Sei que, á minha partida, a obra iniciada
não terá sido plenamente realizada. Certeza que dá alento é saber que,
do ponto em que eu tiver parado, outros continuarão.
Não, necessariamente, da forma como, até
então, tiver sido feito. Em assim vivendo,serei capaz de não me sentir
em nada imprescindível. Afinal, o que se passa por nós não é nosso,
embora possamos com isto cooperar.
O que existe em mim de forma alguma
iniciou-se comigo. Herdo dos que me antecederam características, formas
de viver, maneira de ser que, no seu dinamismo, evoluem e a cujo
movimento acrescento algo de mim, próprio de mim.
Sei que sou travessia, forma pessoal,
particularizada de uma transmissão. Na transparência maior que eu tiver
em relação à vida, mais limpidamente a vida por mim fluirá.
Este será meu contributo e minha alegria.
E assim viverei na consciência de Tua terna presença que, tudo tendo,
mais de Ti mesmo podes dar.
Extraído do Livro, Preces ao Pai pág. 62
Nº. 43 de Airton Freire