AS EXPLORAÇÕES ROMANAS DE OURO NO RIO CEIRA
FREGUESIA DE CASAL DE ERMIO
FERNANDO GOMES DA SILVA
Por solicitação da Junta de Freguesia de Casal de Ermio (Foz de Arouce), concelho da Lousã, deslocámo-nos àquela povoação a fim de nos pronunciarmos acerca da ocorrência de um buraco que, com grande surpresa, e, quase inexplicável se abriu na berma da estrada que liga Casal de Ermio a Foz de Arouce. Depois de percorridos os terrenos que marginam a estrada, para um lado e para o outro, facilmente pudemos concluir estarmos em presença de uma área de terreno (de dimensões consideráveis) a que geologicamente chamamos terraço fluvial. Grande parte deste terraço terá sido explorado em épocas bem remotas, muito provavelmente por romanos. Este depósito fluvial foi levado recorrendo a técnicas hidrodinâmicas que permitiam concentrar os minérios em exploração (ouro, estanho, etc.). Exímios no uso destas técnicas, os romanos deixaram por todo o País abundantes vestígios das suas explorações de concentrados aluvionares. Normalmente estas exploração faziam-se a céu aberto, no entanto, no nosso caso concreto, nas zonas de maior espessura do aluvião, efectuaram galerias subterrâneas (exploração subaérea) que permitiram atingir os níveis onde se concentravam os minérios sem que para tanto tivessem que remover os níveis superiores menos ricos ou mesmo estéreis.
A ocorrência de amontoados de grande quantidades de calhaus rolados por toda esta área, associada aos aspectos geomorfológicos típicos destas explorações, levam-nos a concluir tratar-se de explorações aluvionares muito provavelmente de ouro efectuadas pelos romanos. Algumas das galerias subterrâneas abateram e deram origem a buracos como o que tivemos oportunidade de observar pondo em contacto a superfície ao nível da estrada com a galeria alguns metro abaixo.
Para melhor compreensão do exposto juntamos duas figuras esquemáticas.

