- Nick! – me procurava. – Nick! – ela gritou novamente.
Ela estava numa rua escura, olhando para todos os lados assustada e com medo.
Ela estava me procurando.
- Nick! – ela gritava já com uma lágrima nos olhos.
Minha família estava toda lá: Joe, Kevin, Frankie, Mamãe, papai. Todos estavam lá, mas nenhum deles se importavam com ela. Permaneciam fazendo suas coisas.
Joe estava jogando futebol americano com papai e Kevin, Frankie estava sentado no chão mexendo num jogo eletrônico que estava em sua mão e mamãe olhava-se no espelho ajeitando o cabelo.
A bola passou tão próxima a cabeça da que ela teve até que desviar, e mesmo assim eles não á avistavam.
- Nick, cadê você? – ela de novo já chorando descontroladamente.
Eu acordei com a respiração acelerada. Aquele sonho havia mexido muito comigo.
- O que houve, filho? – minha mãe perguntou quando me viu acordar.
- Nada. – respondi controlando a minha respiração.
Olhei em volta e ainda estava na mesma cama de hospital de sempre. Os médicos ainda não haviam conseguido diminuir suficientemente o açúcar do meu sangue.
Peguei o telefone e disquei um número para onde eu tenho ligado muito constantemente.
- ? – perguntei. Eu já sabia que era ela pela voz, mas mesmo assim perguntei.
- Eu já falei que não quero mais falar com você. – ela vociferou – Agora trocou o número do telefone para eu não saber que era você e atender? Que imaturidade.
- Eu estou no hospital.
- Que morra por ai mesmo. Vai me fazer um imenso favor.
- Você sabe que eu ainda te amo.
- E você sabe muito bem que eu não te amo. Então porque continua me ligando? Gastando mais o seu dinheiro com a conta telefônica? Sua mãe agradece se você esquecer de mim. Tchau!
Ela desligou.
Não acredito que ela já tenha esquecido os nossos três meses de namoro. Faz um pouco mais de uma semana que terminamos. Ela deve estar querendo me esquecer. Mas mesmo assim, o tanto que eu já falei com ela, se ela realmente estivesse tentando eu estava impedindo-a e ela já havia desistido. Ela não é de desistir fácil, todavia sei que com o amor ela não brinca.
Flashback [ON]
- Posso te contar um segredo? – ela me perguntou quando estávamos no jardim de sua casa olhando as flores, com a que eu a dei na mão girando.
- Eu te amo. – ela deu um sorriso para mim e abaixou a cabeça sorrindo com vergonha.
- E cadê o segredo? – fiz piada. Era ótimo escutar essa frase dela. Os raios de sol a fazia brilhar como se ela fosse uma coisa inalcançável. Mas não, ela era minha. Minha namorada.
- Palhaço! – ela me deu um empurrão de leve no braço.
- Ah! Para de frescura. – eu a puxei pela cintura. – Vem, que eu tenho um segredo de verdade pra você.
- E qual é? – ela perguntou e eu coloquei uma mecha de cabeço atrás de sua orelha.
- Minha mãe deixou eu vim pra cá na próxima folga. Estarei aqui perto mesmo, na Argentina. – ela levantou a cabeça, que até então estava abaixada olhando para a flor na mão e me lançou um sorriso. É por esse sorriso que eu continuo sonhando, continuo vivendo e é por esse sorriso que eu não meço esforços para estar próximo dela.
- E se eu não quiser? – ela fez gracinha.
- Ai eu vou ter que gastar a minha folga com a minha amante americana gata alta, loira e de olhos azuis. – brinquei. Eu sabia que esse era exatamente a menina que ela morria de ciúmes.
- Ok, então você vai ter que gastar esse tempo com a sua amante americana gata alta, loira e olhos azuis. – ela sorriu de novo. E começamos a rir.
Flashback [OFF]
Glicose alta e eu aqui sem nem ao menos uma namorada.
Não! Eu não quero uma namorada, quero a .
Eu sei muito bem que se em dois dias não conseguiram diminuir pelo menos a metade da glicose, não vou durar muito tempo. Isso me atormenta, mas é a verdade.
Olhei para o quarto e vi minha mãe dormindo no sofá do quarto.
Minha mãe, meu pai, meus irmãos, meus fãs, minha banda, minha vida. Tudo indo para o lixo. As sensações na minha perna já são mínimas, eu posso sentir. Tenho medo de falar isso na frente da minha mãe, não quero que mais um membro da família morra.
Se eu morrer, o que eu deixarei para a minha família? Para a que nem ao menos que falar comigo?
Eu quero falar com ela, pelo menos uma última vez. Vai ser difícil, muito mais sabendo de como que foi a nossa separação.
Flashback [ON]
Festa de amigos.
Aniversariante do dia: Demi Lovato.
- Feliz aniversário, Demi. – desejei dando-lhe um abraço.
- Feliz aniversário. – desejou-lhe também com um beijo no rosto e um abraço. Não tenho o que reclamar dela, ela se da bem com todos os meus amigos.
- Demi, vem! Olha quem está entrando. – Selena pegou no pulso da amiga e ia puxando-a quando viu quem estava com ela.
- Nick! ! Que surpresa, vocês por aqui?
- Não poderíamos perder o aniversario da Demi. – sorriu. Ela sempre tratou a Selena bem, mesmo sabendo que já houve no passado e não gostando dela também. – Nossa amiga.
- Ah! Claro. – Selena fez uma cara de superior. Claro que nessa “briga”, por mim, sempre há de ganhar – Divirtam-se.
- Obrigada. – ela despejou mais um sorriso falso.
Quando Selena virou a costa e a perdemos de vista.
- Eu odeio ela. – falou virando-se de costas para o lado que antes estava falando com a Selena. Virei-me para acompanhá-la.
- Você não precisa fingir que gosta dela. Eu mesmo não finjo.
- Porque você ainda gosta. – ela brincou e riu depois. Não posso dizer que não era mentira. Selena era gostosa, eu ainda a pegaria. Não para namorar, mas por uma noite não tem nada demais. Tirando que eu tenho a .
Eu ri junto mostrando que eu entrei na brincadeira.
Ficamos o restante da festa dançando, brincando, conversando com os outros convidados.
- Nick, a Demi está te chamando, vem aqui. – Selena chegou me puxando do mesmo jeito que foi puxando sua amiga mais cedo.
veio andando atrás.
- Dá licença que a Demi chamou o Nick e não você. – ela foi mal educada com a .
- Dá licença que ele é meu namorado e eu vou onde eu quero. – retribuiu.
- Você nem ao menos foi chamada para a festa.
- E você está recalcada pq o Nick te trocou por mim.
- Ele ainda gosta de mim.
- E eu sou a Fada Madrinha! – zombou.
Só sei que do nada senti uma coisa macia em meus lábios e pelo cheiro reconheci que era a Selena. Sei que eu posso muito bem tirá-la daqui, mas quem disse que eu consigo. Rendi-me ao beijo e retribui.
Quando terminamos de nos beijar Selena despejou um sorriso bem superior a que nos olhava incrédula. Ela simplesmente virou de costas e saiu andando. Não se pronunciou, não gritou, não chorou, apenas saiu andando e eu fui correndo atrás dela.
- . – chamei-a quando a vi perto da saída da festa. – .
Consegui pegar seu pulso antes que ela saísse.
- , por favor, espera. – eu olhava em seus olhos que não demonstravam nada. Eu odeio quando ela faz isso. – Me desculpa, eu não tive culpa. Ela me agarrou, você viu! Você sabe que você é minha namorada, quem eu amo.
- Um: Não te desculpo. Dois: Ela te agarrou e você gostou e três: ela também já foi a sua namorada. – ela falou simplesmente como se estivesse falando que ia à padaria e já voltava – Agora me solta se você não quiser que eu conte para os reportes que estão lá fora o que aconteceu aqui dentro.
- Você não contaria. – falei com certeza.
- Não me desafie! – disso eu tinha certeza, não podia de jeito nenhum desafiá-la. Seria pior. Só me restou a alternativa de deixar ela ir e vê-la se distanciar.
Frashback [OFF]
Tá, sei que o meu erro foi muito grave. Mas quem nunca se rendeu a uma ex-namorada que jogue a primeira pedra!
- Ah! Até que enfim acordou. – Kevin disse entrando com dois copos de cafés. Olhou a minha mãe dormindo, colocou um copo numa mesinha perto do sofá e o outro deu um gole.
- Isso! – finalizei alto o pensamento que eu tinha acabado de ter.
- O que? O hospital já está te enlouquecendo? – ele brincou.
- Também, mas é que eu tive uma idéia.
- De que? Sobre o quê? Onde? – ele sentou-se no final da cama perto no meu pé e eu nem ao menos senti ele sentando.
- Eu quero ver a . – eu olhei para a minha mãe que estava tranqüila dormindo e decidi contar para ele, já que éramos amigos. – Eu não estou mais sentindo bem os movimentos da perna, ainda não conseguiram diminuir o açúcar do meu sangue e eu to sentindo que não consigo mais. – eu abaixei a cabeça. – E eu quero falar com a pela última vez, vê-la sem ser daquela vez no aniversário da Demi. Quero que a minha última lembrança dela seja boa.
- Não desiste não, irmão. Você sabe que estamos aqui. Mas qual é o seu plano?
- Como você é amigo dela, tem como você trazer ela aqui?
- Como?
- Não sei. Ai fica á seu critério.
- Tá, eu vejo se eu consigo. – ele levantou-se e olhou novamente para a nossa mãe – Quando ela acordar pede pra ela tomar o café.
- Pode deixar. – e acenei com a cabeça.
Algumas horas depois minha mãe havia saído do quarto para passar em casa e eu fiquei com o Kevin que conseguiu trazer a aqui.
- E o que eu tenho a ver com esse garoto? – ouvi ela dizer abrindo a porta, olhando para dentro e fazendo cara de desapontamento. – Ah! Esse garoto.
- Oi. – falei com um sorriso de orelha a orelha.
- Se for pra pedir desculpa e falar que me ama de novo eu prefiro ir embora.
- Você quer uma coisa nova? – eu olhei para a porta do quarto para me certificar de que não havia ninguém escutando.
- Se for possível. – ela fez pouco caso observando o quarto.
- Então senta aqui. – eu bati do meu lado na cama.
- Para... – ela olhou desconfiada.
- Não vou te agarrar, não vou pedir desculpe e não vou dizer que te amo. Vou te contar uma coisa nova que descobri hoje de manhã.
Ela sentou-se onde eu indiquei e fiquei feliz dela ainda confiar em mim.
- O nível de glicose no meu sangue subiu muito e eu vim parar aqui onde você está me vendo. Estou aqui à dois dias e nenhuma melhora. Já estou começando a perder alguns sentidos e para o fim falta pouco.
- E o que você quer que eu saiba? – ela fez pouco caso.
- Então
And don't resent me (Não fique ressentida comigo)
And when you're feeling empty (Quando se sentir vazia)
Keep me in your memory (Lembre-se de mim,)
Leave out all the rest (Esqueça todo o resto)
Leave out all the rest (Esqueça todo o resto)
Ela olhou para mim e senti um pouco de medo e angústia no seu olhar que ela tentou disfarçar muito bem. Eu não queria fazê-la sofrer, mas eu quero que ela saiba o que está acontecendo comigo. Não quero que ela simplesmente saiba que eu morri e ponto.
- Eu já não tenho mais forças pra continuar a lutar. Não estou com medo de morrer, estou medo de deixar todos que fizeram e fazem parte da minha vida. A minha luta contra a diabetes já está perdida. Não sei se te deixa feliz ou triste, mas não me arrependo de nada que eu fiz e errei, mas do que eu fiz com medo de errar. E com você, nada foi errado. O único erro que eu cometi, foi ter beijado-a na sua frente, todavia o preço que eu paguei foi alto demais. Você mesma está assistindo as conseqüências na sua frente.
- Não acredito que você vai deixar ser derrotado por uma doença. – ela falou encorajando-me. Eu vejo em seus olhos a tristeza que ela está tentando esconder. – Justo você que sempre foi muito forte e lidou com isso muito bem.
- Eu só sou forte superficialmente. Eu nunca fui perfeito.
- E você sabe que nem eu. – ela abaixou a cabeça.
Flashback [ON]
- Onde você está indo? – gritei para ela.
- Embora! – ela respondeu atravessando o campo.
- Ah! , para de criancice. – eu falei na frente dela andando de costas.
- Sai da minha frente. – ela me empurrou.
- Não, eu não saio. – eu puxei-a pela cintura ficamos cara a cara, sentindo a respiração um do outro até que eu a beijei.
Ela retribuiu o beijo e quando terminamos pensei que eu tinha vencido até sentir um soco do lado da boca. Levei a mão até lá e ela havia me batido.
- Isso é pra você aprender.
- Foi só um gol! – eu tentava discutir com ela, mas até falar doía. De onde ela havia tirado tanta força?
- Que você falou que ia deixar eu fazer.
- Você parece que tem sete anos.
- Então procura alguém mais velha! – ela saiu de vez do campo de futebol.
Ficamos uns três dias sem nos falar até que ela me ligou pedindo desculpas.
Flashback [OFF]
- Eu quero que você saiba... – ela parou de falar e eu vi uma lágrima saindo de seus olhos. Eu a enxuguei.
- Então o que você quer que eu saiba?
- Que eu não consigo viver sem você. Que se você morrer, eu vou também. Sendo assim
And don't resent me (Não fique ressentida comigo)
And when you're feeling empty (Quando se sentir vazia)
Keep me in your memory (Lembre-se de mim,)
Leave out all the rest (Esqueça todo o resto)
Leave out all the rest (Esqueça todo o resto)
Acho que eu estava errado em ela ter me esquecido. Ela ainda me amava do mesmo jeito. Isso dói em mim, saber que ela estava sofrendo por eu estar aqui, incapacitado de fazer alguma coisa.
Pretending (Fingindo)
Someone else can come (Que alguém pode chegar)
and save me from myself (e me salvar de mim mesmo)
- Por favor. – eu olhei-a com os olhos lacrimejando – Esqueça tudo que eu fiz você sofrer. Você é, e sempre será, melhor que eu. Você sabe esconder os seus sentimentos, as suas tristezas. E se você se sentir melhor, finja que alguém pode vim me salvar. Porque nós sabemos que o único que pode nesse momento é Deus.
Ela me deu um selinho, levantou-se controlando para não cair no choro e foi embora.
Não sei o que aconteceu lá fora, não quiseram em contar.
Na madrugada seguinte me deu sono. Dei boa noite para os meus pais e irmãos. Eles me deram um beijo na testa, cada um e dessa vez Kevin ficaria no hospital a noite comigo. Dormi e tive o sonho mais lindo que eu já tive.
Sonhei que eu estava sendo feliz ao lado da , e ela chegou pra mim e disse:
- Você é especial para mim, não se esqueça disso. – ela me deu um beijo na testa – Seja forte como eu sou.
Depois dessa noite, eu nunca mais acordei.