| Figuras De Palavras METÁFORA É o emprego da palavra em sentido figurado, a partir de uma comparação de caráter subjetivo. ?Meu pensamento é um rio subterrâneo?. ?Sua boca é um pássaro vermelho?. ?Eu sou a borboleta mais vadia na doce flor da tua hipocrisia?. COMPARAÇÃO É o confronto de idéias por meio de uma conjunção. Nero foi cruel como um monstro. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados. A chuva caía como lágrimas de um céu entristecido. CATACRESE É o emprego indevido de uma palavra, pela falta ou não adaptação de um termo apropriado. A perna da mesa está quebrada. Eles embarcaram no avião das seis horas. Na prateleira havia muitos livros. PERÍFRASE OU ANTONOMÁSIA É a atribuição de um nome ou expressão por outro termo que facilmente se possa identificá-lo. O rei das selvas encanta as crianças no zoológico. A Cidade-Luz recebeu muitos turistas nas férias. O poeta dos escravos morreu muito jovem. SINESTESIA É o cruzamento de duas ou mais sensações distintas, que pelo plano figurado podem estar ligadas. Ao ouvir palavras amargas, aquela moça chorou. A sua voz doce e aveludada era carícia em meus ouvidos. Em seu olhar gelado percebi uma ponta de desprezo. METONÍMIA É o emprego de uma palavra no lugar de outra, havendo entre elas certo relacionamento ou aproximação. PRINCIPAIS CASOS DE METONÍMIA O AUTOR PELA OBRA Esta livraria não vende José de Alencar. Nas horas vagas eu lia Graciliano Ramos. O LUGAR PELO PRODUTO Ele me pediu um porto de presente. Eles saboreavam um havana após o jantar. O CONTINENTE PELO CONTEÚDO Eles tomaram três xícaras de café. Comemos dois pratos de macarrão no almoço. A PARTE PELO TODO Eles não têm teto para morar. Minha amiga completou ontem dezoito primaveras. O SINGULAR PELO PLURAL O jovem de hoje é apaixonado pela paz O brasileiro é amante de futebol. O INSTRUMENTO PELA PESSOA Nosso amigo é um bom garfo. Lígia é uma pena brilhante de nossa literatura. O GÊNERO PELA ESPÉCIE Os mortais pensam e sofrem neste mundo. Os irracionais sempre se estimam. A MATÉRIA PELO OBJETO Nos ouvimos ao longe o badalar do bronze. Você teria um níquel no bolso? O CONCRETO PELO ABASTRATO Você precisa usar mais a cabeça. O ABSTRATO PELO CONCRETO A juventude de hoje é pouco politizada. Figuras De Construção ELIPSE É a omissão de um termo facilmente entendido na oração. Quanta gente lá fora. O rapaz estava com pressa. Preferiu não entrar. Na terra, tanta guerra, tanto engano. ZEUGMA É a omissão de um termo já expresso anteriormente. Você me conta um verso e eu escrevo outro. Alguns estudam, outros não. As casas ainda restam, os amores não mais. PLEONASMO É o emprego de palavras desnecessárias, com finalidade de dar ênfase à comunicação.Consiste na redundância dos termos. O que você pensa, isso não me interessa mais. ?E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou? Vi com meus próprios olhos. ANACOLUTO É o desvio de pensamento entre os termos da oração, fazendo com que elas fiquem desligadas. A gente das cidades, como são cegas as pessoas. Essas criadas de hoje, não se pode confiar nelas. E o desgraçado, tremia-lhe as pernas. POLISSÍNDETO É a repetição intencional de uma determinada conjunção coordenativa. O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata. E nem piratas, nem borrascas, nem ladrões. Mão gentil, mas cruel, mas traiçoeira. ASSÍNDETO É a omissão total de uma determinada conjunção. Veio à cidade, falou com o gerente, partiu. Barbeio-me, visto-me, calço-me. Os ventos zuniam, as folhas caíam. REPETIÇÃO É a repetição de um termo, usado como recurso estilístico. ?E triste, e triste e fatigado eu vinha?. ?Líricos, líricos, águas do rio, a Lua?. ?Gritei, gritei, até a cratera exaurir -se?. ANÁFORA É a repetição de uma ou mais palavras no início dos versos ou frases. ?Se você gritasse, Se você gemesse, Se você tocasse A valsa vienense...? HIPÉRBATO OU INVERSÃO É a alteração da ordem normal dos termos da oração, cortando elementos ligados logicamente. Viajou hoje o governador. ?Ouviram do Ipiranga as margens plácidas?. Viajam cansados os pescadores de ilusão. ALITERAÇÃO Consiste na repetição de fonemas para dar origem a uma sugestão de som. ?Toda gente homenageia Januária na janela?. Como eu bato batucada, Beto bate bola. ?Acho que a chuva ajuda a gente a se ver?. ANÁSTROFE É a inversão da ordem direta da frase de termo regido de preposição ao termo regente. Dos laranjais hão de cair os pomos. ONOMATOPÉIA É a reprodução de um som ou ruído como recurso de expressão. O tic-tac do relógio o deixava louco. Só ouvi aquele crack e depois o rapaz e os pedaços da cadeira no chão. O corococó do galo anunciava que já era dia. SILEPSE É a concordância feita com a idéia e não com a forma expressa. A silepse pode ser dividida em três tipos: a) SILEPSE DE GÊNERO São Paulo já está poluída demaisb. Quando a gente é novo gosta de fazer bonito. Vossa excelência é muito amigo do Presidente de República. b) SILEPSE DE NÚMERO Corria gente de todos os lados e gritavam. A maior parte dos meus amigos já são formados. Uma porção de jornais foram jogados no lixo. c) SILEPSE DE PESSOA Os brasileiros somos otimistas. Todos os participantes corremos de medo. Os quatro caminhávamos ao redor do lago. Figuras De Pensamento ANTÍTESE É a colocação de idéias em oposição, com termos antônimos. Os jardins têm vida e morte. Toda guerra finaliza por onde deveria ter começado: a paz. ?Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças?. IRONIA Consiste na expressão contrária do que se pensa, com certo tom de sátira. Que belo espetáculo cívico a pichação dos muros da cidade. Cada vez que você interrompe o colega, sem pedir licença, percebo como é bem-educado. Parece realmente um santinho digno de altar. EUFEMISMO Consiste em suavizar a expressão de uma idéia chocante ou desagradável. Os funcionários da limpeza pública estão em greve. Depois de alguns momentos de delírio, entregou a alma a Deus. Ele não respeitou como deveria os bens públicos. HIPÉRBOLE É o exagero na expressão de uma idéia. Vamos tomar alguma coisa que eu estou morrendo de sede. Ela desconfia da própria sombra. Chorarei pelo resto da vida, disse a moça. PROSOPOPÉIA, ANIMISMO OU PERSONIFICAÇÃO. Consiste em atribuir aos seres inanimados ou irracionais, ações próprias dos seres humanos. O luar amacia o mato sonolento. As árvores são imbecis: Despem-se justamente quando começa o inverno. Os móveis roubaram o espaço da sala. LITOTES Consiste em afirmar por meio de negação do contrário. Percebemos que ele não é nada bobo. Não estamos nada contentes com a sua decisão. Enganando-nos ele provou que não é nada idiota. GRADAÇÃO É a colocação de idéias em ordem ascendente ou descendente de importância. Eu era pobre, era subalterno, era nada. Nada fazes, nada tramas, nada pensas. O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha o milionário. APÓSTROFE Consiste em fazer uma interrupção a uma pessoa ou coisa real ou fictícia. ?Tendes piedade, Senhor, de todas as mulheres?. ?Mundo! Que és tu para um coração sem amor?. ?Ó liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome?. PARADOXO Consiste em se expressar opinião contrária ao senso comum, tendo por aparência o erro. ?Pra se viver o amor/ há que se esquecer o amor?. ?Tudo em Silvano é viva morte? Para tão grande amor, tão curta vida. RETICÊNCIA É a suspensão do pensamento deixando-o mais ou menos vago. ?De todas, porém, a que me cativou logo foi uma...?. ?Quem sabe se o gigante Piaimã, comedor de gente,...? ?A vida é surgir... viver... morrer...? RETIFICAÇÃO Consiste em retificar uma afirmação já mencionada. O síndico, aliás, a síndica, não resolveu o caso. Tirou, ou antes, foi-lhe tirado o lenço da mão. O autor, ou melhor, os autores do crime cumprirão pena máxima. Vícios De Linguagem AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA É o uso da oração em duplo sentido, de má ordenação de seus termos. Eu comprei sapatos para homens pretos. O rapaz comeu maça e sua prima também. Nós vimos o incêndio do prédio. O cachorro do seu irmão avançou sobre o amigo. ARCAÍSMO É o uso de palavras ou expressões que já não pertencem ao idioma na atualidade. Tinha abrido (em vez de tinha aberto) Senhôra (ao invés de senhora) Vossa mercê (ao invés de você) Arreio (ao invés de enfeite) BARBARISMO Consiste no emprego de qualquer erro em referência às palavras. Dessa forma podemos ter: a) ERRO DE PRONÚNCIA (CACOEPIA) Rúbrica (rubrica) Compania (companhia) Minigite (meningite) Xerox (xérox) Nóbel (Nobel) b) ERRO NA GRAFIA (CACOGRAFIA) Maizena (maisena) Excessão (exceção) Xuxu (chuchu) Beneficiente (beneficente) Giló (jiló) c) ERRO DE INTERPRETAÇÃO DE SENTIDO (SEMÂNTICA) Dar uma mão de tinta na parede. Ele comprimentou o amigo. O aluno soou muito durante a prova. CACOFONIA É a aproximação de palavras que causam mau impacto sonoro, provocando um sentido obsceno ou ridículo. Ainda não cantaram o nosso hino. A boca dela está machucada. Seu time nunca marca gol. O ladrão, ao perceber que tinha gente em cãs, passou acerca dela. Já vi os livros na vez passada. COLISÃO É a seqüência marcada pelos sons consonantais iguais ou semelhantes. O pião parou próximo à porta. Este senhor é sumamente sensível. Sua saia saiu suja da máquina. O rato roeu a roupa da rainha. ECO É a repetição desagradável de fonemas no final das palavras da oração. A decisão da eleição não causou comoção na população. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. Vicente já não sente dores de dente como antigamente. ESTRANGEIRISMO É a utilização de palavras que não pertencem ao idioma nacional. Os estrangeirismos mais freqüentes são: a) ANCLICISMOS (PALAVRAS DE ORIGEM INGLESA) Hot dog, play ground, shopping, bacon. b) GALICISMO (PALAVRAS DE ORIGEM FRANCESA) Abat-jour, carnet, garage, menu. c) ITALIANISMO (PALAVRAS DE ORIGEM ITALIANA) Bambino, cascata, cicerone, fiasco, caricato. HIATO É a aproximação de sons vogais iguais. Traga a água ainda agora. Vou eu ou vai o outro. Ela assava a asa da ave. NEOLOGISMO Consiste na criação desnecessária de palavras novas. Padaria, imexível, sambódromo, danceteria. PLEBEÍSMO É o uso de palavras ou expressões triviais de gírias Aquele cara é um babacão. Ele pisou no tomate. A mina tava amarrada em outro carinha. Vou puxar o carro agora mesmo. PLEONASMO VICIOSO OU REDUNDÂNCIA É a repetição de idéias com o emprego de termos desnecessários. Ele teve uma hemorragia de sangue. Eles convivem juntos há dois anos. Saímos para fora agora Trata-se de uma novidade inédita. Eles criaram novos programas de computação. PRECIOSISMO É a exagerada delicadeza no falar e escrever, prejudicando a clareza. Colóquio flácido para acalentar bovinos. (Conversa para boi dormir). Evolou-se aos páramos etéreos a alma da imaculada donzela. ( A moça faleceu). Na pretérita centúria, meu progenitor presenciou o acasalamento do astro-rei com a rainha da noite. (No século passado meu avô assistiu ao eclipse). Meu genitor sofre de alopecia androgênica. (Meu pai é careca). SOLECISMO É o emprego de erros de origem sintática. a) SOLECISMO DE CONCORDÂNCIA Aluga-se casas para temporada. São erros que sempre se comete. Falta cinco minutos para o término da aula. Fazem dez anos que ele não trabalha. b) SOLECISMO DE REGÊNCIA Assisti um filme excelente ontem. Cheguei no Brasil em 1980. Ele vai no médico ainda hoje. c) SOLECISMO DE COLOCAÇÃO Foi Paulo quem avisou-me. Me dá um café. Tinha ausentado-me da aula |
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