Visita

Um pescador que, corajosa e pacientemente, cuidava do pão  de seus filhos, mostrava também ter sede de Deus. Ele quis saber em que resultaria de sua busca de, ainda em vida, ter uma experiência do Senhor.                                                 Olhando-o, disse  Filêmon:                                                         Se o Senhor de tua vida, o esposo de tua alma, um dia vier te visitar, com ou sem sinais prévios, subitamente, ele a ti se apresentará e uma mudança radical em tua vida acontecerá. O que até então tiveres vivido, numa outra dimensão será assumido em favor de um novo plano, tendo uma missão em vista.                                                                                            Se o esposo de tua alma  vier te visitar, oh tamanha ventura, que a nada comparável poderia ser ao se dar.! Tu serias tomado de uma tal impetuosidade, como se algo de ti fosse para ele atraído, digo melhor, arrebatado. Sentirias uma forte dor, qual seja, mergulharias na dor da dor, que consiste estar diante do próprio Amor, quando ainda trazes as marcas de teu desamor. De súbito, então dar-se-ia início de árduo processo de purificação de toda e qualquer forma de resistência, em forma de negação, assim como de tuas perdas, as que conduzem a perdição, mergulho que é da solidão em forma de alienação...

Se o esposo de tua alma, um dia, vier te visitar (oh enorme ventura, que a nada é possível comparar!). Nada em derredor seria mais perceptível. Tu serias envolvido numa tal onda, num tal movimento de amorosidade, que alguma coisa em ti (alguma instância de tua alma, de teu ser, ainda não sondada), seria tocado e a partir deste momento, todos os teus amores todos os teus valores, todas as tuas alegrias e dores seriam reorganizados. Passado esse momento, viverias um sentimento também não fácil de se descrever, a saber: um desejo muito intenso de para ele depressa já voltar e a necessidade, ainda premente, de aqui ter que viver, ter que ficar...

Se o esposo de tua alma, um dia vier te visitar (oh imensa ventura! Oh enorme alegria! Oh imensa dor!) a partir daí, tu te lançarias a fazer teu programa de vida, baseado naquele momento e, enquanto vida tiveres, a sua graça nunca te faltará (isto saberias) e, em sua presença, onde estiveres, acompanhar-te-á, bem verias.                                                 Sem que percebas, o amor fará teus dias transcorrerem  plenos de sentido, quais riachos nos tempos de chuvas e que, em direção certa fluirão após encherem-se e transbordarem....     Quando a ti vier  o que te faz amar, virá também consigo o que toda a calma a tua alma trará. E, vindo o amor a fazer-te por ti enamorado, de logo há de querer em ti fazer morada (cf.Jo 14,23). Serás doravante do amor, o que o escravo é para a liberdade, após ter sido alforriado. Dúvidas, se antes havido tivera, cairão todas por terra, pela certeza em ti de que muito poderás viver e pouco dizer dessa ventura, incomparável que será de enfim, se encontrar.                                                       Se, um dia, o esposo de tua alma vier te visitar.

Extraído do capítulo "Visita"  do livro "Lançaremos Redes" de Airton Freire. Págs. 163 a 168.    

Som - Acordes - Extraído do CD "Razões de Viver" faixa 3, de Airton Freire.

 
 
 
 
 
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