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(1833-1897)
Johannes Brahms nasceu em Hamburgo (Alemanha) em 7 de maio de 1833. De origem
humilde, era filho de Johann Jacob Brahms
(1807-1872), um contrabaixista de orquestras populares e de Johanna Henrika
Nissen (1790-1865). Com dez anos de idade já executava concertos musicais,
revelando-se ao público como pianista prodígio. Passou a mocidade em extrema
pobreza, tocando para comer, em tavernas de marujos.
Estudou seriamente a arte musical com o mestre Marxsen, defensor fervoroso dos
clássicos. Fez uma primeira turnê como acompanhante do grande violinista húngaro
Joseph Joachim: visitou Liszt em Weimar e, em 1853, em Düsseldorf, conheceu
Clara e Robert Schumann. Brahms entregou algumas composições a Schumann, que
ficou entusiasmado, apresentando o jovem de vinte anos ao público como grande
esperança da música alemã. Apaixonou-se por Clara e tornou-se amigo íntimo do
casal, mas não se casou com ela depois da morte de Schumann (1856).
Brahms encarregou-se da responsabilidade de defender a arte de Haydn, Mozart e
Beethoven contra as novas tendências representadas por Liszt e Wagner: a música
absoluta contra a música de programa e o drama musical. Não dispondo do talento
literário de Wagner, Brahms não venceu. Mas conquistou, graças ao apoio do
crítico Eduard Hanslick, o favor dos conservadores, que, na Alemanha e na
Inglaterra, muito o honraram. Foi músico residente do príncipe Detmold (1857), e
tentou em vão obter a regência dos Concertos Filarmônicos de Hamburgo.
Em 1863 fixou residência em Viena, cuja vida musical dominou durante trinta
anos, levando vida pacata de solteirão e burguês abastado. Tornou-se diretor de
associações musicais: Academia de Canto (1863) e Associação dos Amigos da Música
(1872).
A primeira audição completa de Um Requiem alemão, em Brema (1868), sob direção
do próprio compositor, na presença de Joachim e Clara Schumann, foi
provavelmente o maior triunfo de sua carreira. A vida tranqüila em Viena
consagrava quase toda a sua atividade à composição, só sendo interrompida por
curtas viagens à Alemanha ou Suíça, com fins profissionais ou turísticos.
Universalmente célebre, suas obras eram discutidas em Viena por Hanslick e seus
partidários que o contrapuseram aos wagnerianos e a Bruckner, numa absurda
rivalidade que Brahms nunca desejou. Apesar de seu aspecto brutal, o músico era
um homem sensível, lógico e liberal. Após uma vida inteira de saúde robusta,
Brahms morreu em Viena, em 3 de abril de 1897, aos sessenta e quatro anos,
vítima de um cancro no fígado. No funeral, o seu editor Simrock e o compositor
Dvorak seguraram as fitas da mortalha.
Estilo - Brahms foi o último dos grandes compositores que deixaram obra imensa.
Com exceção da música sacra e da ópera, cultivou todos os gêneros, sobretudo a
música instrumental, sem quaisquer associações literárias. Contemporâneo de
Wagner e tendo ainda assistido aos inícios de Mahler e Debussy, é Brahms um
ortodoxo da música absolutista, mantendo-se dentro dos limites do
desenvolvimento temático de Beethoven. Foi, por isso, chamado de formalista,
cuja música seria incapaz de sugerir emoções mais fortes. É nesse sentido que
Nietzsche e os críticos wagnerianos franceses lhe condenaram a arte.
Na verdade, hoje geralmente reconhecida, é Brahms um romântico que conseguiu
dominar a sua emocionalidade pela adoção das formas severas do classicismo
vienense, do qual ele é o último grande representante. Mas, embora passando a
vida em Viena, sempre ficou fiel às suas origens: é homem nórdico (o maior
compositor do norte alemão) e a melancolia sombria do folclore de sua terra
sempre está presente em sua obra.
Evolução - Partindo do romantismo de Schumann, Brahms submeteu-se à disciplina
da arte de Beethoven. Mais tarde seu ideal artístico foi a síntese desse
classicismo beethoveniano e da polifonia de J.S.Bach. Chegou a destruir grande
parte das obras românticas da mocidade, de modo que a sua primeira obra
plenamente realizada é o Concerto para piano n.º 1 em ré menor (1854), ainda
muito tempestuoso, embora já tenha sido mais clássica a Sonata para piano em fá
menor Op. 5 (1852), talvez a mais importante sonata para piano escrita depois de
Beethoven.
O romantismo e o folclore nórdico ainda se sentem no Quarteto para piano em fá
menor Op. 34 (1864), talvez a mais impressionante obra de música de câmara do
compositor, e em numerosos lieder, gêneros de que Brahms foi mestre: Do amor
para sempre (1868), Solidão no campo, Noite em maio (1868), No cemitério (1886)
e muitos outros. Já liberta de romantismo apresenta-se a maior obra coral do
compositor, Um Réquiem alemão (1857), obra inspirada mais em J.S.Bach que em
Händel. Da mesma seriedade profunda é a Rapsódia (1869) para contralto, coro e
orquestra, cuja letra é um poema de Goethe.

Sinfonias e concertos - Brahms hesitou muito antes de tentar escrever uma
sinfonia. Preparou o terreno da arte orquestral com as Variações sobre um tema
de Haydn (1873), em que encerrou com surpreendentes artes contrapontísticas.
Veio, depois, a Sinfonia n.º 1 em dó menor (1876), que Hans von Bülow
considerava digna de ser chamada "a décima de Beethoven". Foi seguida pela
Sinfonia n.º 2 em ré maior (1877) e Sinfonia n.º 3 em fá maior (1883). Grandes
sinfonias em que se destaca um instrumento solista também são o Concerto para
violino em ré maior Op. 77 (1878) e o Concerto para piano n.º 2 em si bemol
maior (1881).
Música de câmara - De riqueza extraordinária é a música de câmara de Brahms. As
Sonatas para piano e violino (3), de grande encanto melódico, já bastaram para
desmentir a lenda do formalismo seco do mestre. Mais austeros são, porém, os
trios e os quartetos e, sobretudo, os grandes Quinteto para cordas em fá maior
(1882) e Quinteto para cordas em sol maior (1890).
Piano e últimas obras - Muito diferente é a obra pianística de Brahms. Não
escreveu mais sonatas, depois daquela Op. 5. Voltou ao piano só nos últimos anos
de vida, com dois cadernos de Fantasias (1891-1892) e os Intermezzos (3) (1892),
que são de um romantismo fantástico. O mesmo estado de alma também domina um dos
movimentos do Quinteto para clarineta em si menor (1892), uma das maiores obras
de Brahms. Mas só esse movimento, pois os outros pertencem à última fase do
mestre, que é severamente bachiana. São desse estilo a Sinfonia n.º 4 em mi
menor (1885), que termina com uma grandiosa ciaccona (ou passacaglia) e Quatro
canções sérias (1896), sobre versículos bíblicos, de um pessimismo sombrio.
O pessimismo de Brahms, menos filosófico mas mais intransigente que o de Wagner,
o folclorismo do mestre e o inconfundível fundo romântico de sua forma severa
bastam para desmentir a interpretação errada de sua arte como burguesa. No
entanto, depois da morte de Brahms, essa opinião errônea prevaleceu,
principalmente graças ao wagnerismo da crítica musical francesa. Durante muitos
anos foi a música de Brahms recusada pelo público (menos na Inglaterra). Mas,
nos últimos decênios, sua arte venceu. Brahms é hoje um dos compositores mais
executado nos concertos, e isso no mundo inteiro. Esse fato é de grande
importância: pois se trata de um caso de arte extremamente séria, sem concessões
ao público, e já se disse que a popularidade (ou não) da música de Brahms é um
índice da capacidade de sobrevivência da civilização.
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