m. Brasanelli acentuou, através de elegante tratamento da

sobrepeliz, a antítese das mãos, ambas ocupadas em anunciar a verdade do exemplo do santo: de um lado, a

concentração da cruz, na ascese individual – que, na verdade não está mais ali; foi tirada ou perdida, mas , assim como

a imagem de pedra, do lado de fora da Igreja, está com ela, esta também tinha – de outro lado, a dedicação ao

próximo, sugerida pela mão espalmada.

A divisão cromática, por assim dizer maniqueísta, sugere a oposição mencionada: dor-alegria, luta-vitória, renúncia-ao-

mundo-conquista-do-paraíso.

Segundo DAMASCENO apud TREVISAN (1978, p. 56), o que singulariza Brasanelli é “[...] o corte próprio de seu

pulso, a maneira de usar a ferramenta, a posição preferencial do corpo, o estrênuo acabamento das mãos, a

expressão de fervorosa religiosidade que sabia imprimir à fisionomia de suas figuras.

Esta obra do acervo jesuítico-guarani esteve em exposição na Mostra do Redescobrimento, realizada de abril à

setembro de 2000, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que era dividida em dez módulos, sendo que um deles era

sobre a arte barroca, na qual, além da imagem de São Luiz Gonzaga, estiveram outras dezenove, de São Miguel das

Missões. Ela foi procurada pela restauradora Helena David, de Universidade Federal de Minas Gerais. Há pouco

tempo, retornou à Igreja Matriz. A foto abaixo expressa a beleza e a perfeição dessa escultura.




O Barroco foi inventado por artistas e encontrou sua expressão tão bela e eficaz, tanto em pequenas obras

particulares, quanto nas grandes e de caráter público, que eram as suas manifestações mais típicas, como podemos

observar na escultura de São Luiz Gonzaga, talhada em tamanho acima do natural.

Outro fator importante a ser considerado é o grau em que as roupagens flutuantes, os gestos e expressões faciais

exagerados, nas pinturas e estátuas barrocas, pretendiam conduzir o devoto a compartilhar das emoções da pessoa ou

pessoas representadas, privilegiando três aspectos: de jogo ou diversão; da atração óptica e finalmente as técnicas de

propaganda religiosa.





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