A primeira coisa que se guarda
de Ti é que amas; a segunda é que perdoas. A vida, ela própria vai
nos ensinando que amor e perdão caminham juntos. tão
importante, na vida, quanto dar início ou prosseguir é recomeçar.
São coisas que não acontecem sem amar, sem perdoar.
Junto à idéia de amor e perdoar veio-se a saber que és Pai. E por
seres Pai, geras e reconstituis a vida, mormente onde ela se faz
fragilizada, fragmentada, desamparada, hostilizada, perdida. Veio
daí a idéia, confirmada em nossa vida, de que és Libertador.
Depois e somente depois, sabendo-te Pai-Amor-Perdão e
contemplando-se tudo ao derredor, veio-se a saber de Ti, também,
como Criador. Mas, como somos marcados por espaço e tempo,
colocamos-te primeiramente, como Criador e, só depois como
Pai-Amor-Libertador. Para Ti isto pouco interessa. És muito mais do
que de Ti podemos dizer ou definir. E em tudo isto queres nos
ensinar que amar e perdoar são formas de servir. Queres, ainda,
ensinar que Tu crias sem cessar em qualquer parte do (IN)finito
cosmo ou no mais ínfimo ser. E, após teres nos criado, não nos
deixastes largados. O verbo Teu, encarnado, revelou-se capaz de um
Amor extremado. Algo nunca dantes imaginado: Deus na história humana
mergulhado. Deus que, por amor, faz-se servo e morre crucificado.
Algo nunca dantes contemplado. E o Filho, feito homem, como homem e
Deus Ressuscitado, foi algo nunca dantes cogitado. E o que fora
decaído, tornou-se nele redimido.
E, em tudo o que mais nos espanta, é que tudo isto foi feito por Ti,
que és o próprio Amor incriado
Extraído do Livro: "Fundamento
em Pedra", Em Tua Presença - nº.35 - pág. 37 a 38 de Airton Freire