1930
O 1º sucesso de Noel Rosa
Acontece o primeiro grande sucesso do sambista carioca de Vila Isabel Noel Rosa (1910-1937) – "Com Que Roupa", já com toda sua proverbial verve crítica e humorística sobre a vida carioca, marca registrada de toda sua obra. Em 1931, viriam "Eu Vou Pra Vila", "Gago Apaixonado", "Malandro Medroso" e "Quem Dá Mais". Em 1932, conheceria o compositor Vadico, um de seus mais importantes parceiros, com quem faria alguns de seus maiores sambas como "Feitio de Oração" (1933), "Feitiço da Vila" (1934), "Conversa de Botequim" (1935) e muitas outras. Sua maior intérprete seria mesmo a cantora 'malandra' Araci de Almeida (1914-1988), desde 1935, sendo que ela, ao regravá-lo em 1950, traria à luz a importância incontestável desse monumental sambista. De saúde muito debilitada durante sua vida inteira, Noel Rosa morreria jovem, aos 26 anos, no dia 4 de maio de 1937, mas deixaria um impressionante repertório de 230 composições. É um nome obrigatório no registro da história da música popular brasileira.
1930-1946
A Época Áurea do Rádio

Época áurea do rádio com seus populares programas ao vivo de música de auditório, no Rio de Janeiro, com Ary Barroso (na lendária Rádio Mayrink Veiga), e outros em São Paulo – e as disputas acirradas entre orquestras, os 'cantores do rádio' (Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas e demais) e as 'rainhas do rádio', sendo as cantoras Emilinha Borba e Marlene as maiores. Ao mesmo tempo em que a época do rádio marcaria o declínio do choro, esse estrondoso fenômeno musical de massa teria a sua própria decadência com o fim da era das grandes orquestras no Brasil e a chegada da televisão, em 1950.
1938-1945
Villa-Lobos e a Bachiana nº5
Período em que o compositor e regente Heitor Villa-Lobos (1887-1959) compõe a Bachiana no. 5 – da célebre série de 9 – para canto e orquestra de violoncelos, sendo esta a mais admirada e tocada de todas, tendo sido, por vários anos, um dos discos mais vendidos nos Estados Unidos. Na época, porém, foi muito atacado pelos críticos brasileiros por este conjunto de obras inspiradas na atmosfera musical de Johann Sebastian Bach (1685-1750), considerado pelo autor um manancial folclórico universal, intermediário de todos os povos. Os críticos consideraram As Bachianas um recuo na obra de quem havia escrito os famosos 14 Choros – escritos de 1920 a 1929 –, obras compostas na inspiração de suas longas viagens por quase todo o Brasil (e seus sertões), durante anos, e por sua paixão e convivência prolongada com os "chorões" cariocas. Ainda que As Bachianas representassem uma valiosa experiência de justaposição de certos ambientes harmônicos e de contrapontos de algumas regiões do Brasil ao estilo de Bach, os Choros foram tidos como um rico material inato para a criação da música autenticamente brasileira. Mas, por toda sua gigantesca obra deixada e seus empreendimentos didáticos sociais, Villa-Lobos é considerado o mais importante gênio musical do continente, no século XX, dotado de uma chama criadora extraordinária que atravessou fronteiras, empolgou críticos e multidões, superando todos os preconceitos.
1939
Aquarela do Brasil

A primeira e mais importante música exportada aos Estados Unidos e Europa é "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso (1903-1964), e que inaugura o gênero samba-exaltação. A música foi gravada por Araci Cortes e depois por Cândido Botelho e Francisco Alves. O Estado Novo ditatorial e nacionalista de Getúlio Vargas, que muito apreciou esse novo tipo de samba, por motivos óbvios e pelo alcance internacional, passa a recomendar aos compositores populares que abandonem o tema da malandragem carioca em suas músicas. Inspirado na típica figura do Rio de Janeiro, e a partir da 'política de boa vizinhança americana', o desenhista Walt Disney viria ao Brasil criar o personagem Zé Carioca.