Nenhuma ligação encontrada entre o uso do célular e câncer cerebral

Artigo original por Ellen Kuwana (site Neuroscience for Kids), tradução por Fernando Lage Bastos (NeuroKidsBr)

Artigo Original: 02-Mar-2001; Tradução: 11-Ago-2001

É possível ouví-los em todo lugar. Restaurantes, parques, shopping centers; para todo lugar que se olhe há alguémm utilizando um telefone celular. Não há dúvida quanto a comodidade destes telefones, mas ainda há uma muita controvérsia sobre a segurança. Poderia o uso de telefones celulares aumentar as chances do surgimento de um câncer no cérebro?

Pesquisadores na Dinamarca recentemente publicaram o maior estudo até o momento sobre o uso de celulares e o risco de câncer cerebral. Estes pesquisadores verificaram que NÃO houve um aumento do risco de cancer nas pessoas que utilizavam celular quando comparadas com aquelas que não utilizavam. Os pesquisadores compararam a incidência de tumores do sistema nervoso, leucemia e tumores das glândulas salivares entre as duas populações. Dois estudos anteriores realizados nos EUA também chegaram à mesma conclusão.

A pesquisa dinamarquesa foi o primeiro estudo nacional deste tipo e foi possível pois na Dinamarca, cada cidadão recebe um número único de identificação ao nascer. As duas empresas de telefonia celular que participaram do estudo forneceram o número de identificação dos clientes cadastrados de 1982 até 1995. Estes números foram então comparados com o banco de dados do Registro de Câncer da Dinamarca para calcular a incidência de câncer entre as pessoas que utilizam telefones celulares. Os dados foram então comparados com aqueles encontrados na população média da Dinamarca.

Enquanto esta pesquisa ajuda a diminuir a preocupação dos usuários de telefone celular, há ainda alguns pontos que devem ser esclarecidos:

  1. A maioria dos participantes na pesquisa dinamarquesa usaram o telefone por uma média de 3 anos, mesmo que alguns participantes utilizaram o telefone por até 10 anos. Uma das preocupações é que alguns tumores cerebrais crescem muito lentamente (demorando 10-15 anos antes de causar sintomas) e talvez não foram detectados durante o curto tempo de duração do estudo.

  2. Um bioengenheiro da Universidade de Washinton, Dr. Henry Lai, mostro que as emissões de telefones celulares causam danos à células nervosas de ratos. Estas pesquisas demonstraram que os ratos expostos à radiação semelhante às emitidas pelos telefones celulares durante uma conversa de 1 hora, desenvolveram perda de memória de curto e longo prazo. Além disso, foi verificado que o DNA das células nervosas destes ratos sofreu danos. Até o momento ninguém sabe se resultados semelhantes podem ser verificados em humanos.
  3. Um polêmico estudo sueco concluiu que os tumores cerebrais ocorrem com mais freqüência no lado em que os telefones celulares eram utilizados pelos paciente. Outros estudos não notaram a ocorrência deste fenômeno. Mesmo assim, muitos fabricantes de telefones celulares recomendam o uso de fones de ouvidos que permitem manter a antena do celular longe da cabeça, diminuindo a quantidade de radiação que atinge o cérebro.
  4. Ninguém sabe como o telefone celular afeta o encéfalo e o crânio em desenvolvimento de crianças, já que nenhum estudo foi feito neste sentido. É possível que o tecido em desenvolvimento seja mais vulnerável à radiação dos celulares

A boa notícia sobre a preocupação em relação à emissão de radiação por celulares é que muitos fabricantes estão incluindo informações sobre o nível de radiação emitida por cada um dos aparelhos celulares, ajudando o consumidor à realizar uma decisão consciente quando adquire o seu telefone celular. Todos só celulares vendidos nos EUA tem que seguir normas que regulam a emissão de radiação. Os telefones celulares digitais emitem muito menos radiação que os antigos aparelhos analógicos. Além disso, o tipo de radiação que é emitida pelo telefone celular é do tipo não-ionizante, e é muito menos destrutiva que as radiações ionizantes, como aquelas que a pessoa está sujeita durante o bronzeamento.

Até o momento, não há uma ligação clara entre o uso de celular e câncer. Usuários de telefones celulares tem a mesma incidência de tumores malignos que as pessoas que nunca utilizaram. Porém, é de bom senso evitar usar o telefone celular por longos períodos ou utilizar o fone de ouvido, até que novos estudos sejam feitos. Talvez o mais importante em relação à segurança no uso de celulares seja não utilizar o celular enquanto estiver dirigindo.

Você sabia?

  • Só nos EUA, existem 97 milhões de usuários de celular?

  • Brasil, Israel, Japão, Cingapura e Portugal proibiram o uso de celulares por motoristas?

  • 35 estados americanos estão pensando em instituir leis que proíbam o uso de celulares por motoristas. Falar em um telefone celular duplica a chance de uma pessoa se envolver num acidente de trânsito.

Referências:

  1. "Huge study can't link cancers to cell phones," by L. Neergaard, The Associated Press, 2/7/01.

  2. Johansen, C., Boice, J.D., Jr, McLaughlin, J.K., Olsen, J.H. on-line article, "Cellular telephones and cancer: a nationwide cohort study in Denmark," Journal of the National Cancer Institute, Vol. 93, No. 3, February 7, 2001.

  3. Muscat, J.E., Malkin, M.G., Thompson, S., Shore, R.E., Stellman, S.D., McRee, D., Neugut, A.I., Wynder, E.L. "Handheld Cellular Telephone Use and Risk of Brain Cancer," JAMA. 2000, Vol. 284, pp. 3001-3007.

  4. Inskip, P.D., Tarone, R.E., Hatch, E.E., Wilcosky, T.C., Shapiro, W.R., Selker, R.G., Fine, H.A., Black, P.M., Loeffler, J.S., Linet M.S. "Cellular-Telephone Use and Brain Tumors," The New England Journal of Medicine, Vol. 344, No. 2, January 11, 2001. on-line article

  5. Trichopoulos, D. and Adami, H-O. "Cellular Telephones and Brain Tumors," The New England Journal of Medicine, Vol. 344, No. 2, January 11, 2001. The accompanying editorial contains a good explanation of types of radiation.

  6. "Professor at UW studies effects of cell phones," Seattle Post-Intelligencer, 1/2/01. on-line story

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