1970-1975
A MPB Moderna

Passado o fenômeno do rock'n'roll dos anos 60, e graças à bossa nova, jovem guarda e tropicália, estabelecem-se os grandes nomes de uma chamada MPB mais moderna com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Vinícius de Moraes, Toquinho, Elis Regina, Milton Nascimento e outros. A maior parte deste segmento permanece em evidência.

1970
Djavan, Fafá, Fagner...

No começo dos anos 70, surge também uma importante geração intermediária de novos nomes da MPB que continuariam a fazer trabalhos de renovação da música popular brasileira durante o começo do século XXI, tais como Djavan, Fafá de Belém, Fagner, Belchior, Alceu Valença, Zé Ramalho, Morais Moreira, Baby Consuelo (atual Baby do Brasil), Pepeu Gomes, Elba Ramalho, e outros.

Elis
Amadurece

O início da década marca o amadurecimento da carreira da cantora gaúcha Elis Regina (1945-1982)
– uma das maiores intérpretes brasileiras de todas as épocas. Depois de uma bem-sucedida apresentação na América
Latina e Europa, Elis grava e passa a lançar uma série de músicas de grandes compositores-cantores até então desconhecidos, revelando-os nacionalmente, como Ivan Lins (com "Madalena", em 1970); João Bosco e Aldir Blanco (com "O Caçador de Esmeraldas" [1973], "Mestre-salas dos Mares" e "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá" [1974]); Belchior, no show Falso Brilhante, de 1975, (com "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida"); e Renato Teixeira (com "Romaria", em 1977).
Os Bailes Funk
No começo da década, surge no Rio de Janeiro um fenômeno que se caracterizaria como tipicamente carioca – os bailes funk. Os primeiros bailes aconteciam no Canecão, na Zona Sul, sempre aos domingos. Os "bailes da pesada", como eram conhecidos, foram espalhando-se para os clubes do subúrbio. Ouve-se James Brown ("Sex Machine", "Get On The Good Food", "Soul Power"), Kool and The Gang, Wilson Pickett e outros. Com a proliferação de uma multidão de dançarinos populares adeptos do movimento, trajados com roupas black de ocasião, cabelos afro, sapatos plataforma coloridos, surgiram as equipes como Soul Grand Prix, Black Power, Dynamic Soul, Furacão 2000, União Black. Surgem importantes nomes da funk music carioca como Gerson King Combo, Tony Tornado, Tim Maia, Sandra Sá, Cassiano, Robson Jorge, Rosa Maria e outros. O movimento espalha-se pelo país, com a Chic Show, em São Paulo; a Black Porto (RS) e a Black Uaí!, em Belo Horizonte. Mesmo à revelia da imprensa, os bailes funk do subúrbios cariocas entrariam em 2000 muito populares, mas já com grande influência da música e roupas hip-hop. Os cariocas proporcionam o funk melody, com batida mais rápida e semelhante ao rap; e o charme, um funk pós-disco mais sofisticado que a assim chamada 'estética do barulho' presente no hip-hop (rap).
1971
O Clube da Esquina

A hora e a vez dos mineiros. Com a música "Clube da Esquina", de autoria de Milton Nascimento com Lô Borges e Márcio Borges, inaugura-se o movimento de uma nova música mineira que revigoraria a canção popular brasileira do começo da década. Em torno de Milton Nascimento, e a partir de sua proposta, em 1972, ele lutaria por lançar um álbum duplo com praticamente todos os seus amigos e parceiros mineiros, incluindo o seu maior companheiro musical, o letrista Fernando Brant. Assim é lançado o álbum Clube da Esquina 2 – o nome já deixa bem claro a proposta fechada do grupo e de como eles se consideravam. Com o enorme sucesso de vendas do disco, Milton Nascimento torna-se definitivamente um êxito comercial e todos os seus amigos mineiros também. Dentre o seleto grupo citamos Lô Borges, Tavinho Moura, Márcio Borges, Wagner Tiso (e seu grupo Som Imaginário), Ronaldo Bastos e Beto Guedes. Cada um, individualmente, atingiria carreira de sucesso com discos e shows dentro e fora do Brasil. A música mineira é a grande sensação do momento.
1972
Eu Te Amo Meu Brasil

Nos primeiros anos da década, acontece um surto de uma produção musical popular de cunho nacionalista, de exaltação das belezas naturais do país e da idéia básica de que "Deus é brasileiro" – muito ao gosto do ainda período militar –, numa tentativa quase ufanista de direita representada principalmente pela dupla Dom & Ravel com a música "Só O Amor Constrói", de 1971, e outro grande sucesso que Dom (Domingos Leoni) compôs (em 1970) para o então popular grupo de rock Os Incríveis – "Eu Te Amo Meu Brasil". Aproveitando a grande repercussão desses tipos de canções, Os Incríveis ainda gravariam (em 1971) um compacto simples com o "Hino Nacional" (Música de Francisco Manoel da Silva e letra de Osório Duque Estrada, adaptação vocal de Alberto Nepomuceno) e o "Hino da Independência do Brasil" (música de Dom Pedro I e letra de Evaristo Ferreira da Veiga).
1973
O Apogeu de Raul Seixas
É o apogeu da carreira de Raul Seixas (1945-1989) – o maior roqueiro da história da música pop brasileira. Tendo começado profissionalmente dois anos antes, foi somente em 1973 que ele consegue o seu primeiro grande sucesso com "Ouro de Tolo", incluída em seu primeiro LP solo Krig-há, Bandolo!. No mesmo ano, viriam outros hits como "Metamorfose Ambulante", "Mosca na Sopa", e "Al Capone" (com Paulo Coelho). Sua carreira se consolidaria com os três álbuns – Gitá (1974), Novo Aeon (1975) e Há Dez Mil Anos Atrás (1976). Outros grandes sucessos de Raul Seixas são: "Como Vovó Já Dizia" (com Paulo Coelho, em 1975), "Rock das Aranha" (em 1980) e "Cowboy Fora da Lei" (em 1987). Desfrutando de um dos maiores públicos da história da música popular brasileira, Raul foi o primeiro artista nacional a ter um disco organizado e lançado por um fã-clube, a coletânea de gravações raras 'Let Me Sing My Rock-and-roll', de 1985. Com o passar dos anos, sua importância e influência na música brasileira só se fariam aumentar.

1974
O Novo Rock Brasileiro
Época áurea de uma nova geração de grupos de rock brasileiros de variadas tendências como O Terço, de influências do rock progressivo com o guitarrista Sérgio Hinds como seu líder – que desembocaria no 14 Bis; do Joelho de Porco, com o seu som pré-punk anarquista cômico formado pelo popular baixista Tico Terpins; o Moto Perpétuo, formado pelo cantor e compositor Guilherme Arantes; o Casa das Máquinas, formado por Netinho, ex-Incríveis, o Som Nosso de Cada Dia; e o lendário Made In Brasil, formado por Oswaldo Vecchione e seu irmão Celso Vecchione, talvez o mais popular e roqueiro da época, dentre outros mais. Destaque para os Secos & Molhados (com Ney Matogrosso), o mais criativo grupo da década a misturar pop-rock com música brasileira, portuguesa e outras influências – sua curta duração (1971-74) atingiu grande sucesso nacional.

1975
O Brasil Americanizado
A década também foi marcada por uma curiosa produção de música tipicamente norte-americana (no Brasil!) produzida por músicos brasileiros que adotaram nomes americanizados. Desde o grupo paulistano Pholhas (da Móoca) que cantava em inglês e português, ao grupo Light Reflections com o grande sucesso "Tell Me Once Again", que depois viraria comicamente "Telma Eu Não Sou Gay", com Ney Matogrosso; Tony Stevens (o Jessé) com os sucessos "Flying" e "If I Could Remember"; Christian (da dupla sertaneja Christian & Ralf) com o hit "Don't Say Goodbye"; o próprio Ralf, da mesma dupla, com o nome de Dom Elliot; Paul Bryan (Sérgio Sá) com "Listen"; a banda Lee Jackson, com "Hey Girl", grupo formado por músicos que hoje ocupam lugares de direção executiva em algumas grandes gravadoras no Brasil; o grupo Sunday, de Hélio Eduardo Costa Manso, com "I'm Gonna Get Married"; Fábio Jr., que adotou dois nomes americanos, Mark Davies e, depois, Uncle Jack, cantando "Don't Let Me Cry"; o grupo feminino Harmonie Cats, e até a cantora dançarina Gretchen, que começou cantando em inglês.
Nasce o Clube do Choro

Paulinho da Viola, um dos maiores novos sambistas da época, e um dos poucos e mais importantes defensores do já esquecido choro, participa – junto com outros compositores e críticos – da criação do Clube do Choro, no Rio de Janeiro.