Textos Escolhidos. (escritos filosóficos)

Opiniões

O perigo de quem atravessa desertos, são as miragens. Todavia, desertos e miragens existem.  Travessias também. Há quem se atenha ao que lhe apraz. Contudo superar circunstâncias, atravessar momentos são imperativos próprios dos que se antecipam às mudanças. E, por isso, sobrevivem. Não nos esqueçamos de que há um princípio de movimento perpassante a tudo o que é vida e que se opõe à inércia, prima-irmã da morte.  Voltar a buscar consolo no que lhe dera alívio, pode significar não querer enfrentar o desconsolo, no presente. E, disso, alguém já disse: "Viver é fazer opções. algumas custam caro.   Tê-las, contudo, claras, podem ser definidas em princípios. Fundamentos. Outra coisa é executá-las. Viver é muito exigente. A não ser que se viva sem sentido. Viver por viver. Há, porém, os que na busca de sentido se perdem. Notamente, os que cuidam de papéis. E vivem "neles, por eles e para eles" (paráfrase às expressões do Cânon).   Que é feito dos que não resistem aos "irresistíveis encantos do poder"? Suncumbem com ele. Não tenho por limites senão os próprios, entram por vielas soçobram nos caminhos.  A culpa é de quem não viu, "antes", é só querer ver "depois". Mas a dor faz-se de cicatrizes que não desaparecem. E em disputas, há sempre os machucados, os feridos, os não cicatrizados.  Agora o que fazer da falta, quando a ela não respondem lenitivos? Quando, de espaços vazios é feita a realidade faltante? Buscar a todo custo, preenchê-la, é "chover no molhado" De nada adianta. Há sempre distância entre o que se busca e o que se encontra. O sujeito é reenviado, de freqüência, á matriz  de onde todas as coisas, veredas estradas e vielas por onde circulam vidas, marcham sonhos, desfilam projeto. E tudo só a dois caminhos se resumem: O dos que são pela vida e o caminho daqueles que se opõem. Indiferentess não existem. Ser indiferente é não querer assumir o conflito. Isto vale para as questões políticas e religiosas também.  Há em tudo algo que escapa a intencionalidade de quem o faz. Todavia merecedoras de atenção só afirmações que acompanham fatos. Elas são inevitáveis, inconstantes que são.  Agora, juntemos as peças, num tatear de sentido. Há um movimento incessante, tendente à vida ou precipitante à morte. Ele responde pelas mudanças que se operam no modo dos que vivem e conseguem compreender que "Viver é muito perigoso". Razão : ter de optar. E, nesse particular, há os que sucumbem. Para esses, não há caminho da volta. Mergulhado na própria natureza de sua falta, não vêem que o que se fecha em si mesmo tende a morrer (ou explodir: sistemas sociais e políticos comprovam-no). Enfim, que dizer agora? "De tudo fica um pouco",  disse um fulano chamado Rogers, certo dia. Na verdade, o que fica mesmo é algo que emana, que permanece e o tempo não corrói, tampouco esquecimento escanteia.  Tão somente o que perdura é o que traz a marca, indelével, inconfundível, não tanto de comover, mas de converter. E, disso só o amor é capaz. Não é necessário ser romântico, mas só o amor regenera. Todavia, não é preciso crer (nisso).

                  São opiniões. Algumas opiniões, apenas.

Extraído do livro: Textos Escolhidos. (escritos filosóficos) de Airton Freire. Págs 129 a 133.

 

 

 

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