O Amparo
do Mestre
Quantas
andanças a esmo! Quantas lutas sem glória!
Quantas perguntas sem nexo...Quantos imensos desejos...
Quanto orgulho e vaidade...Só prazeres mundanos na memória!
Hoje, são somente lembrabças que parecem grandes motejos...
Encontro-me assim, intensamente absorto em meus pensamentos.
O silêncio é sepulcral. fantasia e realidade em redemoinhos...
Parece que o corpo voa com as lembranças! São contentamentos
Ou tristezas e desencantos que constroem na alma seus ninhos?
Agora, um grande torpor me invade e minha mente se ofusca.
Parece-me estar sonhando, mas meu redor tudo é realidade...
Estou adentrando num chavascal; o ar fétido até a
alma conspurca
E agudos espinhos arranham-me todo com requinte de crueldade.
Meu Mestre, Te imploro! Tira-me deste lugar tão horrendo!
A Ti jesus que és o caminho, A Verdade, a Luz e a Eterna
Vida
prometo seguir a via da virtude. Perdoa-me se só agora compreendo
O sentido da lágrima que no Teu derradeiro adeus foi contida.
Nesse instante, um clarão imenso e cegante no céu
azul aparece
E transmuta-se em diáfana figura humana de indefiníveis
traços.
Agora, meu corpo leve como pluma volteia e o pavor desaparece!
O êxtase cessa, mas entrevejo o Cristo que me carrega em seus
braços...
Enzo (Vincenzo) Campanella |