
Gêneros literários
A palavra gênero, etimologicamente, significa família, raça ou conjunto de seres dotados de características comuns. Portanto, que viria a ser gênero literário? De maneira muito simplificada, diríamos que gênero literário é um conjunto de obras dotadas de características comuns.
Genero lírico:
Soneto, égloga,
idílio, elegia, balada, ode, lira.
Gênero épico
(narrativo):
Epopéia, romance,
novela, conto, crônica.
Gênero dramático: tragédia, comédia, tragicomédia, farsa, auto, drama.
Gênero ensaístico: ensaio, artigo, análise de texto, oratória, carta.
Gênero lírico
O adjetivo lírico deriva de lira, instrumento de força expressiva já empregado pelos gregos. Essa associação entre música e lirismo é feita desde as primeiras épocas da cultura artística ocidental, chegando até nossos dias.
A subjetividade lírica é estruturada com idéias, sentimentos, emoções, recordações, desejos, profundos estados de espírito que, em muitos casos, roçam o indefinível, o inefável e que só podem ser expressos pela musicalidade, pela metáfora e pela poesia. Por essa razão é que o lirismo encontrou, durante a evolução histórica, a sua mais perfeita e generalizada forma de expressão no verso, com seu ritmo e rima próprios.
Se a prosa rejeita a rima, o verso a busca, exatamente como instrumento de expressão das emoções, as quais se afirmam mais pela repetição e pela simbologia do que pela descrição ou pelo recurso à caracterização ambiental.
Conseqüentemente, no poema lírico, não há protagonistas, como na literatura de ficção, não há ambiente físico caracterizado, nem episódio, nem enredo, nem temporalidade definida. As emoções profundas do poeta, seu “eu", sua visão do mundo (e não o mundo) são o que vale.
A linguagem poética é, assim, muito particular. Se quisermos entendê-la, é preciso que nos familiarizemos com ela e isso só será possível mediante uma leitura cuidadosa e freqüente de poemas.
Gênero narrativo
A palavra ficção vem
do latim fictionem (fingere, fictum), ato de modelar, criação, formação; ato ou
efeito de fingir, inventar, simular; suposição; coisa imaginária, criação da
imaginação. Literatura de ficção é aquela que contém uma história inventada ou
fingida, fictícia, imagi-nada, resultado de uma invenção imaginativa, com ou sem
intenção de enganar.
A ficção é um dos gêneros
literários ou de imaginação criadora (ao lado dos gêneros dramático, lírico,
ensaístico). A literatura de imaginação ou de criação é a interpretação da vida
por um artista através da palavra. No caso da ficção (romance; conto, novela), e
da epopéia, essa interpretação é expressa por uma história, que encor-pa a
referida interpretão. É, portanto, literatura narrativa.
A essência da ficção
é, pois, a narrativa. Ë a sua espinha dorsal, correspondendo ao velho instinto
humano de contar e ouvir histórias, uma das mais rudimentares e populares formas
de entretenimento. Mas nem todas as histórias são arte. Para que tenha o valor
artístico, a ficção exige uma técnica de arranjo e apresentação, que comunicará
à narrativa beleza de forma, estrutura e unidade de efeito. A ficção
distingue-se da história e da biografia, por estas serem narrativas de fatos
reais. A ficção é produto da imaginação criadora, embora, como toda a arte, suas
raízes mergulhem na experiência humana. Mas o que a distingue das outras formas
de narrativa é que ela é uma transfiguração ou transmutação da realidade. Ela
coloca a massa da experiência humana dentro de um molde, seleciona, omite,
arruma os dados da experiência de modo a fazer surgir um plano, que se apresenta
como uma entida-de, com vida própria, com um sentido intrínseco, diferen-te da
realidade. A ficção não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas
antes criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. Ë o
espetáculo da vida por meio do olhar interpretativo do artista, a interpretação
artística da realidade.”’
• Espécies narrativas
Nem sempre é possível classificar um determinado texto ou obra dentro de uma determinada modalidade narrativa. Didaticamente, podemos caracterizar o romance, a nove-la, o conto, a crônica e a epopéia.
Romance
É a modalidade
narrativa de maior vulto, onde a visão do mundo do autor se manifesta pelo forte
conflito das personagens. O romance aborda os mais variados assuntos. Assim,
podem ser históricos, psicológicos, experimentais, científicos, policiais etc.
São exemplos de romances: Iracema, de José de Alencar; Quincas Borba,
de Machado de Assis; O mulato, de Aluísio Azevedo; Corpo vivo, de
Adonías Filho etc. Há ainda romances que são classificados como verdadeiras
epopéias em prosa. Entre eles estão: O sertões, de Eudides da Cunha e
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
Novela
É a modalidade
narrativa que se caracteriza pela sucessividade dos episódios, muitas vezes das
persona-gens e dos cenários. O tempo e o espaço conjugam-se dentro dessa
estrutura. Assim; a novela condensa os ele-mentos do romance. Os diálogos são
mais rápidos, as narrações são diretas e sem circunlóquios, tudo favore-cendo a
precipitação da história’ para o seu desfecho.
Como exemplo de novelas, podemos citar: Noite, de Érico Veríssimo; A vida real, de Fernando Sabino; Uma vida em segredo, de Autran Dourado; A morte e a morte de Quíncas Berro d’Água, de Jorge Amado etc. A televisão atual explora essa espécie de narrativa com muito sucesso.
Conto
É a modalidade
narrativa de maior brevidade. Se o romance é a vida, o conto é o caso, a
anedota. Com economia de cenários e personagens, a solução do conflito é narrada
perto do seu desenlace.
Eis alguns exemplos
de contos já clássicos: O alienista, de Machado de Assis; Apólogo
brasileiro sem véu de alegoría, de Antônio de Alcântara Machado; O
negrinho do pastoreio, de João Simões Lopes Neto; O peru de Natal, de
Mário de Andrade.
Crônica
É uma espécie de
narrativa curta e condensada que capta um flagrante da vida, pitoresco e atual,
real ou imaginário, com uma ampla variedade temática.
Epopéia
É uma criação
literária, geralmente em verso, de fundo narrativo. (Do grego epos = canto,
narrativa). Desde os tempos antigos, a epopéia tem a finalidade de exaltar os
heróis nacionais e cantar os grandes feitos dos povos. Modernamente, certos
padrões ou estilos de vida foram substituídos por outros bastante diversos. Os
gêneros também foram evoluindo. Assim, o gênero narrativo em verso — a epopéia —
cedeu lugar ao gênero narrativo em prosa, designado simplesmente de narrativa ou
ficção, nas suas diversas modalidades.
(in Estudo Dirigido de Português, vol. 1, J. Milton Benemann e Luís Agostinho Cadore, 1984, Editora Ática)
Gênero dramático
O gênero dramático, desde a antigüidade clássica, teve grande importância, pois, tanto em suas origens gregas e latinas como medievais, esteve sempre associado à problemática religiosa, transformando-se, não raras vezes, em verdadeiro ritual.
Atualmente, o gênero envolve dois aspectos: de um lado, como fenômeno literário, temos o texto, a linguagem; de outro, as técnicas de representação, o espetáculo. Ater-nos-emos, aqui, unicamente ao estudo do primeiro aspecto.
No drama, as personagens aparecem dotadas de características marcantes, representando realidades humanas concretas. Contudo, a caracterização será indireta, uma vez que se deve sugerir ao público os traços peculiares das personalidades representadas, sendo que o autor não pode imiscuir-se na ação. Assim, o teatro exige um esmerado juízo seletivo, pois cada um dos fatos ocorrentes deve, pela concisão o e pela síntese, ser capaz de despertar emoção. A obra dramática não apresenta descrições nem dissertações, mas busca acentuar a ação. O texto é, então, representativo, onde o diálogo é fundamental, em contraposição ao romance, à novela, ao conto, cujos textos visam a apresentar, e onde o diálogo, se houver, é bastante acessório.
É importante observar ainda que, no teatro, o autor faz uma tentativa de representar mais a língua falada do que a escrita. Daí os recursos próprios para enfatizar a entonação, a voz, a mímica, os gestos etc.
Na Idade Média, o teatro tinha as modalidades de auto (milagre ou mistério) e farsa. No Classicismo, predominaram a tragédia e a comédia, de cuja fusão surge, no Romantismo, o drama.
Hoje, o teatro assumiu uma posição crítica com relação aos problemas político-sociais, o que mostra que ele não é apenas uma forma de diversão, mas sim um poderoso meio de contestação da sociedade.