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Lado Esquerdo nº.5 Quando o vento leste, quente, sopra, sabemos que é chegado o verão. Quando cessa a estação das águas; é ponto de aluvião. No crescente da lua, força das marés, tem vigor a plantação. Aves partem em revoada, rumo a outros campos, nas mudanças de estação. Na mordida das cobras, procura o tejuaçu o pinhão roxo, para mordê-lo, livrar-se do veneno,aliviar a dor. Guarás e raposas voltam-se para a lua e uivam. Cães farejam e seguem pegadas. Cardumes de pequenos peixes sincronizam movimentos com surpreendente precisão. À sua maneira, eles te louvam. A ti, somente a ti, precisa voltar-se todo o meu ser, minha atenção. Sinais de tua presença preciso discernir, como o faz toda a sua criação. Se "prudentes são as serpentes" (Mt 10,16), como já não deveria ser meu coração! Rompe as amarras que me prendem ao que não é teu, purifica-me o olhar, dá-me a visão. Refrigera-me na avidez, conforta-me na solidão. Fortalece-me os braços, quando por ti trabalham. Sê tu o elo que une, em mim, a mente ao coração. Que eu te reconheça na partilha. Que eu te agradeça pelo pão. Cura-me as feridas. Agasalha-me no frio. Na chegada sejas tu a razão da espera. Do convívio sê tu a própria alegria Extraído do Livro Lado Esquerdo nº5 págs. 31 e 32 de Airton Freire.
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