Primeira Pesquisa Eleitoral no Munic�pio de Mariana
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1. Caracter�sticas socioecon�micas aferidas na amostra |
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a) Instru��o: |

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Percebe-se o baixo �ndice de escolaridade da amostra. Temos 52% dos depoentes sem ter completado o Ensino Fundamental, indicando que a popula��o do munic�pio de Mariana apresenta um grande deficit educacional. Esse dado mostra-se particularmente grave � medida que o munic�pio sedia um campus universit�rio. |
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b) Renda: |

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Quase metade da amostra (46%) recebe at� R$ 405,00, segundo declararam. Cerca de 61% recebem at� 4,5 sal�rios m�nimos. Pode-se notar uma correla��o entre o baixo �ndice de escolaridade com a baixa renda familiar da amostra. |
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c) Ocupa��o: |

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Quanto � ocupa��o, ela se mostrou bem distribu�da em diferentes n�veis, merecendo destaque o grau elevado de trabalhadores aut�nomos. Isso representa, possivelmente, uma busca de alternativa por desempregados, vinculados geralmente associados a uma modalidade informal de obten��o de renda. Isso vale dizer que possivelmente haja um correspond�ncia entre baixos n�veis de escolaridade, renda e emprego na regi�o. Note-se que mais da metade dos declarantes n�o comp�em popula��o economicamente ativa. |
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2. Principais problemas |
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a) Brasil: |

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Segundo a opini�o da amostra, o principal problema brasileiro � o desemprego (cerca de 45%), seguido da pobreza (11,3%), da corrup��o (8,7%) e da viol�ncia (5,3%). S�o problemas que a popula��o associa ao Estado, j� que, por princ�pio, eles podem ser enfrentados pela a��o dos poderes da Rep�blica. Esses indicadores se tornam mais enf�ticos quando se analisa a avalia��o do governo federal, especialmente pelo executivo. |
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b) Minas Gerais: |

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A respeito de Minas, a popula��o marianense, pela amostra, aponta o desemprego (33,5%), a pobreza (7,7%), a sa�de (6,9%), a viol�ncia (6,3%) e a educa��o (5,0%) como os principais problemas. � not�vel o alto �ndice dos que ou n�o souberam ou n�o quiseram responder (16,9%), bem maior do que o registrado para o maior problema do Brasil, quando os que n�o souberam ou n�o quiseram responder foram 5,8%. � prov�vel que a proximidade da pol�tica local tenha incutido um grau de incerteza ou de inseguran�a nos entrevistados. Essa interpreta��o se refor�a quando notamos que o �ndice de NS/NR cresce ainda mais quando os depoentes respondem quanto aos principais problemas do munic�pio, como veremos. Al�m disso, como o governo estadual tem investido contra a pol�tica econ�mica do governo federal, parece que a popula��o tem associado seus principais problemas mais �quela esfera. |
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c) Mariana: |

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No tocante ao maior problema em Mariana, a popula��o mostrou um senso cr�tico mais apurado, provavelmente em decorr�ncia do contato do entrevistado com a vida local. Al�m do desemprego (23%), destacam-se a administra��o (13,5%), �gua (8,2%), muitos - que agrega aquelas respostas onde o entrevistado optou por mais de uma op��o - (cerca de 8%), viol�ncia (6,6%), pol�tica (6,1%), corrup��o (5,8%) e sa�de (5%). O �ndice dos que preferiram n�o se pronunciar foi alto (cerca de 9%), evidenciando o aumento da sensibilidade do entrevistado nessa quest�o, quando se trata de sua realidade. Al�m disso, evidencia-se uma grande insatisfa��o do marianense com a pol�tica local: se somamos os �ndices de resposta que apontam nesse sentido (administra��o, pol�tica e corrup��o) temos 25,4% das op��es, superando, portanto, o desemprego. |
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3. Avalia��es |
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a) Governo Federal: |

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Aqui, a avalia��o do governo de Fernando Henrique Cardoso � negativa: cerca de 48% avaliam como p�ssimo a ruim o governo e cerca de 16% avaliam como �timo a bom. Os que acham a administra��o regular s�o 33,2%, indicando uma margem poss�vel de recupera��o da popularidade perdida. De qualquer modo, o eleitorado de Mariana, segundo a amostra, est� com uma n�tida tend�ncia oposicionista, reprovando o governo federal. |
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b) Governo Estadual: |

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No que concerne � avalia��o do governo Itamar Franco, a amostra se mostrou bem favor�vel: 38,7% aprovam (�timo e bom) e 16,6% reprovam (p�ssimo e ruim). Na indica��o para voto para presid�ncia, a boa avalia��o de Itamar Franco, junto com o discurso oposicionista, colocou o governador do estado em uma boa posi��o. Al�m disso, mostra-se mais uma vez que os marianenses, quando questionados sobre a situa��o estadual, tendem a incrementar sua op��o por n�o sabe/n�o respondeu. Essa tend�ncia, mais uma vez se confirma quando apreciamos os dados sobre a avalia��o da prefeitura, onde o �ndice de ns/nr se mostra ainda mais elevado. Isso demonstra um certo constrangimento dos entrevistados para opinar sobre a situa��o local. |
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c) Governo Municipal: |

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O governo municipal � reprovado pela popula��o: cerca de 55,1% acham a administra��o de p�ssima a ruim, 15% acham �tima a boa e 22,4% avaliam-na como regular. H� em Mariana, portanto, uma forte tend�ncia a n�o reeleger o atual prefeito, caso ele queira se lan�ar � candidatura (o percentual de regular, somado ao de �timo/bom, fica inferior ao de p�ssimo/ruim). � preciso considerar que houve, no munic�pio, a troca recente do antigo titular na prefeitura (C�ssio B. Neme) com o afastamento do prefeito eleito e sua substitui��o pelo seu vice (J. H. Marton). Assim, ser� preciso verificar se houve uma influ�ncia da avalia��o negativa da prefeitura com o antigo titular (indicada claramente pela pesquisa realizada no ano passado pelo NEASPOC no munic�pio) e, se for esse o caso, a capacidade do atual prefeito reverter essa tend�ncia nos pr�ximos meses. As duas pr�ximas pesquisas NEASPOC em Mariana certamente dar�o indica��es mais claras acerca dessas possibilidades. |
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4. Orienta��o pol�tica: |
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a) Como vota para a C�mara Municipal: |

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Neste item do question�rio, ficou constatada a orienta��o personalista no voto para a C�mara Municipal. O que define, para a grande maioria (cerca de 58%) � o candidato, n�o importa o partido. Depois, 25,3% afirmam ter uma orienta��o partid�ria, n�mero baixo e que indica que, em Mariana, este ano, a escolha obedecer� a crit�rios pessoais, e n�o a crit�rios institucionais. Contudo, � preciso lembrar que as elei��es proporcionais em Mariana se decidem por pequena margem. Assim, os eleitores que tendem a uma orienta��o partid�ria t�m um certo peso. Ou seja, as legendas que conseguirem atrair alguns eleitores para si podem fazer a diferen�a entre eleger, ou n�o, um candidato. |
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b) Partido de prefer�ncia: |

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A maioria dos depoentes (51,7%) ou n�o tem, ou n�o sabe opinar quanto ao partido de prefer�ncia. Esse n�mero se aproxima daquele que, na quest�o anterior, indicava os que seguiam uma orienta��o pessoal. Esse quadro refor�a a tend�ncia de uma elei��o definida pelo prest�gio pessoal do candidato, da� a sua import�ncia. Dos que afirmaram ter uma prefer�ncia, 24,3% indicaram o PMDB como o maior partido. A seguir vem o PT, com 12,7% das op��es. Os demais receberam um baixo �ndice de prefer�ncia. Considerando que identidade partid�ria do PMDB no munic�pio est� bastante vinculada � figura do candidato de oposi��o � atual administra��o, isso s� refor�a ainda mais a orienta��o personalista do voto em Mariana. |
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5. Inten��o de voto As respostas para as op��es eleitorais presidenciais e para o governo de Minas Gerais foram estimuladas. Ou seja, foram apresentados discos com os nomes de poss�veis candidatos aos entrevistados. Como as elei��es para esses cargos estarem ainda distantes, optamos por mostrar aos eleitores perfis pol�ticos representados pelos nomes, ao inv�s de esperar respostas espont�neas. No caso da elei��o municipal que se avizinha, preferimos as respostas espont�neas. Os candidatos n�o est�o ainda inscritos para a elei��o de Mariana e quer�amos verificar quais candidatos seriam lembrados. Essa op��o faz com que aqueles nomes com maior exposi��o junto ao eleitorado levem certa vantagem, em detrimento de poss�veis candidatos que entrem na corrida pela prefeitura sem nunca ter pleiteado tal cargo. Assim, n�o � a toa que todos aqueles que foram lembrados por mais de 1% dos eleitores s�o pessoas que j� se candidataram � prefeitura. Ser� preciso verificar, ap�s o lan�amento de candidaturas e o in�cio da campanha, se teremos nomes novos e sua capacidade de angariar votos entre os muitos marianenses insatisfeitos com a pol�tica local, representados pela maioria que indicou n�o desejar votar ou estar indecisa quanto a isso. |
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a) Presid�ncia: |

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Aqui h� uma n�tida tend�ncia oposicionista, no tocante ao voto para o governo federal, na popula��o de Mariana, de acordo com a amostra. Itamar (24,8%) e Lula (23,2%), em empate t�cnico, s�o os preferidos, sendo seguidos por Ciro Gomes (9%). Aqueles que adotam um discurso oposicionista ao goveno FHC, portanto, concentram a maioria das op��es no munic�pio. � interessante notar que Mariana est� seguindo uma tend�ncia nacional nessas candidaturas escolhidas, s� diferindo na ordem (Itamar em primeiro). |
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b) Governo do Estado: |

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Para o governo de Minas, o eleitorado de Mariana, de acordo com a amostra, est� concentrando sua escolha nos dois �ltimos governadores (48%), indicando um grau razo�vel de satisfa��o com o atual governador, bem como uma mem�ria positiva de seu antecessor. � interessante notar que o sentido oposicionista ao governo federal, manifestado na inten��o presidencial, n�o se manifesta no mesmo tom na escolha para o governo de Estado. No caso anterior, candidatos alinhados diretamente ao governo federal n�o conseguiram cativar nem 2% do eleitorado. Aqui, o candidato do PSDB concentra 18,2% das prefer�ncias. A proximidade do eleitorado com o candidato pode estar influenciando as respostas. Merece destaque o n�mero expressivo de votos para o cabo J�lio, indicando que o seu nome j� est� sendo marcante para um eleitorado distante de sua base de atua��o. |
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c) Prefeitura de Mariana: |

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Para a prefeitura de Mariana, a amostra indica uma grande vantagem para o Jo�o Ramos. Deve ser destacado que a pergunta era para ser respondida de forma espont�nea, n�o sendo, portanto, induzida por um disco com nomes j� postos. H� muito espa�o para que alguma candidatura cres�a, j� que entre 40% e 50% do eleitorado est�o sem candidatos definidos. Quem souber captar essa grande massa de votos, ser� o vencedor das elei��es. Destaque-se ainda que a popula��o tem se mostrado profundamente insatisfeita com a pol�tica local, tanto nessa, quanto na pesquisa feita no ano passada. Isso abre espa�o para nomes novos na pol�tica marianense. |