A Carta da Mãe

 

Silêncio total, nenhum dos dois sabiam o que dizer direito, o ambiente estava ficando cada vez mais pesado para os dois, foi quando Mafuri resolveu dar o primeiro passo.

- O que aconteceu entre vocês? - Foi totalmente direto, não estava a fim de ficar enrolando.
- Er... Bem, eu... Ele... Aquele maldito.... ASSASSINOU MEU PAI!!! - Yuy se exaltou.
- COMO?!!!!
- Ele atirou nele, bem onde você está!!

Mafuri olhou para o chão meio assustado, mas não havia nada que indiciasse um assassinato no local. Encarou Yuy novamente totalmente confuso. O senhor foi caminhando lentamente até o sofá da sala, sentou-se e convidou Yuy a se sentar também, estava precisando esclarecer as coisas. O moreno sentou-se numa poltrona a sua frente, seus olhos já estavam cheios d’água novamente e suas mãos tremiam levemente, mostrando todo seu nervosismo.
- O que aconteceu? - Mafuri pergunta um teempo depois.
- Eu... - Respirou fundo.
- Relaxa, pense... Veja bem tudo que acontteceu e depois me diga.
Yuy relembrou todo o episódio daquele dia, lembrou-se do seu pai tentando levá-lo embora, de Ryori atirando nele e depois do ruivo tentando consolá-lo.
- Eu estava fazendo algo pra gente comer, pois meu pai havia chegado de viajem... Foi então que os fuzis queimaram e Ryori foi comprar uns novos... Meu pai apareceu dizendo que o Ryori não era um bom namorado para mim... - Suspirou -  ... Ele queria me levar embora a fforça, mas eu recusava, foi quando Ryori apareceu e atirou NELE!!! -  Finalizou.
- Mas como? Por que Ryori faria isso?!
> - Ele é seu filho, você deveria saber!! - Ryori nunca faria isso, o que ele lhe diisse?
- O que ele me disse? - Yuy assustou-se, aaté agora não havia pensado no que o ruivo lhe disse - Não me lembro muito bem.
- Tente, sei que é muito doloroso, mas temm que saber... O que Ryori fez? - Mafuri estava muito confuso, se conhecia bem seu filho saberia que ele nunca faria isso.
- Ele... - Yuy ia se lembrando da cena - .... Abraçou-me dizendo que estava tudo bem, foi quando eu gritei o nome do meu pai aí... Ele ficou assustado e disse que pensou que era outra pessoa...
- VIU! Ele pensou que fosse outra pessoa....
- NÃO!! ELE SÓ ESTAVA INVENTANDO ISSO, ELEE NÃO QUERIA QUE MEU PAI ME LEVASSE...
- Escuta Yuy, eu sei que é doloroso saber que seu pai foi assassinado por engano e que a única pessoa que você gostava nesse mundo era o vilão dessa história... Deve ser muito doloroso ter que odiar o Ryori por algo que nós sabemos que ele não tem culpa... - Sorriu - ... Imagina que ele mataria seu pai, se ele quisesse isso, ele não faria em sua frente, pior, ele mandaria alguém fazer isso. Você não quer odiar o Ryori, mas você acha que deve fazer isso pelo seu pai... Mas não precisa ser assim, sei que foi errado, sei que Ryori não devia ter uma arma, sei que ele não devia estar nesse mundo, mas... Ele é assim.
- Mas... - Yuy começou a chorar novamente,, tudo que o pai do ruivo dizia era verdade, estava com muito ódio do ruivo, mas no fundo sabia que havia algo errado naquela situação.
Será que era certo não odiar Ryori? Mas ele havia matado seu pai, se ele apoiasse o ruivo seria o mesmo que estar assassinando seu pai também, seria um filho desalmado e mal agradecido. Mafuri foi até o moreno para reconfortá-lo, sentou-se ao seu lado e o abraçou, Yuy recebeu o abraço com muito carinho, no momento era do que ele mais precisava.

Em um escritório todo revestido de madeira, com muitas mesas lotadas de papéis, telefones, computadores e alguns ajudantes trabalha Ryori, que estava fazendo um levantamento de todos seus negócios desse ano, preparava também seus discursos para a reunião.
- Ume! - O ruivo a chama.
- Sim? - A moça aparece com um monte de paapéis e pastas nas mãos.
- Faça um levantamento de todos os nossos lucros desde 2084.
- Sim.
Ryori olhou para todos os papéis espalhado pela mesa, olhava-os fixamente, mas sua mente estava em outro lugar, no momento pensava em duas pessoas. Primeiro pensava no moreno, onde ele estaria. E depois os longos cabelos loiros de Shibushi lhe vinham à mente, havia ligado para ele, mas não obteve resposta. Deitou-se na mesa soltando um longo suspiro, estava preocupado, todos haviam percebido, mas ninguém seria louco de perguntar.
- Coragem Ryori, coragem!! - Pensava.
 
Na Manhã do dia seguinte.
O dia estava muito ensolarado, perfeito para sair ou para pegar um bronzeado. Era sábado finalmente, todos podiam descansar de seus dias de trabalho, menos uma certa pessoa que estava dormindo no meio de uma pilha de papéis. Nereida se aproxima do ruivo, observa seu rosto sereno em meio aqueles papéis, haviam trabalhado a noite inteira.
- Nakoooo... Nakooo... - A garota o cutucaava suavemente.
- Hum? Hummm... - Ryori abre os olhos lenttamente, de repente se assusta com algo e se levanta derrubando a cadeira no chão.
- YUY!!
- O quê? - Nereida não entendeu nada.
- Eu... Yuy... Ahh!! - Ryori colocou a mãoo na cabeça - ... Um sonho. - Sussurrou para si mesmo.
- Er... Bem, já são onze horas, por que voocê não descansa um pouco?
Ryori encara a garota meio contrariado, estava de mau humor, sai do escritório sem dizer nada.
- Xiii! Já tô vendo!! - A garota sorri ressignada e sai do escritório.

- NÃO O ENCONTRARAM? SEUS INÚTEIS!!!! - Dooko andava nervosamente pelos corredores de sua mansão.
Já fazia um dia que Shibushi havia desaparecido, achava isso ridículo, como ele poderia se esconder num lugar sem fuga como aquela ilha? O velho estava estressado, hoje seria a reunião entre os líderes do tráfico, os quatro comandantes do mundo negro iriam se reunir. Mas ele tinha que comparecer a essa reunião, não era muito popular entre esses líderes, apenas Ryori o conhecia, queria expandir sua popularidade entre eles. Resolveu deixar Shibushi para depois, afinal, ele não teria para onde escapar. Doko havia pintado seu cabelo, escondendo todos seus fios brancos com uma tinta castanho claro, estava pegando seu terno azul marinho, e seus melhores sapatos feitos de couro de jacaré.
Tudo estava impecável, estava muito ansioso para o encontro, mas uma coisa lhe incomodava, o que aconteceria quando se esbarrasse como Ryori Nako?
Olhos atentos vagavam pelas matas, olhos medrosos e incertos tremiam violentamente deixando seu dono meio desnorteado. Tudo que via era árvores e rochas, a paisagem estava sendo repetitiva demais, fazendo seu desespero vir à tona. Seu psicológico não ia nada bem também, ficar trancando durante um tempo em um quarto sem saber que dia e que horas eram foi algo muito forte para seu ser.
O corpo do loiro estava trêmulo, estava com fome, frio, sede e medo, tudo aquilo que ele mais temia na vida, na verdade, sentia medo de sentir isso novamente. Shibushi caminhava lentamente pelas árvores, sabia que estava sendo perseguido desde a noite passada, suas roupas estavam rasgadas e seus pés descalços estavam doloridos. Sentou-se no vão de uma rocha com outra, precisava recuperar um pouco de suas energias.
- Estou andando há horas e não vi o mar ainda, pensei que se seguisse em frente acharia o mar, mas acho que me desviei do meu curso...Tenho que ter mais calma... Não é a primeira vez que isso acontece... Não é a primeira vez... Que eu estou perdido...”.

[Super FlashBack]

Uma tempestade muito forte atingia uma pequena cidade do interior. Rajadas de vento destruíam as pequenas casas de madeira e a água do rio ia subindo gradativamente, deixando todos os moradores assustados. Mas ao mesmo tempo em que vidas iam sendo tiradas, vidas iam sendo criadas... Em uma pequena casa no alto de um barranco uma moça estava dando a luz ao um lindo bebê.
- FORÇA MIZATO!! - Uma moça muito cansada auxiliava a futura mãe enquanto fazia o parto.
- AHHHHH!!! - Mizato fazia força para criaança sair, mas estava sendo muito difícil.
Quando um forte relâmpago cortou o céu pode-se se ouvir o choro do bebê que acabara de nascer.
- É um menino!!! - A moça pega o bebê recéém nascido o enrolando numa toalha.
- Me dê!! Meu bebê... - Mizato estava com os olhos cheios d’água, pegou o bebê no colo com muito carinho.
- Lindo!! - A parteira sorri.
- Sim, igual ao pai, Cris... Mas ele vai sse chamar Shibushi...
- NÃO, ele não pode saber que esse filho éé dele... - Cris desespera-se.
- Por que não? Nós... Nós nos amamos e... E vamos criar essa criança juntos!! - Mizato estava muito confusa. Kim, o pai da criança havia feito juras de amor a Mizato, pelo que ele dizia os dois jamais se separariam.
- Sua boba, ele não gosta de você... Você só foi mais uma, quando seu pai descobrir que você teve esse filho, ele vai te expulsar de casa!!! - Cris diz balançando a cabeça negativamente.
Mizato olha muito apreensiva para Cris, não havia pensado no seu pai, desde o começo ele havia proibido o namoro. Seus longos cabelos loiros estavam grudados ao seu rosto pelo suor, seus olhos azuis estavam quase se fechando de cansaço.
- Descanse um pouco... Dê-me o bebê! - Criis pegou o garoto no colo com muito carinho, mas um sorriso meio suspeito pousava nos lábios da moça.
- Sim, mas está chovendo tanto que eu... -- Mizato pegou no sono antes de terminar de falar.
- Oh! Sim, claro que Kim te ama Mizato, maas ele vai ser meu... - Cris sai do quarto com um sorriso maldoso no rosto.
Cris liga para o pai de Mizato, contando toda história, mas uma coisa ela havia mentindo para prejudicar Mizato. Cris disse que Mizato não sabia quem era o pai e que ia colocar a culpa em Kim, para que ele assumisse a criança.
O pai de Mizato fica irado com que ouvira, estava muito irritado por ter criado essa filha da vida, uma prostituta barata que não sabia com quem se deitava, sem pensar muito ele pegou seu casaco e saiu de casa ignorando toda aquela tempestade.
Kim também ouvira a versão de Cris da história, agora estava em sua casa a chorar, amor e ódio reinavam em seu peito no momento. E foi assim que ele odiou com todas as suas forças Mizato, sem ouvir nada do que ela tinha a dizer.

Mizato foi expulsa de casa com uma mala na mão e uma criança na outra, na pequena cidade todos sabiam da história, por isso Mizato teve se mudar para outra cidade sem uma moeda sequer.

“Quando menos esperamos, a vida coloca diante de nós um desafio para testar nossa coragem e nossa vontade de mudança”.

A moça caiu logo num mundo sujo, um mundo onde tinha que se vender para dar algo de comer ao seu filho. Conseguia muitos clientes por possuir uma beleza exótica, tinha traços muito finos, sua pele era bem branca e suave algo muito belo de se apreciar.
Seis meses nessa vida havia corrompido a doce menina do campo, agora só usava um lingerie preto e uma maquiagem bastante forte a deixando com um rosto mais velho.
Tempo, como ele pode mudar tanto uma pessoa? Como alguém pode mudar da água pro vinho em tão pouco tempo? Essas são uma das perguntas mais freqüentes em uma sociedade.
Shibushi foi ignorado por sua mãe, não dava mais importância à criança e assim fez algo muito simples, deixou a pobre criança chorando de fome e frio em uma lata de lixo em um dos becos de uma cidade chamada Rondon, pois o pequeno bebê atrapalhava seus negócios.
Mizato Voltou para seu bordel, para se divertir com seus clientes, mas como tudo tem um preço, Mizato pegou uma doença muito grave e morreu 8 meses depois de ter abandonado sem remorsos seu bebê ao mundo.

Um senhor muito cansado e preocupado com alguma coisa caminhava calmamente pelas ruas noturnas de Rondon, quando ouve um choro de criança vindo de um beco. Entrou meio receoso no local, podia ser um golpe novo para assaltar as pessoas que passavam. Foi então que percebeu que o choro ficava cada vez mais alto a cada vez que ele se aproximava de uma lata de lixo.
- MEU DEUS!! - O senhor pega o pequeno bebbê que chorava desesperadamente.
O senhor olhou para os lados procurando a mãe ou o pai da criança, mas a única coisa que habitava aquele beco era a escuridão.
O senhor levou a criança até um orfanato de padres muito próximo dali, não tinha condições de sustentar uma criança, não depois de acabar de perder seu emprego. O bebê foi deixado nas mãos das madres, elas sabiam seu nome, pois o bebê tinha um pedaço em seu bolso dizendo o seguinte:

“ Maltratada, enganada e prostituída, assim me fizeram e assim que sou... Aqui deixo a sua mercê meu bom Deus, minha pequena luz e a minha desgraça. Que os anjos ouçam seu choro e que a luz guie alguém a esse pequeno fruto do diabo, a esse ser desprezível, eis aqui meu único filho. Que uma tempestade não caia na cabeça de quem vier a tê-lo... Seu nome é Shibushi... Que pra mim, significa... Dor!”.

Assim o garoto cresceu no meio de crianças carentes e competitivas. Foi muito bem criado pelas freiras do orfanato, mas como não tinha muita comida para se satisfazer tinha que roubar ou catar coisas no lixo.
Assim vivia o lindo garoto de olhos azuis escuros e cabelos loiros até os ombros, andava sempre esfarrapado por aí. No colégio, os filhinhos de papai zoavam com sua cara e ainda por cima batiam nele, o chamando de bastardo.
Foi quando o orfanato não tinha mais condições de cuidar das crianças e elas teriam de ser transferidas para outros orfanatos espalhados pelo país. Shibushi não queria ir embora, então fugiu no dia da transferência de orfanatos. Agora vivia nas ruas, não tinha nada e nem ninguém, dependia só de si mesmo para sobreviver. Com 7 anos já tinha muita habilidade, mas sua ingenuidade jamais o abandonara.

Uma bela tarde de domingo, Shibushi tentou roubar um relógio de ouro de um casal de namorados no parque. Mas ele foi pego em flagrante pelo casal e levado a um guarda local. Shibushi ia ser mandado para um orfanato, mas o casal ficou com muita pena no garoto e também ficaram maravilhados por sua beleza e assim, resolveram adotá-lo, já que eles não podiam ter filhos.
O casal era muito rico e com condições para criar o garoto, o menino foi estudar num dos melhores colégios particulares do país e foi criado com o mais luxo possível. Mas o garoto ainda tinha em mãos a carta de sua mãe biológica, essa carta era o motivo dele se sentir tão sujo no mundo.
Sabendo que ele foi um erro, sabendo que sua mãe o odiava, sabendo que não foi querido pela única pessoa que ele gostaria de ser... Sentia-se horrível, mesmo tendo pais adoráveis sentia-se muito mal, detestava o seu ser, sentia-se sujo. Como foi dito na carta, ele era o fruto do diabo.
E essas palavras deixaram um lindo garotinho totalmente abalado até os dias de hoje. Necessitado de amor...

[Fim do Super FlashBack]

Shibushi respirava tranqüilamente em seu sono, deu um jeito e se deitou no vão das rochas. Cansado daquele jeito não ia conseguir pensar em nada.


“Ter medo é uma prova de que gostamos de viver,
é normal sentir medo nos momentos certos"

Já eram 15:00 horas, Ryori havia tomado um banho bem demorado para aliviar a tensão, mas já estava acostumado com essas reuniões, fazia 4 anos que estava nesse ramo. Havia começado com 16, naquela época ele era bem imaturo, mas havia aprendido tudo com seu fiel amigo Sirie.
Ryori sai do banheiro usando uma calça jeans preta toda desfiada, uma camiseta preta, botas, sobretudo e correntes caídas por sua cintura, havia soltado seus cabelos tampando seu rosto, o deixando mais misterioso e perigoso. Estava com uma cara de pouquíssimos amigos, seus olhos estavam brilhantes, olhos de um assassino frio e sem compaixão, era isso que Ryori Nako demonstrava.

Ryori foi levado em uma limusine preta até o Porto das Galinhas, atrás do carro líder, tinha vários carros o seguindo para sua segurança. Por já estarem em Houro não levaram nem 20 minutos para chegar ao porto.
O Porto das Galinhas foi desativado há muito tempo atrás, agora era só um ponto turístico. Era muito bonito, tinha vários galpões antigos alinhados com o outro, varias gaivotas pousavam no imenso farol do porto, que tinha 60 metros de altura, um dos maiores faróis existentes e o mar era incrivelmente belo, deixando o local mais agradável.
Agora o porquê desse nome? Antigamente existia uma fazendo ao lado desse porto e as galinhas do fazendeiro sempre fugiam por um furo na grade, assim as pobres aves corriam para o porto. Os trabalhadores do local começaram a chamar o porto de ‘Porto das Galinhas’ por causa das galinhas fujonas.

Mas um dos galpões era diferente, em um deles seria a reunião entre os figurões do mundo negro.

Continua....

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