"Não posso dizer que só tardiamente te conheci. Já na minha infância eu te procurava.
Sabia que te encontraria. Sabia de ti, mas não te  localizava onde. Na verdade, hoje eu sei que tu já me atraías para ti. Se, agora eu te amo é porque primeiramente, tu me amaste. Tu és assim.
                 Do meu lado fui te descobrindo. Não te amo de forma plena e total, como sinto, que tu me amas.
Mas, hoje eu te amo mais que ontem e, amanhã, eu te amarei mais que agora. tu vais te tornando o ponto central de minha vida.
               Encantam-me coisas, hoje, que, antes nem percebia. E percebo-me desinteressado pelo que antes enchia-me de alegria. percebo-me assim modificado.
                Mesmo em horas vagas, pego-me pensando em ti: mesmo quando a tantos cuidados me dedico (creche, escola, centros de recuperação, abrigo de idosos...) há algo que não me deixa perder o fio do pensamento em ti.
      Como se me estivesse de ti tornando apaixonado, tu não sais de meu pensamento. Onde quer que eu vá, o que quer que eu faça ou diga, permaneço numa ligação sutil,silenciosa, permanente contigo, que vai desde quando, novamente, me deito para o repouso do dia.
          Enamorei-me de ti. Penso em fazer o que posso para te agradar. E sei que o que mais te agrada é fazer por aqueles que não têm como agradecer. Neles estás. Tu os amas (isto me fascina, sabendo ser quem tu és)! Quando os vejo, quando com eles convivo, lembro-me mais intensamente de ti. Sei que eles também te ofendem. E quando eles me ofendem,  lembro-me que de mim terias tu mais de que te queixar do que eu deles teria motivo para não os perdoar. Quando me sinto ofendido é porque não me fiz totalmente teu. Pois, se já o tivesse feito meu,  tudo serias tu e nada mais.
Vês a raiz do meu pecado?"
 
 
 
    Extraído do livro: Lado Esquerdo nº.17, pág. 71,72 de Airton Freire.
 
 
 
 
 
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