Santa Teresinha
do Menino Jesus da Santa Face
 
 
 
 
ORAÇÃO PARA MOMENTOS DE DESESPERO

Santa Teresinha do Menino Jesus,
que atravessastes a noite escura da alma,
sem nenhuma consolação espiritual
e, sustentada pela fé, recuperastes a alegria de viver,
implorai ao Bom Deus por mim,
para que eu seja capaz de dominar
este estado de tristeza em que me encontro,
esta treva absurda que tomou conta de meu coração.

Iluminai, Santa Doutora, minha inteligência
para que eu descubra que só Deus me basta
e que devo, em tudo e por tudo,
realizar somente a vontade d'Ele,
desse Deus Misericordioso,
que me carrega ao colo,
mesmo quando me sinto abandonado,
sem nenhuma luz a me orientar.

Dai-me crer, cheio de esperança,
que todo desespero tem seu fim
pois o amor de Jesus liberta os corações
das correntes do medo e da angústia.

Dai-me, um sorriso, ó Santinha
e providenciai para mim, junto ao Pai,
o Dom da alegria.

Que esse Dom me cure e me liberte,
me faça ver as novas luzes que se acendem:
o amor do Pai começa a brilhar para mim,
Sua misericórdia começa a me aquecer
e eu me abro à vida nova
que o Espírito Santo de Deus me traz,
o mesmo Espírito que ungiu a vossa vida,
ó Santa das Rosas, com o precioso óleo da alegria,
do qual urgentemente necessito
para poder louvar o Pai e o Filho,
sem nada a me pesar o coração.

Creio firmemente que serei atendido,
que meu brado de angústia será ouvido
e me comprometo a espalhar a vossa devoção.
Amém.

(Reze 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e 1 Glória ao Pai.

 
 

Santa Teresa do Menino Jesus
Doutora da Igreja

 

                                            Cidade do Vaticano, 19 de outubro de 1997

O Papa João Paulo II elevou, hoje, Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face a doutora da Igreja. Isso significa que os escritos que deixou passam a ter status de doutrina. Santa Teresa, que morreu de tuberculose em 1897, aos 24 anos, e passou toda a sua juventude no convento das Carmelitas em Lisieux, na França, é o 34º nome da lista dos santos que se tornaram doutores da Igreja, e a terceira mulher a ser elevada a esta posição. O Vaticano informou que o Papa concedeu a honraria a Santa Teresa porque, apesar de jovem e de não ter cursos superiores, ela mostrou a todos os fiéis a importância da homilia no ensino teológico. A concessão da honraria aconteceu durante missa celebrada na basílica de São Pedro, no Vaticano, ante dezenas de milhares de fiéis. As Obras Completas de Santa Teresa acabaram de ser publicadas com o aval do Vaticano. Seus escritos eram, na maioria, poesias, mas Santa Teresa também escreveu um diário — História de uma alma — de grande impacto. Editadas em apenas um volume, as Obras Completas têm mais de 1.500 páginas. Segundo o Vaticano, a Santa explicou de maneira simples, com palavras próprias, como se chega a Deus "fazendo pequenas coisas", e demonstrou que qualquer pessoa pode alcançar a santidade. Santa Teresa foi canonizada em 1925 e se converteu em uma das santas mais populares, a quem vários milagres foram atribuídos.

                                                                           Prólogo

"Nada é tão cheio de mistério como as silenciosas preparações que esperam pelo homem desde o limiar de cada vida. Tudo vem a termo, antes de completarmos nossos doze anos" (Péguy). No que diz respeito a Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, tudo veio realmente a termo só aos trinta de setembro de 1897, quando ela, minada pela tuberculose, expirou na enfermaria do Carmelo de Lisieux, com a idade de vinte e quatro anos. Sem embargo, por ela também falava Péguy, seu contemporâneo, se é verdade que um destino se arraiga num solo, numa época, numa família, e que se torna tributário de uma hereditariedade, de uma história. Ninguém é ilha. Teresa não desceu do céu, como se fosse um anjo. Nasceu em chão normando, na dependência de seus maiores e de sua terra. Antes que o mundo celebrasse Santa Teresa de Lisieux e seu caminho de infância, existiu uma criança: Thérèse Martin, de Alençon. Ela é exatamente o misterioso fruto daquelas preparações silenciosas. Tivessem seus pais: Louis Martin e Zélie Guérin, seguido cada qual o pendor de seu coração, "a maior Santa dos tempos modernos" não teria chegado à luz da existência, no dia 2 de janeiro de 1873.

Nos últimos séculos, nenhum santo tem merecido culto comparável ao de Santa Teresa do Menino Jesus. No entanto, houve autores cristãos que, durante uma certa época, quiseram provar que toda a doutrina de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face não passaria de um entusiasmo popular passageiro, não resistindo a uma análise teológica mais acurada. Isto porque, até então, a noção de santidade era intimamente ligada a martírios de toda sorte, transportes místicos, vidas inteiramente diversas da que uma pessoa comum poderia levar. A influência universal e profunda exercida pela santa de Lisieux excedia, no entanto, tudo que se poderia imaginar. É de fato um fenômeno. História de uma alma, sua autobiografia publicada postumamente, transformou-a em objeto de um culto calcado principalmente na sensibilidade e na delicadeza, numa certa intimidade que em pouquíssimo tempo transformou Santa Teresa numa imagem "familiar". Esta espécie de catolicismo intimista e cotidiano fez com que os brasileiros viessem a chamá-la de Teresinha, em oposição à severa Santa Teresa d'Ávila, filósofa admirável da Fé.

Mas por que História de uma alma suscitou entre os católicos esta espécie de culto? Por que, ao ler o livro, temos a certeza de aproximarmo-nos inteiramente da alma de Santa Teresinha?

Pode-se dizer que esta intimidade criou um novo modelo de santidade, com uma postura inovadora para a época — sem mortificações excepcionais, nem fenômenos místicos tais como visões ou êxtases; ao contrário, incentivou coisas simples como orações e profundas meditações, sem atos externos de impacto. Trata-se do método da excelência da virtude nas pequenas coisas.

Suas características mais marcantes são basicamente a simplicidade, a magnanimidade e a mais profunda alegria, mesmo sob as mais rigorosas provações. Sabedoria e força, com doçura. Esta é a santidade possível e este foi o sistema de Santa Teresa.

No Brasil, sobretudo no início do século, a influência marcante da cultura francesa veio se somar ao catolicismo tradicional, herdado dos portugueses, propiciando uma acolhida peculiar à veneração da jovem santa. Em 1925 foi erigida no Rio de Janeiro, à entrada do túnel Novo, entre Botafogo e Copacabana, uma igreja em sua honra. A santa que já era chamada pelo apelido carinhoso de Teresinha, transformou-se em uma "santa da família". A dramaticidade luminosa da jovem freira, com sua intensa vida interior, exerceu grande apelo ao mesmo tempo popular e intelectual. O povo em geral passou a cultuá-la e sua vida começou também a inspirar nossos escritores.

No dia 14 de julho de 1921, na véspera da sua morte, o poeta Alphonsus de Guimaraens escreveu os seus "Últimos Versos", em louvor de Santa Teresa:

(...) Mais uma vez a mágoa imensa do teu clarão,
Veio tremendo na onda clara e densa,
Até meu coração.
E pude ver-te, contemplar-te pude,
Como a imagem da virtude
E da pureza,
Cheia de luz,
Como Santa Tereza
De Jesus!

Em 1928 Jorge de Lima dedica-lhe o poema "Santa Teresinha do Menino Jesus", e parece ter sido ele o primeiro a chamá-la pelo diminutivo carinhoso. Mais ou menos na mesma época, 1930, Manuel Bandeira escreveu "Oração a Teresinha do Menino Jesus", em que pede a alegria da santa para si. Sérgio Buarque de Holanda, no seu clássico Raízes do Brasil, ressalta-lhe o lado "amável e fraterno". Gilberto Freyre explica a veneração pela simbologia de "uma namorada mística". Dunshee de Abranches e Luís Guimarães dedicam-lhe poemas que ressaltam a figura delicada da "petite Thérèse", numa atmosfera simbolista, tão cara à juventude de ambos. Mas foi Ribeiro Couto que fez a descrição definitiva do estado de admiração da alma coletiva do brasileiro de então (1934), em seu livro Presença de Santa Teresinha, ilustrado por Portinari:

Cada criatura humana tem seu jeito pessoal de ficar de mãos postas diante do que vem de Deus. Não sei falar de Santa Teresinha senão à minha maneira. (...) (com) uma confiança poética e fraternal que tomei por ela, por instinto. (...) Santa Teresinha, mais do que qualquer pessoa celeste, é essencialmente quotidiana.

A inocência e o amor divino ganharam ressonância de modo inconsciente entre nós: inúmeras meninas foram batizadas com o nome de Teresinha e a canção de roda, tão conhecida, fez com que muitos desejassem ser "aquele a quem Teresa deu a mão".


 

 
 
 

 

                   Home

 Padre Airton Freire de Lima

Mensagens

 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hosted by www.Geocities.ws

1