Como ela se
situa nesse contexto perturbado que é o
nosso?
Pe. Airton -Como Mãe Serva ela precisa ser;
mãe, por ser mestra, mestra da
Palavra a quem ela precisa primeiramente
servir ao anunciar, e, como mãe de
muitos filhos a quem ela precisa servir na
escuta, no diálogo e no
testemunho dos seus.
Que luzes, que pontos luminosos de
esperança o senhor enxerga no
horizonte da humanidade e da Igreja?
Pe. Airton - Pontos de esperança no
horizonte da humanidade: uma consciência
de que o caminho e Cristo; isto no despertar
de várias comunidades, as mais
novas, os movimentos mais recentes apontam
para uma direção de que, a partir
de Cristo, existe um poder emergente; quando
antes se falava de uma
pós-modernidade em que Deus estaria morto,
ressurge a consciência na
humanidade de que, a partir dos movimentos
emergentes tendo Cristo como
centro há esperança para a humanidade. Ao
lado disso, a consciência
ecológica, cada vez mais crescendo, da
necessidade de se unir para salvar o
destino dessa mesma humanidade.
Qual sua maior alegria no exercício do
sacerdócio ao longo desses
anos?
Pe. Airton - A minha maior alegria
consiste em ter trabalhado para resgatar
a vida e a vida plena, a vida em sua
totalidade, espiritual e material,
sobretudo da parte mais excluída, da parte
mais sofrida, a parte que para
Deus é a mais cara por ser a mais
desfigurada.
Qual sua
maior decepção? Dor?
Se decepção houve, decepção aconteceu todas
as vezes que o amor vindo contra mim ou a
partir de mim não prevaleceu.
Na sua
opinião qual a postura do laicato para com o
sacerdócio?
Como podem os leigos ajudar a vida
sacerdotal? Qual sua experiência nesse
campo?
Pe. Airton - O laicato possui sua
especificidade na Igreja. O laicato
precisa ter e tomar consciência de seu lugar
de transformador. É fermento na
massa, num mundo que precisa de testemunhos
e de serviço a partir do modelo de Cristo
Nosso Senhor. Minha experiência nesse campo
é de que nós, sem o laicato, nós do clero,
de forma específica os assim chamados
consagrados, não teremos opção de trabalhar;
ou seja: o laicato e o estado de vida
consagrado precisam juntos, na mesma
direção, em vista do mesmo objetivo, embora
na sua especificidade cada qual, juntos
caminhar. Do contrário ficaremos divididos,
cindidos e isso não testemunha a verdade
maior da unidade que Cristo veio como
herança nos deixar.
Em 25 anos de vida sacerdotal o que o
senhor sente como sendo a parte mais
positiva e frutífera em termos de
realizações concretas: seus escritos, suas
músicas, sua pregação, seu trabalho junto
aos pobres, os grupos que foram surgindo
aqui e ali, os Ipas (Institutos Padre
Airton)? Fale um pouco a respeito desses
frutos de sua vida sacerdotal; fale da
colheita.
Pe. Airton - A Fundação Terra foi o
primeiro espaço efetivamente que
aconteceu para ajudar os pobres, os
excluídos. Depois a Comunidade de Vida
dos Servos de Deus, a Casa de Retiros da
Sagrada Família, os grupos de
reflexão, de evangelização que existem em
Fortaleza, Recife, Arcoverde,
Belo-Horizonte. Todos eles são expressões de
um único ideal: que Cristo seja
o centro da vida das pessoas e que o
Evangelho se torne uma prática, uma
tradução prática do ideal. Mas, se perguntar
de tudo isso o que de melhor
aconteceu e que: em diferentes modalidades,
vidas foram resgatadas em todos
os momentos pelos quais passei e que comigo
muitas pessoas viveram ou ainda estão a
viver.
Sua saúde sofreu grandes abalos nesse
período; como tem sido carregar essa cruz no
âmbito de seu serviço sacerdotal que nunca
diminuiu em intensidade e frutos, pelo
contrário. Como tem sido isso? Sua vida
parece ser um milagre permanente, a que se
deve? Longas horas de escuta, celebrações, a
procura incessante por parte das pessoas e
isso tudo com uma saúde tão frágil?
Pe. Airton - Eu sou um frágil instrumento na
mão do meu Senhor. Ele dispõe
de mim segundo o poder de sua vontade,
Segundo a benevolente misericórdia de seu
Coração transpassado.
Que
conselho o senhor daria hoje a um
seminarista que se prepara ao sacerdócio?
Pe. Airton - Eu diria: “Meu irmão, que acima
de tudo tenhas um grande amor a
Deus, um grande amor a Deus e que tu ames a
teu próximo como tu amas a ti
mesmo. Nisto não vai nenhuma novidade, mas
eu repito para ti: isso é o
essencial, isso é o núcleo de toda e
qualquer espiritualidade.”
Aos jovens?
Pe. Airton - Jovens, eu vou dizer uma
expressão antiga de uma música também
antiga: Jovem, se alguma vez o céu te
parecer escuro, por tudo que é sagrado não
vás ao inferno a procura de luz. Ou seja:
tua noite escura passará; se a tua esperança
não morrer e ela em Deus depositada estiver
e ai permanecer com certeza não faltará.
Mas, se em razão da provação desistires de
lutar, de acreditar, de ter esperança e se
compensações outras ao longo da vida vieres
buscar, acredita nesta verdade, e esta
verdade á a que reluz: não
deixes o céu por ser escuro nem vás ao
inferno a procura de luz.
Aos noivos
que se preparam ao matrimônio?
Pe. Airton - Noivos, matrimônio e aliança;
essa se faz primeiramente no
coração; o que se passará depois e o momento
celebrativo daquilo que vocês
já deverão ter optado para ser vivido: uma
aliança de coração.
Aos pais e
mães de família?
Pe. Airton - Pais e mães guardem essa
expressão que não é antiga: amor e
limite cabem em qualquer situação para os
filhos. Amor e limite.
Aos idosos,
aos avós?
Vocês são uma nau de sabedoria e
conhecimento. E isso é um legado que
compete a vocês transmitir para gerações
emergentes.
Uma palavra
sua de alento aos doentes; aos presos, aos
que
perderam a vontade de viver, de seguir
tentando?
Pe. Airton - Tudo ganha sentido a partir de
Cristo Jesus. Ele que fez de um
instrumento de condenação, um momento de
salvação: o madeiro que do alto da colina
reluz. Com isso quero dizer: qualquer que
seja a provação se em
Cristo localizada, resultara numa alma
burilada, trabalhada, aprovada, para
os posteriores embates.Vitoriosos vocês
poderão ser se fizerem dos limites,
sofrimentos momentâneos uma forma de
crescer.
Aos homens
e mulheres de boa vontade neste mundo de
hoje, aos que querem e buscam fazer a
vontade de Deus num contexto tão conturbado?
Pe. Airton - A vocês pertence o Reino dos
Céus.
Das suas
obras escritas e seus CDs: Qual seu livro
mais profundo?
Qual seu preferido? Porque? Qual seu CD
preferido?
Pe. Airton - O meu livro preferido de todos
que escrevi, eu acho que se
chame…esta sendo escrito, se chama: “A casa
onde eu moro”. O meu CD
preferido se chama: “Ieshua”.
No seu
sacerdócio qual o serviço ao Povo de Deus
que mais o
realiza: a pregação, a escuta? Ministrar os
sacramentos, celebrar a
Eucaristia...
Pe. Airton - Todos eles fazem parte de um
único acontecimento: o de revelar
Cristo nas variadas maneiras e em
determinados e variados momentos. Aonde a
necessidade me pedir que faça acontecer: em
alguns momentos eu escuto porque a
necessidade é escutar. Em alguns momentos
terei de pregar em outros terei de ministrar
os sacramentos. Eu sinto-me por inteiro em
qualquer um desses momentos e, em qualquer
um deles sinto que estou cumprindo e
realizando por vocação o mandato do Senhor:
de anuncia - Lo por toda parte para salvação
de quem nele crer e o confessar como Senhor.
Alegria interior vem de atender por algum
desses meios a necessidade premente de
alguém que pede uma resposta ou um
sacramento.
Qual a
prece que Padre Airton, o sacerdote, eleva a
Deus Pai por ocasião de seu Jubileu?
Pe. Airton - A prece que eu elevo a Deus é
essa: que Ele faça de mim um
instrumento de sua vontade; essa prece que
intimamente eu disse no dia de
minha ordenação repito ainda hoje e
repetiria por mais 25 anos deixando Deus
dispor de mim segundo o desejo mais íntimo
de seu Coração.
Hoje, qual
seu maior desejo?
Pe. Airton - O meu maior desejo é que Deus
me conceda a graça de perceber
que a obra iniciada por causa dele e a
partir dele não vai morrer.
Hoje, qual
seu pedido a este seu Povo de Deus que tanto
lhe quer bem e que o senhor, como pastor
ama com tanta ternura e zelo?
Pe. Airton - Povo de Deus se vocês me
perguntassem quem sou eu, eu diria: eu sou
um aprendiz da vida, eu sou um servo de
Deus, um padre que escuta. Por ser aprendiz,
por ser um servo e por ser um homem de
escuta em suas orações em algum momento,
peça a Deus por mim, para que eu mantenha a
minha fidelidade até o fim, conforme o meu
definitivo sim há 25 anos atrás.
Artur e Fernando
FUNDAÇÃO TERRA
Setor de Mobilização de
Recursos
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