O processo de engenharia reversa e de redesign também abrangerá o sistema mais importante de nossos corpos: o cérebro. O cérebro é no mínimo tão complexo quanto todos os outros sistemas simultaneamente, com aproximadamente metade de nosso código genético dedicado ao seu design.
É um engano ver o cérebro como um único órgão: é na realidade uma intricada coleção de órgãos processadores de informação, interconectados em uma hierarquia elaborada, da mesma forma que o acidente que é nossa história evolucionária.
O processo de compreensão dos princípios de operação do cérebro humano já está bem encaminhado. As tecnologias subjacentes de análise do cérebro e de modelagem de neurônios melhoram exponencialmente, assim como o nosso conhecimento generalizado de seu funcionamento. Nós já temos modelos matemáticos detalhados de algumas dúzias das várias centenas de regiões que compõem o cérebro humano.
A era dos implantes neurológicos também está encaminhada. Temos implantes cerebrais baseados em modelagem "neuromórfica" (isto é, engenharia reversa do cérebro humano e do sistema nervoso) para uma lista crescente de regiões. Um amigo meu que ficou surdo em idade adulta agora pode conversar pelo telefone novamente graças a um implante coclear, um aparato que se comunica diretamente com o sistema nervoso auditivo. Ele planeja substituí-lo por um novo modelo que tem mil níveis de discriminação de frequências, o que lhe permitirá voltar a escutar música. Ele lamenta o fato de ter as mesmas melodias tocando em sua cabeça há 15 anos e espera ansioso ouvir outras canções.
Uma geração futura de implantes de cóclea, atualmente na prancheta, proverá níveis de discriminação de frequências que irão significativamente além daqueles captados por uma audição "normal".
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade Harvard desenvolvem implantes neurológicos que substituirão retinas danificadas. Há implantes cerebrais para pacientes com mal de Parkinson que se comunicam diretamente com as regiões do núcleo ventral posterior e do núcleo subtalâmico do cérebro para reverter os sintomas mais devastadores dessa doença.
Um implante para pessoas com paralisia cerebral e esclerose múltipla se comunica com o tálamo ventral lateral e foi eficiente no controle de tremores. "Em vez de tratar o cérebro como sopa, adicionando químicas que melhoram ou suprimem certos neurotransmissores", diz Rick Trosch, um médico norte-americano que ajuda a elaborar essas terapias, "nós agora o estamos tratando como uma série de circuitos". Uma variedade de técnicas está sendo desenvolvida para fornecer um elo de comunicação entre o mundo úmido e analógico do processamento de informações biológico e a eletrônica digital. Pesquisadores no Instituto Max Planck, na Alemanha, desenvolveram equipamentos não-invasivos que podem se comunicar com neurônios em ambas as direções. Eles demonstraram o seu "transistor de neurônios" controlando os movimentos de uma sanguessuga viva a partir de um computador pessoal. |