Cap�tulo 1 - London is lovely so... - Mas vó, por que diabos a gente vai se mudar para a Espanha?
- Porque lá é mágico, meu filho.
, 17 anos, inglês.
Se é um prazer me conhecer? Não sei. Provavelmente sim. Meus amigos gostam de mim. Eu acho.
Nasci em Londres e moro com a minha avó desde os meus 15 anos.
- E por que a gente tem que se mudar para Verín? Não pode ser para Madrid? Verín é o fim do mundo, vó.
- Foi nas férias de 1955
- O que aconteceu? – eu me sentei no sofá para ouvir mais uma de suas histórias
- Eu estava com 15 anos e viajei com os meus pais para Verín – ela olhava para os gelos em seu copo de Whisky – fiquei lá por 5 dias e no penúltimo dia, eu conheci o amor da minha vida.
- O vovô? Mas você disse que conheceu o vovô na Romênia
- Não era o seu avô. Eu nunca o amei, casei com ele porque meu pai me obrigou. Seu avô era um imprestável, nos 50 anos que eu fiquei casada com ele, a única coisa boa que ele fez foi a tua mãe.
- Você tem que parar de beber vó, é sério.
Ela me olhou com desprezo e deu um gole em seu Whisky
- Eu nunca vou fazer isso. Entendeu? – Eu comecei a rir
- Que seja vó. Eu vou sair, qualquer coisa liga no meu celular.
Peguei minha carteira, as chaves de casa e meu celular. Por fim, coloquei meu casaco. Abri a porta de casa e gritei para a minha vó que voltava logo. Ao começar a andar pelas ruas de Londres, me encolhi por causa do frio. Caminhei até a beira do Rio Tamisa. Chegando lá, me sentei em um banco e fiquei observando as pessoas.
- Hey! – Escutei uma voz atrás de mim. Quando me virei, encontrei Kath sorrindo para mim. Ela se sentou ao meu lado e me deu um selinho.
Kath era a minha melhor amiga. Sempre que nos víamos, nos cumprimentávamos com um selinho.
- Como você está? – perguntei
- Muito bem e você?
- Ótimo.
- Alguma novidade?
- Descobri para que cidade eu vou me mudar.
Eu havia descoberto que iria me mudar há algumas semanas, só que não sabia para que lugar. Todos os meus amigos já estavam sabendo.
Eu e Kath já havíamos tentado convencer a minha avó, de que mudar seria uma besteira. Mas ela insistia que seria bom para mim e para ela.
Kath abaixou a cabeça. Ela sempre ficava triste quando eu falava sobre a minha mudança.
- Ah Kath – Suspirei. Abracei-a de lado e dei um beijo em sua testa. – Eu vou sentir a sua falta
- Eu também vou sentir. Demais.
- Não fica triste. A gente vai continuar se falando.
Ela apenas balançou a cabeça.
- Quando você vai se mudar?
- Daqui uma semana
- E para que lugar?
- Verín
- Onde fica isso?
- Na Espanha
Ficamos conversando por mais um tempo. Havíamos combinado de ir a um pub a noite, como festa de despedida, já que eu não iria para o colégio esta semana. Ela disse que iria ligar para os nossos amigos. Me despedi dela e fui para casa me arrumar. Nós nos encontraríamos à meia noite, na porta do pub.
Cheguei em casa por volta das nove da noite. Quando entrei, encontrei minha avó, assistindo a um canal de televisão e tomando uma cerveja.
- Você ainda não parou de beber, vó?
- Eu ainda estou sóbria, meu filho. – Ela dizia com dificuldade e invertendo as palavras.
- É. Eu estou percebendo.
Fiquei com ela na sala por um tempo. Avisei a ela que iria sair com meus amigos. Depois subi para tomar um banho.
- Vó, eu já estou indo. Não sei a hora que volto, então pode ir dormir.
- Ok querido.
Cheguei ao pub e só encontrei o Danny, o James e a Gabby. Kath, Sophie, Mary e Paul chegaram 10 minutos depois.
(...)
A noite passou rápida. Eu fiquei alegre – para não dizer bêbado – e acabei ficando com Mary, Kath e Sophie.
Cheguei em casa às 4 da manhã. Caí na cama e dormi feito pedra. Acordei por volta das 3 da tarde com dor de cabeça.
- Vó, hoje é segunda? – perguntei com a voz sonolenta, dando um gole no meu café.
- Sim. Por quê?
- Eu tenho aula. Por que você não me acordou?
- Eu te desmatriculei. Esqueceu que nós vamos nos mudar?
- Esqueci.
- E como foi ontem à noite? Beijou quantas?
- Três, eu acho. Tem remédio para dor de cabeça?
- Está de ressaca? – ela falava enquanto pegava um remédio e um copo d’água
- Estou.
- Toma – ela me entregou o remédio – O que você bebeu?
- Uma garrafa de Vodka e algumas cervejas.
(...)
Uma semana se passou e agora eu me encontro no aeroporto de Madrid, esperando um carro para me levar para Verín.
Cap�tulo 2 - Sex in the castle O vôo foi cansativo, como sempre. Aliás, nunca é prazeroso ficar horas em uma cadeira minúscula, sendo que nem o encosto eu podia abaixar por causa do cara enorme que estava sentado atrás de mim. Sério, ele era tão grande que eu acho que teve de comprar duas poltronas, porque era isso que ele estava ocupando.
- Vó, quando você comprou essa casa você veio visitar ela antes? – perguntei assim que abri a porta da nossa nova casa
- Por quê?
- Olha o tamanho disso. É enorme para nós dois
A casa era simplesmente enorme. Ela tinha cinco quartos, todos com suítes, uma sala enorme, uma cozinha maior ainda. No fundo da casa, havia duas piscinas, uma adulta e outra infantil, um grande gramado – que servia de campo de futebol – e uma churrasqueira.
- Ah querido, eu pensei em nós dois. Em você, me entende?
- Não.
- Quando você fizer festas. Essa casa será ótima para isso
- Mas quem disse que eu vou ficar fazendo festas aqui? Nem sei se eu vou ter amigos
- Se você não fizer, eu mesma faço. As pessoas da minha idade devem ser legais e devem curtir algumas festinhas no sábado à noite
- Ou não. Será que todas as pessoas da sua idade, são iguais a você?
- Eu sou extremamente normal. Só porque eu bebo alguma coisa vez ou outra, não significa que eu sou diferente
- Vez ou outra? É vó, é.
- Que seja. Agora vá descansar. Você deve estar cansadíssimo, porque aquele obeso que estava sentado atrás de você, além de feder, não parava de roncar.
Subi e conheci meu quarto. Ele era grande, como todos os outros cômodos que tinha naquela casa. Dormi até o dia seguinte, eu realmente estava cansado.
Acordei por volta do meio dia e desci as escadas, cheguei na cozinha e encontrei a minha avó indo abrir uma latinha de cerveja.
- Vó, ainda é meio dia. Começa a beber mais tarde.
- Droga. Mais por quê? O que tem de errado?
- Nada. É que eu não quero que você beba agora.
Fiquei conversando com ela por algum tempo, subi para tomar um banho.
Desci novamente e ela estava na sala, procurando algum canal na TV.
- Sabe, eu estava pensando em te levar para conhecer o castelo que tem aqui. O que você acha? – ela disse olhando para a TV
- Legal. Mas a gente poderia parar para comer alguma coisa primeiro.
Saímos de casa e fomos para uma lanchonete fast food. Pedimos nossos lanches e comemos.
Fomos caminhando até o castelo, que não era muito longe da lanchonete.
(...)
Eu estava olhando aquele castelo enorme, e não prestando muita atenção na história que vovó me contava repetidamente, sobre o amor espanhol da vida dela. Ouvi algumas pessoas resmungando e não dei muita atenção. Senti algo engraçado na minha perna. Fazia cócegas. Tentei não entrar em pânico e gritar como uma mulherzinha.
- Vó? - A chamei parando, com a voz visivelmente cheia de medo
- O que foi meu filho? Não entendeu ainda? Olha, eu estava andando pela rua, e aí aquele rapaz me chamou e...
- Não vó - Eu a interrompi aparentemente apavorado - Eu só acho que... Tem algo na minha calça.
- Querido, eu já tive essa conversa com você. Você é grande o bastante pra saber que a história do vasinho e da semente não é real.
- Vó. Na minha perna. Tem alguma coisa na minha perna. - Silabei ainda parado
- Então seja homem e tire. - Ela deu os ombros e voltou a andar. Me abaixei apavorado e tirei da calça um animal estranho. Uma fuinha. Porque diabos tinha uma fuinha no castelo? Fuinhas reais era uma coisa nova.
- Ah meu Deus! - Uma menina com o rosto vermelho silabou ao me ver. Ela correu até mim e tomou o animal das minhas mãos - Você achou o Eddie!
- Eddie?
- Minha fuinha - Ela sorriu acariciando o bicho. - Eu... Eu espero que ele não tenha feito nada de estranho. Essa fuinha é pior que muitos homens por aí. Deve ter filhotes pelo mundo todo. Eddie safado - Ela disse brincando com o animal
- Ok. Ele... Não procriou comigo. É. Eu espero seriamente que ele não tenha tentado procriar comigo - Falei olhando para o animal estranho.
- Obrigada de novo. E desculpa por... Bom... Pelo Eddie. - Ela sorriu e voltou a andar pelo castelo.
Cap�tulo 3 - Running to the love Saímos do castelo e fomos em direção a locadora. Iríamos alugar alguns filmes para passar o tempo, já que não tinha mais o que fazer. Chegamos em casa, e eu fui tomar um banho. Minha avó tinha ido fazer pipoca.
Cheguei à sala e encontrei-a sentada no sofá, com o pote de pipoca em seu colo, segurando alguma bebida. Parecia coca-cola.
- Você está bebendo refrigerante? – perguntei confuso.
- Sim.
- Só refrigerante? Impossível. Você deve estar doente.
- Tem um pouco de vodka.
- Sabia
- É que tinha um pouquinho de vodka na garrafa, então eu resolvi acabar com ela de vez. Aliás, quando eu for fazer compras, me lembre de comprar vodka.
- Não vou precisar te lembrar. Quando se trata de bebida alcoólica, você nunca se esquece.
Começamos a assistir ao filme. Minha avó pegou no sono, na metade do filme.
Alguns dias se passaram e tudo ocorria normalmente dentro de casa.
Hoje era sexta-feira, e eu acordei ás nove da manhã. Fiz minha higiene matinal e desci para tomar meu café da manhã. Cheguei na cozinha e encontrei a minha avó de costas para a porta. Ela estava com uma calça legging laranja, uma blusa largada, um tênis, óculos de sol, rabo de cavalo e um boné branco. Ela também segurava alguma coisa, provavelmente uma latinha de cerveja.
- Vovó, você tem que largar esta cerveja, tomar um oxigênio. Ás vezes faz bem, sabe?
- Mas eu não estou segurando uma cerveja, o que é um milagre. Estou segurando uma garrafinha de água.
- Aonde você vai vestida assim?
- Nós vamos a um parque, correr um pouco. Achar uns machos espanhóis.
- Eu também vou achar machos espanhóis?
- Não. Você procura as fêmeas. Nós também já tivemos a conversa sobre homossexualidade, certo? Vou sempre te amar, mas prefiro que você continue hétero. Não quero disputar machos espanhóis com você.
- Ok. Então eu vou subir para colocar uma roupa mais leve.
Subi para o meu quarto e coloquei uma bermuda, uma blusa regata e um tênis. Fomos para o parque caminhando.
Enquanto corríamos, minha avó ficava falando o quão importante era fazer exercícios físicos. Que nós deveríamos correr no minímo 15 minutos todos os dias.
Sentamos para descansar em uma lanchonete que havia dentro do parque.
- Meu filho, olha só aquele espanhol – ela dizia apontando com a cabeça
Era um espanhol, de olhos claros e cabelos cacheados. Deveria ter por volta de seus 35 anos. Ele estava sentado, bebendo um suco de laranja.
- Ele deve ser no mínimo, 30 anos mais jovem que você.
- Não me importo. O que importa é a minha felicidade
- Vó, desiste. É melhor você ir a algum baile da terceira idade. Lá concerteza, você encontrará um macho espanhol da sua idade.
Voltamos para casa. Almoçamos. Eu ajudei minha avó a lavar a louça. Depois ela disse que iria descansar, porque estava com dor nas pernas. Eu fui para o meu quarto, liguei meu notebook e passei a tarde falando com Kath, Paul, Gabby e James no MSN.
Cap�tulo 4 - Stuck in School Sábado e Domingo passaram normalmente, eu não pude sair para nenhum pub, pois não conhecia ninguém. Minha avó até insistiu, falando que eu deveria sair que assim eu poderia ficar bêbado e conhecer alguém. Mas eu preferi ficar em casa, assistindo séries, mexendo na internet e ouvindo as histórias que minha avó contava sobre o amor espanhol dela.
Segunda - feira acordei ás seis e meia da manhã. Primeiro dia de aula.
Tomei um banho e coloquei o uniforme do colégio. Desci para tomar café-da-manhã com uma cara de quem morreu e não avisaram. Minha avó não havia acordado. Eu mesmo tive que fazer meu café da manhã. Tentei preparar uma omelete, mas foi em vão. Então só tomei um copo de leite gelado, com umas torradas.
Fui caminhando até o colégio, era um pouco longe de casa, mas não me importei com a distância.
Quando cheguei, passei na secretaria para pegar meu horário.
Fui para a primeira aula, Biologia. Quando entrei na sala, ainda não havia quase ninguém. Tinha três pessoas. Escolhi uma carteira no fundo da sala, e fiquei lá, até a aula começar.
O sinal tocou anunciando o começo das aulas. Uma multidão de meninas e meninos falando, invadiram a sala.
- Bom dia alunos – Uma mulher de cabelos longos e encaracolados falou. Deveria ser a professora – Hoje nós vamos aprender sobre Pleitopria.
Ela começou a falar sobre a matéria. Provavelmente não deve ter reparado em mim.
Como a aula estava demorando para terminar, abaixei a minha cabeça e comecei a dormir.
As três primeiras aulas passaram lentamente. Eu dormi em todas.
Na hora do intervalo, sentei em um banco qualquer e fiquei observando as pessoas. Algumas meninas me olhavam e davam uma risadinha pervertida, outras uma piscadela. Infelizmente, todas eram feias.
Também percebi que eram divididas em panelinhas bastante distintas. Perto de mim havia uns meninos estranhos, com cabelos na cara e aparência assustadora. Alguns nerds jogando Pokémon em seus game boys e discutindo se o Charmander era melhor que o Bubassauro. E aí... WOW. Uma menina bonita. Bem bonita. Assim, não perfeita. Mas bonita na maneira dela.
Eu podia jurar que a conhecia de algum lugar. Apesar do cabelo completamente fora do lugar, e as roupas amassadas. Ela era estranha, muito estranha. Mas estava bom para mim, considerando como eu era. Estranho igual a ela.
Ela estava passando do meu lado quando sem querer derrubou a bolsa. Algumas coisas caíram, e algumas se mexeram.
Ela se abaixou rapidamente e juntou todos os livros. Eu estaria a ajudando, se não estivesse concentrado no que estava dentro da bolsa. Havia alguma coisa se mexendo lá dentro, definitivamente tinha.
O que estava se mexendo havia saído me fazendo olhar para a dona da bolsa.
Ela me encarou com as bochechas vermelhas e guardou uma fuinha de volta na bolsa.
- Eddie? - Perguntei olhando para a bolsa dela. Ela parou e ficou me olhando confusa.
- Não acredito! Você é o menino que procriou com o Eddie! Estou dizendo, vocês estão ligados pelo destino.
- Eu espero não estar ligado com a sua fuinha, de jeito nenhum - Eu disse com um sorriso de lado.
- Eu acho que você o ama. Olha só a sua cara - Ela disse rindo. Ela tinha um sorriso tão aberto, tão vivo que seus olhos quase fechavam quando ela ria - Ah, qual é seu nome mesmo? A menos que você realmente goste de ser conhecido como O Garoto Que Procriou Com O Eddie.
- Acho que prefiro - Falei sorrindo - E você? Gosta de ser a garota da fuinha?
- Na verdade... Gosto - Ela falou com o olhar longe, quando voltou a me olhar, pareceu surpresa que eu ainda estivesse lá como se esperasse que ela falasse algo. E eu realmente esperava - Ah. Pode me chamar de
Passamos algum tempo conversando, e quando o sinal tocou, todos se voltaram para os corredores. segurou meu braço e me puxou na direção oposta.
- O que é isso diabos?
- Fala baixo - Ela pediu - Quero te mostrar uma coisa.
Subimos dois lances de escada e ela abriu uma porta gasta, que dava para a parte superior da escola. Não era um lugar muito limpo, e dele se via o campo de futebol.
Ela me mandou sentar, disse que queria me conhecer melhor.
- Ei, o que você tem dentro da sua mochila? – Ela me perguntou
- Materiais, ué – Eu disse fazendo pouco caso. Na verdade eu queria esconder o que eu levava dentro da mochila
- Posso ver?
- São só materiais
- Daqui! – Ela puxou a mochila de mim.
Quando abriu fez uma cara de espanto.
- Não é isso o que você está pensando. Eu só trouxe para me distrair, caso a aula fosse chata – Eu tentava argumentar
- Por que você não me disse que tinha uma garrafa de vodka dentro dela? Nossa, acho que eu te amo
- Ahn?
- Esquece. Posso beber?
- Claro.
Começamos a beber a vodka e ficamos conversando. Quando menos esperávamos, já estávamos alegres.
Cap�tulo 5 - Do you wanna drink some alcohol? - , NÃO TOMA O RESTO! - disse ainda consciente de tudo. Eu já estava com a garrafa na boca quando a abaixei
- Porque não?
- Porque eu quero.
- Não vai ter - Dei os ombros e fiz menção de levantar a garrafa
- ! VOCÊ TOMOU MAIS QUE EU!
- Você é menina. Tem que ficar sóbria
- Eu estou sóbria. Assim como você
- É a minha vodka droga, eu tomo o resto.
- !
- !
levantou o braço para pegar a garrafa, e com um movimento rápido para tirar a bebida do alcance dela, acabei deixando a vodka escapar por meus dedos. A cena seguinte pareceu ser em câmera lenta. A garrafa caindo lentamente, os cacos de vidro voando pelo ar e indo para o chão, e o pouco conteúdo que restava na garrafa molhando o chão.
- NÃÃÃÃÃÃÃO! - Gritei triste
- Me poupe, era só uma garrafa.
- Você não sabe o valor que elas têm!
- ERA UMA VODKA DE QUINTA! NÃO DEVIA VALER NADA!
- VALOR SENTIMENTAL ! SENTIMENTAL!
- , CALA A BOCA!
- , NÃO TORRA A PACIÊNCIA.
Então o silêncio invadiu o lugar. Eu observava Eddie atentamente, e sem querer quebrar a guerra de silêncio, peguei um papel e uma caneta e joguei um bilhete para ela.
“O seu roedor está tentando se aproximar das minhas pernas.”
“Então seja homem e tire o meu ‘roedor’ daí”
“Não quero tocar nisso”
“Então dane-se”
Gritei antes que ele chegasse perto de um lugar que não deveria.
- EDDIE, SE VOCÊ NÃO SAIR DAÍ AGORA, VOCÊ VAI EXPERIMENTAR DAR UM PULINHO DO TELHADO!
- TENTA JOGAR MINHA FUINHA QUE EU CHUTO SUAS BOLAS
- ENTÃO CONTROLA ESSE ANIMAL
- EU NÃO TENHO CULPA NENHUMA SE ELE SE ATRAI POR COISAS NOJENTAS COMO ESSA SUA PERNA PELUDA!
- ENTÃO EU SOU NOJENTO?
- É
- ÓTIMO
- VOCÊ ME DÁ NÁUSEAS,
- CALA BOCA – Sem saber muito que estava fazendo, passei minhas mãos por sua cintura e ela passou seus braços pelo meu pescoço. Sua respiração estava ofegante de tanto gritar. Foi de longe o beijo mais estranho que já tive. Tenho que concordar que a vodka tinha parte nisso, pois nós estávamos alegres. Também poderia dizer que foi o melhor beijo se Eddie não tivesse subido na minha perna trinta segundos depois, provavelmente querendo se sentir incluído.
- Eu não vou me desculpar por isso - Falei assim que ela deu um passo para trás, com uma cara um pouco espantada, mas com algo que eu julguei ser um sorriso no canto da boca
- Ah, tudo bem - Ela deu os ombros - Vamos culpar a vodka
- É. É a vodka - Concordei me sentindo estranho
- Olha, ainda pelo efeito da vodka, você... Quer vir comigo em uma festa hoje?
- Que tipo de festa?
- Ah, você sabe - Ela sorriu e esperou minha resposta - Ta, não sabe não. Festas . Música, pessoas, conversas, bebidas e...
- O último fator da sua definição de festa me atrai. Eu vou - Falei rindo.
Peguei o endereço e marquei de encontrar com ela ás 9:00PM
Cap�tulo 6 - El Matador Perdemos o resto das aulas e nos misturamos com o resto dos alunos na hora da saída. Fui direto para casa e encontrei vovó sentada no jardim, olhando as nuvens.
- Vó? - Chamei tentando a tirar do transe. Ela levou o dedo indicador até a boca e sinalizou para que eu ficasse em silêncio. Depois de alguns segundos ela suspirou e me olhou
- Ah. Nada de sorvete hoje - Ela disse dando os ombros
- O que?
- Nada de sorvete querido.
- Vó, que tipo de conversa estamos tendo?
- Você não vê querido? O sol, as nuvens. Tudo indica... Tudo indica. Nada de sorvete hoje.
- Ahn, vó, eu vou entrar e... Fazer qualquer coisa que não seja... Ahn... Ver se teremos ou não sorvete. E ah, vou para uma festa hoje.
- Que meigo, meu menininho fez coleguinhas e vão marcar uma pequena reunião com música alta e danças vulgares - Ela disse com um sorriso materno e entrou comigo. Em cima do sofá estava um livro de astrologia. Eu o escondi entre as almofadas do sofá para vovó não fazer mais premonições sobre a sobremesa.
Cheguei em uma casa grande, com um gramado e uma piscina. Várias pessoas conversavam e dançavam. Ela estava parada, apoiada na caixa de correio com uma calça skinny vermelha e uma camiseta branca. Calçava um all-star amarelo, bem gasto.
- Oi - Ela sorriu animada e antes que eu pudesse falar algo, me puxou para dentro da casa e me deu um copo. Tomei um gole demorado e senti a bebida queimar minha garganta.
- Absinto? - Perguntei sentindo que ia gostar daquela festa. Ela confirmou e virou o copo dela.
Quando ela me chamou para dançar, eu já me sentia um pouco estranho, mas ainda estava sóbrio. Um menino baixinho, com o cabelo jogado para todas as direções e a pele bronzeada acenou para . Ele estava atrás de um bar preparando bebidas. foi comigo até lá.
- O que você ta fazendo aí Chris? - Ela perguntou.
- Uma coisa que eu inventei. Conhece El Diablo? - O tal Chris perguntou e sorriu ao ver que ela havia concordado - Pois é. O que estou fazendo aqui é ainda melhor. Eu o chamo de - Ele interrompeu a fala e sorriu malicioso, depois falou com um sotaque latino - El diabo loco. - E riu maleficamente. Não consegui agüentar e ri. também.
- E o que tem de tão loco nessa sua bebida? - Ela perguntou
- Ah. Invenções minhas. Eu e meu sangue latino não nos contentamos com pouca coisa - Ele terminou a bebida e entregou para , olhando desejoso para ela. Por instinto, abracei a cintura dela, na esperança de que ele achasse que eu estava com ela de um modo diferente e parasse de encará-la com tanta malícia.
- E você? - Ele me perguntou sorrindo desapontado depois do meu gesto - Posso preparar uma obra inteiramente minha?
Eu concordei sentindo um pouco de medo. Ele preparou uma bebida fumegante e me entregou sorrindo
- Eu chamo esse de El Matador.
Depois de tomarmos nossos drinks e eu ter certeza de que o El Matador tinha um nome meramente figurativo, voltamos a tomar absinto. Depois de alguns copos, estávamos bêbados o bastante para competir com a minha avó em noites de tédio. Andamos até o jardim e nos jogamos lá, olhando o céu.
- Voc� gosta de estrelas? � Eu perguntei
- Gosto. Voc� tamb�m?
- Tamb�m. Voc� est� olhando a lua?
- Quase cheia. Em virgem.
- Amanh� faz conjun��o com J�piter.
- Com Saturno tamb�m.
- Eu n�o sei. Deve ser. � Ficamos em sil�ncio por uns 30 segundos - Voc� gosta de J�piter? -
- Gosto. Na verdade "desejaria viver em J�piter onde as almas s�o puras e a transa � outra".
- O que � isso?
- Um poema de um menino que vai morrer.
- Como � que voc� sabe?
- Em fevereiro, ele vai se matar em fevereiro.
- Ahn? Como � que voc� sabe?
- O qu�?
- Que o menino vai se matar.
- Sei muitas coisas. Algumas nem aconteceram ainda.
- Eu n�o sei nada.
- Te ensino a saber, n�o a sentir. N�o sinto nada, j� faz tempo.
- Eu s� sinto, mas n�o sei o que sinto. Quando sei, n�o compreendo.
- Ningu�m compreende.
- �s vezes sim. Eu te ensino.
- Dif�cil, morri em dezembro. Com cinco tiros nas costas. Voc� tamb�m?
- Tamb�m. Depois sa� do corpo. Voc� j� saiu do corpo?
Agora o sil�ncio ficou maior
- Voc� tomou alguma coisa? - Perguntei
- O qu�?
- Coca�na, morfina, code�na, mescalina, hero�na, estenamina, pscilocibina, metedrina.
- N�o tomei nada.
- Ah.
O sil�ncio aumentava cada vez mais. Depois de um tempo, ela se levantou do gramado e come�ou a andar devagar.
- Aonde voc� vai? � Perguntei
- Hum. Acho que j� bebi o suficiente. Vou para casa
- Ah. Quer que eu te leve?
- Pode ser.
Sa�mos da festa e pegamos um t�xi. N�o t�nhamos capacidade para ir andando a p�.
Quando chegamos a casa dela, ela me mandou entrar.
- Eu estou sozinha em casa. � Ela disse
- E isso significa?
- Que eu quero que voc� fique aqui comigo, at� eu pegar no sono. Eu to com medo.
- Do que?
- Sei l�. Do Jackson-sem-cabe�a
- Quem � esse?
- Acabei de inventar.
- Acho melhor voc� ir tomar um banho.
Subimos as escadas e entramos em seu quarto. Ela sentou em sua cama e eu sentei em uma poltrona. Na mesma, havia um ursinho que eu arremessei longe. Em pouco tempo, esse ursinho come�ou a se mexer no ch�o. Amelie pegou e arremessou o ursinho para perto da porta do banheiro e viu Eddie.
- Ele queria procriar com o ursinho. � Ela come�ou a rir � Te trocou.
- Cala boca . Vai tomar um banho porque voc� est� fedida de cigarro e daquelas cervejas que derramaram em voc�.
Ela se levantou da cama e foi cambaleando at� o banheiro. Estava quase chegando a porta, quando trope�ou no ursinho e caiu de mal jeito.
- Voc� est� bem? � Perguntei preocupado
- Eu estou b�bada � Ela ria descontroladamente e falava com dificuldade
- Nossa voc� est� p�ssima. Quer ajuda para tomar banho?
- Eu estou b�bada. Mas isso n�o significa que voc� pode se aproveitar da minha santidade
- ENT�O VAI TOMAR BANHO LOGO, CACETE!
Cap�tulo 7 - Too drunk to fuck Ouvi o barulho da chave rodando na porta do banheiro, e logo ap�s pingos caindo no ch�o. Pensei ter ouvido algo caindo no ch�o, me preocupei, mas permaneci sentado. Ela n�o podia estar t�o mal assim. Meus olhos come�aram a pesar e adormeci com o som da �gua no ch�o.
Abri os olhos devagar e a procurei pelo quarto. Eu ainda ouvia o som do chuveiro, mas tudo parecia um pouco quieto demais, exceto pelo som do Eddie arranhando a porta do banheiro. Levantei sonolento e tonto e bati na porta
- ? Est� tudo bem? - Perguntei e n�o tive resposta. Eddie agora se enroscava em minha perna. O ignorei e bati de novo. S� ouvia a �gua.
Uma onda de p�nico e medo me invadiu e eu soquei a porta com for�a
- ?!
Eu fazia for�a contra a porta trancada e sem conseguir pensar, continuei chamando ela. Olhei em volta e achei uma presilha de cabelo. Quando se tem uma av� que est� b�bada demais pra abrir a porta quando voc� chega da balada sem chave, voc� acaba aprendendo alguns truques.
Coloquei a presilha no buraco da fechadura e depois de algum tempo consegui abrir a porta.
estava deitada no ch�o do box. Corri, desliguei o chuveiro e a cobri com uma toalha.
- ? - Chamei sentindo o pulso dela - acorda!
Eu a deitei na cama com cuidado e sentei do lado. Continuei a chamando, ficando mais preocupado. Ela abriu os olhos lentamente, levou a m�o a testa e depois que me viu, me deu um tapa na cara.
- O QUE FOI ISSO? - Perguntei assustado
- EU TO PELADA! - Ela gritou desesperada, e olhou para o pr�prio corpo, vendo que estava com uma toalha - Ah. Er, desculpa. Eu desmaiei, acho.
Eu n�o tinha muita certeza do qu�o s�brio eu estava. N�o sabia dizer se estava tonto daquele jeito pela bebida ou pelo sono. Ela ficou me olhando da cama por uns cinco segundos, enquanto eu continuei parado, ela bateu no espa�o ao lado dela.
- Porque voc� n�o ta deitado aqui? - Ela perguntou parecendo confusa - Ah, j� sei, voc� vai ficar de guarda e vigiar os monstros, certo?
- Hum, �. Mais tarde - Falei tentando n�o rir, n�o sabia se ela estava falando s�rio ou se estava alucinando. Deitei do lado dela, abra�ando-a.
- Eu gosto da sua m�o - Ela disse rindo baixo e segurando minha m�o na dela
- Eu gosto do seu cabelo - Falei tamb�m com um riso baixo, ainda abra�ado com ela
- Eu gosto dos seus joelhos
- � uma coisa meio estranha pra se gostar - Falei sorrindo
- Eu gosto - Ela deu os ombros - Tamb�m gosto da sua bochecha - Ela falou virando de frente pra mim e tocando minha bochecha
- Eu gosto do seu cheiro - Falei fechando os olhos
- Eu tamb�m gosto do seu - Ela sorriu - Mas s� quando voc� toma banho
- Eu gosto dos seus olhos - Falei desenhando o contorno dos olhos dela com o dedo indicador
- Eu gosto da sua boca - Ela disse levando o polegar at� os meus l�bios
- Gosto da sua voz - Falei abaixando meu pr�prio tom. Era quase um sussurro agora
- Gosto do seu beijo - Ela disse aproximando o rosto do meu
- Gosto de beijar voc� - Falei sorrindo e encostei os l�bios nos dela.
Depois disso ficamos calados. Eu estava quase dormindo quando ela voltou a falar.
- Eu n�o consigo dormir.
- Agora eu tamb�m n�o
- Canta pra mim - Ela pediu com a voz baixa
- Cantar o que?
- Uma m�sica. Qualquer uma. Vai me ajudar a cair no sono.
N�o sabia o que cantar e tinha certeza de que estava ficando vermelho. She falls asleep, do McFLY, foi a m�sica menos estranha que consegui pensar naquela hora.
She falls asleep and all she thinks about is you
She falls asleep and all she dreams about is you
When she's asleep the air she's breathing is for you
- N�o . Pensando bem, voc� � bem mais bonitinho calado - Ela disse antes que eu pudesse chegar ao refr�o da m�sica. Sorri no escuro e ela apoiou a cabe�a no meu peito. Minutos depois ela parecia j� estar sonhando.
N�o sei quanto tempo fiquei ali, olhando-a e segurando a vontade de rir. Era improv�vel que eu me lembrasse de metade daquela noite no dia seguinte, mas tinha valido a pena. Dormi me sentindo aliviado e sem querer pensar na ressaca que eu teria pela manh�.
- , , ! - Uma senhora com um rosto engra�ado e apar�ncia cansada abriu a porta do quarto com for�a e entrou l� gritando. havia acordado assustada e pareceu se surpreender de estar deitada comigo.
- Oi - Ela disse confusa e se levantou - O que foi Francesca?
- , a fuinha. Aquele animal est� de novo na minha cozinha! Ah , quantas vezes, quantas vezes te disse para trancar o roedor? O que sua m�e diria se n�o estivesse viajando? Ah senhor!
- Francesca! - disse elevando o tom da voz - Se acalme ou te mando de volta pra Cuba. Pode voltar para a sua cozinha, o Eddie j� voltou, est� vendo? - Ela apontou para o p� de Francesca, onde Eddie estava parado.
- AH! Saia! Saia fuinha! - Francesca balan�ou o p� e correu para a cozinha.
- Hum, acho que voc� conheceu a Francesca no melhor estado dela - disse sorrindo - Quer comer alguma coisa?
- N�o, eu j� vou embora - Falei levantando - Minha av� deve estar preocupada. Boa sorte com a ressaca.
Peguei um taxi e fui direto para casa. Vov� estava sentada no jardim.
- Fazendo previs�es v�?
- N�o querido, plantando. Vi em um programa de terceira idade que esse tipo de coisa � saud�vel. Ser� que as plantinhas ficam felizes com vodka?
- N�o v�, acho que n�o.
- O que voc� tem filho? Est� com uma cara pavorosa
- � ressaca.
- Ah querido, entra e fica sentado que eu vou preparar um tro�o pra voc�. S� preciso achar aquelas folhas de hortel� e aquela coxa de frango de ontem.
- V�, a senhora n�o ta achando que vai tacar macumba em cima de mim n�? - Perguntei entrando em casa com ela logo atr�s de mim. A segui at� a cozinha.
- Claro que n�o querido. Ressaca n�o � curada com esse tipo de coisa n�o! � preciso ter conhecimento, saber das coisas!
- V�, eu n�o quero ofender nem nada, mas o que diabos a senhora sabe?
- � verdade, eu n�o sei nada - Ela disse colocando o frango na pia com o olhar desfocado, pensando. De repente, ela suspirou sorrindo - �, mas de uma coisa eu sei bem: Ressaca.
Cap�tulo 8 - I starded a party Ap�s isso subi para o meu quarto, deitei em minha cama e acabei pegando no sono. Eu abri os olhos parecendo mais leve. Olhei meu rel�gio que marcava 6:00PM. Meu celular estava tocando no bolso do meu jeans, vi no visor que me ligava. Atendi o celular sentindo o milagre que aquela macumba ressacal havia feito.
- Al�?
- , preciso de voc�! - disse parecendo preocupada
- Fala
- Eddie precisa de sexo.
- EU N�O VOU PROCRIAR COM A SUA FUINHA DE NOVO! N�O VOU!
- , n�o � voc� que vai satisfazer as necessidades masculinas dele! - disse rindo - Rose vai!
- Quem diabos?
- A namorada fuinha dele! Preciso de algu�m pra ir comigo at� a casa da dona da Rose. Eddie est� se enroscando com o meu abajur agora, isso n�o � bonito!
- Eu tenho que cuidar da minha av�.
- Leva ela junto, n�o tem problema.
Ela ent�o come�ou a me contar que Eddie estava se enroscando em v�rias partes da casa e n�o estava sendo agrad�vel v�-lo fazer isso. Perguntei aonde era o local que Rose morava.
- Nossa, � perto de casa � eu disse
- �timo! Ent�o eu passo a� em dez minutos!
Os dez minutos foram o tempo de eu trocar de roupa e ficar reparando no quanto minha cara parecia melhor. A campainha tocou e eu ouvi minha av� atendendo.
- Ah, deve ser a f�mea espanhola do meu ! , sua f�mea chegou! - Vov� gritou. Desci as escadas e pude ouvir mais um pouco - Quer um ch� de ervas?
Quando cheguei � cozinha, e vov� pareciam amigas de inf�ncia, de mijar junto, tomando ch� de ervas. Eddie estava se esfregando na al�a da bolsa de .
J� havia passado tr�s meses desde que eu me mudara para Ver�n. Ainda sentia saudade de Londres, mas estava come�ando a sentir como se morasse l� desde minha inf�ncia.
- Ei ! � Vov� me chamou antes de entrar apressada na sala de embarque. Ela partiria para Londres, pois um primo dela estava muito doente e eles sempre foram muito chegados. Ela voltaria logo que tivesse certeza de que tudo estava bem e recomendou acima de tudo que eu n�o esgotasse a vodka dela.
� Sabe o ping�im em cima da geladeira? � Ela perguntou e eu assenti com a cabe�a, sem entender o porqu� daquilo quando ela estava atrasada para o v�o � Arranque a cabe�a dele! D� uma festa! Tranque meu quarto, n�o quero nada inapropriado acontecendo nele! E me ligue!
- Ok vov�, ok � Concordei sorrindo. Ela suspirou e andou apressadamente pela sala de embarque. Fiquei alguns minutos parado ali e depois voltei para casa. Me joguei no sof� e fechei os olhos sorrindo. Eu teria a casa toda para mim. Talvez eu realmente devesse dar uma festa. Mas o que ela quis dizer com o ping�im? Levantei intrigado e fui at� a geladeira. Peguei o ping�im e puxei sua cabe�a que caiu facilmente no ch�o. Dentro do ping�im havia dinheiro e um bilhete: Use com sabedoria!
Use com sabedoria para a vov� era praticamente dizer "Tem tequila na lojinha ao lado". Pensei em como daria uma festa e me dei conta de que n�o era capaz de tal ato. Peguei o celular e disquei o n�mero de .
- Preciso dar uma festa
- Tem dinheiro pra �lcool?
- Tenho
- Ent�o compre o m�ximo que conseguir, coloque um cd no �ltimo volume, apague as luzes e ligue para todos os contatos que tiver no celular!
- Amanh� � noite! Te vejo aqui? � Perguntei contando o dinheiro. Era o suficiente para meses de �lcool. Peguei s� algumas notas e calculei mentalmente quantas garrafas compraria. concordou animada antes de desligar o telefone.
O rel�gio na cozinha j� marcava 3:00AM e as pessoas continuavam chegando de todos os lados, parecia que a casa explodiria. j� estava alegre depois de algumas doses de tequila, sal e lim�o. Ela estava em uma rodinha sendo desafiada e desafiando outras meninas � ag�entar a combina��o dos tr�s ingredientes sobre a mesa.
- Ei ! � me chamou batendo no lugar ao lado dela no sof� � Eu te desafio � uma dose, chupar o lim�o, outra dose e lamber o sal no meu pesco�o!
Enchi dois copos e os deixei prontos. deixou o pesco�o de lado passando sal dele e rindo. Tomei uma dose sentindo minha garganta arder, o lim�o me fez contorcer cada linha no meu rosto, tomei rapidamente outra dose que rasgou minha garganta e avancei at� o pesco�o de . Lambi todo o sal que podia estar ali e todo o que n�o podia tamb�m. Algum tempo depois eu trilhei o caminho at� a boca de que naquele momento tinha um gosto inconfund�vel de lim�o. Eu a beijei e ri junto dela.
- � Falei sem parar de beij�-la. Ela segurava minha nuca me puxando o mais perto poss�vel dela e eu mantinha minhas m�os ocupadas em sua cintura � Eu sei que � cedo pra isso e que estou b�bado, completamente b�bado � Falei sorrindo e sentindo uma tontura � Mas eu estou completamente, absurdamente apaixonado por voc�!
estava t�o b�bada quanto eu e pareceu n�o assimilar as palavras naquele momento. Continuamos nos beijando como se isso fosse algo que ocorria naturalmente todos os dias.
Cap�tulo 9 - She's from Australia Resolvi levantar e beber alguma coisa, dar algum motivo para vov� se orgulhar de mim. Eu chamei Chris, o amigo latino de que tentou me assustar me preparando um El Matador, para preparar alguns drinks na festa.
- Hey Chris � Sorri cauteloso, me perguntando se ele me daria alguma outra bebida fumegante � Cara, me faz a coisa mais forte que voc� conseguir fazer!
- Bebendo pra esquecer os problemas? � Ele sorriu come�ando a misturar as garrafas. Dei os ombros passando a m�o pelo cabelo e suspirando.
- N�o acho que voc� � do tipo de garoto que ag�enta a coisa mais forte que o Chris � capaz de preparar � Uma ruiva um pouco menor que eu disse com um sorriso. Seus olhos verdes piscaram para Chris de um jeito divertido e pousaram em mim como se me analisassem. N�o pude deixar de notar que a ruiva tinha uma das melhores pernas que eu j� tinha visto na vida.
- Ah, eu acho que eu ag�ento sim � Falei piscando para ela � Nunca te vi por aqui. Sou o
- Ah, eu s� vou passar algumas semanas aqui. Eu sou da Austr�lia, vim pra c� pra um campeonato de v�lei que vou participar. Meu nome � Julie, sou prima do Chris � Ela sorriu e arqueou a sobrancelha quando Chris me deu a bebida. Ela observou atenta at� eu dar o primeiro gole e sentir minha garganta ardendo.
- Ent�o � Falei dando outro gole � Austr�lia �? � Sorri sugestivo para ela e acho que ela me entendeu, porque piscou para mim e atravessou a sala me deixando l�. N�o demorou muito para eu ir procur�-la.
Sai andando a procura de Julie e a encontrei olhando para a janela que dava para o jardim. A abracei por tr�s.
- Meus amigos dizem que as australianas beijam bem - cochichei rouco e com um sorriso no canto do rosto. Julie soltou uma risadinha e se virou para me encarar. - Mas eu nunca provei um para saber se � verdade!
- Quer tirar a prova real? - ela perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
Prensei-a sobre a parede e mordi meu l�bio inferior. Ela segurou o meu rosto e come�ou a me beijar ferozmente. Soltei seus cabelos ruivos que estavam presos com um el�stico e a peguei em meu colo. Julie entrela�ou suas pernas em minha cintura e abra�ou com uma de suas m�os as minhas costas colocando a mesma dentro de minha camisa p�lo e arranhando toda as minhas costas, fazendo com que eu ficasse arrepiado. Sua outra m�o estava em meus cabelos bagun�ando-os. Coloquei Julie no ch�o e me separei dela ofegante.
- Meus amigos estavam certos quando me disseram que as australianas beijam bem.
Eu estava quase levando todo aquele beijo para um outro n�vel quando senti Julie se separando bruscamente de mim. Fiquei confuso por alguns segundos e s� depois me dei conta de que havia a puxado pelos cabelos e enterrado a m�o na cara dela. N�o tive tempo de pensar em algo quando Julie puxou pelo bra�o a deu um tapa igualmente forte. Haviam se passado somente mais alguns segundos e as duas estavam puxando os cabelos umas das outras com as blusas tortas me dando uma bela vis�o. N�o sabia se minha sentia excitado ou se fazia alguma coisa a respeito de tudo aquilo. Antes que alguma delas pudesse quebrar os ossos da outra eu me joguei no meio das duas, que se arranhavam e se batiam com muito mais for�a. Senti uma m�o que julguei ser a de do meio de toda aquela confus�o deixando meu rosto formigando e me fazendo soltar um gemido de dor. Fiz for�a para separ�-las e algu�m segurou pelos bra�os, assim como eu fiz com Julie. Levaram para fora da casa e eu resisti ao impulso de correr atr�s dela. Julie me olhou confusa me pedindo explica��es e eu suspirei a conduzindo para o sof�.
narrando Senti algu�m segurando os meus bra�os e me afastando da ruiva. Minha vontade era de dar uma cotovelada na pessoa que me segurava e voltar a brigar com aquela cabe�a de f�sforo. Quando eu estava para fazer isso, vi abra�ando a ruiva e cochichando algo em seu ouvido. Minha raiva aumentou ainda mais e eu agarrei ali mesmo - sem saber se era homem ou mulher - a pessoa que me segurava. Quando parei de beijar essa pessoa, olhei seu rosto para me certificar o que eu beijava. Era um homem que aparentava ter uns 20 anos de idade, olhos acinzentados, cabelos da cor castanho escuro e um belo corpo. Vestia uma cal�a skinny vermelha, uma camiseta verde com a frase "Be nice to nerds, one day you'll work for one" na cor preta e uns desenhos estranhos que eu n�o consegui identificar por estar um pouco mais que alegre.
- Wow! - ele disse assim que me separei dele
- Eu gostei de voc� - eu disse com um sorriso malicioso no rosto e voltei a beij�-lo ali mesmo, na frente do .
Senti algu�m pigarrear perto de n�s. Me separei do beijo e olhei para o lado, para ver quem era.
- O que voc� quer ? - perguntei
- Posso falar com voc� um minutinho?
- Claro. Ahn...Espera s� um minutinho... - olhei nos olhos do homem que eu estava beijando para tentar adivinhar seu nome
- Pablo. Pablo Juan - ele completou a minha frase com um sorriso no rosto
me puxou para algum canto da sala, me encostou na parede e ficou me fitando por uns 30 segundos.
- O que voc� quer? - perguntei
- Por que voc� est� beijando aquele homem?
- U�, eu n�o posso?
- Errn... - ele tentava encontrar alguma resposta. Desviou seus olhos dos meus e come�ou a olhar a nossa volta. - Pode. - ele disse com um fio de voz e eu n�o consegui entender nada por causa da m�sica alta
- O que?
- Pode. - ele respondeu agora com a voz normal dele
- Ah, que bom. Pensei que voc� n�o ia deixar - dei um sorriso falso - Agora eu vou indo porque o Juan est� me esperando. Licen�a. - dei um beijo estalado na sua bochecha e sai caminhando a procura de Juan.
Encontrei ele sentado no sof� segurando alguma bebida. Sentei ao seu lado e dei um sorriso enorme.
- Oi! - eu disse alegremente - Tudo bem?
- Ahn, oi - ele sorriu estranhamente - Aceita? - ele colocou o copo de bebida em minha frente.
Peguei o copo com as duas m�os e dei um gole enorme, como se estivesse precisando daquilo. Ele riu de mim e eu tentei dar um soco nele, mas foi em v�o, pois eu n�o conseguia achar seu ombro. Continuamos bebendo e conversando sobre algum assunto f�til. Quando me dei por conta, est�vamos nos beijando ferozmente. Eu estava quase em cima dele e ele passava a m�o por todas as partes alcan��veis do meu corpo. Fomos parando de se beijar aos poucos.
- Voc� quer namorar comigo? - ele perguntou entre um beijo e outro
- Claro - respondi com a maior naturalidade
narrando Vi e seu companheiro sentados no sof� bebendo alguma coisa que Chris deveria ter preparado. Eles tamb�m estavam conversando e rindo muito. N�o sei porque mas aquela cena me irritava demais.
Resolvi subir para o meu quarto e dormir. N�o tinha mais o que fazer naquela festa. Julie j� tinha ido embora h� muito tempo - desde que ela havia se esbofeteado no meio da sala com .
Dei uma �ltima olhada no casal e eles estavam quase se comendo em cima do sof�.
Cap�tulo 10 - She's got a boyfriend Acordei no dia seguinte com um pouco de dor de cabe�a. Fui at� o meu banheiro fazer minha higiene matinal e me arrumar.
Sai do meu quarto e senti um cheiro horr�vel de cigarro. Desci para a sala e me deparei com uma casa realmente bagun�ada. Havia copos pelo ch�o, bitucas de cigarro e em um canto da sala eu vi que havia uma po�a. Primeiramente pensei que era alguma bebida que havia sido derramada, mas ao chegar mais perto, vi que era o v�mito de algu�m.
- Eca! - exclamei com cara de nojo
Fui para a cozinha preparar meu caf�-da-manh�. Enquanto ele ficava pronto, escutei um gemido alto vindo da sala de TV. Fui at� l� e encontrei dormindo em um dos sof�s.
Voltei para a cozinha pensando no que acontecera na noite anterior. A verdade � que eu n�o me lembrava. Sabia que tinha ficado com uma autraliana muito gostosa e a pergunta �: Porque eu n�o estava com a ?! Ah claro, estava ocupada demais se divertindo no sof� com aquele outro cara. At� ent�o eu acho que foi tudo real, j� n�o tenho certeza sobre os hipop�tamos. Comi qualquer coisa e voltei para a sala sentando no sof� em que n�o estava deitada. Liguei a TV e pensei em um jeito de arrumar tudo aquilo. Resolvi levantar sem saber o que fazer. Pisei em um copo que fez barulho e se mexeu no sof�.
- Francesca? Francesca, cad� o Eddie? Fran, fran, fran, fran, francesca, quero ovos e leitinho morno - resmungava sozinha, sorri vendo que ela achava que eu era Francesca, sua empregada.
- Francesca porque voc� n�o ta falando comigo? Franceeeeeeeeeeeesca - falou abrindo os olhos.
- Dormiu bem? - Perguntei resolvendo agir. Comecei a catar os copos pela casa
- �, dormi. Como foi a festa? Eu sinceramente n�o me lembro.
- Ah, foi muito boa sabe - Falei tentando achar um jeito de tocar no assunto certo - Eu... Acho que voc� n�o se lembra, mas eu disse umas coisas pra voc� e... Esquece.
- Ah, que voc� me ama? - disse parando e me encarando. N�s dois sustentamos o olhar e ficou incrivelmente vermelha - eu... Eu n�o posso! - Ela exclamou - Ah c�us! EU TENHO UM NAMORADO !
- Como assim voc� tem um namorado?
- Eu estava beijando o Pablo, e nossa, ele beija muito bem - ela ia come�ar a detalhar o beijo, quando eu a interrompi
- Detalhes a parte
- Hum, ok. Ent�o, e entre um beijo e outro ele me pediu em namoro. E eu acabei aceitando. - ela deu um sorriso sem gra�a
- Como voc� pode aceitar namorar uma pessoa que voc� conheceu em uma festa? Voc� est� ficando louca, ?
- N�o fala assim comigo - ela come�ou a falar com voz de choro - EU ESTAVA B�BADA, OK? - ela come�ou a chorar desesperadamente
Sentei ao seu lado e � abra�ei. Come�ei a acariciar seus cabelos para ela se acalmar mas n�o adiantou em nada.
- Desculpa, desculpa. Eu n�o queria falar com voc� daquele jeito. Me desculpa?
- Tu-tu-tudo bem - ela deu um sorriso - Eu to com fome.
Pedi para que ela subisse para tomar um banho enquanto preparava o seu caf�. Eu iria emprestar uma roupa minha.
Passamos a tarde vendo TV e nos recuperando da festa de ontem. Est�vamos sentados no sof�. Ela estava deitada no meu colo.
Uma de minhas m�os passava sobre seu cabelo carinhosamente e a outra segurava o controle da TV a procura de algum canal descente.
- Awn, que lindo. T� passando Peter Pan na HBO. - ela disse.
Dei uma risada sarc�stica.
- Voc� gosta desse filme? Ele � rid�culo!
- Ei, esse filme � lindo ok? - ela disse levantando do meu colo e olhando s�riamente no meu rosto - Coloca l� por favor!
- Mas esse filme � tosco!
- Ent�o eu vou embora - ela se levantou do sof� e foi indo em dire��o a porta
- N�O, N�O, N�O! Eu coloco naquele filme.
deu meia volta com um sorriso vitorioso no rosto e deitou novamente no meu colo.
"I do believe in fairies! I do! I do!"
- Voc� est� chorando? - perguntou olhando para os meus olhos
- N�-N�-N�o. � s� um cisco no meu olho - tentei disfar�ar. Ela n�o podia saber que eu estava chorando pelo filme que h� um tempo atr�s eu chamei de r�diculo.
- Aham . Vou fingir que eu acredito - ela rolou os olhos
- Ah qual �? ELES ACREDITAM EM FADAS. ISSO � LINDO OK? TODO MUNDO DEVERIA ACREDITAR EM FADAS!
come�ou a rir da minha cara
- Ops, falei demais!
- Ent�o o filme � r�diculo? - ela se levantou do meu colo, sentou no sof� e ficou olhando para o meu rosto. No mesmo momento me senti meu rosto arder
- Ah, eu n�o sabia que falava de fadas.
- Voc� gosta de fadas?
- Gosto
- Hum, ent�o j� sei como vou fantasiada na festa a fantasia da Beatrice - ela sorriu
- Voc� gosta de me provocar, n�?
chegou perto de mim, o suficiente para eu ficar louco.
- Adoro! - ela disse com um sorriso malicioso
N�o pensei duas vezes e agarrei . Quando o beijo j� estava quase partindo para outro rumo, se separou de mim.
- Eu n�o posso! - ela disse de cabe�a baixa - Eu estou namorando, .
- N�o acredito que voc� vai levar esse neg�cio de namoro a s�rio.
- Desculpa , mas eu aceitei namorar com ele e eu VOU namorar com ele. Eu ESTOU namorando com ele
- ! - Falei irritado a encarando - Voc�s estavam b�bados! B�BADOS!
- Voc� n�o parecia nada b�bado quando foi engolir aquela australiana!
- D� PRA VOC� PARAR DE ME CULPAR POR AQUILO?
- MAS FOI SUA CULPA!
- A CULPA FOI SUA ! FOI SUA POR N�O TER FICADO COMIGO ANTES, A CULPA FOI SUA POR TER PERDIDO O TEMPO QUE EU PODERIA ESTAR COM VOC�. � SUA!
- AGORA A CULPA � MINHA SE VOC� N�O QUIS ADMITIR A VERDADE?
- MAS EU ADMITI PORRA! - Falei irritado. J� haviamos levantado e est�vamos em p� de frente para a TV
- Eu tava b�bada, n�o conta.
- EU TE AMO OK? EU TE AMO, MAS QUE MERDA !
- Eu to com raiva, tamb�m n�o conta.
- Ok ent�o - Falei bufando. Me joguei no sof� e me foquei na televis�o. passou a m�o pelo cabelo e deitou novamente no meu colo
- - Ela chamou de um jeito doce, olhando para cima - n�o me ignora. Por favor, me desculpa.
- Ta, ta tudo bem - Falei ainda sem tirar os olhos da tv
- Eu s� queria encontrar ele e... E conhecer meu namorado. Era tudo o que eu queria agora - Ela sussurrou vendo o filme. Pensei em falar algo sobre esse tal namoro mas resolvi somente assentir e dar os ombros.
Nos cr�ditos do filme olhei para e ela dormia em meu colo. Dei gra�as a Deus e deixei duas l�grimas rolarem pelo meu rosto.
- Eu acredito em fadas, que filme lindo.
Cap�tulo 11 � I�m gay. So what?
Assim que foi embora, eu comecei a imaginar como ela poderia desistir desse namoro. Pensei por muito tempo e cheguei � conclus�o de que ela n�o iria conseguir. N�o era poss�vel que agora eu nunca mais teria chance de ficar com ela por causa de um menino que ela conheceu em uma hora e j� est� namorando. Foi ent�o que eu tive uma id�ia.
Peguei o telefone e comecei a discar um n�mero. No terceiro toque, ele atendeu.
- Al�? � a voz do outro lado da linha perguntou.
- Oi Chris. � o . � respondi
- Ah, oi .
- Ent�o, eu estou precisando da sua ajuda. Pode me ajudar?
- Depende. O que �?
Comecei a contar toda a hist�ria do Pablo com a . Fui interrompido milh�es de vezes, mas consegui chegar ao ponto que eu queria.
- E voc� pode me passar o endere�o dele?
- Ah... Claro. Mas, hum... Que estranho!
- O que � estranho?
- O Pablo pegando uma mulher?
- Qual � o problema?
- Esquece
- Erm, ok.
Ele me passou o endere�o e eu anotei em um papel.
Tomei um banho e me arrumei para ir � casa do Pablo. Fui caminhando at� l�, j� que era perto de minha casa. Ao chegar, toquei a campainha e ningu�m atendeu. Toquei novamente e nada. Quando ia tocar a terceira vez, um homem apareceu na porta.
- Ahn... Oi � dei um sorriso sem gra�a � O Pablo est�?
- Sou eu � ele respondeu com uma voz estranha. Poderia at� dizer um pouco afeminada.
- Ah, Pablo. Que bom que te encontrei.
- Quem � voc�?
Expliquei detalhadamente quem eu era. Quando ele lembrou da festa, me mandou entrar e sentar no sof�. Ele disse que ia pegar um copo d��gua, mas que eu j� podia ir para a sala.
Ao entrar, n�o pude deixar de reparar. A casa era muito bem organizada, tudo em seu devido lugar. Havia uma lareira, um piano, os sof�s, a televis�o que estava ligada em um canal de culin�ria e no centro da sala havia uma mesinha com algumas coisas em cima. Comecei a observar melhor aquela mesinha e cheguei � conclus�o de que o que havia na mesa era uma caixa com alicates, lixas, removedor de cut�culas e base. Achei aquilo tudo realmente estranho.
Pablo voltou com um copo d��gua e pediu para que eu continuasse a hist�ria.
Expliquei tudo. Desde que eu comecei a ficar com aquela australiana gostosa que � prima do Chris, a parte da briga, de Pablo e quase se comendo no sof� e por fim o dia de hoje, aonde ela me disse que estava namorando com ele. No fim da minha hist�ria, ele come�ou a gargalhar.
- Nossa! Jura que aconteceu tudo isso? � ele perguntou com a mesma voz afeminada. Confirmei com a cabe�a e ele continuou � Eu deveria estar realmente b�bado. C�us, eu estou namorando uma menina!
- Qual � o problema?
- O problema � que eu sou gay.
- O QUE? G-G-GAY?
- � isso mesmo.
- Mas se voc� � gay... Por que ficou com uma menina e ainda pediu ela em namoro?
- Ent�o � ele deu risada � Quando eu vou em festas, eu acabo bebendo muito e esquecendo que eu sou gay. Quase sempre acontece isso e eu sempre fico com meninas. Mas, eu nunca cheguei a pedir uma em namoro.
- Bom que seja... Eu s� quero que voc� termine com a , por favor!
- Por que eu faria isso?
- Porque eu gosto dela e quero ficar com ela, mas ela sempre vem com esse assunto de que est� namorando. E tamb�m porque voc� � gay, u�.
Ele olhou para minha cara, depois para televis�o, para mesinha e por fim para as suas unhas.
- Pode ser depois? � que eu estou terminando de fazer minhas unhas. � Ele deu um sorriso amarelo.
Olhei para a cara dele, desacreditando no que ele tinha me falado. Por fim suspirei derrotado e confirmei com a cabe�a. Passei o n�mero da casa de e resolvi voltar para casa. Pablo me levou at� a porta de sua casa. Quando eu j� havia virado para come�ar a andar, ele me chamou e eu virei para ver o que ele queria.
- Se voc� quiser passar o n�mero do seu telefone, eu aceito. � ele deu um sorriso malicioso.
Assustei-me e n�o sabia o que responder.
- Ahn... Desculpe. Eu n�o sou do seu time.
Pablo fez uma cara de pobre coitado. Eu apenas sorri sem gra�a e sai caminhando de l� o mais r�pido poss�vel.
Cheguei em casa por volta das 8PM. Era estranho chegar em casa e n�o ver minha av� fazendo alguma coisa com uma bebida alco�lica na m�o. Eu estava com saudades dela.
Fui para sala checar as mensagens que havia no telefone.
�H�����! Como o mais lindo de todos os pr�ncipes est�? Bem, eu te liguei hoje de manh� e voc� n�o atendeu. Provavelmente deveria estar dormindo. Arrasou na noite de ontem, meu filho? Espero que sim.
Eu liguei pra dizer que eu estou morrendo de saudades de voc� e que pretendo voltar o quanto antes.
Bom, agora eu tenho que desligar. Saudades querido.
Aproveita muito enquanto eu estou fora. E eu espero realmente que voc� tenha usado aquele dinheiro do ping�im para fazer uma festa ou comprar bebidas alco�licas. Caso isso n�o tenha acontecido, eu te mato.
Beijos, beijinhos e beijocas�
Cap�tulo 12 � Single Lady
Fiquei pensando por um bom tempo em como eu tomaria iniciativa com e bolei v�rios planos fracassados. Depois de algum tempo Pablo bateu na porta e entrou. Ele me falou que tentou falar com , mas ela n�o quis ouvir a partir do momento que ele era gay. Ou seja, ele n�o havia terminado com ela.
- Bom, eu vou terminar com a garota. Se voc� puder trazer ela aqui � Ele disse quando eu abri a porta. Eu n�o quis, mas n�o pude deixar de notar que suas unhas estavam bonitas. Talvez se eu come�asse a fazer as minhas...
- OK, vou ligar pra ela � Falei afastando aqueles pensamentos afetados. Disquei o n�mero de .
- HAAAAA! Oi � Ela gritou ao atender. Pensei no porque de todos estarem gritando hoje e ri.
- Oi, vem pra c�.
- N�o. To com sono.
- Vem , eu tenho uma surpresa pra voc�.
- Hm, ta.
Desliguei o telefone e sentei no sof� ao lado de Pablo. Foram os quinze minutos mais desconcertantes da minha vida ali, com um gay ao meu lado tentando chegar mais perto. A campainha tocou e quando me levantei para atender a porta ela se abriu.
- HAAAA! � gritou entrando, animada � N�o sei nem porque eu ainda bato. Ent�o, cad�?
estava animada demais e me fez rir. Apontei com a cabe�a para Pablo no sof� e ela parou.
- Pablo?
- hm, , certo?
- �
-� � Ele repetiu a fala dela levantando-se � Ent�o, n�o � que voc� n�o seja linda e que um dia eu n�o queira ficar t�o divino quanto voc�, mas o fato � que eu n�o posso ficar com voc�. Estou apaixonado por essa delicinha fabulosa aqui � Ele disse apontando para mim. Eu e paramos incr�dulos.
-Voc� vai me dar licen�a � disse com um leve sorriso, pondo-se na minha frente � Mas essa delicinha fabulosa aqui, � minha. Quer dizer, considerando que agora eu estou solteira, vou fazer algo que eu queria fazer h� algum tempo.
E assim, somente virando-se para mim, ela jogou os bra�os em volta do meu pesco�o e me beijou. Segurei com for�a sua cintura a trazendo pra mais perto de mim. Ouvi algu�m bufar e a porta batendo. Pablo n�o era mais um problema.
Nosso beijo come�ou a ficar cada vez mais quente e eu estava ficando cada vez mais sem ar, mas eu n�o queria parar. Fui beijando e andando com at� o sof�. Deitei-a delicadamente sobre o sof� e fiquei praticamente sobre ela. Ela passava suas m�os por toda a extens�o alcan��vel de meu corpo. Eu desci meus l�bios para seu pesco�o e abaixei a al�a de sua regata. estava tirando a minha blusa, quando de repente parou de me beijar.
- , eu to com calor! � ela disse olhando fixamente em meus olhos
- O que voc� quer fazer?
- Vamos � piscina � ela disse saindo de baixo de mim.
Eu sentei no sof� e a vi sair andando para o jardim, aonde tinha a piscina. Olhei para o teto e suspirei. Logo ap�s levantei e a segui.
Cheguei na piscina e estava sentada com os p�s na �gua. Sentei ao seu lado e olhei em seu rosto.
- Minha calcinha � preta... � ela disse olhando fixamente para a churrasqueira que ficava do outro lado da piscina. � Ent�o eu acho que posso tirar essa bermuda jeans, n�? � agora ela olhou no meu rosto.
- Ern, pode. Quer dizer, tanto faz. � dei um sorriso
Ela se levantou e come�ou a tirar a bermuda. Ap�s isso deu um pulo na piscina.
- Vem ! A �gua est� �tima! � ela falou assim que voltou para a superf�cie. Fiquei cogitando a possibilidade de pular na piscina com , que parecia muito feliz usando sua calcinha e sua blusa. Arranquei a camisa pelo pesco�o e me joguei na �gua.
- ISSO AQUI TA CONGELANDO! - gritei ao chegar na superf�cie
- A �gua ta �tima, n�o seja fresco - Ela disse chegando perto de mim e me beijando
- �. A �gua ta �tima - Concordei rindo e a prendi na borda na piscina, com um bra�o em cada lado dela. A beijei novamente e sem mais nem menos ela puxou meus bra�os para baixo. Ficamos submersos sem parar de nos beijar e ela riu me puxando para cima.
- HAAAA! - Ela gritou me fazendo rir - Sempre quis fazer isso. Era meio que um sonho.
Ficamos na �gua conversando por mais algum tempo, e depois de perder uma corrida para ela, resolvi sair e me sentar em uma das espregui�adeiras. Fiquei tremendo pois estava realmente frio e eu n�o estava enrolado em nenhuma toalha. pouco tempo depois sentou ao meu lado.
- Voc� n�o devia andar por a� com essa falta de roupa
- Porque n�o? - Ela perguntou sorrindo
- Voc� pode deixar as pessoas nervosas
- Eu te deixo nervoso? - Ela perguntou inclinando-se para o meu ouvido e sorrindo
- Muito - Concordei fechando os olhos e respirando fundo.
n.a: minhas aulas come�am amanh� (03/08) e isso significa que eu n�o vou mais conseguir postar de dia de semana! urg, eu odeio meu col�gio. mas, eu vou fazer o m�ximo pra conseguir escrever durante a semana e postar no final de semana. n�o posso prometer nada, afinal estou no segundo ano do colegial e n�o posso me dedicar totalmente a natural, tenho que me dedicar mais aos meus estudos.
e eu espero mesmo que voc�s estejam gostando da natural. quero agradecer a todas que upam o t�pico. voc�s me inspiram -s
POR FAVOR, n�o deixem o t�pico as moscas s� porque eu n�o vou aparecer durante a semana ):