Relatório da Pesquisa para o Projeto Limpa Carmo


Metodologia e período de realização da pesquisa:

Pesquisa quantitativa, domiciliar, com plano amostral, aplicada no dia 24 de agosto de 2001. O desenho amostral foi aplicado nos setores onde o Ribeirão do Carmo passa. Os domicílios foram sorteados.

Os dados da população para a qualificação da amostra foram extraídos do minicenso (contagem), do IBGE, de 1996.

Área de aplicação:

Distrito de Mariana, nos seguintes setores (onde passa o Ribeirão do Carmo):

1 - 2 - 4 - 5 - 7 - 8 - 9 - 13

População estimada: 18.301

Intervalo de Confiança: 95%; margem de erro: 5%.

Número de questionários aplicados: 376.


Questionário aplicado - faça o download do arquivo de sua preferência clicando com o botão direito do mouse sobre o item e selecionando <Salvar destino como...> no menu popup:

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A escolaridade da amostra continua a reafirmar o quadro já detectado em pesquisas anteriores do Neaspoc no município de Mariana. A principal característica é a baixíssima escolaridade (45,5% com até o primário completo).

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A renda familiar da amostra também é bem baixa, com 43% tendo até 3 salários mínimos de renda familiar.

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Houve uma predominância do sexo feminino no total dos respondentes da pesquisa. A pesquisa não cotou a amostra por sexo.

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Ao lado, percebe-se que as faixas de idade foram todas bem representadas, apesar de não ter havido cota por idade.

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Os dados da ocupação da amostra não mudaram significativamente em relação às pesquisas anteriores do Neaspoc. Destaque para o grau elevado de donas de casa, fato decorrente da pesquisa domiciliar.

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A amostra foi inquirida quanto ao tempo de residência no domicílio. Um alto índice (59%) está morando há pelo menos 10 anos próximo ao Ribeirão, dado importante para detectar hábitos referentes ao tipo de relacionamento estabelecido com o Ribeirão do Carmo.

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A amostra revelou um índice acima da média de Mariana no tocante a ter telefone fixo em casa. Em pesquisas anteriores, o índice ficou na faixa de 60%.

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Os respondentes foram selecionados enquanto moradores de unidade familiar ou possuidores de estabelecimentos comerciais. Predominaram as unidades familiares.

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Uma pesquisa declaradamente voltada para um assunto, como a que foi feita, acaba por influenciar o respondente. Isso se verificou na identificação do maior problema de Mariana. Pela primeira vez, desde que o Neaspoc faz pesquisas sistemáticas em Mariana, o desemprego deixa de figurar no primeiro lugar das preocupações. A água alcança 24% das preocupações, com o Ribeirão tendo cerca de 5%. De qualquer modo, a atenção foi despertada e caso o Ribeirão fosse visto como algo limpo e despoluído, ele não apareceria na frente das preocupações.

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A grande maioria da população residente próxima do Ribeirão do Carmo avalia percebe que há um problema no meio ambiente de Mariana. Interessante foi o baixo índice de não respostas, sinal de que a população está sensibilizada para essa questão.

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Em razão da própria sensibilização causada pela pesquisa, a população indicou o Ribeirão do Carmo como um problema de meio ambiente em Mariana (11%). Mas a maioria viu na poluição (32%) o maior problema.

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Quando perguntada se pode fazer algo para resolver o problema, cerca de 75% responderam afirmativamente, índice mais que satisfatório para uma campanha ativa de recuperação do Ribeirão.

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Interessante constatação da pesquisa é que a um número expressivo (30%) viu na conscientização o caminho para a ação. Já para 24%, a ação mais efetiva é a própria não poluição. Campanhas de limpeza e administração tendem a reforçar essas avaliações.

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A amostra, quando perguntada sobre quanto tempo semanal, em média, utiliza-se das águas do Ribeirão, deu uma resposta intrigante: 92,6% afirmaram não usar das águas do Ribeirão. Essa pergunta baliza outras feitas à diante.

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Entre os que afirmaram que se utilizam das águas do Ribeirão, 26% afirmaram ser para uso doméstico, 19% como esgoto, 15% para tudo. O que causa preocupação é que 4% afirmaram usar para a alimentação, e outros 4% a encanam.

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Cerca de 92% da população ribeirinha consideram a qualidade das águas do Ribeirão de ruim a péssima. Mas 5% a avaliam como ótima, o que certamente se correlaciona com os cerca de 4% que afirmaram usar as águas para a alimentação.

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Aqui ficou bem evidenciado um sério problema de comunicação que deverá ser enfrentado por qualquer campanha junto à população ribeirinha. Cerca de 78% afirmaram que o esgoto de sua casa é lançado diretamente nas águas do Ribeirão. Mas, em pergunta anterior, mais de 92% afirmaram não usar as águas do Ribeirão.

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Instada a analisar sobre o que se poderia fazer quanto ao problema do Ribeirão, 22% voltaram, para a idéia da conscientização enquanto 16% viram a limpeza, 17% o saneamento básico, 7% o simples ato de não jogar lixo, como as medidas a serem adotadas.

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Para cerca de 75% da população ribeirinha, o maior problema do Ribeirão está relacionado com lixo, poluição e esgoto. Uma campanha voltada para essa avaliação encontrará forte ressonância.

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A população residente próxima no Ribeirão, quando perguntada sobre as doenças mais freqüentes na família, teve naquelas causadas por vermes (dentre as diretamente relacionadas com o Ribeirão) como as mais freqüentes. Mas cerca de 31% afirmaram não ter problemas de saúde.

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Quando inquerida sobre que doenças estão relacionadas com a poluição de um rio, a amostra demonstrou ter um bom conhecimento do assunto, sendo que doenças de pele, xistose e provocadas por vermes predominaram.

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Para cerca de 68% dos moradores próximos ao Ribeirão, há muitos insetos em suas casas, fator de riscos e indicador de problemas graves de saneamento.

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Quando perguntada se possuía animal doméstico em casa, 45,5% da amostra afirmou possuir, índice expressivo para uma população ribeirinha.

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Há um predomínio de cachorros na população ribeirinha, o que deve causar um alerta quanto aos perigos da leishmaniose.

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A população, quando perguntada se há doenças entre os seus animais, afirmou, com 90,8%, que não, mas 9,2%, número expressivo, tem problemas. Esse número, se calculada a inferência, corresponde a cerca de 1800 marianenses com esse problema.

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A “peladeira” foi a doença mais freqüente entre os animais, mas pôde ser verificada uma incidência razoável de doenças relacionadas com agentes infecciosos.

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Mais uma vez, a população responde contraditoriamente a respeito de sal relação com o Ribeirão. Segundo a amostra, cerca de 46% jogam ou testemunham ver jogados corpos de animais no Ribeirão do Carmo.

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Em uma pergunta direta, cerca de 96% da amostra afirmou não jogar lixo no Ribeirão, apesar de, em outras perguntas, essa mesma amostra ver no lixo e na poluição os maiores problemas do Ribeirão. A percepção de quem é o agente causador da poluição deve ser trabalhada.

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Para a população que vê lixo sendo jogado no Ribeirão, cerca de 19% afirma que todo tipo de lixo que é jogado, enquanto 13% assinalam plástico, outros 13% entulho e 26% lixos orgânicos e domésticos.

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Entre as razões para se jogar lixo no Ribeirão, 27% afirmam ser por ausência de local, enquanto 20% por não haver coleta de lixo.

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Quando perguntada se há coleta de lixo perto da casa, 97,6% da amostra afirmou que sim. Esse dado contradiz a percepção acima levantada acerca das razões para se jogar lixo no Ribeirão.

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A pesquisa perguntou se a população ribeirinha conhecia histórias sobre o Ribeirão. 47,1% afirmaram que sim.

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Entre as história mais citadas, aquelas sobre enchentes predominaram, com 72%. Esse dado pode ser um importante elemento para ser trabalhado na campanha, já que muitas enchentes tem nos entulhos um elemento multiplicador dos efeitos.

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A amostra, quando perguntada se conhecia o percurso do Ribeirão, revelou desconhecimento. Assim, 65,2% não conhecem, com 27,4% afirmando conhecer o percurso do Ribeirão.

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Acerca dos benefícios trazidos pelo Ribeirão, 75% afirmaram não ter havido nenhum. Outros 7% vêem como “benefício” ele receber esgoto. Há muito o que ser feito nessa área.

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O objetivo dessa pergunta é avaliar o grau de satisfação do cidadão ribeirinho com a ação dos poderes públicos no Ribeirão, em termos de investimento. Para cerca de 77%, gasta-se ou nada ou muito pouco.

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Para 82,2% da população ribeirinha, o Ribeirão do Carmo limpo acarretaria em aumento do turismo em Mariana.

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Exatamente metade da amostra afirmou conhecer o Projeto Limpa Carmo.

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A maioria da população (61%) não sabe quem são os responsáveis pelo Projeto Limpa Carmo, sendo que, entre os que afirmaram saber, a prefeitura aparece como a mais citada.

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