Fotos faladas

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Cabra-montesa Capra hispanica (macho) na Serra de Gredos por Tiago Silva

Em Janeiro fui à Serra de Gredos, no Sistema Central Espanhol, à procura das cabras-montesas.
Logo da Autoestrada Madrid-Badajoz já era visível a capa de neve nos picos desta Serra e nas serras vizinhas. A 1300 m de altura no Puerto del Pico encontra-mos os primeiros vestigios das Cabras. No dia seguinte de manhã fizémos uma incursão a pé, serra acima. Vimos uma fêmea e cria a 1 km de distância, recortados sobre o horizonte rochoso. Descemos e tentámos um outro caminho menos percorrido. Quando já faziamos contas de voltarmos para trás, encontrámos, num prado de altitude um grande grupo de mais de 50 cabras. O macho da imagem pertencia a este grupo. Aproximei-me vindo baixo e por terreno rochoso para as fazer mais confiantes. Este indivíduo olhava-me com um misto de curiosidade e desafio, confiante na sua supremacia sobre o patético humano que trepava as pédras desajeitadamente e carregado de equipamento.


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Calhandra-real Melanocorypha calandra com insectos no bico
por Tiago Silva

Esta sóbria mas elegante ave de zonas abertas e áridas, raramente se deixa aproximar. No entanto este indivíduo, ansioso por levar às suas crias no ninho um bico cheio de insectos, aproximou-se de mim enquanto atravessava o seu território. Pousou alguns segundos, dando-me a oportunidade desejada para o fotografar. Podem notar-se as asas descaidas numa postura ansiosa e desafiadora do corajoso progenitor.


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Rã verde Rana perezi à superfície da água
por Tiago Silva

Quando vemos rãs dentro de água, quase sempre as vemos de cima para baixo, com as patas ao lado do corpo e dedos bem abertos. No entanto não é assim que as rãs se vêm umas às outras. Estas vêm-se ao nível da água, sendo os salientes olhos dourados a sua característica mais evidente. Esta sua postura é ideal para caçar ou simplesmente para não ser caçado. Ver sem ser visto...um adágio tão comum no mundo natural.


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Bulb fiction
por Alexandre Vaz

Desejava com esta imagem captar o poder das ondas do mar e decidi fazê-lo com uma exposição prolongada durante uma noite de Lua cheia.
Mesmo fazendo as contas possíveis, rapidamente descobri que esta iniciativa exigia, ou muito filme ou muita sorte. Para atingir os resultados pretendidos era preciso fazer "braketing" de exposição, de focagem, e de enquadramento. Reunindo estas três variáveis, chega-se a um número de combinações assustador. Levava apenas um rolo e tinha que apostar na sorte.
A minha curta experiência neste tema conduz-me às seguintes sugestões; quanto à focagem e ao enquadramento, sempre que possível devem ser estudados antes do anoitecer; quanto à exposição, cheguei a uma mnemónica que deverá servir apenas como guia, e a que pomposamente chamei a regra dos 3 quatros: com lua cheia e céu limpo, com um rolo de 400 asa, e,f/4 de abertura, a exposição deve ser de 4 minutos.


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Macho de Lagartixa-da-madeira Lacerta dugesi num muro de pedras
por Tiago Silva

Antes da chegada do Homem ao arquipélago da Madeira esta espécie de lagartixa só aí podia ser encontrada, ou seja, trata-se de um endemismo deste arquipélago. Não se sabe de que forma foi mais tarde levada, muito provavelmente por portugueses, para o arquipélago dos Açores. Sendo o único réptil terrestre dos Açores, propagou-se por uma grande área e tornou-se numa espécie familiar.
Este macho tem o seu reino em alguns palmos de um muro de pedras onde dezenas de outros lagartixas-da-Madeira vivem. Move-se pelo interior do labiríntico muro para procurar alimento, mas quando pressente um intruso, escolhe uma pedra bem saliente de onde pode observar os acontecimentos.


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Sandhill
por Alexandre Vaz

Em 1993 fui com uns colegas à Florida para aprender alguma coisa sobre a captura de grous. À data, tencionavamos capturar essas aves em Portugal, e deslocámo-nos por isso aos EUA onde essa prática, com uma espécie semelhante, já era feita à duas décadas.
O método de captura que pretendíamos praticar, e que era o utilizado pelos colegas americanos, consistia na administraçã de um tranquilizante oral por via de alimento colocado no campo onde as aves viriam poisar. Parece relativamente simples, mas se pensarmos que: cada indivíduo pode comer uma só dose de isco; que deverá permanecer pelo menos meia hora no local para que o tranquilizante faça efeito; que se estão a tentar capturar 10 indivíduos em simultâneo; e que é necessário evitar que as sempre vigilantes Águias-rabalvas-americanas, aproveitem a situação para capturar uma presa fácil, somos então forçados a admitir que se trata de uma operação bastante complexa.
Felizmente neste caso tudo correu bem.
A fotografia ilustra o momento em que nos aproximamos do grou já atordoado para o capturar.


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