Mundos Especial – O Cruzeiro

 

Capítulo 1

A Viagem

 

O tempo passa cada vez mais rápido, quando vê já está em um ano novo. As pessoas entram e saem muito rápido das nossas vidas, as coisas mudam de lugar, e o que era geralmente deixar de ser. O tempo leva tudo, não tem paciência, é poderoso suficiente para deixar de passar, de fazer com que todos mudem ou que as coisas mudem.

A cada estação do ano: uma lembrança. A cada mês: um sorriso. A cada dia: um gemido. E a cada instante: um suspiro. Todos são fatores cruciais para um bom desenvolvimento, no entanto, nada melhor do que passar o tempo com a pessoa que você ama, preza ou gosta. Nada melhor que ter lembranças, sorrisos, gemidos e suspiros por ela. Nada melhor que amar perdidamente atravessando o tempo e espaço.

Passaram-se 3 longos anos. A vida caíra na rotina para muitos. Mas não para Ryori Nako, o grande líder do tráfico de Pratania. A cada dia, a vida lhe punha a prova. Coloca desafios testando sua capacidade, a cada dia tinha mais medo de morrer ou perder o que tanto gostava.

Passado. Ryori lembrava de como não se importava com nada, nem com ele mesmo. Mas o tempo mostrou como ele poderia amar aquele garoto, de como ficou apegado a ele e de como não poderia mais sair dos seus braços.

Estavam no mês de Fevereiro. Era dia 03. Era o aniversário de 23 anos de Ryori.

 

*

 

Um casal dormia tranqüilamente numa grande cama macia e recheada de lençóis de seda. Os dois indivíduos estavam abraçados, suados e tranqüilos. Seus corpos suavam com o calor que fazia, nem mesmo o ar condicionado refrescava seus corpos, que estavam tão quentes, por vários motivos.

O quarto que abrigava aquele lindo casal era muito espaçoso. Suas paredes eram totalmente brancas sem nenhuma mancha; o chão era de mármore branco, com alguns pigmentos acinzentados, eram frios, grossos e brilhantes. Existiam duas janelas enormes de vidro, onde duas cortinas verde musgo impedia que a claridade do sol entrasse. Os móveis eram metálicos, modernos, grandes e luxuosos. O chão era repleto de tapetes brancos de pêlo, mas como estavam no verão haviam retirado todos eles.

Uma porta de metal verde claro dava entrada para a suíte do quarto, que era gigante. Tinha uma pequena piscina de mármore, plantas e um pequeno chafariz em forma de dragão. Tinha uma ducha, uma pia enorme repleta de produtos, uma privada simples e algumas futilidades a mais.

Voltando ao quarto. A respiração calma de Yuy se agitou, já que ele havia acordado de um sonho estranho, poderia dizer que até era perturbador. Soltando um longo bocejo, olhou para o lado vendo o semblante calmo do seu amado, tocou delicadamente numa das mechas do seu longo cabelo ruivo, que chegavam até o meio das duas costas.

Três anos haviam se passado. Yuy estava com 18 anos, tinha os cabelos negros até um pouco abaixo dos ombros, tinha uma franja que chegava até o começo do seu nariz, que insistia em cobrir seus olhos. Seus fios negros faziam curvas nas pontas, mas pouca coisa. Havia feito luzes no cabelo, não era em excesso, mas dava para notar; eram luzes prateadas, fazendo seu cabelo ficar mais brilhante. Seus olhos estavam menores, mais finos, mais felinos, sedutores. Era um azul mais escuro, um azul cobalto. Seu rosto estava mais fino, comprido, mais masculino. Seu corpo estava mais forte, moreno e musculoso; não era muita coisa, só tinha algumas partes definidas, como seus braços, pernas e abdome.

Na orelha direita tinha um pequeno brinco de bolinha, da cor verde escuro. Que Ryori havia lhe dado de presente de aniversário no ano passado.

Quanto a Ryori. Ele não havia mudado muito, só estava com os cabelos até o meio das costas. Lisos e brilhantes como sempre. Seu rosto estava mais forte e impassível do que antes, mas só mostrava essa pose de durão quando estava trabalhando.

As pálpebras de Ryori se abrem lentamente revelando um par de olhos azuis claros, que possuíam um brilho contagiante e animador. Um sorriso desenhou-se nos seus lábios finos, quando viu o rosto que tanto apreciava observá-lo.

- Parabéns meu amor! – Yuy diz, dando um belo sorriso maroto.

- Hum... – gemeu se espreguiçando na cama.

A cama rangeu quando Yuy se jogou em cima de Ryori, ficando com os joelhos dobrados na cama lado-a-lado com o corpo dele. Inclinou-se para frente dando vários beijinhos por seu rosto.

- Ah! Yuy... Pára! – pediu, tentando afastá-lo em vão.

Os dedos ágeis de Yuy trataram de começar a fazer cócegas no corpo de Ryori, que começou a se remexer tentando tirá-lo de cima dele.

- Quem diria, hein? 23 aninhos!!! – gritou.

- E você continua uma peste.

- Fala que nem um velho.

- Já disse para não ficar me chamando de velho.

Ryori fecha os olhos juntando força, quando os abriu mudou as posições ficando por cima do moreno que começou a rir. Os lábios de Ryori cobriram os de Yuy fazendo-o se calar, já que o moreno começa a resmungar da força que Ryori aplicava nos seus pulsos, que estavam presos no alto da sua cabeça.

Um beijo quente e molhado foi iniciado. Quando os dois viraram na cama, os lençóis que os cobriam caíram no chão revelando seus corpos desnudos pela noite anterior.

- Agora me deixe dar o seu presente! – Yuy empurrou-o para trás, com um sorriso bobo no rosto.

Ryori sentou-se na cama, encostou-se na cabeceira e ficou observando Yuy correr até o armário para pegar um pequeno pacote de presente. O moreno foi se aproximando com um sorriso bobo, sentou-se ao lado do Ryori e estendeu o pacote.

- Para você!!

- Jura? – indagou sarcasticamente.

- Juro!!

Ryori pegou o pacote, quando ia começar a abrir, Yuy o impede dizendo que ele tinha que adivinhar o que era. O ruivo chacoalhou o pacote vendo que fazia um barulho alto, era um objeto pequeno e de metal pelo jeito. Dando mais umas chacoalhadas acabou por descobrir.

- Adivinha! Adivinha! – estava ansioso.

- Uma flauta.

- Não! >.<

- Um chaveiro!

- Não!! >.<

- Um cinto!

- Não!!! >.<

- Um brinco.

- Não!!!! >.<

Yuy fechou a cara, ficou irritado e impaciente com a demora do ruivo. Pegou o pacote das mãos de Ryori e disse:

- Não vou te dar – virou o rosto para o outro lado.

Ryori soltou uma alta gargalhada e disse:

- Eu sei que é um relógio bobinho! – sorriu.

Vendo que o moreno iria ficar com aquela cara por um tempo indeterminado, e ele não estava com saco para esperar, Ryori o abraçou carinhosamente dando um beijo na sua testa. Não agüentando mais fazer aquela pose de difícil, Yuy abraça o ruivo dando um beijo na sua bochecha.

- Agora abre! – gritou.

- Não grita no meu ouvido, parece criança! – reclamou.

- Abre, abre, abre!!

- Você está mais ansioso que eu... por acaso quer abrir? – indagou.

- Não, você que tem que abrir, cabeção.

- Hei, de onde você tirou essa de “cabeção”?

- Hum... acho que foi do curso.

- Pode ir parando com isso.

- Ah! Eu não reclamo quando você me chama de puto, cachorro e cia.

- É diferente! – disse incrédulo.

- Diferente?

- É romântico.

- Ryori... desde quando isso é romântico? – riu.

- Oras... é... sempre fomos assim, não me diga que não gosta.

- Fazer o que, né?

- Você não gosta? – indagou preocupado.

Yuy ficou um tempo em silêncio pensando na pergunta. Lembrou-se das noites que passava com Ryori, e de como se excitava quando ele falava essas coisas em seu ouvido, e por fim tirou uma conclusão.

- Eu não consigo nos imaginar sem essas coisas Ryori.

- Nem eu! – sorriu – Agora eu vou abrir.

- Finalmente!!

Ryori abriu o pequeno pacotinho verde claro. Abriu a caixa de madeira onde tinha um relógio de prata com alguns enfeites azul escuro nas na pulseira. Era muito bonito, brilhante e o melhor de tudo, era a prova d’água.

- Me lembra você.

- Claro! Fui que te dei né cabeção!

Ryori olhou para cara dele com uma expressão nada amigável, mas Yuy nem se importou, já estava acostumado com esses olhares, que metiam medo que qualquer um, menos nele.

- Não. Esse relógio me lembra essas luzes que você fez no cabelo, e o azul me lembra seus olhos – disse.

Yuy abriu um sorriso muito lindo. Ele voou no pescoço de Ryori lhe dando um forte abraço, depois encheu seu rosto de beijinhos.

- Você fala umas coisas tão lindas às vezes.

- Hum.

- Não estou brincando. É verdade.

- Ta bom.

- Não fica com vergonha.

- Pára que encher. Vamos nos trocar.

- Por que?

- Não se lembra? – indagou.

- Não.

- Não combinamos de almoçar com o Shibushi e o Ruk hoje?

- É mesmo! – sorriu – Mas antes... Que tal um beijo?

- Nem precisa pedir.

Ryori puxou o moreno pela cintura colando seus corpos. Suas línguas se encostaram fora da boca, depois eles uniram seus lábios fazendo-as se encontrarem dento da boca numa dança muito agitada.

 

*

*

 

Era a terceira vez que havia caído no chão à situação estava fincando ridícula e o pior é que uma certa pessoa o observava com um sorriso divertido nos lábios, na verdade estava pagando o maior mico na frente do seu amor que simplesmente não parava de rir.

- Nero!!! Vem aqui! – gritou.

Ruk corria atrás do belo cachorro que agora estava parado a cinco passos a sua frente com a língua de fora o olhando com aquele pensamento “seu idiota, eu não vou tomar esse remédio”.

- AHAHAHAHAHA!!!! – Shibushi ria, estava sentado na grama com um livro na mão. Geralmente não parava sua leitura por nada, mas a situação era hilária.

Ruk estava coberto de lama, pois no dia anterior havia chovido e o gramado estava muito úmido, quando começou a correr atrás de Nero caiu no chão batendo suas costas com força e sujando toda sua roupa.

- Parece um índio! – comenta Shibushi.

- Ahhhh! Então por que você não tenta? – indaga, virando-se para o loiro com as mãos na cintura mostrando como estava irritado.

Ruk não estava muito diferente depois desses três anos. Seus cabelos continuavam curtos, apenas sua franja continuava comprida, cobrindo o seu lado direito do rosto. Seu corpo estava o mesmo. O ex-soldado sempre fazia exercícios para ficar em forma.

- Porque não pediu antes! – sorriu, levantou-se colocando o livro em cima do murinho, depois foi andando até Ruk tomando cuidado para não pisar em nenhum buraco e se molhar todo.

Shibushi não estava muito diferente. Havia emagrecido um pouco, seus cabelos batiam nos seus quadris, e eram presos a uma trança bem frouxa, que havia sido feita por Ruk. Mas sempre tinha as mechas menores do seu cabelo, que chegavam nos seus ombros, então elas ficavam soltas.

Nero ficou abanando o rabo, pensando no que seus donos estavam fazendo, quando viu Shibushi se aproximar de Ruk seu rabo balançou com mais força.

Shibushi tocou no ombro de Ruk soltando um suspiro aliviado, pois aquele ali seria seu poste para se equilibrar, depois ele olha para os olhos acinzentados de Ruk que o observavam com atenção. O loiro fecha os olhos indo na sua direção, Ruk entendeu o que ele queria, mas não achava era hora e nem lugar para aquilo, mas não iria recusar um beijo do seu amado.

Os dois se beijam carinhosamente, Ruk tira as mãos da cintura na hora ao sentir aquele corpo estar desprotegido dos seus braços, sua mão direita parou na sua cintura, a outra mão ele deixou parada ao lado do seu próprio corpo já que estava toda suja de lama.

Nero que sempre adorava interromper o casal se preparou e correu na direção deles fazendo um monte de mato e lama voar para trás, parecia um cão desgovernado indo na direção do casal. Quando Nero estava se aproximando Shibushi empurra Ruk com força para trás fazendo-o cair no chão e se sujar mais ainda, porque para sua infelicidade havia caído numa grande poça de lama.

Shibushi agarrou Nero antes que ele se desviasse, o loiro arrastou o cachorro até o murinho onde tinha sua coleira, colocou-a nele e depois olhou para Ruk que ainda estava deitado na mesma posição que caíra.

- Ruk? – o chama, mas não tem resposta. – Ruk? Levanta! – insiste – Ruk, anda logo!!

Passaram-se cinco minutos e nada do ex-soldado se levantar, então o loiro vai até ele mostrando-se preocupado. Shibushi abaixou ao lado do corpo de Ruk, quando Shibushi ergueu a mão para tocar em seu rosto, Ruk abre os olhos e um sorriso bem divertido, ele agarra Shibushi e o puxa para baixo fazendo cair na poça de lama.

- AHHHH!!!- reclamou.

- Bem feito!! Seu sacana! – Ruk lhe deu um beijo na testa do loiro, pois a região da sua boca estava cheia de lama.

Os dois começaram a discutir.

- Idiota!

- Gostoso!

- Como você pôde?

- Eu não resisti a você meu amor!

- Pára de ser cínico!

- Quem? Eu? – riu.

- Me solta!

- Meus braços não me obedecem.

- Besta!

- Delícia!

- Olha... Que eu...

- Não vai fazer nada!

- Greve de sexo!

Ruk ficou em silêncio, Shibushi nunca havia proposto aquilo antes. O moreno ficou na dúvida, mas depois pensou bem e viu que Shibushi não agüentaria ficar muito tempo sem ele.

- Você não agüenta!

- Uma semana!

- Vai vir correndo atrás de mim... Como uma cadela no cio! – riu.

- Você está conversando muito com o Ryori! – comentou.

- Hum... bom, mas isso não interessa agora. – sorriu – não agüenta tudo isso meu anjo.

- Duas semanas!

- Hahahaha... Claro, claro! – zombou.

- Um mês!

Ruk ficou preocupado, ele ia falar alguma coisa, mas um carro pára na frente da casa deles.

- OI!! – Yuy aparece.

- O que vocês estão fazendo? – Ryori indaga, saindo do carro.

O ruivo ficou olhando para os dois sem entender o que tinha de divertido em ficar rolando na lama, Yuy pensou que era uma nova maneira de fazer sexo.

- Esse idiota me puxou! – diz.

- Você me empurrou primeiro! – Ruk riu.

- Parem de ficar falando coisas imorais perto do Yuy! – Ryori diz.

- Hei! Qual o problema? – Yuy fica ofendido.

- Sabia que viver na mesma rua que eles não seria boa idéia. São má companhia! – diz o ruivo.

- Ryori... Se enxerga cara! – Ruk começa a levantar junto com Shibushi.

Ryori olhou para o loiro que estava todo sujo e molhado, até que aquela visão não era ruim, pois Shibushi sempre estava muito arrumado e penteado. Sem contar que suas roupas claras estavam ficando transparentes, e não podia negar que ainda sentia uma quedinha por aquele anjo.

- Um mês!! – Shibushi diz, dando uma fuzilada com o olhar.

- Ah! Nem brinca!

- Eu estou falando sério!

- Você não está não, vamos esquecer! – sorriu nervoso.

- Um mês! – virou-se de costas indo até o pequeno caminho de cimento que levava até a porta da sua casa.

Shibushi pára de repente olha para trás e sorri para Ryori. O loiro da meia volta e anda até eles novamente.

- Parabéns Ryori! – Shibushi acena com a mão.

O loiro ficou a uma certa distância de Ryori, já que estava todo sujo e molhado e seria muito chato se ele sujasse o ruivo que estava tão arrumadinho e perfumadinho.

- Obrigado! – sorriu.

- Da um abraço nele, eu deixo! – Yuy diz, ficando atrás de Shibushi e o empurrando para cima do ruivo.

Ryori poderia desviar e deixar Shibushi cair no chão, mas nunca iria fazer isso então acabou segurando e lhe dando um gostoso abraço, quando se separaram Ryori olha com ódio para Yuy que ria junto com Ruk.

- Agora vou ter que ir trocar de roupa! – Ryori reclama.

- Desculpa – Shibushi sorri sem graça.

- Não, você não tem culpa.

- Não reclama Ryori. Sua casa fica na esquina, vai lá e troca de roupa é rápido! – Ruk diz.

Ryori fez uma cara de desânimo, mas acabou aceitando a idéia do outro. Ele deu meia volta e começou a andar pela calçada de cimento com passos rápidos e impacientes. Sua casa ficava na esquina, era bem pertinho.

Shibushi convidou Yuy a entrar, estava com vontade de esganar o moreno, mas se segurou. Aceitando o convite, Yuy entrou com eles, ficando na sala ouvindo música, enquanto Shibushi e Ruk iam se trocar.

Uma hora depois. Todos estavam parado na frente da casa de Shibushi. Ryori estava com uma roupa nova, mas não era muito diferente da outra. O ruivo usava uma calça jeans preta, coturno, uma regata preta transparente e algumas pulseiras de couro nos seus braços. Seus cabelos estavam soltos ao vento.

Shibushi usava uma calça branca de um pano bem leve que chegava até suas canelas, usava uma sandália marrom clara de couro, uma camiseta branca do mesmo tecido da calça, que tinha os primeiros três botões abertos. Seus cabelos estavam presos numa trança muito bem feita, e duas mechas compridas caiam por seu rosto chegando até seus ombros.

Ruk usava uma calça jeans clara, uma camiseta colada ao seu corpo da cor preta, botas pretas que ficavam por cima da calça. Seus cabelos estavam bagunçados e molhados pelo banho recém tomado. Usava uma pulseira de couro, um relógio e uma corrente no pescoço.

Yuy havia mudado muito. Não usava mais bermudas e regatas, como antigamente. Agora o moreno usava roupas parecidas com as de Ryori, depois de três anos de influência isso já era de se esperar. Estava usando uma calça jeans clara com rasgos nos joelhos, uma camiseta de manga ¾ da cor verde claro, calçava um tênis baixo, preto, e sem cadarços. Seus acessórios eram apenas um óculos de sol, e uma pulseira de couro verde escuro. Seus cabelos estavam presos um baixo rabo de cavalo, e a franja caia por seus olhos.

- Aonde vamos? – Ruk perguntou, dirigindo-se até a garagem, onde se encontrava o seu carro conversível.

- No Ton Ton! – Yuy diz.

- Naquele restaurante? – Shibushi indaga.

- Algum problema? – Ryori pergunta, andando até o seu porsche com Yuy ao seu lado.

- Não, é que fomos lá ontem...

- Então vão de novo! – Yuy disse.

- Sem problema.

Os casais entram nos seus respectivos carros. Ryori andava na frente guiando o carro de trás. Em menos de 30 minutos estavam em frente ao estacionamento do restaurante, que parecia estar bastante movimentando.

Deixaram os carros com o manobrista. Os casais foram entrando no restaurante, que parte dele já conhecia eles muito bem, principalmente Ryori Nako, que vivia ali com seus homens.

Os casais sentaram-se numa mesa próximo a grande janela de madeira. Aquele era um famoso restaurante, que tinha música ao vivo, só tinha uma diferença, ali só tocava Jazz. Nas paredes tinha os retratos dos famosos músicos, alguns já falecidos, outros ainda existiam e alguns simplesmente desapareceram.

Num pequeno palco, escuro, onde só a luz que provinha da janela iluminava o local, estava uma mulher muito bonita. Era uma mulata, com grandes olhos castanhos claros, seus cabelos eram presos num alto rabo de cavalo. Ela usava um vestido azul escuro e algumas jóias muito brilhantes, mas nada era original. Nas suas mãos tinha um grande Saxofone, de onde saia uma bela melodia, tornando o ambiente mais aconchegante.

Quando se sentaram, uma garçonete se aproximou com os cardápios, e depois se retirou deixando-os escolher em paz. Mas antes de sair deu uma olhada bem indiscreta para Ruk, que afundou a cabeça no cardápio, para não deixar o loiro enciumado.

O almoço ocorreu sem problemas. Comeram a vontade, saborearam as comidas maravilhosas daquela cozinha, que Ryori achava ser a mais gostosa de Rondon. Depois ficaram ouvindo a moça tocar Jazz, só que agora ela tocava com mais duas pessoas, uma no baixo, e outra no saxofone.

Já estava ficando tarde, o céu começa a ficar alaranjado e o vento um pouco menos quente. Ruk e Shibushi insistiram em pagar a conta, já que era aniversário de Ryori, que no final acabou aceitando. Após pagarem e conversarem com o gerente que sempre procurava puxar o saco deles, todos foram embora.

No entanto, eles não pegaram seus carros. Eles ficaram andando pela rua esperando a comida digerir com calma. Ficaram olhando algumas vitrines das lojas sem a necessidade de comprar nada.

- Seu presente está lá em casa Ryori! – Shibushi avisa.

- Não me diga que vou ter que buscar?

- Claro que vai! – Ruk diz, sorrindo.

- Sabia.

- Você tinha outros planos? – Ruk pergunta.

- Não.

Yuy andava um pouco mais à frente, estava distraído, quando virou a esquina. Sem perceber acabou esbarrando numa garota que acabou caindo em cima dele, fazendo os dois caírem no chão.

- Ai... ai... me desculpa! – diz a garota.

- Rebeca? – Yuy indaga.

- Yuy?

Os dois acabaram rindo da situação. Yuy levou rebeca que estava em cima dele facilmente, já que seu corpo estava muito mais forte do que antes. Os dois ficaram se olhando, rebeca com fascinação, pois ainda sentia uma queda pelo moreno, e agora que ele estava maior e mais maduro, ela havia gamado. E Yuy estava ficando constrangido com aquele olhar assanhado da garota, e sabia muito bem que atrás dele estava o ruivo.

Shibushi estava ao lado de Ruk com os braços cruzados, os dois estavam olhando para a cara de Ryori, que da água passou para o vinho. O ruivo cruzou os braços e ficou olhando para aquela garota que colocou a mão no ombro direito de Yuy e riu de alguma coisa que ele havia dito.

A garota estava diferente. Mais alta mais bonita, com um corpo mais volumoso, cheio de curvas, roupas curtas, decotes bem abertos. Seus cabelos batiam nos ombros, ela havia tingido de vermelho, o que realçou a cor dos seus olhos.

- O que está fazendo aqui?

- Estava no Ton Ton.

- Hum... Aquele restaurante é muito bom, que tal se um dia almoçássemos lá?

- Er... Bem... Legal.

- Que bom, quando?

- Não sei.

Yuy estava suando frio, sabia que se olhasse para trás iria receber um olhar raivoso do seu querido ruivo. Queria que alguém o salvasse daquela enrascada, mas Shibushi e Ruk pareciam não se importa muito com a situação, eles até estavam se divertindo.

- Eu tenho que ir – Yuy diz.

- Mas já? Aonde vai? Que tal sairmos hoje com meus amigos?

- Não vai dar.

- Não fique tímido. Eu sei que você não é mais aquele caipira de antes, até perdeu o sotaque.

O sorriso que estava nos lábios de Yuy desapareceu, nesse instante havia se lembrado do seu falecido pai. Lembrou-se da fazenda que vivia, das pessoas, de como todo mundo falava, da união. 

- Eu gostava do meu sotaque – comentou baixinho.

- Mesmo? Era muito estranho Yuy.

- Não acho.

Vendo que o rostinho do seu amado Yuy estava ficando entristecido, Ryori saiu da sua posição se aproximando dos dois. Rebeca não havia percebido o ruivo, pois estava desnorteada com a beleza do moreno.

- Yuy!

Ryori coloca uma mão em cima do ombro esquerdo de Yuy e olha por cima dele para rebeca que ficou pálida ao ver aquele olhar assassino, que com certeza era para ela. A garota sabia que eles estavam envolvidos num relacionamento que até agora era duradouro. No entanto, não perdia a oportunidade de dar em cima dele quando pudesse.

- Oi? – virou seu rosto para trás vendo o semblante enfurecido do ruivo.

- Vamos?

- Vamos. – depois voltou sua atenção para rebeca – Tenho que ir.

- Tu... Tudo bem! – sorriu amarelo.

Shibushi foi se aproximando de mão dada com Ruk. O casal ficou olhando para rebeca que parecia nervosa com a presença do ruivo, mas isso não demorou muito, pois a garota se retirou rapidamente, fazendo Yuy soltar um suspiro aliviado e Ryori desmanchar aquela cara horrível que estava fazendo.

- Tchau! – ela gritou do outro lado da rua, acenando com a mão.

- Tchau! – Yuy acenou.

- Vamos indo? – Ruk pergunta.

- Vamos! – Ryori diz.

Os quatro foram andando de volta para o estacionamento. Yuy estava calado. Nenhum deles entendeu o motivo desse mau humor, apenas Ryori que havia ouvido um pouco da conversa.

Quando entraram no carro, trataram de voltar para casa de Shibushi.

Na casa do loiro. Os carros estavam estacionados na garagem da casa. Os casais andavam até a porta ouvindo um barulho estranho de dentro da casa.

- Será que é um ladrão? – Yuy indaga.

- Pode ser o Nero, mas ele não faria barulho de gaveta abrindo e fechando! – Ruk diz.

- Eu entro com o Ruk, vocês dois fiquem aqui fora! – Ryori diz, pegando sua arma que estava no cós da sua calça.

- Não! – Yuy o abraçou – Não vai não.

- Mas Yuy...

- Nada de “mas”, você não vai! – disse num to firme e autoritário.

- Uuuuhhh! Parece que o moreno ficou muito bravo depois desse tempo!! Que saudades de vocês!!!

Uma voz muito familiar enche os ouvidos dos casais, eles olham para a porta que estava aberta. Xyen saiu da casa com um sorriso bobo no rosto. Ele não havia mudado em nada. Seu cabelo estava no mesmo comprimento, preso num alto rabo de cavalo, suas roupas eram estranhas e chamativas como sempre. E seu jeito sacana ainda estava presente no seu olhar.

- Xyen? – todos indagam em uníssono.

- Fala rapaziada! Vocês continuam gostosos como sempre. Meu Deus!! Yuy, você está lindo, maravilhoso... Você está gostoso demais!!

- Er... obrigado! – disse sem graça.

- Que obrigado, que nada! Você deve estar arrasando corações. Que pedacinho de carne você está e olha para seu corpinho como está...

Uma mão tampa a boca de Xyen antes que ele falasse mais alguma besteira. Atrás dele estava Suka com um olhar reprovador. O moreno estava muito diferente. Seus cabelos batiam nos ombros, mas algumas mechas eram maiores e menores, algumas chegavam na sua cintura, outras até seu queixo, mas a maior chegava no seu quadril. Algumas mechas, a maioria delas estavam com luzes vermelhas. Seus olhos estavam mais finos e felinos que antes, sua face estava mais amorenada. Usava três brincos na orelha direita, pulseiras de couro, e uma grande corrente no pescoço. Suas roupas estavam diferentes. Usava uma calça jeans azul marinho toda surrada, um coturno azul escuro, uma regata preta e por cima uma jaqueta jeans preta, que chegava até seus joelhos.

- Olá! – sorriu, mostrando seu sorriso sedutor.

- Nossa! Suka? – Yuy não reconheceu.

- Tentamos avisar, mas estava em cima da hora! – disse.

- Ahhhh!! Me da um abraço!!

Xyen correu até Ruk lhe dando um forte abraço, ficou um tempo abraço, até que deu um beliscão nas suas nádegas e se separou. Depois foi até Shibushi lhe dando um abraço com menos força, já que o loiro era muito delicado, quando ia deslizar a mão para o bumbum do loiro, Ruk lhe deu um empurrão, fazendo-o cair em cima de Ryori e lhe dar um abraço muito apertado.

- Parabéns ruivo!! – gritou no seu ouvido, e logo em seguida lhe deu um beliscão no bumbum fazendo-o empurrá-lo para trás.

Xyen olhou para Yuy que se encolheu um pouco temendo o que ia acontecer com ele. O moreno fechou os olhos quando sentiu os braços fortes de Xyen envolverem seu corpo. Sentiu as mãos dele deslizarem por seu corpo indo até suas costas, as tocando com os dedos, sentiu a mão descendo até suas nádegas, sentiu que ele as apertava com força. Olhou desesperado para Ryori que puxou Xyen com tudo fazendo-o cair no chão.

- Bem feito! – Suka disse, fazendo um não com a cabeça.

- Ai, ai! Ryori seu animal. Devo confessar que é um animal muito gostoso e que deve ser muito selvagem na cama, mas ainda sim é um animal.

- Chega Xyen! – Suka suspirou – Desculpem.

Depois de se cumprimentarem devidamente, todos entraram em casa. Agora estavam sentados nas almofadas que compunham aquela bela sala.

- Então, por que voltaram? – Ruk perguntou.

- Nós ganhamos 6 passagens para irmos num cruzeiro pelas ilhas Brincamasca. Então viemos convidar vocês – Suka diz.

- Hum... não sei! – Shibushi ficou indeciso.

- Vamos, vai ser legal. Todo mundo aqui é rico, nem trabalha, só o nosso ruivo que gosta de dar uns tiros de vez em quanto nas pessoas, mas vejam bem, não é bom descansar um pouco? – Xyen indaga – estamos em fevereiro, férias, verão, Brincamasca é lindo de morrer! Vamos, vai!

- Tenho meu curso! – Yuy comenta.

- Você pode trancar. Vamos vai! O Ryori pode dar um jeitinho no seu professor e você volta para a escola.

- Tenho o tráfico! – Ryori diz.

- Você pode ficar duas semanas fora, não pode? – Suka falou dessa vez.

- Posso, mas não gosto de me afastar.

- Olha para o Yuy! – Xyen apontou para o moreno, fazendo todo mundo encará-lo – Essa criança precisa de férias, faz quanto tempo que ele não viaja? Ele está preso a Rondon por causa de um tráfico de droga, você não vê que isso é ruim para sua saúde mental?

Todos ficaram analisando a face do moreno com atenção. Viram como Yuy deixava a franja do seu cabelo sobre seus olhos e tiraram a conclusão que o garoto estava mais rebelde, e mais parecido com Ryori.

- É... o Yuy está com uma carinha rebelde delinqüente! – Ruk comenta.

- Eu?? – indignou-se.

- Sim você! Não precisa ter medo de dizer que quer viajar Yuy. O Ryori vai entender! – Xyen diz.

- Você quer Yuy? – Ryori começou a ficar confuso.

- “Ele está caindo na armadilha! O ponto fraco do ruivo é o moreno sem dúvidas!!” – Xyen pensou triunfante.

- Não, quer dizer eu não me importo... Se você quiser! – ficou confuso.

- Se quiser é só falar.

- Não Ryori eu...

- Viu como ele quer ir Ryori? – Xyen interrompeu.

Shibushi começou a ficar confuso. Ruk ria no seu canto. Ele passou a mão pela cintura de Shibushi e o puxou lhe dando um beijo na sua bochecha, e sussurrou alguma coisa no seu ouvido deixando-o vermelho.

- Tudo bem então! – Ryori concordou. Não havia entendido muito bem o que Yuy queria, mas se o moreno queria viajar ele iria viajar. Fazia tudo o que ele pedia sem pensar duas vezes.

- “Como ele conseguiu convencer o Ryori? Ahh... estamos falando do Xyen, tudo é possível!” – Ruk pensou.

- Então está decidido! – Suka diz – amanhã às 14:00 horas nos encontramos aqui na casa do Shibushi, e depois iremos para o porto, onde o cruzeiro estará nos esperando.

Todos concordaram. E no final ficaram a tarde inteira conversando. Quando Xyen descobriu que era aniversário de Ryori, ele quis dar um beijo de língua de presente, só que Ryori recusou, então Xyen acabou se contentando apenas com um abraço que deu no ruivo.

 

*

 

18:00 horas na casa de Ryori e Yuy.

- O que eu levo? – Yuy indaga, olhando para o seu guarda roupa.

- Brincamasca faz muito calor.

- Deve fazer. Acho que nem vou agüentar – comentou.

Ryori sentou-se na cama, retirou seu coturno jogando para um lado qualquer. Depois retirou suas meias, os acessórios que usava e por fim retirou sua regata, ficando apenas de calça jeans.

- Não vai arrumar suas coisas? – Yuy vira-se para trás.

- Agora não.

- Depois vai ficar em cima da hora.

- Não vou fazer agora.

- Ryori, seria melhor fazer tudo agora, para que amanhã não fique nada corrido.

- Depois eu faço.

- Faça agora comigo.

- Depois caramba!! – irritou-se.

Vendo que não tinha como argumentar voltou sua atenção para o guarda roupa. No entanto, não estava mais com humor para fazer mala alguma, deu uma última olhada para Ryori que estava olhando para o teto e depois saiu do quarto deixando a porta aberta. O moreno passou por um corredor curto e largo, indo até a sala, onde tinha um grande sofá em forma de “U” com alguns detalhes metálicos.

Numa pequena caixinha de plástico preta estavam os cd’s favoritos de Yuy, que estavam em cima de uma cômoda de metal. O moreno foi até lá pegando um cd qualquer e colocando no rádio apressadamente, para que se acalmasse com o som daquela melodia.

Quando o som começou a tocar, Yuy jogou-se no sofá que era cor de abóbora bem claro. Ficou com a cabeça jogada para trás, fazendo todo o sangue descer para sua cabeça, mas não se importou, estava relaxado desse jeito. Levou uma das mãos até o prendedor de cabelo arrancando-o fora, fazendo assim seus belos fios negros com luzes prateadas caírem para trás, quase relando no chão de mármore.

Ficou ouvindo aqueles sons de violinos misturados com vozes sombrias e melancólicas, ouvi uma batida de leve ao fundo, parecia ser o som de rochas batendo. Depois de um tempo uma voz feminina aparece como se quisesse hipnotizá-lo de alguma forma, mas apenas conseguia fazer ele sentir medo. Estava na sala escura ouvindo aquele som sinistro, mas amava-o. Essa melodia o relaxava.

Ryori apareceu na sala, ficou olhando para o moreno jogado no sofá com atenção. Não gostava daquele tipo de música, era deprimente demais, e sentia que aquilo deprimia ainda mais o moreno, levando-o para um mundo desconhecido, um mundo onde Ryori não poderia protegê-lo, um mundo onde ele não podia alcançar, mesmo que quisesse.

Ficou ouvindo aquela melodia, que agora ficou no instrumental. Ficou mais aliviado, pois a voz daquela mulher era medonha, era fina e delicada, parecia uma bruxa tentando enfeitiçar as pessoas que a ouvissem. Observou como Yuy fechava os olhos sentindo toda aquela música no escuro.

Com passos curtos e silenciosos foi se aproximando do moreno, que estava perdido nos seus devaneios. Sentou-se ao lado da sua cabeça, que estava jogada para fora do sofá. Não gostava quando ele ficava daquele jeito. Com uma mão tocou na sua nuca, fazendo Yuy abrir seus olhos e encará-lo, com uma irritação típica. No entanto, Ryori não se importou. Ele puxou sua cabeça para cima fazendo Yuy sentar-se no sofá.

- O que foi? – indagou o ruivo.

- Nada.

- Não gosto quando não me conta as coisas.

- Não estou escondendo nada.

- Estava pensando no seu pai?

- Não, não estava.

Ryori fechou os olhos, entristecido. Jamais iria se perdoar pelo que fizera. Sentiu a mão de Yuy tocar sua face, abriu os olhos encontrando aquele rosto, que há três anos era tão infantil. E agora era um homem feito, tinha um corpo forte e uma cabeça muito matura.

- Sim, pensei nele hoje. Desde que encontrei Rebeca, mas não fique assim.

- Me perdoe.

- Não, não toque nesse assunto.

- Eu...- ficou sem falas – eu... sinto muito. Se agisse mais com a cabeça e menos com o corpo, ele...

- Shhhh!!

Levou um dedo até os lábios do ruivo fazendo-o se calar. Depois retirou o dedo e se aproximou beijando os seus lábios docemente, foi apenas um selo de leve, sem malícia. Quando se afastou sorriu e disse:

- Eu te amo, além de tudo e todos.

Ryori não conseguiu deixar de sorrir. Seus braços envolveram o corpo de Yuy num abraço aconchegante. Os dois ficaram abraçados por um tempo, até que Ryori se separa dizendo, que não gostava daquele tipo de música que estava tocando.

- Sabe que eu gosto.

- É deprimente demais e só fala em morte.

- Não me diga que se incomoda com coisas sobre a morte, logo você.

- Não é isso. Não me preocupo, só acho que não lhe faz bem, eu não quero que ouça isso.

- Você não manda em mim.

Uma coisa era certa. Quando Yuy tinha 15 e 16 anos era fácil de controlá-lo, educá-lo e ajudá-lo, quando Ryori achava necessário. Mas agora, o moreno estava crescido, tanto no físico quanto no mental, e ele tinha opinião própria e ela era bem diferente da de Ryori, por isso os dois discutiam tanto.

Os dois realmente se amavam. Eram muito diferentes, apesar de que com a convivência um foi pegando manias do outro, mas isso não queria dizer que pensavam iguais, ou que apreciavam as mesmas coisas. Muito pelo contrário, Yuy era a água e Ryori o vinho. E o mais engraçado era que aquele ditado “Os opostos se atraem”, caia como uma luva para esse casal tão atípico.

 

*

*

 

Shibushi estava conversando com Suka na cozinha. O loiro estava preparando um suco de frutas para todo mundo, e Suka estava sentando a mesa relatando tudo o que aconteceu com ele e Xyen nesse meio tempo.

Na sala, Nero estava sentado ao lado de Xyen, que lhe dava alguns biscoitos feitos para cachorro, que havia comprado no meio do caminho. Numa das almofadas estava Ruk, que indagava sobre o cruzeiro.

- Como conseguiu esse cruzeiro?

- Promoção! Compre dois pares de sapato e ganhe um cupom! – riu.

- Só você mesmo para ganhar essas coisas.

- Tenho sorte, não tenho? – sorriu de canto, dando uma piscada para Ruk.

- Muita. – sorriu – e você e Suka?

- O que tem?

- Como estão indo?

- Muito bem. A cada dia estou gamado naquele cara, acho que morro se ele sumir.

- E mesmo assim continua agarrando todo mundo? Acho que você merecia que o Suka lhe desse uma bota, para aprender a respeitá-lo.

Nesse instante, a expressão brincalhona e cínica de Xyen desapareceu por completo. Seus olhos se estreitaram e seus lábios se fecharam, ele ergueu uma mão colocando sobre o lado esquerdo da sua face, e disse:

- Nunca mais repita isso.

- Seria melhor se você se comportasse direito, ou ele pode te deixar.

- Eu sei muito bem o que eu quero, o que desejo. No entanto, minha vida é cheia de erros, e eu mesmo não consigo controlar meus desejos, mas isso não quer dizer que meu lado mais sério, meu “eu” interior, eu... Não quer dizer que eu não saiba as conseqüências dos meus atos. Eu posso pular a cerca algumas vezes, posso pensar em coisas impróprias, mas tem uma coisa que está nas minhas duas personalidades. Meu amor pelo Suka, mesmo estando brincando, chorando, brigando, traindo ou matando. Eu acordo, durmo e sonho com ele, a todo instante, sua voz, seu perfume, tudo... Tudo nele está presente em mim, no meu ser. Sem ele a minha alma está incompleta – disse friamente, com uma voz bem rouca, bem sinistra, como se estivesse contanto o mais mortal de todos os segredos.

Ruk sorriu, adorava saber que era o único que conseguia tirar Xyen do sério, o que era uma coisa muito difícil. Ele era o único que valia a pena conversar naquele inferno onde era mantido por Rayzen.

- Não precisa ficar tão sério Xyen! – Ruk diz, não gostava daquele olhar que ele emanava.

Era um olhar assassino, horrível para falar a verdade. A pessoa que via esse olhar não ficava viva para contar a história. Sempre foi assim quando Xyen entrava em ação sendo o principal soldado de rayzen, o mais forte e mais sábio de todos, o mais habilidoso e mais cruel. Por baixo dessa máscara sorridente estava uma fortaleza com grandes espinhos afiados, onde só poucas pessoas tinham a chave para entrar e vasculhar seu interior, que era grande, escuro e solitário.

A mão que cobria o lado direito de Xyen foi abandonando seu lugar revelando seu rosto por completo. Ele continuava com aquela expressão inquieta, brava e séria.

- Só de me imaginar sozinho novamente... – fechou os olhos – não... Não quero mais, não mais.

- Você não vai ficar sozinho, seu babaca. Apesar de ser um tarado, Suka te ama.

- Agora você pode dizer que eu tenho sorte. Pois eu tenho mesmo.

Ruk se levantou indo até o amigo, colocou as mãos nos seus ombros os apertando com força. Xyen levou sua mão direita até o seu ombro esquerdo, colocando-a sobre a mão de Ruk, depois o olhou e sorriu. Um sorriso que pouco mostrava, um sorriso simples, mas ao mesmo tempo calmo e sincero.

Inclinando-se para frente Ruk abraçou o amigo que o abraçou de volta. Ruk ficou com os lábios próximo ao seu ouvido e disse:

- Você não está mais sozinho, não se esqueça disso. Você tem amigos agora, tem o Suka, o Shibushi, o Ryori, o Yuy e tem a mim, que sempre estarei lhe apoiando.

- Obrigado, acho que você é o único que me entende.

- E o Suka também.

- Sim Ruk! Acho que se eu não o conhecesse me apaixonaria por você.

- Mas ele existe.

- Sim, ele existe e está ao meu lado onde sempre procuro protegê-lo, e você está do outro lado sempre me apoiando, como o grande amigo que você é.

Ruk se afasta dele vendo que aquela expressão continuava séria. Sentiu as mãos de Xyen nos seus braços, de como ele o apertava com força. Tinha que admitir que se Xyen quisesse ele o destruiria com um só dedo.

- Vocês querem suco? – a voz de Shibushi os faz despertar.

- Já estamos indo! – Ruk diz.

Os dois se levantam e vão andando até a cozinha onde Shibushi estava colocando o suco em cima da mesa, e Suka já estava bebendo.

A expressão de Xyen continuava séria, ele olhou para Suka que ficou encarando-o de canto, pensando no que devia ter acontecido para que Xyen ficasse com aquela cara. Isso só acontecia quando ele conversava com Ruk, que sempre despertava seu lado mais sério, o lado que ele tanto amava.

- Quer suco Xyen? – Shibushi indaga, tentando decifrar aquela expressão.

- Obrigado, depois eu tomo.

- Shibushi, vamos para o quarto? – Ruk se aproximou do loiro puxando-o pela mão, para fora da cozinha. E Shibushi que não era bobo nem nada saiu rapidamente, depois perguntaria o que houve.

Xyen foi até Suka ficando atrás dele, levou suas mãos até seus ombros retirando as mechas de cabelo as jogando para frente, fazendo-as cair por seu peito. Depois começou a massagear os ombros do moreno, que fechou os olhos apreciando a massagem.

- O que foi Xyen? – indagou.

- Nada, apenas quero ficar aqui com você.

- Está desse jeito por que?

- Nada, só senti falta de você.

- Tão cedo?

- Sempre sinto.

- Está meloso demais, não vou te deixar se é isso que lhe preocupa.

- Se me deixar eu te caço.

- Não duvido. Mas isso não vai acontecer, só se você me der razões.

- Não tem razões.

- Ótimo!

Xyen abraçou o seu corpo prendendo os seus braços, e depois o virou fazendo um barulho irritante, já que os pés da cadeira que era de metal entraram em atrito com o chão. Quando Suka se virou, Xyen o pegou no colo com velocidade, como se ele fosse uma donzela e foi levando-o até a sala.

Quando chegou na sala, Xyen colou Suka num tapete bem macio e fofo, da cor bege claro. Depois ficou ajoelhado em cima dele com as pernas abertas. Suas mãos trataram de retirar sua própria regata azul claro, depois retirou o cinto que estava usando, foi desabotoando sua calça jeans lentamente. Xyen se levantou para retirar a calça jogando-a longe.

- Parece animado! – Suka sorriu.

- Muito.

As mãos de Suka tocaram a face de Xyen delicadamente, ficou acariciando-a por um tempo, até que uma das mãos foi até atrás da sua cabeça, para desprender o rabo de cavalo dele. Quando o fez, uma cascata de fios roxos caiu sobre seus ombros e desceram por suas costas.

As roupas de Suka foram sendo retiradas do seu corpo pelas mãos ansiosas de Xyen, que mesmo com pressa tomavam cuidado para não rasgá-las ou estragá-las. Depois de muita paciência e uma ajudinha de Suka, Xyen conseguiu despi-lo.

- Te adoro, você é tão lindo – Xyen sorriu, ao ver a nudez do seu amado.

- Você não fica atrás.

Um sorriso desenhou-se nos lábios de Xyen, que se inclinou para frente capturando os lábios de Suka, e assim iniciando um beijo bem molhado, onde suas línguas trabalhavam rapidamente. Quando seus lábios se juntaram ainda mais, colando seus corpos, suas mãos começaram a deslizar pelo corpo do outro.

- Não está mais usando cueca por debaixo da calça seu safadinho? – Suka perguntou.

- Tenho preguiça de colocar. Gosto de andar com o bicho solto – riu.

- Sei!

A mão direita de Xyen deslizou pelas pernas torneadas de Suka deixando várias marcas de dedos, foi massageando sua coxa deixando várias manchas avermelhadas, ficou assim até que se desse por satisfeito. Adorava aquelas pernas.

A sala estava escura, apenas as luzes que vinham dos quatro abajures que estavam em cada canto da sala faziam a iluminação daquele cômodo. Não se podia ver nada direito, Suka via Xyen de relance. No entanto, Xyen podia vê-lo nitidamente, graças aos seus poderes.

Xyen afunda sua cabeça na curva do pescoço de Suka, fazendo-o agarrar os fios dos seus cabelos com força, para que a mantivesse a cabeça no lugar.

A boca de Xyen trabalhava no local. Sua língua molhava a sua pele amorenada, sentindo o gosto do sal presente nela. Seus lábios abriam e se fechavam sobre sua pelo deixando várias marcas de chupões. Mordia, lambia e chupava seu pescoço até que se deu por satisfeito descendo sua língua por seu tórax.

Quando encontrou os botões rosados, que eram conhecidos como mamilos, suas boca tratou de abocanhá-los, dando varias mordidas e lambidas. Ficou chupando aquele pedaço de carne, se deliciando com os tímidos gemidos que deixavam a garganta do seu amado.

Xyen ergueu seu corpo olhando para baixo, vendo aquele belo par de olhos verdes o encararem com curiosidade e atenção, pois Suka pouco via naquela escuridão. Mas suas respostas foram respondidas quando seu corpo foi virado, fazendo ficar de barriga para baixo naquele tapete peludo.

Uma língua quente e faminta deixava um rastro de saliva pelo extenso dorso de Suka, que se arrepiava com cada toque que sentia. As mãos de Xyen apertavam suas nádegas com força mostrando todo o desejo que estava sentindo no momento.

Depois de dar um banho de saliva no moreno, Xyen o virou de barriga para cima e sem demora atacou seu membro com os seus lábios exigentes. Começou a chupar aquele pedaço de carne que pulsava de desejo na sua boca.

Movia sua cabeça para frente e para trás sentindo aquele membro entrar e sair da sua boca, quando sentiu a mão de Suka na sua cabeça o empurrando na sua direção, intensificou os movimentos dando mais prazer ao moreno que gemia cada vez mais alto.

Suka levou uma mão até sua boca mordendo-a, para que não gritasse de prazer, já que não estava na sua casa e poderia incomodar o casal. Mas sabia muito bem que Ruk e Shibushi sabiam o que eles estavam fazendo, isso não era de se duvidar.

Xyen retirou o membro da sua boca, segurou-o com uma mão e começou a lamber sua cabeça, dava mordidinhas de leve na ponta, depois chupava um pedacinho e lambia novamente, ficou torturando o moreno até que ele gritasse de desespero.

- Quer... Me matar?

- Só se for de tanto sexo. – riu, mostrando seu sorriso depravado.

- Louco.

- Gostoso! Delícia... Adoro te pegar de jeito.

- Pára com isso... – gemeu.

- Hum... Geme para mim, geme. Grita, chama por seu mestre! Vai... Chama!

- Pervertido.

- Cachorro.

- Seu puto.

- Não sou mais puto que você, minha delícia.

Suka ia falar mais alguma coisa, mas Xyen apertou seu sexo com força fazendo afundar a cabeça no tapete bege. Uma risada bem alta foi ouvida, Xyen havia aberto as pernas de Suka e se posicionado no meio delas.

Com um dedo ele entrou no interior de Suka fazendo arquear as costas com a invasão abrupta do seu amado. Depois somou mais dois dedos os empurrando de uma vez, quando eles entraram começou a mexê-los nos seu interior abrindo caminho para que seu membro passasse por ali sem machucá-lo.

Retirou os dedos ganhando alguns gemidos de frustração por parte de Suka. Xyen sorriu, pegou seu membro com uma mão e foi guiando-o até a entrada do moreno. Pressionou a cabeça contra o resistente anel que o impedia de chegar ao paraíso. Mas com jeitinho foi pedindo permissão e aos poucos  foi entrando cada vez mais naquele corpo, recebendo gemidos e gritos por parte do seu dono, que se agarrava ao tapete tentando suportar a dor daquele grande pedaço de carne, que queria atravessá-lo ao meio.

Xyen tirava e colocava, tirava e colocava. Fazia tudo com muita calma, mesmo estando no limite, pois além de qualquer coisa amava Suka e jamais o machucaria.

Quando entrou por completo dentro daquele corpo soltou um gemido abafado carregado de prazer. Sentia seu pênis envolto por uma grossa parede, que fazia uma grande pressão sobre ele. Fechou os olhos concentrando-se em Suka, apenas nele, sentindo a mão dele nos seus braços, ouvindo sua respiração pesada, sentindo as ondas de calor que emanavam do corpo dele atingindo o seu. Ficou um tempo sentindo aquelas sensações que tanto apreciava, até que sentiu a necessidade do outro, e começou a se movimentar lentamente fazendo gemer dolorosamente pelas investidas.

- Estou te machucando meu puto favorito? – Xyen indaga, inclinando-se para frente, fazendo assim seu sexo entrar mais nele.

- Maldito.

- Eu também te amo – sorriu – quer mais?

- Pára de enrolar.

- Enrolar? Eu? – indagou inocentemente.

Soltando uma risada sonora começou a movimentar-se com força e velocidade, fazendo o corpo de Suka balançar para frente e para trás rapidamente. Ouviam-se os gemidos altos e profundos do moreno que enfiava suas unhas nos seus braços tentando suportar a dor que sentia de ser rasgado ao meio.

A mão de Xyen fechou-se no sexo de Suka lhe dando mais prazer. Começou a masturbá-lo no mesmo ritmo que investia dentro dele. Ficou um bom tempo assim se deliciando com os gemidos deles, com o pênis dele na sua mão, com seu pênis dentro daquele corpo tão quente e apertado. No entanto, aquilo não iria demorar muito, Suka estava no seu limite. O moreno já sentia uma corrente elétrica passar por seu corpo deixando-o num estado de desespero.

O ar estava ficando cada vez mais quente. As respirações cada vez mais pesadas. Tudo estava acontecendo rápido demais para o casal que não tinha mais controle de nada. Os gemidos se misturavam em um coro, agora nenhum deles sabiam onde estavam.

Suka foi o primeiro. Não agüentou mais as investidas que recebia de Xyen, que sempre chegavam na sua próstata lhe deixando cada vez mais louco. Acabou molhando a mão de Xyen com jatos fortes e viscosos, que escorreram por seu abdome.

O moreno contraiu todo seu corpo antes de ficar mole no tapete, tremendo como os leves espasmos pelo gozo de agora pouco. Quanto a Xyen, esse não agüenta mais, estava tremendo, sentia as ondas de calor por todo seu corpo, não demorou muito para ter o mesmo destino que seu amado. Explodiu dentro dele com jatos fortes de esperma que bateram com força contra a parede do seu ânus, fazendo soltar um gemido baixo.

Xyen cai em cima dele lhe dando um longo beijo nos lábios. Ficou um tempo abraçado a ele, até que viu que ele precisava respirar um pouco. Saiu de cima dele deitando-se ao seu lado, mas mesmo assim ficou abraçado a ele, sentindo o calor do seu corpo.

- Suka?

- Hum? – respondeu meio sonolento.

- É melhor a gente por uma roupa e ficar juntinho assim mesmo.

- Ta... Então me veste.

- Seu... Seu folgado, eu também estou acabado.

- Anda logo!

- Ta bom, ta bom!

Xyen se levanta e vai até a mala deles que estava num canto da sala. Ele pega um short e uma regata para Suka, e para ele uma bermuda de pano. Vestiu a bermuda e foi até ele que já estava quase dormindo.

- Eu vou ter que te vestir?

- Vai.

- Mas...

- Agora!

- Sim, sim!

Xyen foi colocando o short em Suka. No começo foi desajeitado, pois Suka não ajudava em nada, mas conseguiu colocar. Depois ergueu seu corpo fazendo ficar sentado, para colocar um regata nele, quando o fez, deu um beijo nos seus lábios e o deitou novamente no tapete. E acabou deitando ao seu lado e dormindo agarradinho a ele.

 

*

*

 

- Parece que eles pararam! – Ruk comentou.

O casal estava sentado na cama. Shibushi estava encostado à cabeceira da cama lendo um dos seus romances favoritos de vampiros, chamado “Je t’aime”, enquanto Ruk estava olhando para o loiro, admirando sua beleza e concentração na leitura.

- Deixe-os.

- Hum... o que acha se nós dois...

- Não. 1 mês.

- Não, você ainda não esqueceu isso?

- Não.

- Mas...

- Não.

Ruk arrancou o livro que estava na mão do loiro jogando-o para o alto. Shibushi viu seu livro batendo no teto e voltando no chão, fazendo algumas folhas soltas espalharem pelo quarto. O loiro fechou os olhos respirando fundo, tentando se segurar para não voar no pescoço daquele bastardo e jogá-lo para fora da janela.

- Como assim 1 mês???

- Pegue o meu livro agora.

- Você ficou doente?

- O livro!

- Você não pode fazer isso comigo.

- PEGA O LIVRO AGORA!!! – gritou.

Ruk se encolheu na cama, ficou olhando para loiro que parecia estar se segurando para não voar no seu pescoço.

- Se eu pegar o livro você...

- Agora!!!

As folhas espalhadas no chão foram rapidamente juntadas pelas mãos afoitas de Ruk. Quando arrumou tudo, olhou para Shibushi que estava com os braços cruzados e com uma cara de pouquíssimos amigos.

- Prontinho.

- Agora coloque as páginas no lugar.

- Mas...

- AGORA!

- Sim, senhor.

Depois de arrumar todas as páginas colocando-as no lugar, o moreno olhou para Shibushi que para sua infelicidade não havia mudado para uma expressão mais amigável.

- Qual é... Vai ficar assim...

- Boa noite!

O loiro deitou-se na cama puxando o lençol, cobrindo o seu corpo. Ruk ficou em pé olhando-o com raiva, olhou para baixo vendo que seu membro estava durinho por baixo da sua calça.

- Você viu o meu estado? – indagou, mas não obteve resposta.

- Shibushi, você não pode fazer isso comigo.

Ficou um tempo esperando alguma resposta, mas não ouviu mais nada, tentou convencê-lo, mas continuou sem uma resposta. Acabou por se irritar com aquele “gelo” que estava recebendo do seu amado.

- Já chega. Você vem me dando um beijo, eu caí que nem um patinho, aí você me joga na lama, depois que eu me vingo, você fica assim comigo?! – exclamou.

Cansado de não ter suas perguntas respondidas, começou a retirar a sua roupa. Jogou tudo no chão rapidamente, ficando apenas com uma pequena corrente no pescoço, que logo foi parar no chão também. Foi caminhando até a cama, sentou-se ao lado do loiro, na beirada da cama, e alisou seus cabelos com os dedos.

- Abre os olhos para mim... – pediu num sussurro.

Shibushi abriu os olhos, vendo que seu amado soldado estava nu. Soltou um longo suspiro pedindo paciência. Será que era tão difícil de entender? Se ele não queria, não iria fazer e ponto final.

- Vem... Deixa eu cuidar de você, meu anjo – disse, aproximando-se dele, dando um beijo na sua cabeça.

- Deixe-me em paz! – sentou-se abruptamente na cama.

- Ah! Como você é chato. Como eu te agüento?

- Se sou tão chato, por que não vai dormir em outro lugar? – disse, sentindo um frio na barriga.

Ruk levantou-se rapidamente, ficou olhando para o loiro, que já começou a se arrepender do que havia dito. O moreno virou-se de costas pegando um roupão que estava em cima da cadeira e saiu do quarto em silêncio, deixando o loiro muito apreensivo.

Um tempo se passou, a vela que estava em cima da penteadeira estava acabando, só estava um pouco mais de cera. Shibushi ficou olhando para o fogo que ia apagando vagarosamente aos seus olhos.

- “Droga!” – levantou-se da cama.

O loiro saiu do quarto indo até um corredor paralelo, onde tinha duas portas. Era um quarto de hóspedes, e o outro era um quartinho para suas tranqueiras. Como o quarto de hóspedes estava todo sujo e empoeirado, Xyen e Suka ficaram na sala. Se tivessem avisado antes, é claro que estariam nele, já que o casal iria limpá-lo.

Abrindo a porta, encontrou um quarto escuro e todo empoeirado. Olhou para cama, onde seu amado estava jogado, com os braços dobrados a baixo da sua cabeça, suas pernas estavam flexionadas e um pouco abertas. Seus cabelos estavam jogados na cama, e sua expressão era de poucos amigos.

- O que veio fazer aqui? – a voz cortante de Ruk, chegou aos ouvidos do loiro.

Shibushi fechou a porta trás dele e encostou-se nela. Ficou olhando para a cama, onde Ruk não se movia um milímetro sequer.

- Tudo bem, vamos conversar.

- Não quero. Agora eu que não quero, vai embora.

- Larga de ser infantil.

- Eu??? – sentou-se na cama indignado.

- Sim, você.

- Não fui eu que estava te recusando.

- Eu não queria, sou obrigado sempre?

- Obrigado? Sente-se obrigado?

- Você não entendeu.

- Claro que entendi.

- Pára com isso Ruk.

- Não, agora que ouvi isso não vou deixar passar em branco.

Shibushi cruzou os braços e ficou esperando que a discussão iniciasse, e não demorou muito.

- Está com algum problema? Se quiser falar comigo estou aqui, não precisa ter medo, eu não faria nada contra você, sabe disso. Vamos diga. Diga.

- Dizer o que? Que eu não queria transar com você agora? Era só isso, não precisava ficar assim.

- Você me expulsou.

- Isso é verdade... me desculpe.

- Não, você sempre pede desculpas e fica tudo bem.

- Fica tudo bem porque você me perdoa, ou será que não me perdoa?

- Eu te perdôo porque não quero ficar mal com você, pois você vira a cara para mim e depois não desvira mais. Se eu não arredar o pé e passar por cima do meu orgulho, você não vai ficar de bem comigo e ficaremos brigados por um bom tempo, pois você não se importa... Com nós!

- Não... isso de novo não! – revirou os olhos – Já disse para não tocar mais nesse assunto, tudo isso por causa de hoje de manhã? Que patético.

- Não, estou juntando tudo o que aconteceu.

- Está pegando mágoas passadas então? Entendo, devia jogar meus erros na minha cara na hora que eu faço coisas erradas, não agora. Não adianta falar o que eu fiz ou deixei de fazer no passado, pois como você sabe, passado é passado.

- Mas não é sempre que tenho coragem de dizer o que você faz de errado.

- Coragem? Tem medo do que?

- De te perder.

- Acha que é tão fácil assim me perder? – ficou indignado.

- Acho sim. Qualquer coisa você volta para os braços de uma certa pessoa...

- Ruk! – interrompeu – Eu não acredito nisso, não preciso ouvir isso.

- Não precisa?

- Você está muito nervoso, é melhor falarmos outra hora.

- Não! – levantou-se.

Ruk foi andando até o loiro, chegou perto dele colocando seu braço direito ao lado da sua cabeça, fazendo seus corpo ficarem a meio passo de distância. Foi se aproximando dos seus lábios, mas não os tocou e disse:

- Nada de fugir desse assunto.

- Esse assunto não existe!

- Existe sim, pare de fugir dele.

- Eu não fujo de nada, pois não há do que fugir.

Os dois ficaram se encarando por um tempo, vendo quem iria falar primeiro. Shibushi fechou os olhos e virou a cabeça para o outro lado. Ruk estreitou seu olhar, detestava quando ele fugia desse jeito.

O moreno deu um passo para frente colando seus corpos de vez, com a outra mão, que estava parada ao lado do seu corpo, levou-a até o rosto delicado de Shibushi o virando de volta, para que o olhá-se. Ficou olhando-o até que se aproximou dando um selo nos seus lábios, a mão que estava parada ao lado da cabeça do loiro, desceu por seu braço indo até sua cintura.

- Você é tão lindo. Acho que meu ciúme é minha perdição – sussurrou.

- Ruk eu...

- Shhh... Não diga nada. Como você mesmo disse, vamos esquecer esse assunto, pois esse assunto não existe mais, eu que sou um neurótico.

 - Tudo bem, eu entendo.

- Entende? – surpreendeu-se.

- Ciúmes... Não pense, que eu não tenho também.

- Tem? – sorriu, felicíssimo.

- Claro que tenho, você acha que eu sou de pedra? Acha que eu não o amo? Pois está muito enganado, pensei que já tivesse percebido meu amor por você.

- Eu sei que você me ama, mas só de imaginar que você pode pensar nele ainda, que você pode me deixar, ou que outra pessoa tem sentimentos iguais aos meus por vocês... Só de pensar nisso... Eu... Eu fico louco – suspirou – vou te contar um segredo...

- Conte!

- Às vezes eu tenho vontade de te prender numa casa bem distante, para que ninguém se aproxime de você. Quero que você só fique comigo, que precise de mim.

- Ruk, isso já acontece. Eu só fico com você, e preciso de você, só não estamos numa casa distante.

O moreno sorriu, abraçando a cintura do loiro com força. Afundou sua cabeça na curva do seu pescoço aspirando seu perfume, aquele cheiro de ervas, que era tão característico seu. Sentia aquele corpo magro, fino e delicado, junto ao seu que era alto, forte e musculoso.

Começou a beijar o seu pescoço delicadamente, passou a língua pela pele quente do loiro, ficou fazendo essa caricia até que sentiu a urgência dos seus lábios. Deslizou sua boca até a boca de Shibushi, encontrando seus lábios, que já estavam entreabertos esperando pelos seus. Juntou as suas bocas delicadamente, ficou olhando para seus olhos, sentia a respiração acelerada do outro, e finalmente aprofundou o beijo. Sua língua invadiu aquela cavidade rapidamente, explorando aquele espaço já tão conhecido. Ficou mexendo sua língua naquela boca, até que sentiu a língua de Shibushi se mover junto com a sua e invadir sua boca também.

Ruk estava excitado demais, mesmo depois de tudo. O moreno prensou o corpo do loiro na porta com seu corpo. Com as mãos começou a passear por aquele corpo tão maravilhoso, quando viu que ele estava coberto por panos, sentiu a necessidade de arrancá-los e assim o fez. As roupas de Shibushi, que não eram muitas e nem difíceis de tirar, foram logo jogadas ao chão.

O roupão do moreno estava aberto mostrando a parte da frente do seu corpo. Ele sentia as mãos do loiro deslizarem por seu dorso chegando até suas nádegas, as apertando com força e empurrando seu corpo para mais perto do dele, como se quisesse que eles se unissem num único ser.

A mão de Ruk foi até o sexo do loiro, que estava pouco desperto. Então começou a masturbá-lo rapidamente, usando sua velocidade especial, fazendo Shibushi afundar sua cabeça no seu ombro direito tentando se acalmar com a excitação que crescia cada vez mais.

- Ahhh... Ruk... – suspirou.

- Acalma, meu anjo, vou fazer você gritar daqui a pouco! – sussurrou sedutoramente no seu ouvido.

Shibushi sentia seu corpo tremer levemente. Aquele calor o invadia, fazendo se agarrar ainda mais ao moreno, que não parava um segundo sequer de estimulá-lo, deixando-o cada vez mais louco.

Ruk parou de masturbá-lo ao ver que ele estava prestes a gozar, levou uma mão até seus cabelos o puxando para trás, queria ver seu rosto novamente. Adorava ver sua expressão carregada de prazer. Viu que Shibushi estava com os olhos abertos e a boca entreaberta. Adorava aquela expressão, mas sentia um prazer indescritível quando ele se contorcia e gemia. Então começou a estimular seu membro novamente, mas desta vez segurava seu rosto com a mão esquerda, para que pudesse ver seu rosto.

Shibushi fechou os olhos com força, seu cenho ficou todo franzido com a força que fazia, sua boca abria e fechava a cada gemido, sua face estava quente, suada e vermelha. Ruk só o observava sentindo seu sexo duro e solitário, que balançava no meio das suas pernas. Mas colocaria um fim para tudo aquilo.

Capturou os lábios do loiro num beijo violento, adorava deixar aquela boca vermelha. Ficou beijando-o sem dar tempo para ele pensar ou sequer respirar. Seu sexo estava sendo massageado por sua mão, que o prendia com força, e fazia movimento rápidos e fortes nele. Não demorou muito, e Shibushi gritou entre o beijo, quando ejaculou na mão do soldado.

- Ahhhh... Ruk... ahhhh... – abraçou-o com força.

Ruk não disse nada. Soltou o seu membro e com as mãos levantou as pernas do loiro colocando-as em volta da sua cintura, pediu para que o loiro prendesse suas pernas, e ele o fez, mesmo estando um pouco tonto. Depois segurou seu membro guiando até a pequena entrada daquele corpo.

- Agora vou te pegar todinho, grita para mim grita, chama por mim... – disse, colocando a cabeça do seu membro na entrada, pressionando cada vez mais.

- Hummm... Ruk...

- Meu anjo safado... Como te amo... Agora fique comportadinho, que eu vou cuidar de você!

O membro de Ruk foi sendo empurrado para dentro daquele corpo, sentindo toda a resistência imposta pelo anel, mas aquilo não impediria de se enterrar naquele lugar tão apreciado. Foi puxando o corpo do loiro para baixo, ouvindo gritar cada vez mais alto, e sentindo as suas mãos fecharem-se nos seus braços com mais força.

Quando entrou por inteiro naquele corpo soltou um gemido longo e profundo, mostrando toda sua satisfação, ficou um tempo parado sentindo aquele choque que correu por todo seu corpo. Olhou para Shibushi que estava encostado a porta com a cabeça virada para o lado, e seus cabelos estavam jogados na sua face suada, impedindo-o de vê-los. Com uma mão retirou os cabelos que estavam colados no seu rosto, e começou a se movimentar, levantando e descendo o loiro, fazendo suas costas deslizarem pela porta de madeira, que estava ficando marcada pelo seu suor.

Shibushi descia e subia rapidamente. Ruk tinha força suficiente para levantá-lo com as mãos, mesmo estando com seu corpo tomado pelo prazer e por vários espasmos. Ficou um tempo assim, agarrado aquela cintura fina, que estava ficando vermelha pelas marcas que seus dedos deixavam.

- Ahhh... ahhh... ahhh... – gemia alto todas às vezes que sentia aquele membro tocando na sua parte mais sensível.

- Geme pra mim... Isso! – sussurrou.

- Ahhhh Ruk... Eu...

- Você é meu, só meu. Diga que é só meu, diga.

- Sou... Todo seu, todinho.

- Posso te comer a hora que eu quiser, não é mesmo?

- Claro... Sempre que quiser, sou todo seu, pode fazer o que quiser comigo!

Ruk se excitava ainda mais quando falava daquele jeito com o loiro, pena que ele só permitia esse linguajar quando estavam na cama, pois não falaria isso todos os dias quando acordasse. Havia pegado algumas características de Xyen, enquanto trabalhavam juntos.

Os movimentos ficaram cada vez mais rápidos, Ruk já não agüentava mais, jogou a cabeça para trás mordendo o seu lábio inferior, quando seu membro explodiu dentro daquele corpo tão fechado. Ficou se movimentando lentamente dentro dele, sentindo a penetração mais fácil por causa do seu esperma, que o ajudava deslizar por aquele corpo.

O moreno saiu de dentro dele, e foi andando até a cama. Jogou o loiro nela fazendo-a ranger com o peso. Colocou as mãos na cintura, enquanto observava aquele corpo cheio de marcas, quando Shibushi abriu os olhos, acabou sorrindo.

- Vamos dormir, pois temos que levantar cedo amanhã.

- Não me fale em levantar.

Ruk riu, deitando-se ao seu lado.

- Hei... Aqui está muito empoeirado. Vamos voltar para o quarto.

- Estou com sono, não enche.

Ruk não disse mais nada, levantou-se pegando o loiro no colo e logo saiu do quarto, passando pelo corredor, mas para sua surpresa encontrou Xyen saindo do banheiro. Os dois ficaram se olhando, até Xyen olhar para o corpo desnudo do loiro, que já dormia.

- Acabou com ele não é mesmo? – sorriu – seu danado, mas eu faria o mesmo se tivesse um pedaço de carne assim na minha cama.

- Seu... você não estava com o Suka!?

- Não fica bravinho não, olha... Eu posso fazer uma massagem em vocês dois, o que acha?

- Vai para sala agora.

- Hum... Estou sem sono, e o Suka já me deu dois foras, ele disse que eu sou insaciável.

- Concordo com ele.

- E você é igual a mim Ruk, então o que acha de nós dois... Você sabe. – sorriu.

- Hum... Não sei não – olhou-o de canto.

- Ai, como você é inocente. De nós dois nos catarmos de vez, fazermos um sexo selvagem, arrancar sangue do outro, depois fazer um sexo oral de 4 horas!

- Eu sei do que estava se referindo, seu maníaco sexual!

- Maníaco? Eu??? – indaga indignado.

- Não, eu!

- Você??? – fingiu-se assustado com a revelação.

- Já chega! Da licença!

Ruk passou por ele, entrando no seu quarto e fechando a porta.

- Hum... Cheiro de sexo, que excitação! – riu baixinho, voltando para sala – “Um dia eu agarro todo mundo... quem será o primeiro? Vamos ver, ah! O Shibushi, depois o Yuy, ele ficou tão lindo, depois desses anos, e pensar que eu o chamava de pirralho... vamos ver... o Ryori, sim, mas vai ser mais difícil. Depois vai ser o Ruk lindo! Ai, ai... isso já aconteceu nos meus sonhos, por que não na realidade?” – pensava com um sorriso bobo no rosto.

 

*

*

 

O dia finalmente nasceu. Todos fizeram seus deveres rapidamente. Ryori foi até o seu esconderijo secreto falar com seus homens, dizendo que iria ficar ausente por duas semanas ou mais, e que era para eles cuidarem de tudo ou estariam todos mortos quando ele voltasse.

Já eram 14:00 horas, todos estavam de malas prontas na casa de Shibushi e Ruk.

- Então, vamos! – Suka diz.

- Vamos! – Yuy sorriu, estava tão feliz por sair um pouco daquela cidade.

Os casais entraram nos seus respectivos carros, menos Xyen e Suka, que foram com Ruk e Shibushi, já que não trouxeram seu carro. Não demorou a chegarem até o porto das Galhinhas, onde tinha um grande cruzeiro estacionado.

- Uau! – Yuy sorriu, ao ver aquele navio enorme – É lindo, Ryori.

- É mesmo! – sorriu, por ver que Yuy estava feliz.

Todos eles entraram no cruzeiro, juntamente com Nero, já que para Ruk e Shibushi era como se ele fosse um filho, isso porque o casal já havia pensado em adotar uma criança. Mas por enquanto achavam-se imaturos para criar um filho.

Quando entraram o cruzeiro partiu, parecia que eram uns dos últimos, pois mais três casais haviam entrado atrás deles.

Todos foram até a recepção do navio, que para sua surpresa, só tinha 1 único quarto para todos eles. Era um quarto grande, com três quartos, mas só de imaginar que teriam que ficar 2 semanas num mesmo local, era desgastante.

- Xyen seu desgraçado! – Ruk xingou, enquanto seguia os empregados, que os guiava para o quarto.

Ryori andava com os braços cruzados, mantendo seu típico mau humor, também, ele tinha razão para isso. Pensava que iria ficar a sós com seu querido Yuy para aproveitarem ao máximo aquela viagem, que os dois estavam precisando, mas não! Eles teriam que ficar convivendo com aquele maluco do Xyen, que não parava de dar umas piscadas indiscretas para o loiro, que já havia se agarrado ao braço de Ruk, com medo de algum assédio.

Quando entraram no quarto, todos deixaram as caras emburradas para trás, para apreciar aquele lugar tão maravilhoso, tão claro, limpo, belo, arrumado e decorado. Eles ficaram parados na porta, mas voltaram dos seus devaneios quando os empregados pararam nas suas frentes esperando a gorjeta.

Xyen olhou para a cara daqueles quatros homens e não resistiu, agarrando os quatro de uma vez com uma velocidade incrível e os enchendo de beijos no rosto e nos lábios. Quando Suka e os demais perceberam o que ele estava fazendo foram correndo socorrer os pobres empregados.

- Seu idiota eu não acredito que fez isso!! – Ruk gritou.

- Peça desculpas!! – Suka gritou, mostrando-se bastante nervoso.

- Er... – Xyen abaixou a cabeça fazendo um olhar de criança magoada, depois olhou para o empregados que até ficaram com pena. Depois olhou para os demais com os olhos rasos d’água fazendo um biquinho de dar dó, em seguida levou as mãos ao rosto e se ajoelhou no chão chorando baixinho – Desculpa! – sussurrou, fazendo todo mundo derreter feito geléia naquele quarto.

- Tudo bem... a gente perdoa, né? – disse um dos empregados, fazendo os demais concordarem também.

- Não fica assim! – diz Yuy, ajoelhando-se ao seu lado, passando a mão por seus ombros.

- Eu... eu.... – Xyen ergueu o olhar, mostrando aqueles olhinhos brilhantes.

- Não diga nada! Nós... que fomos os culpados! – disse um dos empregados.

- É verdade! Nos perdoe! – diz o outro.

- Eu... eu... – Xyen abaixou a cabeça novamente, e começou a desenhar alguma coisa com seu dedo indicador no chão.

Aquela cena estava sendo muito dramática. Nenhum individuo estava suportando aquela situação. No entanto, Ryori mantinha-se sério, irritado, pois seu mau humor voltou ao se lembrar que teria que passar duas semanas com aquele idiota tarado.

- Já chega!! – Ryori disse, fazendo todos olhá-lo com um único pensamento: “Você é idiota ou burro? Não está vendo que ele está sofrendo?”.

- Yuy se afaste dele! – pediu.

- Ryori, não está vendo que ele está triste.

- Er... triste com o quê? – indagou, cruzando os braços.

Todos ficaram em silêncio por um tempo, pensando no que tinha acontecido para estarem naquela situação. Então todos se encararam com uma certa raiva e logo em seguida os empregados foram embora praguejando algo.

- Xyen!! Seu idiota, cretino, galinha!!!

- Hei! Eu não sou galinha!! – defendeu-se.

Xyen se levantou com um sorrisinho no rosto, mas depois sumiu vendo que Suka estava realmente bravo.

- Eu só tenho a necessidade de descobrir o gosto dos lábios dos outros! Isso não é ser galinha! Sabia que isso é uma doença, Suka? Você deveria me entender!!!

- Te entender??? Te entender???? – gritou – Ahh... Desisto! – falou, indo até um sofá de couro da cor branca, jogando-se nele.

Todos ficaram se olhando, até que Ruk puxa Shibushi pela cintura até suas malas a fim de irem para seus quartos e descansarem um pouco, para depois aproveitarem a piscina do cruzeiro.

Ryori e Yuy fizeram o mesmo logo em seguida, deixando apenas Xyen e Suka na sala, já que Nero seguiu seus donos.

Os quartos eram numerados. O por quê disso? Ninguém sabia e não se importaram também. Dois quartos ficavam de frente para o outro num corredor um pouco estreito, onde duas pessoas não passavam e o outro quarto ficava no final do corredor. As numerações era simples: 1, 2, 3. Ruk escolheu o quarto 3, que ficava no final do corredor. Ryori escolheu o 2 e o número 1 ficou com Xyen.

 

*

No quarto 3.

Uma grande cama de casal recheada de lençóis de seda e algumas almofadas ficavam no centro do quarto. As paredes eram feitas de gesso, com alguns desenhos de anjos feitos nela. Tinha duas grandes janelas com grossas cortinas de seda, alguns tapetes, e o melhor: era o único quarto com suíte.

Nero tratou de pular numa poltrona de veludo que tinha no canto. O cachorro bocejou antes de deitar sua cabeça em cima das suas duas patinhas que estavam bem juntinhas servindo de travesseiro.

- Parece que ele gostou! – comentou o loiro, sorrindo para o cachorro.

- É sim! Acho que não conseguiria ficar muito tempo sem ele! – comentou.

Shibushi andou até o cachorro lentamente para não chamar a sua atenção, a fim de fazer um carinho gostoso nas suas orelhas, lugar onde ele mais gostava de ser acariciado. Mas Nero abriu um dos seus lindos olhos negros. Quando Shibushi se aproximou, o cachorro pulou em cima dele derrubando-o no chão.

Vendo toda aquela bagunça e de como Nero babava em cima do seu lindo anjo loiro, Ruk resolveu largar suas malas no chão e correr até eles.

- Sai Nero! Sai!! – puxou-o para trás, pegando no colo.

Como Ruk tinha uma força anormal, pegar Nero não significava nada para ele. No entanto para uma pessoa normal aquilo não era muito fácil, já que ele pesava 50 quilos e ainda por cima tinha uma boca grande que adorava morder, mas nunca para machucar, e patas grossas que se mexiam no ar tentando se soltar. Se recebesse uma daquela no peito ficaria todo machucado, por causa das unhas grossas e afiadas.

Ruk prendeu Nero na suíte, pois ele queria pular no loiro novamente, que ainda permanecia no chão, como se um trator tivesse passado por cima dele. O soldado foi até o loiro, após trancar aquela fera, que não fazia mal a uma mosca.

- Tudo bem? – indagou, estendendo a mão.

- Hum...

- Quantos dedos você está vendo nessa mão? – perguntou, mostrando dois dedos.

- Dois!

- Ahh! Tadinho! Parece que bateu a cabeça com muita força.

- Não seja idiota, você tem 2 dedos.

- Quantos dedos eu tenho nessa mão?

- Dois caramba!!!

- Nãooooo.... eu tenho cinco dedos nessa mão, mas só estou te mostrando dois!

Shibushi fechou os olhos colocando a mão na testa. Como ele suportava tudo aquilo? Então começou a rir, afinal, estavam em férias.

Após Shibushi se levantar e arrumar suas coisas junto de Ruk, os dois caem na cama abraçados.

 

*

No quarto 2

Ryori desfez as malas junto com Yuy. Depois que terminaram, os dois saíram do quarto passando correndo pela sala, onde Xyen e Suka se agarravam num sexo selvagem, onde gritos de prazer ecoavam por todo o cômodo.

Quando saíram dos quartos, alguns empregados que passavam os olharam com certa desconfiança. Primeiro: os dois tinham cara de ser um casal. Segundo: Xyen fez um escândalo e todos os empregados já deviam estar sabendo. E terceiro: eles eram machistas.

Yuy olhou para Ryori, que estava olhando para frente, como se nada tivesse acontecido. Realmente, era muito difícil atingir o ruivo, quando o assunto não se chamava “Yuy”.

O casal foi andando até chegar na piscina, onde já tinha algumas crianças pulando da na, e algumas mulheres estavam tomando banho de sol.

- Parece que não é um lugar muito luxuoso – comentou Ryori.

Yuy olhou-o de canto indignado com que ouviu.

- Como assim? Para mim isso é demais.

- Yuy, eu preciso lhe levar para outros lugares. Você precisa conhecer o que é bom.

- Metido!

- Hum???

- Metido! Boy!

- Olha a boca fedelho!

- O que foi seu velho? Sabia que você é muito playboy?

O ruivo cruzou os braços dando um olhar mortal para o moreno, que acabou dando de ombros, retomando seu caminhar pelo cruzeiro. Ryori ficou um tempo olhando para seu amado, que se afastava cada vez mais dele, até que resolveu alcançá-lo, ficando em silêncio ao seu lado.

 

*

*

 

Todos estavam na piscina. Estavam num canto, haviam pegado uma grande mesa e algumas cadeiras.

Shibushi estava debaixo do guarda-sol tomando um suco junto com Ryori. Os dois conversavam animadamente, sobre assuntos passados, onde nem Yuy e nem Ruk podiam se intrometer.

Ruk estava com Yuy na piscina. Os dois estavam na beirada, com os cotovelos apoiados na beirada, fazendo seu tronco ficar para fora. Os dois não estavam longe da mesa, eles fizeram questão de ficar ali espionando os dois.

Enquanto isso, do outro lado da piscina. Xyen estava jogando vôlei com algumas garotas, que estavam pagando um pau para o seu corpinho definido. E do outro lado estava Suka, conversando uma mulher que veio puxar papo com ele. Os namorados se olhavam, um com ciúme do outro. No entanto, Suka até estava acostumado a ver Xyen dando em cima dos outros, então nem se importou muito. Agora Xyen estava com vontade de esganar aquela mulher que babava em cima do “seu” moreno.

Shibushi se levantou, estava usando uma bermuda azul claro. Seus cabelos estavam soltos, ele olhou para Ryori que estava sem ar. Estava hipnotizado com a beleza daquele anjo.

- Vamos entrar na água? – indaga o loiro, se espreguiçando.

- Hum... eu...

- Ah! Larga de ser velho! Vamos! – disse, puxando o braço de Ryori, fazendo se levantar.

Ryori ficou muito próximo ao corpo de Shibushi, podia sentir que seus mamilos iam tocar os dele, mas Shibushi nem notou essa a proximidade e agiu normalmente, andando até a piscina, mais precisamente, até Yuy e Ruk, que estava se mordendo de ciúmes dos seus amados.

Shibushi soltou o braço de Ryori e sentou-se na borda, ao lado de Ruk, que olhou de canto, com raiva e ciúme. O loiro notou que ele estava irritado, mas não sabia o motivo. Então pensou um pouco e sorriu.

- O que foi? – Ruk indaga.

- Nada não!

- Hum! – fechou a cara novamente. Ruk caiu para trás afundando na água, sumindo da vista deles.

- Ryori, não vai entrar? – Yuy indaga.

- Hum... daqui a pouco vamos tomar café. Então para que eu vou me molhar? – indaga, mostrando-se cansado.

- Por que se molhar? Oras Ryori, acho que tenho uma resposta. Porque eu estou na água e quero você aqui! – disse.

Ryori olhou para aquele cenho todo franzido e pensou no porquê de tanta raiva, e então olhou de canto para Shibushi, que também o olhou de canto. Os dois sorriram discretamente e ambos pularam na piscina, cada um ficou juntinho do seu amado.

Shibushi nadou até outra borda, onde Ruk estava encostado a parede, com os pés no chão, mas mesmo assim a água batia no seu pescoço. O loiro se aproximou colocando a mão na beirada da piscina.

- Hei, que cara é essa? – indaga.

- Que cara?

- Essa cara de que comeu e não gostou!

- Hum... Impressão sua! – disse, olhando-o nos olhos.

- Ruk... Vamos mais pro raso, eu não quero ficar aqui me segurando. Se eu por meus pés no chão, a água vai quase me cobrir.

- Então vai pro raso.

- Vem comigo.

- Não quero.

- Ah! Por favor.

- Não.

- Eu te peço.

- Hum... – Ruk fechou os olhos, fazendo um não com a cabeça.

Shibushi se irritou e foi nadando até o raso, quando sentiu o chão parou de nada e foi andando até o raso, onde Xyen estava. O loiro estava tão irritado com o ciúme do seu amado, que nem notou o perigo que estava correndo.

Xyen olhou para o loiro que estava ao seu lado, encostado na borda. Ficou olhando para seu tórax branco e seus mamilos rosados, sentindo água na boca só de imaginar mil coisas com aquele corpinho. Xyen passou seu braço direito pela cintura do loiro, que se assustou olhando-o.

- Shhhh... se você se mexer ou me xingar, todo mundo vai olhar e nos tratar mal ao ver que somos gays assumidos.

- Seu desgraçado, tira a mão de mim.

Xyen sorriu fazendo sua mão deslizar até suas nádegas as apertando com certa força, ao mesmo tempo que encarava a sua face furiosa. Shibushi tentou sair, mas Xyen o empurrou com dois dedos para trás, fazendo o loiro bater as costas na parede. O movimento foi simples e sutil, mas como Xyen não era um humano comum, naquele gesto foi aplicada muita força.

- Pára Xyen! Vou contar pro Suka.

- Conta! Mas agora eu vou conhecer esse anjo safado.

- Ruk! – Shibushi chamou-o.

Ruk que ainda estava com os olhos fechados, não fez questão de abri-los, ele apenas disse:

- O que foi?

- Venha aqui! – o loiro pediu.

- Não.

- Ruk, por favor! – disse desesperado, sentindo aquela mão começar a apertá-lo com mais força.

Xyen estava se divertindo, agora havia aberto um pouco as pernas do loiro e suas mãos estava passeando por suas partes baixas. Claro que ele sempre olhava para os lados, vendo se tinha alguma pessoa ou criança por perto. Mas não tinha ninguém ali, e todos estavam prestando atenção num dos empregados do cruzeiro que estava brincando com algumas pessoas, com truques de mágica.

- Não!! – disse, mais irritado.

- Ele não vai vir... pare de resistir. Por que não voltamos para o quarto? – sussurra em seus ouvidos.

- Ruk! O Xyen está aqui comigo! – disse.

Ruk finalmente abre seus olhos e vê a situação que seu amado se encontrava. Olhando por cima parecia que eles não estavam fazendo nada. Ambos estavam lado a lado, encostados a parede, olhando para frente. Apenas o braço de Xyen que estava mais para baixo, mas conhecendo bem aquele homem podia ter certeza que nada bom estava acontecendo ali.

- Xyen solta ele!

- Ele está solto! – disse – Você está vendo eu segurá-lo.

- Shibushi, então saia daí! – disse Ruk, indignado.

O loiro deu um passo para frente, mas voltou rapidamente ao sentir seu membro ser segurado por aquela mão atrevida. Ele olhou para Xyen que soltou um sorriso pervertido.

- Eu to preso!

- Por onde? – Ruk indaga, vendo que nada estava sendo segurado.

- Adivinha! Ruk, por favor, me tira daqui!

Ruk finalmente entendeu o que estava acontecendo. Foi correndo até Shibushi empurrando Xyen longe e logo depois afundando sua cabeça na piscina numa tentativa real de afogá-lo, mas Xyen só precisou usar um pouco da sua força, para que Ruk o soltasse.

- Você não pode contra mim, gostoso.

- Não toca no Shibushi.

- Ele é irresistível. Olha para cara dele Ruk... olha.

Ruk hesitou um pouco, mas acabou olhando. Xyen ficou atrás do ex-soldado, falando baixinho no seu ouvido.

- Olha aquela cara de anjo, que você sabe que pode ser muito safado. Olha aquele corpo maravilhoso, aquela barriga magra e bem desenhada, aqueles olhos tão expressivos... aquela bundinha redondinha e macia. Você acha que eu resisto?

- Xyen, ele é meu! Cadê o Suka?

Xyen olhou para os lados procurando seu amado, mas não o encontrou. Então de repente a expressão dele muda.

- Aquela mulher o raptou!

- Que mulher?

- Uma vaca que tava dando em cima dele! – disse, já saindo da piscina.

Ruk fez um não com a cabeça. Então ele olhou para a borda, vendo que Shibushi não estava mais ali. Ficou olhando para os lados, até que o encontrou na mesa, pegando seus chinelos para ir embora dali.

Ryori e Yuy estavam conversando numa boa, quando Ryori pára de repente e olha para Shibushi que saiu dali.

- Brigaram? – Yuy indaga.

- Hum, mais ou menos. Vejamos, eu acho que sim.

- Que confusão Ryori, o que você sabe sobre isso.

- Ruk é ciumento demais, por isso estraga o relacionamento com ele.

- Hum – Yuy fez biquinho.

- E você, trate de não ficar igual a ele.

- Eu não sou! – disse, cruzando os braços e ficando nas pontinhas dos pés, para não afundar.

- Hum ta bom.

- Eu disse que não sou.

- Eu acredito! – disse.

- Pára de ser irônico!

- Eu não estou sendo irônico. Você está muito irritado sabia?

- Hum!

- Hei, vamos sair vai. Vamos comer algo.

- Hum, ta certo. Estou com fome mesmo.

 

*

*

 

Todos estavam nos restaurante. O clima estava um pouco pesado. Shibushi estava com raiva do ciúme do Ruk. Suka estava irritado, pois quando Xyen o encontrou conversando com aquela mulher ele fez um escândalo, mas não um escândalo besta. Mas sua personalidade mais séria apareceu, fazendo o clima ficar realmente sério.

Apenas Ryori e Yuy estavam de bem. Os dois trocavam olhares apaixonados o tempo todo, conversavam tranqüilamente sobre assuntos diverso e de novos planos para viagens a dois.

 

- Eu soube que tem duas paradas em duas ilhas desertas! – comentou Yuy com o grupo.

- Legal! Quais são? – Shibushi indaga.

- Sei lá, só sei que são duas.

- Hum! – o loiro não diz mais nada.

 

O garçom veio com os pedidos. Todos agradeceram, menos Ryori é claro, e iniciam o seu café da tarde tranqüilamente. O clima foi ficando cada vez melhor, no final, sem querer, Ruk e Shibushi acabaram conversando e brincando um com o outro. Suka e Xyen fizeram as pazes nos olhares. Mas é claro que nenhum deles se tocaram. O que as pessoas iriam pensar?

Depois de comerem e falarem bastante, cada casal foi para um canto namorar, mesmo que fosse apenas com palavras e gestos disfarçados.

Num canto, estava Shibushi e Ruk, os dois estavam na parte de trás do cruzeiro, onde alguns casais estavam namorando abertamente, por serem heterossexuais é claro. Quando eles encostaram-se no pequeno muro de madeira, olharam para baixo vendo a hélice sacudir as águas.

- Que bom que não está mais bravo comigo! – comentou, colocando a mãos discretamente sobre a do loiro.

- Hum, resolvi deixar pra lá.

- Que bom!

- Mas da próxima vez que eu pedir ajuda, venha logo.

- Desculpa, estava cego demais para ver você naquele momento.

- Não faça mais isso! – sorriu de canto – Mas vamos mudar de assunto.

- Sabe, eu estou com uma vontade louca de te beijar! – disse, se aproximando mais dele.

- Faça isso no último dia que estivermos aqui, pois não quero ver esses idiotas me encarando o tempo todo, mostrando seu preconceito idiota.

- Eu posso te proteger de pedradas meu anjo, mas infelizmente, eu não posso lhe proteger de palavras!

- Eu sei, eu não peço que me proteja. Deixe as coisas como elas são, agora vamos voltar para o quarto, eu estou cansado.

- É verdade, ficar na água por muito tempo cansa mesmo.

- Eu nem fiquei muito. Mas pelo que eu fiquei já bastou.

Os dois saem dali conversando baixinho e soltando altas gargalhadas, chamando a atenção de algumas pessoas, que não se importavam com eles, mas sim com as pessoas que tinham em seus braços.

 

*

*

 

No dia seguinte.

Abriu a porta do quarto não encontrando ninguém, olhou para os lados estranhando o silêncio. Entrou fechando a porta atrás de si, jogou sua jaqueta no sofá e foi andando até o quarto com passos preguiçosos.

Quando estava abrindo a porta do seu quarto ouve uma voz muito sedutora atrás de si, olhou para trás vendo Xyen olhá-lo maliciosamente. Foi dando alguns passos para trás entrando no seu quarto que estava bem escuro, e Xyen foi andando na sua direção também, quando entrou no quarto fechou a porta deixando o local escuro.

- Xyen... O que você quer? – indagou, sentindo-se inseguro naquele lugar escuro e fechado com aquele maníaco sexual.

Não obteve resposta para o seu desespero. Pensou em se esconder em algum lugar, mas lembrou-se que Xyen não era um homem muito comum, e lembrou-se que Ruk também conseguia ver muito bem no escuro, então seria inútil.

Shibushi gritou de susto ao sentir suas costas serem abraçadas por braços fortes e quentes, olhou para trás sentindo a respiração quente e acelerada de Xyen na sua nuca.

- Xy... Xyen o que você está fazendo? – indagou.

- Nada loiro! Apenas relaxa! – diz alto, mostrando seu divertimento.

Sentiu os braços começarem a descer por seu corpo lentamente até chegar nas suas coxas, tentou se afastar, mas Xyen o abraçou com mais força soltando uma alta gargalhada.

- Me solta!

- Hum... Que cheiro gostoso você tem! – gemeu.

- O... O que? Me solta, quando o Ruk chegar ele vai...

- Calma, ele não precisa saber! – riu – sei que você também não me resiste.

- E o Suka?

- Ele não tem ciúme!

- Mas o Ruk tem! E eu não quero!

- Escuta gostosinho, o Ruk não precisa saber e quando você sentir isso...- abraçou mais o corpo de Shibushi empurrando seu quadril para frente, para que Shibushi sentisse seu volume - ...Bem dentro de você, te rasgando bem fundo, te alargando bem gostoso você não vai resistir e vai rebolar para mim!

Shibushi poderia até ficar indignado com esse linguajar todo, mas ele já conhecia Xyen há um bom tempo. E sabia também que ele era louco suficiente para fazer o que estava falando, entretanto usar força física não ia ajudar em nada, pois ele deveria ser tão ou mais forte que Ruk.

- Vem meu putinho, rebola bem gostoso para mim! – diz, dando uma lambida na sua nuca.

Shibushi não agüentou começou a mexer, tentou se livrar daqueles braços, mas foi inútil não conseguiu nem se mover do lugar, enquanto Xyen continuava a lamber a sua nuca.

- Quanto mais você se esfrega, mais meu tesão aumenta.

- Ahhhhhhh!!! Seu maníaco sexual!!! – gritou.

- Sou tudo o que você quiser, loiro safado!!

Shibushi não sente mais o chão, já que Xyen o ergueu e o jogou na cama. O loiro fica olhando para os lados tentando achar Xyen, mas não conseguia enxergar nada, ficou desesperado um ataque poderia vir de qualquer lugar.

- Xyen? Xyen... Fala comigo! Pára com esse joguinho!!! – gritou, desesperado.

- Hum... Não vejo a hora de você gritar meu nome desse jeito quando eu estiver dentro de você, meu... Anjo! – riu.

Shibushi olhou para direita, era de onde havia vindo à voz de Xyen, entretanto não sentiu ninguém ali. Fechou os olhos tentando normalizar a respiração, mas não conseguiu, sabia que Xyen estava esperando o momento certo para atacá-lo.

Levantou uma das mãos fazendo Xyen perguntar o que ele estava fazendo, então Shibushi diz:

- Paz! – diz.

- O que?

- Vamos entrar num acordo.

- Mas... Mas... eu queria transar com você!! – choramingou.

- Calma...

- Então você vai transar comigo? – interrompeu.

- Não!

- Então vamos voltar para situação de antes!

- Calma, deixa-me falar – diz, rapidamente antes que fosse atacado novamente – Eu vou ali na cozinha beber água e você fica aqui, quando eu voltar nós vamos conversar.

- Mas você está com muita sede?

- Sim, fica aqui, arruma tudo direitinho... A cama para nós! – diz, sedutoramente – Depois eu me troco e pronto!

- Aaahhhhh!!!! Sabia, sabia que você não ia me resistir! – pulou de felicidade – Vai logo beber água.

- Espero que tudo esteja arrumado quando eu voltar!

- Vai estar!

Shibushi se levanta tranqüilamente indo até a porta, fechou a porta do quarto e foi andando bem devagar até o final do corredor, mas quando o vira sai em disparada na direção da porta.

Correndo até a porta não encontrou as chaves que estavam na fechadura, começou a vasculhar a sala com o olhar procurando desesperadamente pela chave, quando olhou para a mesa da cozinha viu a chave dentro da fruteira. Correu até a fruteira pegando a chave, correu até a porta enfiando a chave na fechadura, puxou a maçaneta abrindo 10 centímetros da porta, mas ela se fecha com tudo novamente.

Shibushi olha para sua esquerda vendo um braço todo tatuado por tiras negras parado e uma mão empurrando a porta, olhou mais para trás vendo aqueles olhos famintos lhe devorarem, notou que estava um pouco irritado também.

- “Como eu posso ser tão azarado? Ruk, chega logo, por favor!!” – pensou.

O loiro deu um sorrisinho para Xyen que acabou manteve-se sério olhando fixamente nos seus olhos.

- Er... Oi! – diz.

- Aonde você ia?

- Eu? Er... Pegar... Gelo no vizinho! – diz.

- Pode deixar que eu faço isso!

- Não precisa eu...

Calou-se ao ver como Xyen estreitou o seu olhar, ficou suando frio até que a mão direita de Xyen vai até a chave que estava na fechadura trancando a porta e depois a arrancando. Levantou a mão deixando ficar milímetros de distância dos olhos de Shibushi, para depois balançar a chave.

- Quer isso?

- Quero!

- Então vem pegar! – diz, puxando o cós da sua calça para jogar a chave na sua cueca – Pode pegar – abriu os dois braços ficando parado na frente do loiro.

- Er... aí?

- Não quer pegar? Então quer ficar comigo?

- Por que apareceu?

- Ia te perguntar se você iria querer camisinha de morango ou de menta, e quando vi você abrindo a porta corri até aqui! – diz.

- Morando ou menta? – fez careta.

- Se quiser sem camisinha tudo bem, vai ser mais gostoso, isso é, se você não pegar a chave.

- Como assim?

- Se pegar você pode ir embora.

Shibushi olhou nos olhos de Xyen vendo se ele realmente falava a verdade, depois olhou para baixo tentando imaginar onde estaria a chave.

- Se eu pegar a chave eu posso ir mesmo?

- Juro por tudo que é mais sagrado para mim! – diz, sério.

Shibushi sorriu, levou as mãos até o cós da sua calça jeans, abaixou o zíper fazendo a calça escorregar até os joelhos, depois ficou olhando para sua cueca de algodão, foi abaixando-a bem devagar olhando nos olhos de Xyen, até que a abaixou até os joelhos abaixando-se junto também.

Olhou para o pedaço de pano procurando a chave, de repente fechou os olhos pensando:

- “BURRO, BURRO, BURRO!!!!” – Xingou-se mentalmente.

Olhou para cima vendo o sorriso pervertido que estava desenhado no rosto de Xyen, viu que ele ergueu sua mão para o algo mostrando a chave que estava nela.

- Eu disse que se você pegasse poderia ir, mas pelo jeito você quer outra coisa, seu loiro safado! Fica tirando as minhas roupas dessa maneira!

- Mas... Mas...

- Eu disse para você pegar a chave, mas não disse que elas estavam aí! Você que é um tarado! Seu... Maníaco sexual! – riu.

Shibushi fechou a cara, levantou-se mostrando que já estava cansado de toda aquela brincadeira. Mostra a palma da sua mão para Xyen e diz:

- Me entrega a chave.

- Não.

- Entrega!

- Vai ter que pegar!

Shibushi olhou para o alto, esticou a mão, mas Xyen a esticou mais ainda ficando na pontinha dos pés. O loiro deu um pulo, mas Xyen se afastou um pouco tomando cuidado para não se desequilibrar e cair para trás, já que suas calças estavam no joelho.

Xyen movimenta-se numa velocidade incrível, mas ao invés de puxar sua calça ele as retira jogando do outro lado da sala, depois retirou a sua regata verde musgo a jogando em outro canto, levou sua mão até seu rabo de cavalo o soltando fazendo duas mechas cobrirem seus ombros desnudos.

Shibushi ficou desesperado olhou para os lados pensando em alguma forma de fugir, então correu pela sala fazendo Xyen correr atrás deles, claro que Xyen apenas brincava, pois se quisesse mesmo o agarrava num único movimento.

Os dois começaram a correr em volta do grande sofá que ficava no meio da sala, eles ficaram rodando o sofá até que Shibushi corre para a cozinha começando a correr em volta da mesa.

- XYEN PÁRA!!

- Vem cá gostosão!

- O Ruk vai te matar!!

- Só se for de prazer, meu pedacinho de carne.

- Pára de brincar!!!!

- Eu vou parar, quando te pegar!!!

Shibushi parou de correr fazendo Xyen ficar na sua frente do outro lado da mesa. Xyen esticou o braço ficando uns 50 centímetros de distância de Shibushi e diz:

- Tão perto, mas tão longe!

- Longe mesmo!

- Por pouco tempo!

Shibushi pensou em responder, quando abriu a boca sentiu o braço direito de Xyen envolver sua cintura, olhou para trás vendo seu olhar vitorioso.

- Te peguei, loiro safado!!

- Calma, Xyen!

- Não da para ficar calmo com um loiro gostoso desse jeito nos meus braços!

- Lembre-se do Suka.

- Hum... – fechou os olhos lembrando-se do amado, depois os abriu – Lembrei! ^^

- Seu... seu depravado! Me solta! – começou a se mexer.

Xyen começou a arrastá-lo até a sala, Shibushi apenas gritava e se remexia nos seus braços, mas Xyen nem se importou. Jogou o loiro no sofá e depois subiu em cima dele.

O loiro olhou para o lado desviando seu olhar daquele maníaco sexual, quando fez isso viu que Nero estava sentado num canto olhando para eles.

- Nero!!!! – chamou – Me ajuda!!!

- Não adianta já fiz um acordo com ele.

- O que?

- Eu combinei com ele, que se ele não me atrapalhasse eu lhe daria um ossinho depois.

- Eu não acredito nisso!

- Mas é a verdade, não é Nero? – olhou para o cachorro, que latiu duas vezes.

- Céus... onde esse mundo vai parar?

- Bem aqui! – diz, apertando o membro de Shibushi.

- Ahhhh! – gritou de susto.

Xyen começou a desabotoar a camisa azul claro de Shibushi, teve um pouco de dificuldade já que Shibushi não parava de se mexer.

- Nossa, pára de se mexer, ou está com tanto tesão que não consegue ficar quieto?

- ME SOLTA!! SOCORRO!!!

- Shhhh... Guarda sua voz para mais tarde!

- É melhor soltá-lo!!!

Xyen olha para trás ao ouvir uma voz ameaçadora, quando vê não era ninguém mais, ninguém menos que Ruk, que no momento estava com uma cara de pouquíssimos amigos.

- Ruk!! – sorriu de alegria ao ver o seu amado.

- Ruk... Quer participar também? – indaga.

Ruk da um tapa na cabeça de Xyen e diz:

- Sai de cima dele seu depravado! – diz – Shibushi, eu não disse para você não ficar sozinho com ele?

- Mas... mas...

- Não fique sozinho com ele!!

- Mas eu...

- Hei! Ele queria também, ele retirou a minha calça! – Xyen diz.

- O que? – Ruk olhou para Shibushi – Você fez isso mesmo?

- Fiz, mas eu só queria...

- Como você pôde?

- Mas eu...

- Calma gente! O Shibushi pode dar para todo mundo, então todos nós ficamos felizes!

- Sai de cima dele!!!

- Ouxi... mas nem ferrando! Ele é meu!!!

- Você já tem o Suka!

- Mas o Suka não é loiro!

- Então compra uma tinta de cabelo para ele!

Xyen ficou em silêncio, pensou mais um pouco e disse:

- Onde posso comprar?

- Na farmácia!

- Tem farmácia aqui!

- Claro!!

Xyen sai de cima de Shibushi num pulo, olha para Ruk que estava indignado com sua atitude e com seu corpo desnudo.

- Então ele vai ficar gostoso como o loiro? – indaga, apontando para Shibushi.

- Sim, vai! – Ruk diz.

- Ahhhh! Obrigado Ruk! – Xyen abraça o soldado e lhe da um beijo na boca – Eu vou sair para comprar! – diz, indo até a porta.

- Xyen... – o chamou.

- O que foi?

- Você não vai se vestir não?

Xyen fecha a porta olhando para o seu corpo, depois sorriu.

- Será que o farmacêutico é bonito?

Ruk olha para o teto tentando se acalmar, depois diz:

- Eles são feios, vai de roupa!

- Tem certeza?

- Tenho.

- Você já ficou com um antes?

- VAI EMBORA LOGO!!!

Xyen sorriu, pegou sua calça a colocando direito, colocou seu chinelo de dedos e foi até a porta, antes de sair diz:

- Depois nos falamos, loiro safado!

Ruk voltou sua atenção para Shibushi que ainda estava na mesma posição. O loiro sentou-se no sofá corretamente e ficou olhando para Ruk que parecia estar louco de ciúme.

- Você tirou a calça dele?

- Bom, ele jogou as chaves da porta na cueca dele, então ele disse que se eu pegasse poderia ir embora.

- E você não pegou por que?

- Porque ele escondeu a chave nas mãos, ele me enganou – abaixou a cabeça envergonhado.

- Hahahaha... típico do Xyen, eu não cairia nessa.

- Típico?

- Ele já fez isso comigo! Mas eu não caí.

- Quando?

- Eu nem tinha te conhecido, nem conhecia Ryori ainda.

- Hum... Me desculpe.

Ruk andou até ele, sentou-se ao seu lado tocando nos fios que cobriam o seu rosto, os colocou atrás da orelha para ver melhor o seu rosto.

- Olhe para mim – pediu.

Shibushi olhou para o lado vendo aqueles belos pares de olhos, que lhe sorriam de uma forma carinhosa. Fechou os olhos quando Ruk se aproximou dele inclinando o rosto para o lado, para assim poder beijá-lo. As mãos do soldado seguravam seu rosto enquanto o beijava.

Ruk se afastou olhando para os olhos de Shibushi que no momento mantinham-se fechados, tocou nas suas pálpebras delicadamente fazendo o loiro abrir os olhos. O soldado se levantou puxando Shibushi pelas mãos, quando este se levantou abraçou a sua cintura e começou a andar agarrado a ele até o quarto.

Shibushi andava de costas, pois Ruk não o largava, quando sente suas costas baterem contra a porta sente um dos braços de Ruk o soltar para que abrisse a porta do quarto. Os dois entram no quarto que estava muito escuro, Ruk ascende à luz e tranca a porta sem soltar o loiro, depois anda com ele até a cama o jogando nela.

- Por que eu sempre sou jogado na cama? – indagou.

- Sempre? – estranhou.

- Esquece!

Ruk foi até a janela abrindo as cortinas, abriu o vidro deixando o ar entrando naquele quarto tão abafado, depois que a claridade invadiu o quarto deixando alguns lugares mais claro e escuros, apagou a luz e foi andando até a cama.

- Onde você foi?

- Estava dando uma volta pelo navio.

- E você não estava com Ryori e Yuy?

- Yuy queria dar uma volta, mas como eu estava cansado voltei pro quarto, pensei que você estaria aqui ou o Suka.

- Mas o Suka saiu para fazer comprar, lembra?

- Ahhh! É mesmo... – lembrou-se do bilhete que estava na geladeira.

Ruk sentou-se na cama ficando de frente para Shibushi, engatinhou até ele empurrando para trás fazendo-o se deitar no colchão. Ficou de quatro em cima do loiro, colocou seus braços lado a lado com seu rosto. Sua grande mecha que cobria seu lado direito saiu dos seus olhos mostrando seus cinzas claros que se mostravam apaixonados.

Levou sua mão até o rosto pálido de Shibushi, deslizou seu dedo por toda sua face delicadamente como se estivesse pensando em como desenhá-lo, ficou observando todos os seus traços até sentir a mão do loiro no seu rosto para puxá-lo para um beijo.

Seus lábios se tocaram e se separaram procurando uma nova posição, depois se uniram novamente iniciando um beijo de língua bem profundo e molhado. Ruk afundou mais sua cabeça fazendo o loiro se sufocar um pouco, mas sabia que ele gostava daquilo e ele também adorava. As mãos de Shibushi desceram pela cintura de Ruk indo até suas nádegas as apertando delicadamente.

Ruk levantou-se um pouco retirando a camisa azul claro de Shibushi que já se encontrava desabotoada, depois retirou a sua regata a jogando para trás, ia desabotoar a sua calça, mas um movimento inesperado de Shibushi inverte as situações, agora o loiro estava em cima de Ruk.

Ruk sorriu, deixou Shibushi levar seus braços para o alto da sua cabeça para depois prendê-los com uma mão. O loiro sorriu antes de afundar sua cabeça na curva do pescoço de Ruk, sua língua tratou de molhar aquela pele que se encontrava bem seca por causa do calor que fazia naquela região.

Foi descendo sua boca por aquela pele morenada, passou a língua por um dos seus mamilos os deixando bem molhados e durinhos, deu algumas mordidinhas por aquele botão rosado que começava a ficar vermelho, com as insistentes chupadas e mordidas. Foi descendo ainda mais sentindo a respiração de Ruk ficar cada vez mais acelerada, quando chegou no seu membro que estava escondido por uma calça jeans larga sentiu Ruk forçar seus braços para frente.

- Fique quietinho! – sussurrou.

Ruk afundou sua cabeça no colchão, sentiu as mãos de Shibushi lhe soltarem e descerem por seu peito que já estava suado.

Os dentes de Shibushi se fecharam no zíper da sua calça, começou a puxá-lo para baixo fazendo o barulho característico do zíper sendo aberto, depois levou uma mão até o cós da sua calça e começou a abaixá-la com a ajuda de Ruk que ergueu a sua cintura, não demorou a retirar toda a calça deixando-o só de cueca.

Inclinou-se para baixo dando beijinhos no volume que se formava dentro da cueca, deu uma lambida molhando o pano, deu algumas mordidinhas fazendo Ruk se remexer na cama soltando um longo suspiro.

Um sorriso se desenhou nos lábios de Shibushi, ele ergue a sua cabeça olhando nos olhos de Ruk que estavam cheios de desejo, depois voltou sua atenção para seu membro que estava totalmente desperto. Puxou sua cueca para baixo esperando que Ruk erguesse o quadril para ele retirá-la. Quando a cueca foi jogada para trás um sorriso ainda maior se desenha nos lábios de Shibushi.

Tocou no seu membro sentindo como estava quente, viu que algumas veias saltavam para fora, deu uma apertadinha fazendo um gemido escapar pelos lábios de Ruk, depois deslizou sua mão até seu saco o apertando levemente. Começou a masturbar o seu membro com a mão, a outra se encarregava de apertar o seu saco ou de deslizar por sua coxa. Não demorou muito e caiu de boca naquele pedaço de carne que brilhava aos seus olhos, antes de colocá-lo na boca passou a língua por sua cabeça lentamente fazendo Ruk levar sua mão até a cabeça do loiro empurrando para frente, para que começasse logo aquele jogo.

Shibushi se rende colocando todo aquele volume na sua boca. Passou a língua por sua extensão, mas logo começou a movimentar sua cabeça para frente e para trás chupando aquele membro volumoso que chegava até sua garganta.

- Ahhhhh... Shibushi!! – gemeu alto.

Shibushi fechou os olhos ao sentir sua cabeça ser empurrada mais para frente, sabia que era essa a conseqüência por provocar o seu amor, pois ele ficava desesperado.

Começou a sugar o seu membro, mas nem conseguia fazer isso direito já que Ruk não o deixava ir com a cabeça para trás, já que aquela mão só o empurrava para frente, mas com um pouquinho de força e insistência conseguiu movimentar-se deixando o soldado cada vez mais louco.

- Pá... Pára! – pediu, puxando a cabeça do loiro para trás.

Ruk sentou-se na cama com dificuldade, sua face estava rubra pela excitação que subiu por todo seu corpo. Levou sua mão até Shibushi o puxando na sua direção fazendo o loiro ficar ajoelhado na sua frente, abraçou seu corpo fazendo sua mão deslizar por suas costas indo até suas nádegas. Dando um impulso para trás cai de costas fazendo Shibushi cair em cima dele, começou a beijar o seu pescoço dando fortes chupões na sua pele clara que logo foi ficando cheia de marcas.

Suas mãos apertavam suas nádegas mostrando todo o desejo que sentia, uma das mãos entrou por sua calça de pano branca e da sua cueca de algodão indo até o meio das suas nádegas, seu dedo do meio passou por aquele espaço tão apertado fazendo Shibushi suspirar. Penetrou-o com esse dedo fazendo Shibushi se remexer um pouco nos seus braços, com suas pernas abriu mais as de Shibushi.

Impaciente com aquele monte de panos que cobriam o corpo do seu amado anjo, Ruk inverte as posições ficando por cima do loiro e num único puxão retirou sua calça junto com a sua cueca.

- Que impaciência! – comenta.

- Hum... Não tenho paciência quando estou com você! Muito menos na cama!

Dizendo isso toma seus lábios novamente dando umas lambidas e mordidas neles. Sua mão parou na cintura do loiro a puxando para cima com facilidade, Shibushi não pesava muito para que precisasse fazer muita força. Segurou seu membro pela base com a outra mão, foi guiando até a entrada de Shibushi.

O loiro estava com as costas meio inclinadas para trás, sua cabeça estava meio pendurada, tudo isso porque Ruk puxou sua cintura para cima fazendo ficar meio torto nos seus braços. Começou a penetrar o loiro que agarrou seus ombros com força cravando suas unhas neles, fechou os olhos gritando quando Ruk entrou pela metade nele, naquela posição sentia o membro dele todinho dentro dele.

Ruk continuou a empurrar-se para dentro do loiro até que ficou todo nele, respirou fundo esperando que Shibushi se acalmasse também, mas logo continuou a se movimentar dentro dele, sua outra mão foi até o sexo do loiro que estava tão solitário. Começou a masturbá-lo aumentando o prazer do loiro.

- Ahhh... Ahhhh... – gemia a cada estocada.

- Isso... Geme pra mim! Geme mais alto, geme!

- Ahhh... Ruk!! – gritou.

Ruk sorriu satisfeito, adorava ver Shibushi perder a compostura. Já que o loiro era tão quietinho, delicado e educado, mas na cama era outra história. Por isso que era tão atraente, pois sabia ser as coisas na hora certa.

Ruk acelerou os movimentos dentro do loiro, saia quase todo para depois entrar novamente com mais força, fazendo o corpo do loiro balançar com os trancos que tomava. Sentiu que seu membro foi deixado de lado pela mão do soldado, olhou para ele vendo que este lhe sorria de forma sádica.

- Ahhh... Ruk...

- Calma... meu amor!

Detestava quando Ruk pedia para ele ter calma, esperar ou relaxar enquanto ele o torturava. Olhou mais uma vez para ele com seus olhos pedintes, mas não teve a resposta que esperava.

Ruk saiu de dentro dele e retirou sua mão da cintura fazendo-o se deitar na cama novamente. Sentou-se na cama puxando o loiro pelos braços.

- Senta em mim... Vem cá vem!

Shibushi foi sendo puxado pelos ombros, quando se aproximou de Ruk, este o puxou pela cintura fazendo se sentar no seu colo. O soldado segura o seu membro pela base e depois olha para Shibushi.

- Vem... desce!

O loiro colocou as mãos nos ombros de Ruk para se apoiar, e começou a descer lentamente sentindo aquele membro na sua entrada, fechou os olhos descendo cada vez mais. Ruk ficou perdido naquela cena, o rosto carregado de dor e prazer de Shibushi era tentador demais para ele, sem contar os gemidos que ele dava cada vez que descia mais.

Quando Shibushi sentou-se abraçou o pescoço de Ruk afundando sua cabeça ali. O soldado deu um tempo para que a respiração de Shibushi se acalmasse, quando isso aconteceu segurou a sua cintura a levantando e descendo lentamente iniciando um lento vai-e-vem.

Shibushi começou a se movimentar também fazendo Ruk ter que colocar uma mão para trás, ou então iria tomar para trás com o loiro no seu colo, já que este começou a acelerar os movimentos. Adorava quando Shibushi começa a tomar conta da situação.

Com a mão livre agarrou o sexo do loiro começando a masturbá-lo no mesmo ritmo, agora os dois gemiam de prazer. Seus corpos começaram a ir ao limite do tesão, não agüentavam mais aquilo, uma onda de calor corre por seus corpos fazendo-os gozarem ao mesmo tempo trazendo junto um grito de desespero e alívio.

Ruk cai para trás fazendo Shibushi cair por cima dele, os dois ficaram assim juntinhos por um longo tempo.

 

*

*

Ryori e Yuy estavam voltando para o quarto de hotel, eles estavam conversando de algum assunto banal, quando entram não encontram ninguém, então vão sentar no sofá.

Ryori se senta primeiro puxando Yuy para que se senta em seu colo, quando o moreno sentou, uma mão puxou a sua cabeça na direção dos lábios do ruivo, fazendo-o suas línguas se tocarem rapidamente.

As mãos do ruivo desceram pelas suas costas as apertando, mostrando sua vontade de pegar aquele corpo. Quando de repente, a porta do quarto se abre e Shibushi e Ruk saem dali, encontrando os dois na sala.

- Ih! Desculpa aí! – Ruk diz.

- Por que não vão pro quarto? É bem melhor.

- Por que? Vocês já testaram? – indaga Yuy, maliciosamente.

Tanto Shibushi quanto Ruk ficaram sem resposta. Ryori olhou para seu amado, achando graça de como ele estava ficando malicioso com o tempo.

O casal se levantou do sofá, e a porta se abriu novamente. E desta vez foi Suka que entrou com uma sacola cheia de doces, ele ficou na cozinha guardando as coisas, junto com Shibushi. Enquanto isso, Ryori foi para o quarto se trocar.

- Vou fazer suco!! – Shibushi diz, ao ver um monte de frutas.

- Você gosta de sucos, nunca vi isso! – comentou Suka – Eu dar água pro Nero.

- Valeu! – diz Ruk, entrando na cozinha.

 

*

 

Xyen foi até a farmácia para comprar a tinta loira, chegando lá encontra um farmacêutico muito doido e pervertido como ele. O cara lhe explicou que se ele usasse uma tinta que “ele” mesmo havia inventado os cabelos de Suka iriam ficar loiros durante duas semanas mesmo que lavasse ou passasse outra tinta por cima.

Como Xyen não era bobo acabou comprando a tinta pela metade do preço dizendo que não tinha garantia nenhuma que funcionasse, depois voltou para o hotel pensando em como fazer Suka passar a tinta no cabelo.

- “Já sei, vou colocar no xampu dele! Isso! Aí ele nem vai notar!! Como eu sou inteligente” – pensava, mostrando um belo sorriso no rosto.

 

*

 

Ele entrou no hotel cumprimentando Yuy que estava jogado no sofá da sala, olhou para o corpo do moreno vendo como ele estava diferente.

- “Daqui um ou dois anos esse garoto vai ser um homem completo, Meu Deus ele está ficando lindo demais, como o Ryori é sortudo!! Mas se o Yuy ficar muito másculo, quem vai ser ativo entre ele e o Ryori?” – pensou.

- Xyen? – Yuy o chamou, vendo que ele ficou parado na porta o olhando.

- Oi?

- Algum problema?

- Nada, estava pensando.

- Pensando?

- Sim... Nos seus bichinhos de pelúcia que o Ryori lhe deu.

- Como sabe deles?

- O Shibushi comentou comigo.

- Eles estão guardados em casa, passou a época que eu gostava de ficar agarrado a eles – diz, meio constrangido.

- Todos passamos por essa época, você está crescendo cada vez mais... – diz, olhando para seu tórax desnudo, já que o moreno só usava uma bermuda jeans e seus cabelos estavam soltos cobrindo seus ombros.

- Eu quero fazer uma tatuagem, mas o Ryori diz que dói demais.

- Olha, eu fiz uma no meu rosto! – tocou na sua bochecha direita, onde tinha uma garra preta feita verticalmente.

- Doeu?

- Pra caramba, eu desmaiei... Então continuaram! Quando acordei tinha essa garra, eu adorei!

- Mas eu não quero algo tão grande na cara como a sua... Pensei em fazer algo no ombro!

- Hum... Moreno, com esses cabelos negros com luzes prateadas, com as pontas um pouco enroladas, esses olhos azuis cobaltos que tem as bordas mais claras, sua pele amorenada, hum... Acho que ia ficar lindo!

Yuy ficou vermelho com a observação de Xyen, agora que prestou atenção viu como ele o devorava com os olhos, e pensar que Xyen o chamava de criança antigamente, será que estava tão diferente assim? Ficou pensando por um bom tempo até que notou que Xyen aproximou-se dele.

Xyen tocou numa mecha dos seus cabelos a enrolando no seu dedo, depois tocou em seu rosto que estava ficando muito vermelho.

- Mas você ainda não perdeu essa inocência! – diz – Parece que o ruivo está fazendo um bom serviço.

- Ahh... eu...er...

- Não precisa dizer nada, gatinho! Vou no banheiro agora, se quiser vir...

- Não obrigado! – diz, rapidamente.

- Que pena, gostaria que segurasse para mim – diz, mostrando um sorriso depravado.

- Er... eu... – levantou-se – Vou...

- Deixa o garoto em paz, Xyen! – Ruk grita.

Ruk e Shibushi estavam na cozinha tomando um suco que o loiro havia feito. Ryori estava no seu quarto se trocando e Suka estava na varanda dando água para o Nero.

Xyen acena para o casal que estava na cozinha e deixa Yuy em paz, foi até o banheiro se trancando nele.

- Não deixa ele se aproximar de você Yuy! – Shibushi diz.

- Tem razão... ele é um maníaco! – diz, soltando sua respiração.

- Quer suco? – Ruk pergunta.

- Quero!

Levantou-se indo até a cozinha onde tinha um copo cheio a sua espera.

 

*

 

Xyen abriu um sorriso travesso quando fechou a porta atrás de si, correu até o Box abrindo o xampu de Suka, jogou todo o xampu pelo ralo e depois encheu o pote com a tinta que o cara havia feito, que se chamava “Super Tinta”.

Depois que fez suas travessuras saiu do banheiro com seu sorriso travesso, seu sorriso sumiu ao ver Ryori parado na sua frente.

- Vai usar agora? – Ryori perguntou.

- O banheiro?

- Lógico.

- Eu pensei que era a minha boca, pois eu posso usar ela para outra coisa... – diz, olhando para o membro de Ryori que estava escondido por sua calça jeans.

Ryori nem se importou com que ouviu, já estava acostumado com aquele louco mesmo. Suspirou tentando não se irritar com ele, e disse:

- Vai usar o banheiro?

- Não. Quer que eu segure para você?

- Não, muito obrigado! – diz.

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Não precisa ter vergonha.

- Eu não quero.

- Mas seria mais prático se eu segurasse para você.

- Não seria não.

- O Yuy já segurou para você?

- Já! – diz, depois de um longo tempo.

- Você gostou?

- Muito... – abriu um sorriso sacana, fazendo Xyen se alegrar.

- E o que acha de mim então?

- Sua mão não é macia como a dele.

- Como pode saber?

- Porque nenhuma mão é macia como a dele!

- Boa resposta – sorriu – Nem a de... Shibushi?

Ryori sentiu todos os seus pelos se arrepiarem ao ouvir o nome do loiro, mas não iria perder para esse joguinho que Xyen sempre o fazia passar.

- Nem a dele.

- Hum... senti uma dúvida nessa resposta!

- Mesmo?

- Aquele loiro safado é lindo e muito macio.

- Co... como sabe?

- Eu... er... – sorriu – Quer usar o banheiro?

Ryori achou melhor ignorar, viu que Xyen saiu da sua frente então acabou por entrar no banheiro.

 

*

 

Todos estavam sentados na sala conversando, tomando suco e comendo algumas frutas, às vezes era bom ter alguém que curtia coisas naturais e saudáveis, como Shibushi, pois se fosse depender dos outros, agora estariam comendo chocolate nesse calor.

Eles voltam suas atenções para o corredor onde Ryori apareceu com uma toalha em volta da cintura e outra enrolada na cabeça.

- QUEM COLOCOU TINTA NO XAMPU???!! – Ryori grita.

- Er... – Xyen ergueu a mão fazendo todos o olharem.

- SEU FILHO DA PUTA!!

Ryori correu até ele se jogando em cima dele começando a lhe dar uma porrada de socos, mas é claro que Xyen conseguia se desviar de todos, entretanto pôde ver como Ryori era forte, ele não era brincadeira não, se levasse um soco dele iria se machucar legal.

- Pára Ryori! – Yuy puxa um dos seus braços.

- O que aconteceu? – Shibushi se levanta junto com Suka.

Ruk puxa Ryori para longe de Xyen que se levantou arrumando as suas roupas e seus cabelos, depois olhou para Ryori vendo como ele estava enraivecido.

- O que aconteceu? – Suka indaga – o que você fez?

- Eu... eu coloquei tinta no seu xampu... mas o idiota aí o usou e ficou com o cabelo loiro – diz.

- Aquele xampu era meu!! – diz.

- Ué... Suka – olhou para o seu amado – Seu xampu não é o da embalagem roxa?

- Não, a minha embalagem é rosa! – diz.

Xyen olhou para Ryori sentindo um frio na barriga, ele acena para o ruivo dando um sorrisinho amarelo.

- Desculpe, eu errei! – diz.

Yuy vai até Ryori retirando a toalha que estava na sua cabeça, todos abriam a boca quando viram o líder do tráfico com longos cabelos loiros.

Todos ficaram em silêncio, até que Yuy começa a falar.

- Ryori você... você está... diferente... você está...

- LINDO!!! MARAVILHOSO! – Xyen grita, o ruivo havia ficado maravilhoso com aquele novo visual.

- Ficou legal – Shibushi diz, fazendo Ruk ficar com ciúme.

- Não, ficou feio... é melhor ruivo mesmo! – diz o soldado.

- Ficou bonito Ryori... bem diferente – diz Suka.

- EU NÃO GOSTEI!! Como tira isso?

- Sai daqui duas semanas! Foi um cara que fez... o farmacêutico!

- O que? Foi um cara qualquer que fez isso? – Yuy perguntou, desesperado.

- Foi e daí?

- Ryori... seu cabelo pode até cair! – Shibushi avisa.

Ryori fechou os olhos tentando ficar calmo, mas para piorar a situação a toalha que estava em volta da sua cintura cai fazendo-o ficar pelado na frente de todo mundo.

- Ouxi... Que grande meu santo!! – Xyen comenta olhando para o seu sexo.

Shibushi olhou para seu membro e começou a rir, mas logo desviou o seu olhar já que Ruk o observava, Suka ficou olhando até que resolveu puxar Xyen para um canto, mas isso não quer dizer que Xyen parou de olhar. Yuy pega a toalha no chão e cobre o corpo do ruivo... Ops... Loiro! Fazendo Xyen reclamar.

- Vamos para o quarto! – Yuy diz, começando a empurrá-lo para o quarto, já que Ryori estava paralisado pelo choque de saber que seu cabelo poderia cair.

 

*

 

No quarto. Ryori vestiu uma bermuda jeans preta, e uma regata da mesma cor. Yuy penteava seus cabelos com cuidado vendo se tinha algum dano.

- Sabe... Você está muito lindo!

- Eu... Estou estranho! – diz, olhando-se no espelho.

- Verdade.

- Prefere eu assim?

- Não... – sorriu, sabia que ele se chatearia se falasse que gostou dele desse jeito. Entretanto era apaixonado pelos seus fios ruivos – Eu gosto de você ruivo! – sorriu, fazendo Ryori sorrir também, mas só um pouquinho, pois ele estava muito irritado.

Ryori se levanta da penteadeira tocando no seu cabelo, olhou para Yuy que não desgrudava os olhos do seu rosto.

- O que foi?

- Nada... É que você está muito engraçado, não é todo dia que eu lhe vejo com os cabelos loiros!

- Hum!

- Não fica bravo!

- QUANDO ISSO VAI SAIR?!?!?!

 

*

 

Na sala Ruk e Shibushi ainda se olhavam, o soldado havia ficado com ciúmes.

- Eu só olhei como todo mundo.

- Mas não podia.

- Você também viu.

- Eu não, eu estava atrás dele.

- Então viu a parte de trás!

- Isso não importa, pois eu nunca tive sentimentos pelo Ryori.

- Eu não sinto mais nada por ele!

 

Num outro canto Xyen estava sentado comendo uma maçã, enquanto observava o casal brigar. Suka estava sentando ao seu lado tentando saber porque ele queria que ele ficasse com os cabelos loiros.

Suka olhou para Xyen e depois para Shibushi, Xyen e Shibushi, Shibushi e depois para Xyen. Depois ele olha para o chão.

- “Droga, não acredito que o Xyen está querendo me deixar como esse loiro. Será que ele não se importa comigo? Será que não sou suficiente para ele? Ele vai ver...” – pensava.

Xyen olhava para o casal com um sorriso bobo no rosto. Não queria que eles brigassem, mas era muito engraçada a cara de inocente de Shibushi, e a cara enciumada de Ruk.

- Eu não acredito que você está falando nisso ainda!

- Mas é a verdade.

- Eu te amo Ruk.

- Mas sente atração pelo Ryori.

- Quer saber... – diz impaciente.

- O que?

- Eu vou embora!

- O que?

- Isso mesmo, você está insuportável!

- Hei, não tente fugir! – disse, segurando seu braço.

- Ruk, me solta.

- Não me olhe assim, você sabe...

- Já chega. Me solta!

Shibushi se soltou, indo para fora do quarto de hotel, mas é claro que foi seguido por seu “cão de guarda”. Xyen e Suka ficaram se olhando por um tempo, até que resolveram dar de ombros, aqueles dois sempre brigavam.

Suka levantou-se e foi andando até a cozinha sob o olhar de Xyen, que também se levantando indo atrás do seu querido amante, quando Suka parou para pegar algo no armário de cima, Xyen abraçou suas costas.

- Hum... Está tão bom ficar aqui com você! – sussurrou – eu não quero que acabe...

- Você não se mostra feliz por estar comigo – disse chateado.

- Não? – indagou surpreso.

- Não! Nunca! Seu safado, só fica me traindo e só vem para perto de mim quando quer sexo! – gritou, o empurrando.

Xyen olhou para o moreno não entendendo o porquê da sua atitude tão violenta, ele fica sério de repente e cruza os braços, pedindo silenciosamente uma explicação. Suka, porém ficou em silêncio e saiu da cozinha, indo até o quarto, sendo seguido por Xyen.

Quando o casal entrou no quarto, Xyen fechou a porta e andou até Suka, que estava sentando na cama com as mãos no rosto. Ele vai se aproximando dele, sentando-se ao seu lado, tocando na sua cabeça, pedindo que ele olhasse.

- Hei, o que foi? – indaga preocupado.

- Eu... não te agüento mais! – disse.

- O... O que? – assustou-se.

- Você não me respeita! – disse.

- Como não? Eu te respeito, você é a pessoa que eu amo!! – disse indignado.

- Mesmo? Então por quê fica atrás dos outros? Por que queria me ver loiro? Hein?!

- Eu acho loiros bonitos, mas isso não quer dizer que sejam mais bonitos que você. Eu havia pensando desse jeito: Suka é lindo, se ficar loiro e se ficar loiro, vai ficar mais lindo ainda!

- Mentiroso! Queria que eu me parecesse com Shibushi! O que vocês vêm nele? – indaga.

- “Vocês”?

- Ryori, Ruk e você!! O que vêm nele? Ah!? Diz... anda!

Xyen ficou um tempo em silêncio pensando no que ele havia dito, e até que ele tinha razão, pois os três têm uma queda por ele. A imagem do loiro veio até sua mente nesse instante, o seu jeito sério e sua cara de anjo era o segredo do seu encanto.

O moreno se levantou num pulo da cama e foi andando, queria sair um pouco e ficar longe daquele tarado sem vergonha, que não o respeitava nunca. No entanto, Xyen puxou seu braço e o jogou na cama, movimentando-se numa velocidade anormal para ficar em cima dele.

- Me solta! – pediu, contendo-se para não gritar e esmurrá-lo.

- Hei, calma aí, gatinho! – pediu.

- Não! Agora sai de cima!

- Não quero sair, você vai embora.

- Como é esperto... – disse cinicamente.

Xyen respirou fundo e cobriu os lábios de Suka com os seus, o moreno se debateu e começou a socá-lo, mas Xyen nem se importou, ele segurou os braços do moreno alto da sua cabeça e continuou com o beijo. Alguns minutos se passaram e Suka começou a se acalmar e Xyen encerrou o beijo.

- Hei, não gosto de brigar com você – revelou.

- Mas você não faz nada para evitar! – disse mais calmo.

- Eu... Ah!!!! – começou a gritar.

- O que foi?

- Nada, só estava com vontade de fazer isso...

- Doido... – disse, fazendo um não com a cabeça.

- Hei! Quer fazer amor comigo, agora? – sussurra em seu ouvido.

- Eu? Não sei... Eu não sou loiro! – disse.

- Hum! Não importa! Vamos?

- Não! – disse.

Xyen sentou-se no seu abdome e exibiu um lindo sorriso para o moreno, que sentiu um frio na barriga com isso. Suka viu que não tinha escapatória e agora teria que ir até o fim com ele, não que fosse ruim, muito pelo contrário, amava Xyen; mas não queria ceder tão rápido, e pela cara que ele estava fazendo, podia jurar que iria judiar.

 

Continua...

 

Hello!!

O que estão achando dessa loucura?? Está bastante engraçado até. Quem iria imaginar que essa turma iria brigar tanto? Também, Xyen não dá um descanso sequer para ninguém.

Será que o cabelo do Ryori vai cair?!

O Yuy ficou gatão depois desse tempo, hein!! Eu tinha que fazer algo para mostrar sua mudança, e realmente, ele ficou muito melhor assim.

Muitas coisas estão para acontecer aqui! Eu estou com cada idéia doida! Rs... Bom, é isso aí pessoal.

Muito obrigada pelos comentários.

Ah! E obrigada por lerem.

 

20/07/2005

 

 Continua...

Hosted by www.Geocities.ws

1