Ajoelhados no chão estavam Mafuri e Yuy de frente a uma mesa cheia de comida oriental. Os dois conversavam sobre coisas banais tentando não por um assunto desagradável na hora do almoço, mas ambos estava preocupados com a ausência do ruivo. Suas preocupações foram embora quando Ryori entra no apartamento.
- Preciso falar com vocês!! - O ruivo diz com a voz alterada.
- O que houve? - Mafuri pergunta.
- Sirie voltou!!
- Agora que você descobriu?? - Mafuri perguntou cinicamente sem dar mais atenção a Ryori, continuando a comer.
- Não se faça de esperto velho, eu quero falar com vocês!!
- O que foi? - Yuy pergunta preocupando-se.
- Eu quero que vocês tomem muito cuidado daqui em diante, eu conheço Sirie e ele vai querer pegar vocês para me atingir!!!
Yuy assustou-se com a atitude de Ryori, o ruivo parecia estar muito nervoso, pelo que conhecia dele, podia dizer que o mesmo fazia de tudo para esconder os seus sentimentos, mesmo que fosse algo grave, Ryori mostrava-se impassível.
- Você se mete em encrencas e quer que nós paguemos por isso? - Mafuri sorri cinicamente.
- Eu não me preocupo com você velho, faça o que você quiser, morra!! Estou pedindo para que Yuy tome cuidado!
- RYORI!!! - Yuy bate com as mãos na mesa - Não fale assim com seu pai!!
- Deixe Yuy, eu não me importo! - Mafuri diz friamente, encarando os olhos igualmente azuis do seu filho com os seus.
Mafuri se levantou e foi caminhando com passos lentos até seu quarto se trancando, para quem visse de longe poderia ver que o pai não estava nem aí para o que o filho tinha dito, mas muito pelo contrário. Mafuri sentiu o mesmo que mil facadas no seu peito enquanto ouvia Ryori falando, seu coração sangrava por dentro cada vez mais.
Yuy foi até Ryori, lhe dando um soco em seu rosto fazendo seu rosto virar para o outro lado.
- Por que fez isso? - Ryori pergunta sem se abalar com o soco que recebera.
- Como? Como pode fazer isso com seu pai? Ele é seu pai!!
- E daí? - Ryori vira-se para Yuy, o encarando friamente.
- Não se importa? Deveria agradecer por ter um pai!! - Yuy começou a chorar.
Ryori olhou para o alto como se tivesse pedido ajuda para alguém, depois sem dizer mais nada puxou Yuy pela nuca lhe dando um beijo meio que forçado.
- Não ligue para o meu relacionamento com meu pai, isso é só entre nós... Não se intrometa! Agora eu quero pedir para que você não saia de casa.
- Não sair de casa? - Yuy pergunta uns minutos depois, porque ainda estava se recuperado do beijo.
- Sirie... - Ryori respirou fundo - Ele matou Nereida de uma forma muito... Desagradável, não quero que o mesmo aconteça com você!
- Nereida? Aquela moça??? Meu deus, o que aconteceu?
- Não é necessário entrarmos em detalhes, quero que me escute com atenção... Sirie não é como Doko, ele é muito esperto e me conhece muito bem, por isso quero que tome cuidado.
- V-Vou tomar!!
Ryori sorri gentilmente para o moreno e o abraça em seguida, estava muito preocupado e isso não passou despercebido por Yuy.
Trancado no quarto, Ryori lia a lista de todos os integrantes de sua gangue, sabia que nenhum deles eram confiáveis, qualquer um podia ser seu inimigo ou aliado.
Levantando todos os nomes encontrou cinco homens que pareciam de confiança: Yan, Joe, Kim, Lok e Ruk.
Os cinco não eram lá grande coisa, mas Ryori conhecia muito bem o caráter de cada um. Todos eles deviam muito a ele, não que isso fosse prova de confiança, mas eles eram os únicos que podia confiar.
O ruivo foi até seu laptop e começou a procurar pistas sobre Sirie, tentando encontrar algum rastro, mas sabia que seu antigo mestre era esperto demais para cometer algum deslize amador como esse. Horas e horas se passaram e Ryori não havia achado absolutamente nada, seus olhos já se fechavam de cansaço. O ruivo estava quase deitando na mesa quando ouve umas batidas na porta.
- Hum?
- Trouxe um lanche! - Yuy abre a porta com o pé, pois suas mãos estavam ocupadas com uma bandeja.
- O-Obrigada! - O ruivo sorri com a atenção do seu amado.
Yuy coloca a bandeja em cima da mesa, ele fica atrás do ruivo fazendo massagem em seus ombros. Ryori fechou os olhos com satisfação ao sentir as mãos macias do moreno sobre seus ombros.
- Como andam as coisas?
- Nada bem...
- Sabe onde tá esse Sirie?
- Não...
- Hum... Mas você vai achá-lo!!
- Não sei...
- Por que... Você... Não devolve o posto dele!?
Ryori interrompe a massagem e encara Yuy com seriedade.
- O que?? Está contra mim também?
- Não é isso... É que seria tão bom você esquecer tudo.
- Eu sou assim, você me conheceu assim!!
- Eu sei, não estou tentando te mudar, mas...
- Mas nada! Você não tem o que opinar, se estiver incomodado vá embora!! - Ryori se levanta da cadeira elevando também o tom da sua voz.
- E-Eu só estava tentado ajudar, seria tão bom se vivêssemos juntos sem...
- Juntos? Não está satisfeito?
- Estou, mas eu queria viver em paz...
- Eu já te disse que esse é meu jeito de viver!!
- Eu sei, mas eu...
- Chega Yuy, eu não quero ouvir isso, não de você!!
Agora quem se irritou foi Yuy, seus olhos antes magoados olham para Ryori com raiva de sua estupidez.
- Quer saber!!? Faça porra que você quiser e depois não reclame se as coisas não saem como você quiser!! Infelizmente eu te amo, por isso ainda estou aqui!
- Infelizmente? Eu não te forço a ficar comigo!!
- Mas meu coração me força!
Os dois estavam tão nervosos que não mediam o que estavam falando.
- Vá embora se quiser!
- Seria bom mesmo, esquecer uma criança como você... Um filhinho de papai, é isso que você é e sempre vai ser... - Yuy não termina de falar, pois Ryori lhe dá um soco na boca com tanta força que o faz cair no chão.
O ruivo olhava para o moreno caído no chão ofegante, parecia arrependido de ter batido nele, mas agora já era tarde demais para voltar atrás. Yuy se levanta com a mão na boca, que já sangrava pelo lábio cortado, o moreno ia sair do quarto, mas Ryori o impede o abraçando-o.
- M-Me perdoe... Estava nervoso, me desculpe...
- Tudo bem... - Yuy diz friamente sem encará-lo.
Ryori o vira fazendo-o ficar de frente para ele, tentou ver o estrago que fizera em sua boca, mas Yuy não deixou.
- Deixe-me ver! - Ryori forçou a mão de Yuy até que ele finalmente consegue tirá-la, para poder ver o estrago que seu comportamento violento fizera.
Sua boca sangrava bastante, o seu lado direto estava todo cortado. Ryori sente-se muito mal e tenta corrigir seu erro. Dá um beijo no moreno, sugando todo o sangue que molhava seus lábios, Yuy gemeu um pouco ao sentir o corte arder, mas não se afastou. Após sugar todo o sangue, Ryori encara o moreno pedindo perdão através do seu olhar e este apenas fecha os olhos, fazendo algumas lágrimas rolarem.
- Eu sempre estrago tudo...
- É! - Yuy concorda.
- Não quero que vá embora...
- Não ia!
- Sou um cara de sorte por ter alguém como você!
- É mesmo!
Ryori não disse mais nada, apenas abraçou yuy lhe dando outro beijo.
Um novo dia surge, o céu estava bem claro e os ventos quentes cortavam todo o céu fazendo as folhas das árvores voarem pelo céu como se estivessem dançando ao som de uma melodia.
Um som muito bonito de flauta acorda o casal que dormiam abraçados numa cama de casal.
- Que musica é essa? - Yuy pergunta para Ryori que ainda estava acordando.
- Num... Sei. - Ele diz se bocejando.
- Bonita, não?
- Hum... - Ryori encara o moreno vendo que sua boca ainda estava machucada, deu um beijo nos seus lábios dizendo bom dia bem baixinho.
Yuy se agarra ao seu pescoço e os dois começam a se beijar, suas mãos percorriam pelo corpo do outro.
- Façam isso depois!! - Mafuri diz na entrada do quarto.
- AHHHHHHHHHHHH!!!! - Yuy fica pendurado no teto como um felino assustado.
- Assustei vocês? - Mafuri pergunta cinicamente.
- Hum... - Ryori o fuzila com os olhos.
- Ahhh!! Ahhh não senhor... - Yuy desce do teto com o rosto vermelho de vergonha.
- Eu peguei debaixo da porta! - Mafuri joga uma carta na direção de Ryori.
O ruivo pega a carta com atenção vendo que não tinha remetente, ele abre a carta apressadamente, a expressão do seu rosto fica muito séria ao começar a ler a carta. Yuy fica ao lado dele lendo a carta junto.
“Como vai Ryori?
Estou com saudades, queria ver como você está? Soube que você amadureceu bastante.
Gostaria de conversar com você sobre muitas coisas, mas isso não é mais possível. Descobri que você se apaixonou, isso é maravilhoso para nós dois, não fique bravo, mas achei Yuy Okan muito bonito, você sempre teve um bom gosto.
O passado morreu naquele dia em que fui falsamente morto, nós não temos mais nada agora Ryori, por isso eu não terei piedade de você quando nos encontrarmos.
O que me surpreende é que seu pai descobriu que eu não estava morto, ele é um velho muito inteligente, pena que não viverá muito para mostrar essa inteligência para o mundo, não é mesmo?
E o moreno, se é que posso chamá-lo assim, não se zangue. Ele é um rapaz muito bonito, acho melhor você tomar cuidado. E agora você está muito bonito Ryori, você ainda dorme do mesmo jeito de quando era criança!
Não adianta ficar a noite toda procurando por mim na web, pois você não conseguirá me encontrar.
É só isso o que tenho a lhe dizer.
Sirie...”
Ryori amassa a carta com as mãos, estava impressionado com a rapidez de Sirie, que já sabia sobre Yuy e onde estava morando. E pelo que leu percebeu que já estava sendo vigiado.
- Que homem horrível! - Yuy estava perplexo pelo que tinha lido a respeito dele, não conseguiu deixar de sentir medo.
- Ele não perde por esperar!!
Ryori se levanta da cama, tinha que tirar Yuy daquele hotel o quanto antes.
- Aonde vai?
- Preciso resolver algumas coisas, não saiam de casa!
Ryori pega seu celular e liga para Yan.
- Alô?
- Yan?
- Chefe?
- Preciso de você.
- Estou sabendo da situação.
- Ótimo, assim não preciso perder tempo explicando.
- Ruk está do lado deles.
- Droga e quem mais?
- Joe, Kim e Lok estão com você... E mais alguns, mas não tenho muita confiança.
- Pegue os que você tem confiança.
- Sim senhor.
- Me encontre nesse endereço.
- Fale.
- Rua Dente de leão, número 209. perto do posto abandonado.
- Que horas?
- Agora!
- Sim senhor!
Ryori desliga o celular e liga novamente só que agora liga para Ruk.
- Alô?
- Senhor Nako?
- Ruk preciso da sua ajuda.
- Já compreendo a situação senhor.
- Sabe com quem podemos contar?
- Yan, Lok, Kim e Joe... Eu não tenho certeza.
- Me encontre nesse local.
- Diga.
- Rua Teixeira, número 301, perto do armazém do Zé.
- Sim senhor.
- Agora!
- Estou saindo agora!
Ryori desliga o telefone e faz outra ligação.
- Alô?
- Shibushi?
- Nako?
- Preciso da sua ajuda.
- Claro!
- Preciso que vá há um lugar!
- Diga.
- Preciso que veja qual desses dois homens é um traidor.
- Hum?
- Vá à rua Teixeira, n° 301, conhece?
- Não é onde você traficava com os Punks?
- Sim!
- Tá e o outro?
- Quero que vá à rua Dente de leão, n° 209, conhece?
- Como não poderia conhecer? Foi onde você me vendeu droga Ryori!
- Hum... Aí mesmo!
- O que quer exatamente?
- Tem dois caras, um deles é um traidor... Preciso que descubra qual! Um deles trabalha para o Sirie.
- SIRIE? Ele não era seu mestre?
- Sim.
- Mas ele não morreu há dois anos.
- Sim, depois eu falo com você sobre isso, agora pegue esses caras para mim.
- Nomes?
- Yan e Ruk.
- Não são os seus atiradores?
- Sim, por isso tome cuidado. Vá disfarçado, eu escolhi lugares públicos, por isso tome cuidado.
- Mas eles já me conhecem.
- Por isso vá disfarçado.
- Tudo bem... Que horas?
- Agora!
- Já?
- Isso, ande logo.
- Está bem... Mas vou chegar atrasado.
- Tudo bem, mas não demore!
- Tudo bem, um beijo.
- Er... Tchau!
Ryori desliga o celular e o guarda no bolso, depois olha para cara enfezada de Yuy.
- O que foi?
- Por que o Shibushi e não eu?
- Ahhhh não, crise de ciúmes não!!
- Por que dá tanta atenção a ele?
- Esqueça Yuy, eu não vou discutir sobre isso!
- Eu quero saber!!!
- Não temos nada! Acabou.
- Hum! - Yuy cruza os braços e faz um biquinho com os lábios.
- Eu mereço! - Ryori dá um tapa em sua própria testa.
- Merece mesmo! - Yuy diz se levantando da cama e saindo do quarto.
- Acho melhor você tomar cuidado com Yuy.
Ryori encara seu pai que ainda estava parado na porta do quarto.
- Ainda aí velho? Dá o fora!
- Não fale assim comigo, você está na minha casa!
- Não seja por isso, eu caio fora!!
- Não seja irresponsável, para onde iria agora?
- Se importa?
- Claro que sim... - Mafuri diz meio magoado.
- Não me venha com esse sentimentalismo barato...
Mafuri fechou os olhos e respirou fundo segurando uma resposta que ia dar ao seu filho, então o pai vira-se de costa e vai embora, mas antes diz:
- Pense antes de agir ou porá todos em risco.
Shibushi havia se trocado rapidamente, colocando um casaco preto e uma calça jeans, pos um óculos escuro e uma toca preta, também prendeu seus cabelos.Pegou uma moto de Ryori e foi até os endereços que o ruivo pedira.
Ao chegar na rua Dente de Leão avistou de longe um monte de carros, tinha um monte de caras armados e entre eles estava Yan que conversava com outro homem.
- Droga, como vou saber se ele tá traindo Ryori!
De repente vem um cara atrás de Shibushi, perguntando o que ele tanto olhava.
- Er... Quero saber se tudo está como o planejado! - Shibushi diz fazendo-se passar por um deles.
- Quem é você?
- Trabalho para Sirie.
- Para Sirie?? - O homem pareceu assustado.
- Sim, agora chame Yan aqui!
O rapaz foi correndo até Yan, Shibushi olhava tudo ao longe. Logo Yan se aproximou dele sozinho.
- O que quer?
- Quero saber como vão as coisas... - Shibushi até modificara a voz para não ser reconhecido.
- Quem te mandou?
- Não se faça de desentendido, sabe quem me mandou.
- Me diga o nome de quem te mandou.
- Não estou gostando desse comportamento!!
- Idiota, não me tente me enganar! - Yan retira sua arma da cintura e aponta para o loiro.
- Ok, ok sem violência! Sabe quem me mandou, porque insiste?
- Diga!! - Yan parecia estar bastante nervoso.
- Si... Sirie!
Yan pareceu ficar mais calmo, abaixou a arma e a guardou na cintura.
- O que te traz aqui?
- O chefe quer saber se Ryori já chegou.
- Não, ainda não!
- Mas posso saber como descobriu esse encontro?
- Hum?
- Como pôde descobrir isso? E como Sirie pode mandar um dos seus capangas para um dos aliados de Ryori! - Yan sorriu de um jeito maldoso.
- Er... - Shibushi não sabia o que fazer.
- Agora com você aqui podemos saber onde Sirie se encontra!!
- Não saberá e nem se faça de bobo... Sabe muito bem que Sirie pediu para você trabalhar para ele!
- Verdade... Ele me pediu isso, mas recusei! Não gosto desse homem! - Yan voltou a apontar a arma para Shibushi.
- Calma, calma... Eu sei que você está do meu lado!!
Yan irritou-se, pegou Shibushi pelo braço e o tirou da moto com um puxão e começou a arrastá-lo para perto dos outros. O loiro tentava dialogar, mas estava impossível, parecia que Yan não queria mais conversa. O atirador joga Shibushi dentro do seu carro e depois entra também e começa a interrogá-lo.
- Onde está Sirie?
- Não sei.
- Como descobriu esse encontro?
- Não posso dizer.
- Qual é seu nome?
- Ka... Kaio.
- Para quem você trabalha?
- Já te disse.
Yan põe suas mãos no pescoço do loiro e diz friamente.
- Diga ou morre! Quando Nako chegar você não terá escapatória!
- Quando ele chegar... Você irá matá-lo como Sirie mandou!
Yan pareceu se acalmar, ele encara Shibushi com um sorriso divertido no rosto.
- Bem Kaio, muito bem! Você realmente trabalha para o nosso chefe!
- Sim! - Agora quem estava confuso era Shibushi.
- Sirie não me disse que mandaria um dos seus homens, por isso desconfiei, mas você realmente trabalha para ele!
- Como eu disse! - Shibushi estava se sentindo em perigo agora.
- O que tem a dizer?
- Um re... Recado!
- Recado? Que recado?
- O Sirie... Me disse que Ryori trará ajuda.
- Como? Mas não existe ninguém do lado de Nako! Ruk e os outros estão mortos, não existem ninguém no momento.
- Ruk está morto? - Shibushi ficou confuso.
- Sim, o matamos há dois dias.
- Hum, não sabia disso.
- Precisa se informar... Mas então tem pessoas ao lado de Nako?
- São... Uns idiotas! - O loiro diz nervoso.
- São mesmo, Sirie é um verdadeiro líder!!
- Sim!! Mas agora preciso ir, mas tomem cuidado.
- Tudo bem.
- O plano tem que sair conforme o combinado.
- Não duvide da minha capacidade! Sirie vai se orgulhar de mim!
Yan sorri de um modo estranho para Shibushi, que engoliu em seco. O loiro sentiu uma mão deslizar para parte inferior da sua coxa.
- Não quer ficar mais? - Yan pergunta se aproximando dele.
- Te... Tenho que ir!! - Shibushi vai indo para trás até que abre a porta do carro, mas Yan o puxa para dentro.
- Fique um pouco, faz tempo que não vejo um rosto lisinho como o seu! - Yan lhe deu um beijo no rosto e suas mãos já apertavam suas pernas.
- Não, tenho que ir, preciso dar essa informação a Sirie!
- Não pode chegar atrasado Kaio? - Yan já dirigia sua mão ao membro do loiro, que se desesperava.
- Não... - Shibushi o empurra.
- Tudo bem, iremos nos encontrar novamente!
Shibushi sai do carro quando as mãos de Yan o solta, ele encara o rapaz dentro do carro com nojo, mas o outro não percebeu. Saiu correndo dali indo até o próximo endereço tomando cuidado para não ser seguido. No caminho ele ligou para Ryori lhe contando tudo, o ruivo não entendeu a parte que Ruk estava morto. Shibushi chega até o outro endereço, mas não viu ninguém, achou muito suspeito.
- Aqui! - Um homem muito ferido aparece na frente do loiro.
- Quem é você? - Shibushi pergunta, mas sabia que era Ruk.
- Sou o Ruk.
- Eu sou Kaio!
- Quem é você?
- Vim a mando de Sirie... - Shibushi sorriu se fazendo de mau.
- Co-como??? - Ruk deu uns passos para trás parecendo assustado.
Shibushi tirou um canivete da sua jaqueta, não sabia como ia poder ameaçar um cara profissional como Ruk, mas ia tentar.
- Rastreamos a sua conversa com Ryori e agora o mataremos.
- Sirie sabe que eu estava mentindo, ele sabe que estou do lado dele!!
- Não tente me enganar, Sirie não me disse nada!! - O loiro andava na direção de Ruk com a faca na mão.
Ruk olhou para os lados vendo se não tinha mais ninguém, de repente dá um chute na mão do loiro fazendo a faca cair no chão. Shibushi olha assustado para Ruk, que já se posicionava numa pose de luta.
- Calma, não tente reagir, pois assim será pior!!
- Não vou desistir, não vão me pegar e jamais trairia Nako!!!
- Por que não?
- Ele me ajudou quando precisei, sei que isso não parece ser verdade e que esse mundo que eu vivo é sujo, mas Nako é como um irmão para mim!
- Háháháháháháhá não me faça rir, vai morrer com essas palavras ridículas!!!
- Não seja idiota, sabe que não pode me derrotar!
Shibushi estava na dúvida, agora não sabia se continuava jogando ou se falava a verdade para Ruk.
- Venha me ataque!! - Ruk o chama com as mãos o provocando.
- É um tolo, como pode trair Sirie?
- Hum? Quem é você realmente?
- Um informante de Sirie!
- Mentiroso.
- Hum? Como pode dizer que minto!!
- Eu conheço muito bem Karen, ela é a informante de Sirie e você é um homem desconhecido!!
- Você me parece um belo de um traidor, acho que está jogando dos dois lados!!!
- E você? De que lado joga?
- Sempre do melhor, no caso seria o do Sirie.
- Então somos dois, mas eu jogo pelo outro lado!
- Irá morrer então... Mas quero saber como conhece a minha mina!? - Shibushi elogiou-se por dentro ao ter essa idéia.
- Éramos amigos antes, quando Sirie e Ryori trabalhavam juntos, mas eu não sabia que ela estava namorando, parece que ela vai ficar viúva!!!
- Não brinque, vou levar sua cabeça para Sirie!!
- Acho que você fala demais, agora eu vou te matar!!
Ruk avança rapidamente na direção de Shibushi e lhe dá um soco fazendo o loiro cair no não. Shibushi tenta levantar, mas não consegue, pois Ruk começou a chutá-lo no estômago.
- Traidor, eu? Nunca, sigo Nako mesmo que ele perca para Sirie... Seu idiota!! Mas antes de te matar quero ver o seu rosto.
Ruk levanta shibushi pela gola da blusa e tira sua toca e os óculos.
- SHIBUSHI??? - Ruk o solta fazendo-o cair no chão.
- Hummm... - O loiro geme de dor.
- O que? Até você traiu Nako??
- hum...
- Seu cretino, vocês não se amavam??
- Ele não me ama...
- Mas como pôde traí-lo???
- Eu não traí ele seu idiota, ele me pediu para ver se você era um traidor!
- Mesmo?
- Fui até Yan e descobri que ele é um traidor e agora vejo que você é um aliado.
- Não acredito em você!
- Então fale com o Ryori!
Shibushi liga para Ryori e dá o celular para Ruk.
- Alô?
- Ruk?
- Senhor Nako?
- Estou contente ao saber que está ao meu lado.
- Eu...Eu não sabia que podia confiar em shibushi.
- Ele é de confiança.
- Percebi.
- Agora vá com ele!
- Sim senhor!
Terminando a ligação, Ruk ajuda Shibushi a se levantar do chão e o coloca na garupa da moto.
- Para onde? - O atirador pergunta.
- Rondon.
- Perto daqui, mas que lugar.
- Monte Belo...
- Hummm... Certo!!
Ruk dá a partida e sai em disparada para Monte Belo onde ficava uma das casas de Ryori.
Ryori estava mais tranqüilo agora sabendo que Shibushi estava bem e que tinha um forte aliado ao seu lado. O ruivo olha o céu alaranjado, mostrando a tarde que caia. Respirou fundo ao sentir o vendo batendo no seu rosto, parece que o dia iria ser bem cansativo amanhã, mas não iria desistir, porque tinha não só a sua vida nas costas, mas as de Yuy e de seu pai.
Continua...