 |
Dança do Ventre
No princípio era fogo! Quer dizer, mulheres fascinadas pelo calor das
fogueiras primitivas entravam em estado alterado de consciência,
hipnotizadas pelo fogo, soltavam seus corpos ao som dos tambores, imitando
os movimentos das chamas. Provavelmente tenha sido assim, nas cavernas, o
início da dança do ventre. Mais tarde o sagrado se distanciou da natureza e
foi aprisionado nos templos construídos palas mãos dos homens que
civilizavam também as danças sagradas. Não estamos falando de uma dança
contemporânea, e sim de uma prática milenar que teve seu ápice no império
egípcio e babilónico. Onde Ísis e Astarte eram homenageadas como Grande Mãe
cósmica, através da dança. As dançarinas sagradas dançavam para homenagear
os deuses e consequentemente o Rei, representante dos Deuses na terra. Após
a invasão dos povos árabes, a dança adquiriu um carácter mais profano, as
moças da nobreza que soubessem dançar tinham o seu dote de casamento ,
muitas vezes quadruplicado. A dança do ventre nasceu na alma do feminino,
nasceu no primeiro parto da história da humanidade, talvez por isso, as
bailarinas repitam os movimentos relacionados ao nascimento durante a dança.
Num tempo além do que se imagina tempo antigo, as mulheres eram iniciadas em
cavernas para conhecermos mistérios da grande Deusa Mãe, mistérios estes,
ligados ao parto, a medicina natural e a espiritualidade consequentemente à
dança. Não existe no mundo nada mais feminino.
Na expressão da dança, todo o universo da mulher se revela, e aqueles que
conseguem enxergar com os olhos da alma e não com a mente ligada apenas ao
contexto sexual, compreendem o significado sagrado de cada movimento. É a
dança que mostra a magia do universo feminino, temperamental e suave, veloz
e lânguida, às vezes violenta, tem olhos da ira e num segundo depois o olhar
mais inocente do mundo, é dramática e libertadora, rompe grilhões. Assim
como o feminino, dança é volátil, vibrante e tem a face de todas as
mulheres, seus véus são os mistérios nunca totalmente revelados aos homens,
assim como as mulheres, é caprichosa e nunca se mostra inteira.
Uma bailarina é quente, impugnante, vibra inteira, porque a vida em seu
ápice pulsa dentro dela, assim fascinados como pelo fogo os observadores
vêem-se hipnotizados pelos movimentos ondulantes, que os fazem transcender a
realidade e penetrar num ponto além do espaço e do tempo.
|
|