Um Novo Mestre

 

 

Mafuri estava jogado folgadamente nas almofadas espalhadas pelo chão do seu quarto, ouvia musica clássica tentando relaxar, pois já estava ficando muito preocupado com a ausência de Yuy. Ele olha para janela vendo que a noite já caíra há algum tempo na cidade e seria muito perigoso Yuy andar sozinho por aí, ainda mais se tratando do seu atual estado psicológico. Foi tirado dos seus pensamentos quando o som da campainha corta a melodia que provinha do rádio. Mafuri se levanta desligando o som e vai até a porta a abrindo-a.

 

- RYORI??? - Mafuri assusta-se com o ruivo que estava com as mãos em cima dos ombros de Yuy, que estava a sua frente.

Os dois estavam encharcados, a chuva havia sido impiedosa para com eles, percebia-se que Yuy estava com sintomas de um futuro resfriado. Os dois entram no apartamento ao ver que Mafuri ficou paralisado na porta ainda segurando a maçaneta da própria, distraído em seus devaneios.

- Vai ficar aí parado, velho? - Ryori pergunta ao entrar no apartamento.

- Ahhh? Ah! Yuy você está...

- Eu estou bem, senhor Mafuri! - O moreno dá um sorrisinho amarelo.

Como não poderia estar bem depois de uma tarde encantadora ao lado do ruivo? Agora estava mais do que satisfeito e finalmente podia por um fim naquele pesadelo, era assim que ambos pensavam.

- E você Ryori? - Mafuri resolve fechar a porta e encará-los de frente.

- Eu? O que quer saber? - Ryori pergunta despreocupado, colocando as suas mãos no bolso da calça, que já pingava água no chão do quarto de hotel.

- Onde estava??? Não se faça de desentendido!! - Irritou-se.

- Estava naquela reunião... Você sabe!!

- Todo esse tempo?

- Sim.

Pai e filho discutiam, Mafuri brigava com a falta de irresponsabilidade de Ryori e jovem se defendia, não dando muita importância para o que seu pai falava, o deixando cada vez mais irritado.

Yuy era o espectador da discussão, na verdade nem era mesmo uma discussão, estava na cara de Mafuri à felicidade de ver seu filho bem e Ryori não podia negar que adorava contrariar seu pai, mas não por mal. Essa era a única maneira que conseguia se relacionar com o seu velho, já que demonstrar esses tipos de sentimentos não era muito do seu feitio. Yuy já sabia disso há muito tempo, por isso deixou os dois conversando e foi para o quarto onde Mafuri havia lhe deixado.

 

Após conversarem pai e filho se separam, Ryori vai até Yuy que sumira sorrateiramente e Mafuri vai até seu quarto. O ruivo entra no quarto, mas não vê seu amado, vai caminhando até a porta do banheiro que estava apenas encostada e encontra Yuy tomando uma ducha quente.

O sorriso de Ryori iluminou toda sua face cansada e úmida da chuva, foi andando até Yuy e o abraçou por trás molhando toda sua roupa, mas não deu muita importância já que iria tirá-la mesmo.

- Ry... Ori! Vai se molhar todo!! - Riu ao sentir os beijos do ruivo em seu pescoço.

- E?

- E? E aí que... Ah... Quem se importa! Vem tomar banho comigo!

Ryori sorriu com o modo impaciente que Yuy disse, logo tirou suas roupas e tomou um banho muito quente com seu amado e único moreno.

Horas mais tarde o casal estava sentado na cama, Ryori estava encostado na cabeceira da mesma e Yuy estava sentado entre suas pernas deitando a sua cabeça em seu peito. Os dois estavam apenas aproveitando seus momentos de paz, pelo visto as palavras não eram realmente necessárias a essa altura, deviam ter falado tudo que estava atravessado nessa tarde.

Era tudo muito bom, mas tinha algo que ainda incomodava Yuy e que Ryori nem imaginava o que era.

- Ryori... - Chama o ruivo tão baixinho que mais se pareceu com um gemido.

- Hum?

- Preciso te contar algo muito importante!

- Importante? O que é? - O ruivo abre os olhos e encara o moreno, que ainda estava deitado com a cabeça em seu peito.

- Sabe aquele tal de Sirie?

- Sirie? O que tem ele? - Ryori indagou, estranhando o fato de Yuy ter tocado no nome do seu “professor”, sabendo-se que o moreno nada entendia desse homem.

- Eu sei que ele foi o cara que te levou para essa vida e que ele morreu há dois anos, como você mesmo disse!

- Sim, mas o que tem ele?

- Ele não morreu!

- Como??? Não seja ridículo Yuy, claro que ele morreu! Eu mesmo o vi morto!!

- Deixe-me continuar...

- Continuar? Não há o que continuar!!!

- Ryori, me escute primeiro!

O ruivo estava meio contrariado, pois gostava muito de Sirie e falar qualquer coisa dele o atingia profundamente, não importando se era Yuy ou um outro qualquer.

- Hum!

- Bom, como eu ia dizendo... Ele não morreu! Ele estava tendo problemas com um tal de Yashin e por isso ia ser morto por esse cara. Ele não tinha escapatória, portanto, ele fingiu que morreu para que sua divida com Yashin fosse perdoada e para que você liderasse no lugar dele, para que quando ele voltasse pegaria o seu lugar de volta!

- Você bateu a cabeça foi? - Ryori soltou uma risada divertida.

- Isso tudo é verdade!!!

A voz autoritária do seu pai cortou todo o quarto, fazendo Ryori parar de rir e olhar seriamente para seu pai, que estava encostado na porta do quarto com os braços cruzados e um semblante muito sério.

- O que está dizendo velho? - O ruivo perguntou mais sério agora.

- Sirie está por aí... E está atrás de você! Por que motivo você acha que eu vim para Rondon?

- Isso é impossível!!! - Ryori não acredita em nenhum deles, para ele todos estavam loucos.

- Não seja cego, essas pessoas que você convive são tudo assim, são ratos de esgotos que fazem de tudo para se dar bem na vida!! Ryori você é muito inteligente, portanto, Sirie resolveu usar sua inteligência para expandir os negócios!!

- Não seja tolo!!

- Pare com isso Ryori!!! - Yuy gritou - Você não acredita nas pessoas que te amam??? Como você pode ser tão... BURRO??

- Yuy... - Ryori se assustou com a atitude do moreno.

- Não ligue Yuy, foi por isso que Ryori me deixou, ele sempre acreditou nos outros, no que lhe convinha! Mas nunca na verdade!!

- Mas como isso pode acontecer? - Ryori pergunta ignorando o último comentário do seu pai, mas havia ouvido muito bem e sentido no peito o comentário rancoroso e magoado do seu pai, que mais era um desabafo para Ryori.

- Eu não sei, você que o conhecia! - Yuy diz mais calmo.

- Mas isso é muito...

- Louco??? - Yuy sorri.

- É!! Ele era tão... Bom... Comigo!

- Não existe bondade nessa vida que leva, Ryori! - Mafuri diz.

- Está precisando ficar sozinho um pouco Ryori... Pense bem!

Yuy se afasta dos braços calorosos de Ryori, ele se senta na beirada da cama e põe seu chinelo de pêlo, depois foi até Mafuri que saíra do quarto junto dele.

Ryori respirou fundo, tentando arquivar em sua memória tudo que havia ouvido, não era algo nada fácil de se aceitar, pois Sirie havia sido muito para ele. Ryori sentia-se até mal por desconfiar do seu antigo professor, que um dia Ryori sentiu vontade de chamar de pai. Sim, Ryori havia sentido um pai melhor em Sirie do que em Mafuri.

O ruivo ficou nos seus pensamentos, que o levavam para seu passado onde ainda era o simples aprendiz de Sirie e agora em sua mente vinha uma das suas lições.

 

[Flash Back]

 

Sua garganta estava tão seca, que sentia sua pele grudando na sua língua, seus lábios estavam secos e rachados pela falta de água, os seus olhos azuis estavam semicerrados pelo cansaço e suas pernas já bambas de tanto correr já não conseguiam segurar o seu corpo aparentemente frágil.

- Ande Ryori!!! Continue, como quer se tornar forte se não consegue nem lutar comigo por vinte minutos??

- Mas Sirie!!

O ruivo estava apontando os seus punhos fechados numa posição de ataque ao seu mestre em artes marciais. Ryori olhava maravilhado para o homem a sua frente, que era bem mais alto que ele, com pequenos olhos verdes, cabelos negros até os ombros e uma pele muito clara.

Mesmo sendo seu mestre, Sirie não tinha pena do ruivo, o homem já tinha uns 22 anos, enquanto Ryori tinha 14 anos.

- Como quer chegar a algum lugar com essa força ridícula?

- Eu... Eu... - Ryori não diz mais nada e vai se aproximando cautelosamente de Sirie com os punhos fechados.

- Finalmente resolveu atacar!! Escute-me Ryori, se não conseguir me ferir não vai sair dessa sala tão cedo!!

O ruivo ouvia suas palavras com atenção, mas estava mais concentrado em atacá-lo, mesmo que isso significasse uma surra que não ia esquecer por um bom tempo.

Ao sentir-se pronto, Ryori corre em sua direção com os punhos fechados soltando um grito de ira, mas diferente do que Sirie pensava, Ryori não ia atacá-lo com os punhos. Inesperadamente Ryori escorrega por debaixo das suas pernas e lhe da um soco na região de baixo, fazendo Sirie soltar um gemido de dor e surpresa. O sorriso de Ryori radiava todo seu rosto, mas logo perdeu o sorriso ao ver Sirie se virar para trás e lhe da um chute fazendo-o voar longe.

- Muito bem, agora vamos continuar!

- Você disse que eu poderia sair se eu te acertasse!! - Ryori se apóia com um cotovelo no chão e com o outro toca seu rosto na região que foi atingido.

- Nunca, ouviu bem? Nunca confie em ninguém Ryori, só em si mesmo!! Todos podem te trair!!

- Você não faria isso! - Riu.

- Não? Como pode ter tanta certeza? Se eu pegasse de mau jeito esse chute poderia ter quebrado o seu pescoço! - Sorriu pra o ruivo, que pareceu assustado com suas palavras.

- Você não faria isso!

- Escute moleque, eu acho que você ainda não entendeu... Eu não me importo com nada a não ser comigo mesmo e lhe digo que a única coisa que você pode confiar é na sua própria sombra!

- Não é assim, meu pai gosta... - Ryori pára de falar ao se lembrar do seu pai e de como ele estava trancado em casa com a foto da sua mãe nas suas mãos, sem se importar com o sofrimento do ruivo, que viera conversar com ele.

- Seu pai? Não me faça rir!! Você é um idiota!! Quando você mais precisar de alguém esse alguém que você tanto quer nunca vai aparecer... Tudo é negro, tudo é solidão! Mas você pode ser poderoso, fazer essas pessoas beijarem os seus pés, fazer esse mundo lhe pagar as dívidas que lhe deverão com o próprio sangue!

- Falando desse jeito você mostra que já foi ferido!

- Sim... Só pode-se falar de um assunto se você entender dele! E eu estou dizendo-lhe a mais pura verdade, moleque!

O ruivo se levanta meio cambaleante e se posiciona novamente numa pose de ataque, pronto mais uma vez para suas aulas.

- Isso... É assim que tem que ser!! - Sirie diz já se preparando pra atacá-lo novamente.

 

[Fim do flash Back]

 

Em suas memórias Ryori pode lembrar desse evento, mas isso não era motivo para desconfiar de Sirie.

- Mas o que eu estou pensando??? Eu estou com Yuy e ele me ama, ele nunca me trairia, pois eu confio nele...

 

Ryori assustou-se com o seu próprio pensamento, agora havia percebido o quanto mudara desde que conheceu o moreno, percebeu que seu conceito de “confiar na própria sombra” havia mudado completamente.

Pelas suas lembranças tinha Sirie como o “homem perfeito”, um ser totalmente dedicado ao que fazia e que possuía uma força monstruosa perante os demais homens que conhecera, mas agora Ryori notou que tudo o que pensava a respeito de Sirie vinha da sua imaginação. Quando Sirie morreu, Ryori pôs na sua cabeça que Sirie era o melhor pai, o homem mais forte e perfeito que existiu, mas agora que havia vivenciado muitas emoções, pôde notar que a maioria das coisas que Sirie dizia era frases feitas por um ditado popular, ou era um desabafo dos seus próprios sentimentos.

Com a sua experiência, podia dizer que Ryori era bem mais maduro que Sirie e que talvez sempre fosse mais maduro que seu próprio mestre.

 

“Ao superar um mestre torna-se o antigo mestre”

 

Ryori havia visto essa frase em algum lugar, mas nunca lhe deu importância e nem havia entendido muito bem o que elas tentavam passar aos seus leitores, mas agora se sentia como ela. Suas lembranças com relação a Sirie haviam mudado, mas ainda tinha afeto por ele, entretanto se Sirie realmente estivesse vivo e quisesse matá-lo para pegar o poder de volta, Ryori iria acabar com sua vida superando de vez o seu grande mestre.

Sem perceber o ruivo adormeceu em seus devaneios, mas quem olhasse com atenção poderia notar a face sorridente de Ryori, mas só o ruivo sabia o motivo da sua satisfação: Havia superado alguém que tinha como “o melhor”.

 

A manhã já estava quase se acabando, já eram 11:30 e Ryori ainda estava dormindo, Yuy estava ao seu lado na cama coberto apenas por um fino lençol branco. Ryori abre os olhos ao ouvir o som do seu celular tocando, dá umas piscadas olhando ao redor e depois de um tempo se toca que o celular ainda está tocando. Levanta-se num pulo da cama e corre até a mesinha do quarto onde estavam seus pertences.

- Alô?

- Nako?

- Ah, é você Nereida?

- Estamos precisando de você aqui na central!

- O que houve?

- Estamos sendo atacados pela gangue do Rip!

- Mas ele havia saído da cidade!

- Não sei, mas precisamos de você!

- Está certo!

- Até mais!!

Ryori olha o rosto dormente de Yuy, resolveu não acordá-lo, o moreno parecia estar bem cansado. Olhou para suas roupas que estavam todas amassadas no chão do banheiro.

Foi até o quarto do seu pai, pegando algumas roupas em seu armário, pegou uma camisa social preta fazendo um careta, depois tenta procurar alguma calça mais despojada, mas só encontrou calças sociais.

- Mais que droga!!

Ryori veste uma camisa social de manga comprida preta deixando os quatro primeiros botões abertos deixando amostra seu crucifixo, havia aberto os botões das mangas e as dobrou até a altura dos cotovelos. A calça não tinha como arrumar e por sorte calçava o mesmo numero que seu pai, portanto, pegou um sapato preto e saiu do quarto correndo.

- Ryori? - Mafuri estranha o seu filho quando ele entra na sala.

- Estou com pressa... Diga ao Yuy que não saia de casa!

Ryori corre até a porta parecendo bem preocupado, mas antes de sair, pára em frente à porta e de costas para seu pai diz:

- Não saia de casa também, velho! - E saiu batendo a porta.

Mafuri sorri com o jeito envergonhado do seu filho dizer “Tome cuidado papai”.

 

Nereida estava olhando para o chão do escritório, parecia que estava incomodada com algo. Na verdade estava incomodada com a pessoa que estava ao seu lado.

- Muito bem garota! Agora só preciso esperar por Ryori!

- O que quer com ele? - Perguntou preocupada.

- Para que quer saber? - O homem se aproximou da bela garota segurando-a pelo maxilar.

- Não pense em machucá-lo! – Diz, se livrando das mãos que a seguravam.

- Quem você pensa que é para me tratar assim? Acha que eu sou mais um desses que você pode destratar?

- Não me irrite! - Nereida se levanta da cadeira virando de costas para o homem que a ameaçava.

O homem a segurou pelos braços e a puxou violentamente para perto dele, seu agressor pôs as mãos na sua cintura, descendo até chegar na sua bunda a apertando-o com força.

- Não seja idiota!

- Vou contar a verdade a Nako!

- Tem um caso com ele, gostosa?

- Me solte, seu verme!!! - Nereida cospe em sua cara fazendo o homem lhe virar um tapa.

- Acha mesmo que pode fazer isso? Vai se arrepender... Já sei, vou usar você como aviso para Ryori!

- Não vai conseguir nada Sirie!!

O rapaz a pega pelos cabelos e começa a socá-la na cara deformando o seu rosto perfeito, depois de deixar sua cara toda ensangüentada, Sirie a joga com tudo na parede fazendo a garota gritar de dor.

- Ahhhh... Por... Por favor,... Eu faço o que você quiser... Não me bata mais... ahhhh!!! - Nereida implora já sentindo incontáveis dores por todo o seu corpo.

- Cretina, sabia que era uma puta mesmo, mas isso não vai ficar assim! Você vai servir de aviso para Ryori.

Sirie pega uma faca que guardava no seu calcanhar e se aproxima de Nereida que tentava se levantar do chão. O moreno se aproxima com os olhos desejosos por dor, ele a pega pelos cabelos e corta levemente seus braços fazendo a garota gritar de dor pedindo por misericórdia.

Após contar seus braços e pernas levemente, Sirie sorri maldoso para o rosto antes bonito, que agora estava totalmente estragado. Ele enfia a faca devagarzinho em direção aos seus olhos os furando.

- AHHHHHHH!!! POR FAVOR... PAREEEEEEE!!!

Sentia tanta dor que nem conseguia reagir mais, tentava se solta das mãos daquele assassino, mas ele era bem mais forte que ela, agora podia sentir uma dor aguda que vinha dos seus olhos, a garota sentia o sangue escorrer por seu pescoço.

Sirie fura seus olhos bem devagar fazendo a garota grudar as suas unhas em seu braço tentando suportar a dor, mas apenas quebrou-as ao apertar o braço de Sirie com todas as suas forças. Sirie resolve passar para o olho esquerdo ao terminar seu serviço no outro e mais uma vez Nereida gritava de dor em seus braços.

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

- NERO? SOCORRO!!!!! - Pede ajuda desesperada ao ouvir a voz do rapaz.

Nero havia entrado no escritório ao ouvir os berros da garota no andar de baixo do escritório.

- Saia daqui Nero e me diga quando Nako chegar!

- S... Sim senhor! - O rapaz sai do escritório sem olhar para Nereida que já chorava.

- Viu? Eu não preciso mais de você!!

Dizendo isso, Sirie corta o seu pescoço e a solta no chão, Nereida levou suas mãos até o pescoço, mas não podia ver mais nada e logo se sentiu cada vez mais fraca e acabou morrendo soltando um gemido desesperado.

Sirie limpou a sua faca com um lenço que tinha no bolso e a guardou em seu calcanhar novamente, o assassino chama seus capangas do lado de fora do escritório lhes dando instruções.

 

O Porsche branco pára na frente da central, que era o esconderijo secreto da sua gangue, olhou para os lados cautelosamente, mas não viu ninguém. Sai do carro com a sua fiel arma na mão e vai andando até o pequeno prédio de três andares, que ficava em uma região abandonada da cidade, mas era bem perto da metrópole.

Ryori abre a porta principal com um chute e entra no local rolando com a arma na mão, fica de joelhos e começa a andar abaixado procurando algum inimigo. O ruivo abaixa a arma ao ver que o local estava deserto, mas mesmo assim não abaixou a guarda. Ele foi caminhando até o terceiro andar notando que nada estava fora do lugar, mas ao chegar no escritório, Ryori larga a arma no chão e põe as mãos na boca com nojo do que viu.

Pregada na parede do escritório estava o cadáver de Nereida, seus braços e pernas eram presos com estacas de madeira e seu corpo havia um monte de canetas enfiadas na sua pele e suas roupas estavam em parte rasgadas mostrando todo seu seio, mas cobrindo a região de baixo. Na barriga da garota tinha uma mensagem escrita com o seu próprio sangue.

“Vim pegar o que é meu, Sirie”.

Ryori observou como rosto tão belo de Nereida estava deformado, viu que suas unhas haviam sido arrancadas e que seus olhos haviam sido perfurados. Mesmo para Ryori era algo muito forte de se ver, o ruivo pega seu celular e liga para Nero, mas o celular só chamava.

- Traidor! - Ryori diz olhando para o seu próprio aparelho.

Resolveu ligar para uns caras da sua gangue e logo eles vieram e limparam tudo.

Ryori pediu que fizessem um enterro para a garota, mas não estava pensando em velório, queria enterrá-la de uma vez e cuidar de Sirie.

- Se pensa que pode me pegar Sirie, por ir tirando o cavalinho da chuva!!

Ryori deixa a central e volta para o hotel, tinha que fazer uma lista das pessoas que confiava e se preparar física e mentalmente para enfrentar o pior dos seus inimigos.

Ter um inimigo que conhecia tudo dele era muito perigoso. Ryori pensou em seu pai na hora, sabia que Sirie iria querer atingi-lo de todos os modos e pelo que conhecia do seu antigo mestre, podia dizer que ele ia jogar muito sujo.

 

Continua...

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