CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tudo começou em 1534 quando surgiu em Paris a Companhia de Jesus, uma ordem religiosa a serviço do Estado absoluto moderno, como conseqüência da contra-reforma, transformando os jesuítas em fiéis servidores daquele Estado. A Missão servia aos interesses de tal organização estatal, apresentando-se como um fidedigno aparato da aliança entre o rei e o papa no contexto da Contra-reforma.

No período de 1534, as Missões religiosas tinham como objetivos principais evangelizar e civilizar os “pagãos” em todos os quadrantes do planeta e com esse mesmo intuito chegaram à América, expandindo-se por várias regiões do continente, até que em 1607, os padres jesuítas começaram a missionar na zona do Rio da Prata, transformando-se em espaço de transculturação entre os valores da sociedade tradicional tribal guaranítica e os da sociedade global espanhola.

A partir de 1626, o Pe. Roque Gonzales da Santa Cruz atravessa o rio Uruguai para iniciar os primeiros aldeamentos em solo do R/S, surgindo aos poucos os Sete Povos das Missões.

Neste espaço geográfico, os padres jesuítas desenvolveram um trabalho de civilização e cristianização nas Reduções, pregando a fé católica aos índios e realizando um processo de mudança cultural: politeísmo X monoteísmo.

O primeiro contato entre o guarani e os missionários jesuítas foi marcado por diferenças culturais e na não aceitação dos ensinamentos cristãos; no entanto, devido a insistência dos padres, além das promessas de dias melhores sob a guarda da Coroa espanhola, a evangelização acabou se efetivando.

A “conversão” dos índios guaranis se fez em torno da religião, pois além das atividades diárias desenvolvidas, como a agricultura, criação de animais, artesanato e artes, o cotidiano acontecia em torno da Igreja, onde os “fiéis” participavam da missa, rezavam o terço, cantavam e estudavam catequese.

Uma atividade de grande importância, também ligada à religião que muito contribuiu para a evangelização dos guaranis, que tinha como objetivo principal despertar a devoção e a fé e servir como elemento catequético, foi a arte, em especial a arte sacra barroca, pois os padres esculpiam imagens de santos, as quais eram copiadas pelos índios e às vezes, aprimoradas por eles, tornando-se belas obras, em um estilo jesuítico-guarani missioneiro.

A escultura missioneira demonstrou certa criatividade dos guaranis e através dela se concretizou uma expressão de um modo de vida, quer seja de forma indireta, clandestina ou precária; prova disto estão na Igreja Matriz de São Luiz, as imagens sacras do acervo jesuítico-guarani que nos mostram esta realidade.

Enfim, o sonho dos jesuítas havia se realizado. Conforme seus objetivos, eles transformaram os índios guaranis, em um povo diferente do que encontraram, superando suas próprias expectativas, das clareiras abertas nas matas nasceram as cidades, da terra brotaram as plantações e as pastagens, do ventre das índias guaranis nasceram os guarani-missioneiros que com seu suor e sangue santificaram as terras das Missões e, o que é mais importante, conseguiram firmar a disciplina e a ordem, nos preceitos da religião católica, efetivando, assim, a evangelização dos índios, transformando-os ao monoteísmo cristão.

Depois de muita resistência, a evangelização acabou se efetivando e apesar do processo de aculturação que sofreram, muitos costumes e crenças dos guaranis resistiram ao tempo, chegando até nossos dias e sendo incorporados pela nossa sociedade. Prova disso, é o legado deixado pelos guarani-missioneiros influenciando até hoje o povo sãoluizense que guarda em sua memória a força e a coragem de seus antepassados, contribuindo desta forma, não só na formação histórica de nosso estado, mas também no desenvolvimento social, econômico e político do presente e futuro do Rio Grande do Sul.




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