My immortal
- , não adianta. – tentava explicar para sua esposa – Não tem mais nada entre a gente, não vamos fingir que está tudo bem quando não está. Chega!
By Nane
- ! – se jogou em direção ao marido e caiu no chão chorando. – Eu te amo, por favor.
Sua voz estava falhada. Entre soluços, ela tentava contestar a decisão de de separação.
- . – ele se abaixou, levantou seu rosto e olhou em seus olhos – Me desculpe, . Mas não dá mais. Um casamento tem que ser a união e amor entre os dois lados, não só por um.
o viu sair pela porta com suas malas nas mãos e logo em seguida ouviu o barulho do carro dando partida. Ela sabia que não estava bom o casamento e que já não a amava mais. Todavia ela não queria se separar, ela amava o suficiente para os dois.
estava sentada no parapeito da janela do seu quarto abraçando os joelhos e olhando o movimento da rua. Lá embaixo estava um caminhão pegando todas as coisas de seu, agora, ex-marido. Ela levantou e foi se arrastando para o banheiro e olhou sua imagem refletida ao espelho.
- Estou cansada de ficar aqui. – falou consigo mesmo – Não acredito no que está acontecendo.
Ela abriu a bica, ficou alguns segundos ouvindo o barulho da água caindo na pia. Aquele barulho era um tanto que confortante. Ela pegou um pouco de água com a mão e molhou seu rosto voltando a olhar o espelho. Estava parecendo uma criança sentindo medo de um monstro do armário. Mas pelo menos, o monstro do armário não existe, é apenas coisa de uma imaginação. A sua separação não. Ela era real, e estava a matando por dentro.
Ela saiu do banheiro e sentou na cama, se acomodando e encostando-se à cabeceira. Agarrou um travesseiro e inconscientemente a pegou cheirando-o. Aquele cheiro estava impregnado em todo lugar, em todo canto da casa. Se fosse para ele sair, que saísse de toda a sua vida de uma vez, levando consigo suas lembranças.
Ela jogou o travesseiro para frente, fazendo-o bater na parede e cair no chão, fazendo barulho. olhou aquilo e sentiu uma lágrima saindo de seus olhos, e logo depois mais algumas que insistiam em cair.
- Você não vai me deixar em paz? - gritou com raiva enquanto chorava. Ela se ajoelhou na cama e jogou seu corpo para frente desabando em cima dos lençóes e se rendeu ao choro.
- Essas feridas parecem não cicatrizar. - ela sussurrou para si mesma.
Ela levantou e foi para a cozinha, há uma semana que não se alimentava direito. Há uma semana não falava direito, há uma semana não vivia direito, há uma semana perdeu todo o interesse para o que é certo ou errado, há uma semana que já se sentia morta.
Como sempre fazia, depois que foi embora, abriu a geladeira, olhou-a e fechou em seguida. Nada alí lhe interessava, nada lhe interessava sem o . Ele fora seu namorado desde que ela tinha dezesseis anos e há três fora seu marido.
Ela se sentiu enjoada, correu para o banheiro e vomitou debruçada no vaso, ajoelhada no chão. Não tinha o quê ela vomitar, pois dias que não comida algo decente. Mas mesmo assim não a impediu de que pusesse tudo que restava em seu estômago para fora.
Agora a dor interna dela também havia se passado uma for externa, machucando-a em todos os sentidos.
Ela lavou a boca, secou com a toalha que estava jogada em cima da pia e saiu do banheiro, indo para a sala. Se você olhasse da porta da entrada principal, você veria uma foto-poster de um casal feliz em seu casamento.
- Felicidade é uma coisa que dá e passa. - ela falou olhando com raiva para a foto. Sua vontade naquele momento era por fogo em toda a casa, tirar todas as lembranças dele que havia ali, tirar ele dali.
Ela sentou no sofá abraçando os joelhos e colocou seu rosto no mesmo, sentindo algo molhado. Ela passou a mão na bochecha e enchugou mais uma lágrima.
Flashback [ON]
- Por favor. - chorava abraçando bem forte - Por favor, me diz que isso é mentira.
- , - Clair segurou seu rosto, enchugou sua lágrima e o levantou - Não precisa ter medo, eu estou aqui com você.
segurou a mão de bem firme, para que ele soubesse que não importava o que acontecesse, eles estariam juntos.
- Ser infértil não quer dizer que você é menos homem do que os outros. - Ela tentava consolá-lo dizendo numa voz meiga.
- Aqui está falando que eu não posso ter filhos! - ele gritou levantando e jogando o papel com o resultado do exame no chão.
- A gente pode adotar uma criança, você pode ir em outros médicos confirmar, fazer exames. - Ela estava tentando convencer ela mesma de que tudo ia dá certo para passar isso para ele.
- Apenas diga que vai ficar tudo bem. - a abraçou e sussurrou em seu ouvido.
- Vai ficar tudo bem. - ela disse numa voz falha apertando-o mais forte .
Flashback [OFF]
olhou para a televisão e avistou a capa de um DVD o qual ela mesma havia visto várias vezes. Ela levantou, ligou o DVD e deu 'play'. Ali estava a filmagem de seu casamento, o dia mais feliz de sua vida. Os dois estavam sorridente, empolgados pelo acontecimento que eles esperavam desde do dia em que começaram a namorar.
Quando ela entrou na igreja e o viu em pé no altar esperando-a, o olhar dele a cativou e ela teve que se apoiar em seu pai para não desmaiar ali. Ela podia se lembrar como se isso tivesse acontecido ontem, não precisava nem assistir ali. Ele estava lindo, seus olhos brilhando, comovido, encantado e, principalmente, apaixonado.
De flash veio a realidade como uma bomba que a fez levar um susto. Porque agora lá estava ela sozinha, apenas com lembraças do tempo em que tinha vida. Ela estava lá, tentando esquecê-lo olhando os videos do casamento, chegava a ser irritante e sarcástico ao mesmo tempo.
Decidiu subir para seu quarto e dormir um pouco.
- Ah! - levantou sentando-se na casa, assustada com os olhos arregalados - Foi apenas um pesadelo. Foi apenas um pesadelo.
Sua cabeça girava ainda com a imagem dele na cabeça. Mas pensando melhor, o pesadelo não era pior do que a realidade.
Ela olhou para o criado-mudo e uma luz vermelha no telefone estava piscando informando-lhe que havia uma mensagem na secretária eletrônica.
- Sua mãe me falou que você tinha ido no médico, espero que esteja melhor. - ouviu a foz dele. Aquela voz suave, que entrou como canção para seus ouvidos.
- . - ela sussurrou com um longo suspiro. Ela desceu as escadas, passou pelo corredor e entrou na casa.
- Boa noite, Bela Adormecida. - estava sentado num sofá na sala com um lindo sorriso nos lábios. Sempre que ele chegava enquanto ela dormia a tarde, ele a esperava na sala.
- ! - ela correu e o abraçou - Promete que nunca vai me deixar sozinha?
- Prometo. - ele disse abraçando-a e acariciando seus cabelos. - Eu te amo, . Sempre vou te amar.
- Eu também te amo, . Muito, muito, muito! - fechou seus olhos e chegou mais perto dele para encontrar seus lábios, mas não o encontrou. Abriu os olhos e viu que não havia ninguém ali. Onde está o ?
Não, aquilo não foi um sonho ou uma miragem, foi muito real, muito real para não ter acontecido.
- ! - gritava correndo pela casa, procurando-o em todos os cômodos - !
Ela se encostou à parede do corredor e foi descendo, apoiada na parede. Seu choro agora era inevitável. Ela não poderia viver sem ele, ela precisava dele.
- Carteiro! - ela ouviu um homem gritando do lado de fora da casa. Esse não era um bom momento para se receber uma carta. Mesmo assim, ela se levantou e saiu da casa, pegou a carta e entrou novamente. Jogou a carta na mesa de centro e sentou no sofá.
Ao longo desses anos em que eles estiveram juntos, para falar a verdade, nunca havia sentido a presença dele. Ela sempre soube que ele estava longe, e mesmo assim era difícil de compreender o que estava se passando na vida dela. Ela olhando para o nada, algo lhe chamou a atenção; uma das cartas que havia recebido era do hospital que ela tinha ido. Ela abriu a carta e passou os olhos, na ultima folha estava escrito que o resultado de um teste de gravidez havia dado positivo.
- Hã? Positivo? - ela lia e relia a carta, como ela poderia estar grávida se o único com o qual ela transava era o e ele era infétil.
Flashback [ON]
- Mas repito - o doutor dizia - Não dê cem por cento de certeza em apenas um exame.
- Quer dizer que eu sou infétil? - confirmava com os olhos arregalados
- Faça outro exame para confirmar.
Flashback [OFF]
Ela olhou para a barriga, ela havia notado que ela estava um pouco maior, mas poderia ser gordura. A menstruação dela tinha atrasado, mas de vez em quando acontece. Alguns enjoos constantes, mas poderia ser por causa do término do casamento. Porém não, ela estava grávida.
Ela levantou, foi para a sacada em seu quarto, onde ela sempre gostou de ir. Lá embaixo estavam as crianças brincando de alguma coisa correndo. Daqui há algum tempo, lá estaria o seu pequeno .
- Agora somos eu e você - ela disse acariciando a barriga, olhando-a e sorrindo com os olhos marejados - Você é a lembrança viva dos meus momentos de alegria, e quem me trará os motivos para viver novamente. Você será o meu imortal.