Vilarinho
Situada na margem esquerda do rio Ceira, e a quatro quilómetros da Lousã, a freguesia de Vilarinho é a mais populosa do concelho.
Segundo alguns estudiosos as suas origens serão anteriores a Lousã-vila e Lousã-Arouce, mas até ao século XII não existem, contudo, quaisquer documentos referentes à sua história.
Como paróquia chamou-se inicialmente S. Pedro das Moitas devido ao facto de a primitiva igreja se situar num local assim denominado por estar coberto de frondosos castanheiros.
Vilarinho foi também, e à semelhança de outras freguesias, completamente devastada, pelas tropas francesas e pelo exército anglo-luso em Março de 1811.
Actualmente, e de acordo com os responsáveis pela Junta de Freguesia, vive momentos "calmos demais", principalmente devido à sua situação geográfica. As populações da Sarnadinha, Fiscal, Freixo e Casal do Espírito Santo fazem vida na Lousã, e as pessoas dos lugares do extremo contrário Casais, Ribeira dos Casais, Boque trabalham em Serpins. Com a total inexistência de indústria, torna-se cada vez mais difícil fixar os jovens, que são obrigados a utilizar Vilarinho apenas como um dormitório.
A população que não trabalha fora dedica-se à agricultura, mas foram precisamente estas carências que levaram muita gente a emigrar, há algumas décadas atrás, para destinos vários, essencialmente, Estados Unidos da América e França.
A aposta no desporto e nas colectividades culturais parece ser a única forma de ocupação dos residentes na freguesia. Por enquanto, é o Rancho Folclórico e Etnográfico de Vilarinho que leva o nome da região bem longe. A funcionar nas instalações do Clube Recreativo Vilarinhense, conta com o apoio da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia e de alguns sócios residentes no país e no estrangeiro.
O polivalente e o campo de futebol anexo tentam puxar igualmente a juventude para a freguesia, mas a única modalidade desportiva que passa actualmente por Vilarinho, aos fins-de-semana, é o parapente.
Mas as infra-estruturas básicas são também essenciais e, apesar de estar previsto em Plano de Actividades da autarquia, actualmente só a sede de freguesia tem saneamento. A vizinhança com a vila da Lousã poderá vir a fazer com que jovens procurem Vilarinho para habitar, mas até agora essa procura ainda não é visível.
Para o século XXI a necessidade de mudança é evidente. Correndo o risco de deixar de ser uma terra pacata, Vilarinho espera que a indústria, para já inexistente, e novas construções possam dar uma "alma nova" à freguesia e ajudar, dessa forma, a fixar os mais jovens.
Património religioso
A Igreja Paroquial de Vilarinho, dedicada a S. Pedro, é o mais rico de todos os templos do Concelho da Lousã. Construído no século XVI, sofreu várias reparações e reconstruções no século XVIII, mais exactamente 1750. É essa também a data de origem da sua torre, considerada uma das mais belas peças do género em toda a região, e cuja elegância e proporção, em estilo D. João V, demonstra bem o partido decorativo que os construtores tiraram das escuras e ásperas cantarias de Alveite, sobrepostas ao branco das paredes.
Na fachada o destaque vai para três nichos com as imagens de Nossa Senhora com o Menino, S. Pedro e S. Paulo. E no interior, além de belos retábulos do século XVIII, possui igualmente belas imagens, realçando-se também a do patrono S. Pedro, uma da Virgem com o Menino, do século XV, e uma de madeira, do século XVIII, onde figura S. Miguel.
Também a capela de Nossa Senhora das Preces, situada no centro de Vilarinho é digna de nota. De dimensões molestas, possui também uma imagem de Nossa Senhora com o Menino, uma obra barroca de madeira do século XVIII. De grande interesse são também as duas esculturas manuelinas feitas em pedra de Ançã, o que representam os santos Cosme o Damião, vestidos à maneira dos físicos dessa épocas remotas.
Na Capela de S. Domingos, outra construção de pequenas dimensões, destaca-se o retábulo da capela de cabeceira (século XVII). Nos intercolúnios há duas tábuas pintadas, alusivas a S. João e a Santo António, e no nicho central um S. Domingos dos finais do século XVI.
Nos lugares de Cabanões e Covão existem também duas pequenas capelas. Já na aldeia do Fiscal, há duas casas nobres de interesse nacional: a Casa do Arco e a Casa dos Lopes Quaresma.
Em Vilarinho existe também uma nascente, no sopé da serra, que nunca foi explorada. É conhecida pela sua água, tendo mesmo existido um médico na Lousã que a aconselhava a grávidas ou pessoas sem apetite. Actualmente podem ver-se as limalhas de ferro penduradas na bica. [Sinais do século. "As Beiras", 3 Fev. 2000].