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Não há saída para os que querem viver plenamente, senão amar intensa e
verdadeiramente. Só o amor é capaz de atingir profundezas da alma que
nenhum método ou criatura alguma consegue alcançar.
Para que descubras o essencial de se viver e perceba coisas com as quais
não há mais tempo a perder, uma só saída há: amar. E o que do amor
não for decorrente resultará em perdas uma vez mais e outra vez
novamente, por melhor que tenham sido todos os teus planejamentos.
Os que nunca fizeram a experiência de serem amados, jamais
saberão amar. Viverão numa busca de preenchimento do vazio em forma de
ânsia, hiatos carenciais, espaço de vacância. Os que nunca se sentiram
amados viverão na contínua demanda, apelo por saber o que no amor há. E,
para esses, maiores riscos de perdas sempre haverá. Na sofreguidão de
preencher tais vazios, estarão sob a alternância do conflito de dar-se
ou de manter-se arredio, por não saber em que isto dará.
O que faz a alegria de viver é o encanto de encontro é o encanto de cantar, no lugar de só contar contos como se nada mais restasse a contar. Isto só no amor se dará. Na ausência do amor, sacrificarás tua liberdade, tua espontaneidade, traços de tua gratuidade. Encontrado-o contudo, todos os teus afetos, interesses e projetos serão reordenados. Faze pois, a experiência de ser amado e encontrarás o amor do Ser amado, no amor de ser amado. Lembra-te de que o amor jamais se deixará ser manipulado.
Amor e desamor estão presentes na base de todo agir, sempre que se tiver que pensar, falar ou decidir. O amor já traz consigo inscrito, em qualquer lugar, para sorrir ou chorar, o que na vida, pleno de sentido será. teu modo de ser diz se negas o amor ou o desamor; se praticas o bem ou se prestas culto à dor. O que cumpres por amor é mais do que o que se faz pela inscrição normatizadora e normatizada. O amor, quando vivido, empenha o ser de quem ama mais que a palavra falada. Há que surgir o amor como motivação do que houver de mais basilar em tua ação. Amor atuante, transformador, cativante, que o tragas tu como penhor de seres só por ele orientado.
Não por tuas explicações, mentais elucubrações, nem em jogo de sentenças dadas, em que tudo pode se explicar por se dizer, em vistas a convencer, a que possam perceber, a forma como te é dado ser... Isto com o amor não tem haver. O amor é mais do que dizer. Amor é genuína e precisamente,viver. O amor há que ser traduzido numa prática de vida conscientemente decidida em por amor se viver. De vãs repetições que a nada conduzirão o amor te livrará. Pois, só os que verdadeiramente amam sabem da paz que no amor há. A última palavra ao amor caberá.
Se o amor te tomar por testemunha,aceita o feito sem desfazer tal merecimento. Pois só quem do amor um dia se fez ausente sabe da dor que é percebê-lo, sem ter o que dizer e o que fazer para fazê-lo valer novamente. Amar conjuga-se intransitivamente. Se um dia pelo amor fores visitado, mantém-te sobremodo calmo, para que ele tenha vez de se expressar. A nada que não o sejas dês lugar. Pois, o amor traz consigo um jeito todo próprio de ser que, dando-se com a tua forma pessoal de ser, sem te negar, far-te-á crescer.
A duras provas, por amar, serás submetido. Não precisarás ir longe; elas nascerão contigo. Terás muito o que e a que renunciar. Superar-te no que com o amor não se conjuga será desafio de que não poderás te esquivar. Constância, no amor, só na verdade se fará. Sem amor, a própria vida será um fardo, um peso a se levar. No amor o mundo foi criado. O que testemunha, no mundo, de uma verdade mais profunda, é o amor. O mundo já teria enlouquecido, já teria se destruído se não fosse o amor. A humanidade não teria se superado nas crises de seu passado, se não fosse o amor. se vivemos é porque, em algum ponto, fomos amados.
O Amor é único. O amor não será reinventado. É incriado. É gratuitamente dado. Surge na mais absoluta liberdade, Não pede licença para acontecer. Não pede permissão para ser.
Se for o amor tua real motivação, se estiver o amor na raiz de tua ação, verás de que ele é capaz. Quando tudo vier a faltar, quando nada mais restar, só o amor permanecerá. Inevitavelmente o rio se abraçará ao mar.
Do amor diga-se o que quiser; ele permanecerá sendo tão somente e simplesmente o que é: amor Deus é amor. Onde amor houver Deus estará. Onde amor não estiver, Deus se afastará.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Extraído do Livro: Am(ai) págs. 49 a 53 de Airton Freire.
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