Lenda de Foz de Arouce

Outra lenda associada a Foz de Arouce refere-se ás Alminhas de ouro situadas á direita da estrada de Ouro. Esta estrada de ouro situa-se perto da estrada de Foz de Arouce com direcção a Semide. Segundo a lenda as alminhas foram construídas pelas "almas dos homens que procuravam ouro". Com muitos estudos feitos no local pense-se que a estrada do ouro iria ter a Conimbriga, mas na verdade não existem certezas. Ia um homem a caminho de Roma quando se perdeu. Foi bater a um povoado chamado Foz de Arouce e pernoitou em casa de uma mulher que quis saber donde ele vinha. Respondeu-lhe o caminhante que vinha de rego da vide, ao que ela perguntou se por lá conhecia o sítio de uma fraga que tinha um buraco. Como o homem respondeu que sim, a mulher encomendou-lhe um serviço em troca daquela pernoita, ir até ao dito buraco e dizer três vezes um nome: Basília. O romeiro prometeu cumprir o pedido e assim, no dia seguinte, antes de partir, a mulher entregou-lhe uma jumentinha de massa, recomendando-lhe que a conservasse inteira até ao momento em que lhe respondessem do buraco ao chamamento, altura em que deveria lançar o pão lá para dentro. Fizeram as suas despedidas e o homem lá foi fazer a sua romagem a Roma. À volta em Rego da Vide e não tendo esquecido a promessa que fizera à mulherzinha de Foz de Arouce, dirigiu-se à tal fraga e três vezes chamou por Basília. Lá dentro respondeu-lhe uma voz : - Quem pelo nome me chama, noticias da minha mãe me traz ! Atirou então a jumentinha ao buraco, mas como a trouxera tanto tempo na algibeira, embrulhada no lenço, e tantas voltas dera pelo mundo, tinha-lhe partido uma perna. Assim, mal o pão caiu no buraco, ouviu a mesma voz dizer-lhe: - AH, que infeliz foste! Dobraste o meu encanto! Além do dinheiro que, sem saberes, minha mãe te deu, ias ficar senhor de um grande haver. Mas agora, todos os dias aqui voltarás porque na fraga acharás um tostão. Basilía lá ficou. Quanto tempo, quem sabe?! Mas o homem, que era um jogador, gastava todos os dias o tostão que Basília lhe entregava. Um dia em que estava a ganhar, esqueceu-se do segredo que devia guardar e disse:
Troco e torno a trocar
Que a fraga da moura
Para tudo há-de dar
E desde aí, a fraga não deu mais nada!

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