Primeira Pesquisa Eleitoral no Munic�pio de Ouro Preto


O n�vel de escolaridade dos ouropretanos � muito baixo. Dentre os entrevistados, 51,9% n�o completaram o Ensino Fundamental, indicando um grave d�ficit educacional. Considerando o fato de a cidade abrigar uma Universidade, esse quadro se mostra particularmente grave. Note-se que o dado aferido para Ouro Preto � muito pr�ximo daquele que obtivemos para Mariana (52%).

voltar ao in�cio da p�gina

Quase metade da amostra (45,5%) tem renda familiar at� R$ 405,00, segundo declararam. Mais uma vez, temos uma grande proximidade com o resultado obtido para Mariana, onde 46% da popula��o se colocou nessa faixa de renda de at� tr�s sal�rios m�nimos. Nota-se aqui que h� uma estreita correla��o entre os baixos n�veis de escolaridade e de renda. Isso vale dizer que investimentos na educa��o nesses munic�pios apontariam claramente para uma melhoria n�o s� dos n�veis educacionais e da qualidade de vida dos mun�cipes, mas tamb�m da distribui��o de renda. Os dados aferidos mostram que a educa��o tem sido muito mal cuidada em Mariana e Ouro Preto. Urge uma pol�tica dos poderes p�blicos municipais nesse sentido.

voltar ao in�cio da p�gina

Quanto � ocupa��o, ela se mostrou bem distribu�da em diferentes n�veis, merecendo destaque o grau elevado de trabalhadores aut�nomos. Isso representa, possivelmente, uma busca de alternativa por desempregados, vinculados geralmente a uma modalidade informal de obten��o de renda. Isso vale dizer que, possivelmente, exista uma correspond�ncia entre n�veis baixos de escolaridade, renda e emprego na regi�o. Note-se que mais da metade dos declarantes n�o comp�e popula��o economicamente ativa (PEA). Esses dados obtidos para Ouro Preto s�o, mais uma vez, muito pr�ximos daqueles que encontramos em Mariana.


CONCLUS�ES A RESPEITO DAS CARACTER�STICAS SOCIOECON�MICAS DA AMOSTRA

A an�lise desses dados nos leva a concluir que a �rea educacional tem sido tratada com muito desleixo na regi�o. Lembre-se que a legisla��o em vigor garante a universalidade do acesso � educa��o e que a responsabilidade pela Educa��o Fundamental � prioritariamente dos munic�pios. Assim, imp�e-se a necessidade da cria��o urgente de uma pol�tica municipal clara e efetiva que reverta o grave deficit educacional apurado pela pesquisa.

Pelo cruzamento dos dados respeitantes a instru��o e renda percebemos com nitidez uma depend�ncia entre essas vari�veis, i.e., conforme se mostram mais elevados os n�veis de instru��o se apresentam maiores os n�veis de renda.

Isso nos coloca uma hip�tese de que a revers�o do atual quadro de baixa instru��o da popula��o levaria a uma melhor distribui��o de renda na regi�o.

voltar ao in�cio da p�gina

Os principais problemas do Brasil, na opini�o dos entrevistados, s�o o desemprego (39,1%), a pobreza (14,7%), a pol�tica (11,3%, correspondentes � somat�ria de "corrup��o", pol�tica/pol�ticos; administra��o/governantes) e muitos com 7,9% (agregou-se na op��o "muitos" as respostas daqueles depoentes que apontaram mais de um problema como principal). Os demais problemas s�o apontados por menos de 5% da popula��o. O �ndice de n�o sabe/n�o respondeu foi de apenas 3,7%. O desemprego e a pobreza s�o vistos como problemas mais estruturais, j� que essa indica��o regride quando se trata dos principais problemas estaduais e, em especial, municipais.

voltar ao in�cio da p�gina

Os principais problemas de Minas Gerais s�o o desemprego (29,7%), que continua na lideran�a, mas perde mais de nove pontos, a pobreza segue em segundo com 10,2 %, ainda em segundo lugar, mas tamb�m com �ndice bem inferior, a pol�tica (9,2%) tamb�m segue em terceiro, mas j� preocupando menos os ouropretanos como um problema estadual e, por fim, muitos, com 5% das op��es. Os problemas que come�am a se mostrar mais quando se pensa na esfera estadual s�o a sa�de (8,7%) e educa��o (8,1%). O �ndice de NS/NR avan�a para 15,8%, revelando um desconhecimento da popula��o das responsabilidades do governo estadual.

voltar ao in�cio da p�gina

Os principais problemas de Ouro Preto s�o o desemprego (ainda menor: 24,7%), muitos (10,2%), pol�tica, que sobe um pouco (9,9%), viol�ncia, que cresce para 8,7% e sa�de (8,1%). Aqui h� um recuo das op��es NS/NR para 11,8%. A pobreza, antes em segundo, cai para apenas 2,1% das op��es. Como os principais problemas apontados pela popula��o s�o vistos como estruturais, parece que suas esperan�as no sentido de sua resolu��o est�o mais ligados � esfera federal do que ao estado ou munic�pio.


CONCLUS�ES A RESPEITO DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS APONTADOS PELA AMOSTRA

Os ouropretanos sentem-se claramente premidos pelos problemas revelados pelas caracter�sticas socioecon�micas averiguadas anteriormente. Trata-se de uma popula��o com n�vel instrucional baixo, v�tima de uma m� distribui��o de renda e sofrendo com a falta de empregos. Em nossa an�lise, percebemos que o munic�pio ocupa um papel chave na revers�o desse quadro por ser o principal respons�vel pela Educa��o Fundamental. A popula��o, contudo, n�o tem de dado conta desse fato. Urge, ent�o, que os �rg�os de imprensa atuantes na regi�o cumpram seu papel de informar a popula��o e passem a dar mais destaque a essa quest�o doravante. S� uma popula��o bem informada, afinal, poder� exigir de seus representantes pol�ticas eficazes que revertam em benef�cio para a sociedade. O NEASPOC fez sua parte nesse sentido, gerando informa��o qualificada e atrav�s de crit�rios confi�veis.

voltar ao in�cio da p�gina

Perguntado aos ouropretanos se votariam em uma mulher para um cargo pol�tico, 85,6% responderam que sim. Apenas 7,9% afirmaram que n�o votariam em mulheres. Portanto, temos, em tese, uma resist�ncia bastante pequena � candidaturas femininas na regi�o.

voltar ao in�cio da p�gina

A maioria dos entrevistados manifestou que acredita serem as mulheres mais capazes de dirigir a prefeitura. S�o 33,1% que apostam mais na capacidade das mulheres contra apenas 19,7% que preferem homens � frente do executivo municipal. A maior parte dos entrevistados disse que acha indiferente ter um prefeito ou uma prefeita (45,1%). Mais uma vez, os eleitores de Ouro Preto mostraram que o fato de uma mulher na prefeitura n�o se deve a uma indisposi��o dos mun�cipes em eleg�-las.

voltar ao in�cio da p�gina

O quadro que se apresenta quanto � maior ou menor capacidade das mulheres para assumirem uma cadeira no legislativo municipal se mostra bem pr�xima � anterior. As mulheres s�o vistas como mais capazes por 33,6% dos depoentes. Os que confiam em uma maior capacidade masculina para o exerc�cio do cargo s�o apenas 22,6%. Os que pensam ser esse fator indiferente continuam sendo a maioria, com 40,4% das op��es.


CONCLUS�ES A RESPEITO DAS MULHERES NA POL�TICA

Esses dados mostram que o profundo d�ficit democr�tico com rela��o � participa��o feminina que temos em Ouro Preto se explica muito mais pelas "m�quinas" pol�ticas (partidos, financiadores, chefes de grupos pol�ticos) do que pela vari�vel preconceito do eleitorado que se mostra mais favor�vel a candidaturas femininas do que �s masculinas. Uma outra vari�vel que interfere em uma maior participa��o feminina se vincula aos problemas da dupla jornada a que est�o expostas as mulheres trabalhadoras.

Desse modo, a lei de cotas, que prev� que as listas de candidaturas � C�mara dos Vereadores tenham, pelo menos, 30% de mulheres � at� mesmo modesta no caso de Ouro Preto. H� um contingente eleitoral maior do isso disposto a votar preferencialmente em mulheres. Desse modo, mais uma vez o NEASPOC faz sua parte: criar informa��es qualificadas e confi�veis a respeito da popula��o. Esperamos, agora, que essa informa��o seja amplamente divulgada pela imprensa e que as mulheres se apresentem para ocupar esse espa�o que � delas. Estamos torcendo - e trabalhando - para que as mulheres fa�am da legenda da bandeira mineira o seu lema: "Libertas quae sera tamen"! Um outro dado importante revelado pela nossa pesquisa � que h� uma tend�ncia desses n�meros se tornarem cada vez melhores para as mulheres, pois eles s�o mais positivos entre os mais jovens e os mais instru�dos.

voltar ao in�cio da p�gina

H� em Ouro Preto uma n�tida tend�ncia personalista no voto para a C�mara Municipal. Cerca de 66% declararam definir o seu voto de acordo com as caracter�sticas do candidato, independente do partido. H�, por outro lado, cerca de 23% com alguma orienta��o partid�ria. Essa caracter�stica personalista pode estar relacionada com a pol�tica de obten��o de recursos e distribui��o dos mesmos, que � bem centrada na figura do vereador, que surge como o provedor de servi�os. A popula��o percebe isso e se orienta eleitoralmente dessa forma.

voltar ao in�cio da p�gina

O quadro de escolhas partid�rias segue a orienta��o para o voto para a C�mara Municipal. Em torno de 56% responderam n�o ter partido ou n�o saberem responder. O restante que se declarou partidarizado, predomina a escolha pelo PMDB e o PT, partidos que tiveram forte atua��o nas �ltima elei��o estadual (PMDB era o partido do governador e o PT oposi��o.


CONCLUS�ES A RESPEITO DO COMPORTAMENTO ELEITORAL

O eleitorado de Ouro Preto segue uma orienta��o pol�tica personalista, mais que partid�ria. Provavelmente, isso se d� como decorr�ncia do modo como se articula a distribui��o de recursos p�blicos, fortemente vinculada � imagem do pol�tico, mais que � estrutura partid�ria por detr�s dessa malha administrativa. Torna-se, portanto, n�tido para o eleitorado que o respons�vel pela obten��o de benef�cios p�blicos � uma determinada lideran�a, ousada e atuante, mais competente que uma outra lideran�a na obten��o dos mesmos. Aos partidos, resta aliarem-se aos l�deres mais competentes e armarem-se eleitoralmente a partir dessa estrat�gia.

Um dado curioso � que o comportamento eleitoral dos ouropretanos � o mesmo que dos marianenses, que por sua vez n�o fogem ao padr�o brasileiro. H� diversos estudos na ci�ncia pol�tica confirmando essa tend�ncia clientel�stica de distribui��o de recursos p�blicos. Uma estrat�gia diferente, mais institucional (vinculada a estrutura partid�ria, por exemplo) ter� que ter uma consistente pol�tica de atua��o na obten��o e distribui��o de benef�cios p�blicos, o que demandar� tempo e, naturalmente, comprometimento na manuten��o dessa estrat�gia. Como se pode concluir, n�o � uma tarefa f�cil...

voltar ao in�cio da p�gina

Cerca de 49% dos ouropretanos t�m uma avalia��o negativa do governo federal (na pesquisa NEASPOC, em Mariana, nos dias 13 e 14 de mar�o, em torno de 48% tiveram a mesma avalia��o). Os que tiveram uma avalia��o regular, foram 34%, com 15% avaliando positivamente (na pesquisa de Mariana, foram tamb�m 15%). Logo, para Ouro Preto o governo federal est� em uma fase bem ruim, mas o n�mero dos que avaliaram como regular � alto e pode rapidamente migrar, seja para uma avalia��o ainda mais negativa, seja para uma avalia��o mais positiva. Este dado � importante pois indica que ainda h� uma certa toler�ncia da popula��o com o governo federal, o que indica que um discurso no munic�pio de confronto com o governo federal pode n�o ter o f�lego almejado para sustentar um apoio consistente do eleitorado, que parece estar mais interessado nos assuntos locais mesmo...

voltar ao in�cio da p�gina

A avalia��o dos ouropretanos para o governo estadual � positiva. S�o cerca de 43% (a pesquisa de Mariana indicou um grau de satisfa��o em torno de 39%). Mais 40% acham regular o atual governo estadual e cerca de 13% t�m uma avalia��o negativa (foram 16% em Mariana). O resultado bem positivo se manifestou na inten��o de voto para presidente e governador, como ser� visto logo mais.

voltar ao in�cio da p�gina

A administra��o atual de Ouro Preto teve uma boa avalia��o, com 42% achando de boa a �tima a administra��o, sendo 29% os que avaliam como regular e 27% os que avaliam como de ruim a p�ssima. Note-se o baixo �ndice de avalia��o regular, indicando uma polariza��o entre os que rejeitam e os que ap�iam. Naturalmente, pesa nisso a id�ia de que o atual prefeito tentar� a reelei��o.

voltar ao in�cio da p�gina

Na inten��o de votos para a presid�ncia do Brasil, Lula e Itamar Franco est�o em empate, com cerca de 25% das inten��es. Segue Ciro Gomes, com 10% das inten��es. H� uma importante faixa do eleitorado (35%) que n�o se manifestou por alguma candidatura. H� aqui uma n�tida tend�ncia oposicionista, com a boa imagem do governo de Minas tirando votos tanto de Lula como, principalmente, de Ciro Gomes.

voltar ao in�cio da p�gina

Para o governo de Minas, novamente surge bem posicionada a candidatura de Itamar (28%), com um empate t�cnico com Eduardo Azeredo (27%). Patrus segue bem abaixo, com 8% e em seguida, o surpreendente Cabo J�lio, com 6%. Nota-se j� a polariza��o entre duas candidaturas "chapas brancas", pois de dois nomes que j� exerceram o governo de Minas. A tend�ncia oposicionista no voto para presidente se perdeu aqui...

voltar ao in�cio da p�gina

Na inten��o espont�nea de voto para a prefeitura de Ouro Preto, mais da metade (55%) declarou-se indecisa. Nos restantes 45%, em torno de 35% pronunciou algum nome preferido. Desses, cerca de 60% se manifestaram pela candidatura de Jos� Leandro, atual prefeito. Ou seja, os 21% que se declaram pela candidatura de Jos� Leandro representam mais de 60% no grupo dos que se decidiram por algum nome, no momento. �ngelo Osvaldo teve 6%, ou 17% das inten��es no grupo dos decididos. H�, portanto, um quadro de disputa se desenhando, desde que estes nomes sejam confirmados. H�, tamb�m, uma tend�ncia mais definida de voto para o atual prefeito, mas h� muito espa�o para que outras candidaturas possam crescer.


CONCLUS�ES A RESPEITO DAS ADMINISTRA��ES P�BLICAS

O que h� de mais importante a ser destacado � que o eleitorado de Ouro Preto tem uma n�tida tend�ncia a n�o misturar a pol�tica local e regional com a nacional. Ele demarcou claramente seus interesses nesses campos, mesmo comportamento adotado pelos marianenses, segundo a pesquisa NEASPOC, de 13 e 14 de mar�o deste ano. Logo, uma estrat�gia eleitoral que tente articular as discuss�es nacionais com as locais n�o parece ser de interesse do eleitorado da regi�o dos Inconfidentes.

No tocante � elei��o municipal, o quadro que se desenhou nesta pesquisa � de incerteza quanto a uma tend�ncia de vit�ria. Por um lado, uma reelei��o tem espa�o para ocorrer, j� que a avalia��o da atual administra��o foi bem positiva. Por outro lado, � grande o n�mero dos indecisos, quando perguntados em quem pensariam em votar para prefeito. Mas, talvez j� seja poss�vel antecipar um quadro de polariza��o e, portanto, de grande disputa, caso os nomes lembrados sejam confirmados na disputa pela prefeitura de Ouro Preto.

voltar ao in�cio da p�gina

CONCLUS�ES A QUE SE PODE CHEGAR PELA AN�LISE DOS DADOS DAS PESQUISAS DE MARIANA E OURO PRETO (MAR�O E ABRIL DE 2000).

Os dados apurados atrav�s das pesquisas apontam claramente um fen�meno ao qual se tem dado pouca aten��o, sobretudo na imprensa. Mostra-se, antes de mais nada, profundamente equivocada a id�ia de que as elei��es municipais podem se fazer uma pr�via das elei��es de 2000. Os candidatos que procurarem fazer da cr�tica ao governo FHC, que � muito mal avaliado, o centro de seus discursos, quase certamente ser�o rejeitadas nas urnas. H�, � certo, uma forte rejei��o ao governo FHC, mas os leitores esperam quer os candidatos apresentem alternativas de curto prazo para a resolu��o de seus problemas. A expectativa atual do eleitorado n�o se vincula a diferentes alternativas macropol�ticas, a proposi��o de pol�ticas p�blicas, mas a uma expectativa de favorecimento direto e pessoal ou, na melhor das hip�teses, na canaliza��o de recursos para seu bairro ou distrito. O que definir� as elei��es municipais em Mariana e Ouro Preto ser� a capacidade dos candidatos de demonstrarem que eles, pessoalmente, ser�o os mais capazes de gerar beneces a seus eleitores. Os mun�cipes n�o esperam desses pol�ticas p�blicas bem articuladas, mas candidatos que lhes devam o voto e reconhe�am esse d�bito com a contrapresta��o de favores.

As elei��es de 2000 e 2002 se articulam de uma forma diferente. O que se pode obter em 2000 para ser colhido em 2002 s�o currais clientel�sticos, com uma capacidade de transfer�ncia de votos bastante limitada. Limitada por dois motivos: 1. A orienta��o eleitoral local � sumamente personalista (essa tend�ncia se reduz nacionalmente, onde as rela��es diretas com os distribuidores de beneces se torna muito mais frouxa, pois a intera��o pessoal, "face-to-face" � irrealiz�vel); 2. A articula��o das chefias pol�ticas locais com as estaduais e nacionais n�o se marca por quadros partid�rios, mas por inter-rela��es pessoais, bem ao gosto do eleitorado nas elei��es municipais, e, portanto, o potencial de transfer�ncia de votos n�o se orientar� por uma fidelidade partid�ria ou pela ades�o a programas pol�ticos e a expectativas em torno da consecu��o de pol�ticas p�blicas. Parece haver mesmo uma adequa��o � constitui��o imperial, com eleitores de par�quia e de prov�ncia. O que as elei��es de 2000 est�o produzindo s�o "eleitores de prov�ncia" que poder�o ser convencidos a apoiar quaisquer candidaturas que se mostrem capazes de distribuir benesses privilegiadamente �s diversas chefias pol�ticas locais que se consagrarem nas urnas em 2000 e possam colocar a sua posi��o em favor de candidatos no pleito de 2002.

Isso vale dizer que � explic�vel a s�ndrome PMDB, o maior e mais frouxo de todos os partidos. O PMDB, esvaziado nacionalmente mas forte localmente, tem sido o porto seguro daqueles que negociam as tens�es entre demandas locais e agendas nacionais. � o partido do governo fora do governo, quase sempre! Isso explica sua est�vel maioria, escapando �s s�ndromes PRN (com um explosivo crescimento quando Collor era presidente e com sua regress�o ao ponto de n�o controlar nenhuma prefeitura logo ap�s seu "impeachment") e �s hectacombes PPB (muito dependente das imensas flutua��es de prest�gio e popularidade de sua principal figura, Maluf). O PMDB � f�rmula dos sonhos para as elites pol�ticas locais: influente para obter recursos, mas n�o � centro de decis�es para acumular desgastes...
As elei��es municipais, assim, n�o podem ser analisadas simplesmente como um epifen�meno das estruturas nacionais.

� na base interpessoal que se evolui para um quadro institucionalizado, formalizado. Ou seja, a institucionaliza��o n�o aparece de repente (� moda da aposta nas supera��es defendidas historicamente por tend�ncias pol�ticas marxistas), mas vem no crescendo de rela��es interpessoais. � no campo das disputas e na consolida��o de formas de comportamento tidos como v�lidos e leg�timos ao n�veis das intera��es pessoais e diretas que se constr�em os padr�es validados e legitimados como forma de regular as intera��es mediadas pelas institui��es. Ao mesmo tempo, essas institui��es acabam por constranger e limitar as possibilidades de a��o e a inven��o de novas formas de institucionaliza��o.

Ainda que se note essa "via de m�o dupla", parece-nos claro que o elemento fundamental de an�lise do processo de constru��o da democracia em nosso pa�s e de outros fen�menos sociais deve levar em pesada conta os padr�es de intera��o pessoal estabelecidas em nossa sociedade. � nessas intera��es cotidianas que as institui��es se realizam (sendo revalidas ou questionadas) e s�o reelaboradas.

voltar ao in�cio da p�gina

Hosted by www.Geocities.ws

1