Por Leona-EBM
Mundos Especial: O Passado de Ryori e Shibushi
*
Eu estava sem fazer nada em casa, quando eu pensei nesse fanfic. Eu vivo falando
de Ryori e Shibushi, mas nunca falei como eles se conheceram ou ficaram juntos,
então eu vou fazer esse “especial”.
Para entenderem essa história, terão que ler “Mundos” e “Mundos 02”.
*
Raios cortavam o silêncio do quarto, o vento frio obrigava que as janelas dos
quartos ficassem fechadas. Num quarto escuro e solitário havia uma pessoa, esse
alguém estava jogado em cima de uma grande cama de casal com os olhos rasos
d’água, parecia estar triste com alguma coisa.
Havia se mudado há pouco tempo para aquela cidade, não tinha amigos, nenhum
conhecido sequer, e sua família estava em suas longas viajem pelo Mundo.
-
“Já são onze horas... não agüento mais ficar em casa, vou sair um pouco,
talvez encontre alguém interessante” – Pensou.
Shibushi se levantou apressadamente, não agüentava mais ficar naquele lugar.
Fazia uma semana que havia se mudado para aquele apartamento nem havia sido
decorado de acordo com o seu gosto, e ainda nem havia ido para sua escola nova.
O
loiro foi até seu armário procurando a roupa adequada para se vestir, olhou para
a janela vendo o tempo frio e chuvoso, depois voltou sua atenção para seu
guarda-roupa, esticou uma das mãos pegando um dos cabides com algumas peças
penduradas e o jogou na cama, fez o mesmo movimento com mais três cabides
jogando lado-a-lado com as outras roupas.
-
“Qual vestir?” – ficou parado com os braços cruzados perante a cama,
levou uma das mãos até o queixo mostrando-se pensativo.
Um sorriso se desenhou seu rosto, havia decidido afinal, inclinou-se para frente
pegando uma calça jeans branca, depois pegou uma camiseta azul clara com alguns
símbolos gregos, uma blusa de lã azul mais escuro, da cor dos seus olhos. Para
completar o seu visual colocou um sapato marrom claro combinando perfeitamente
com a cor da sua calça. Shibushi foi até uma penteadeira pegando uma escova,
seus cabelos foram devidamente penteados para trás, mas como sempre usou o
cabelo dividido no meio, as mechas se abriram e os seus fios loiros caíram no
seu rosto lhe dando um ar misterioso e sedutor. Depois pegou um frasco de
perfume, tirou sua tampa sentindo seu aroma de ervas, depois passou por seu
corpo, mas nada exagerado.
Foi até a sala que ainda tinham alguns móveis empacotados, em cima de uma
mesinha tinha sua carteira e a chave do seu carro, pegou-as rapidamente e saiu,
não agüentava mais aquele lugar.
Pegou seu carro no estacionamento, era um carro normal, sem luxos, era branco
como sua cor favorita e pequeno. Saiu rapidamente pelas ruas noturnas de Rondon,
logo acionou os pára-brisas do carro impedindo que as gotas da chuva
atrapalhassem sua visão. Rodou todas as ruas mais badaladas, afinal de conta,
era sexta-feira. Parou na frente de uma boate vendo como estava movimentada,
resolveu ir ali primeiro, deixou o carro num estacionamento e ficou na fila para
entrar na boate.
Momento depois, já estava dentro da boate, viu como o lugar era escuro e
abafado, sem contar que tinha uma grande pista de dança onde um monte de gente
se esfregava vulgarmente nas outras, olhou para os lados procurando algum canto
para ficar, avistou um barzinho, foi até lá.
-
Boa noite! – o barman o cumprimenta.
-
Boa noite! – sentou-se num dos bancos.
-
O que vai querer?
-
Uma tequila, por favor!
-
Saindo uma tequila! – sorriu para Shibushi.
Shibushi virou-se para trás vendo aquela multidão toda, ficou um tempo perdido
nos seus pensamentos, mas o barman o fez voltar à realidade quanto tocou no seu
ombro.
-
Aqui está! – colocou o copo na sua frente.
-
Obrigado! – virou-se novamente para frente.
-
Não é daqui, não é mesmo? – perguntou encostando-se no balcão.
-
Não, me mudei há uma semana – disse dando um gole da sua bebida.
-
Entendo, e o que está achando?
-
Ainda não sai do meu apartamento.
-
Mesmo? Precisa conhecer as pessoas certas então – sorriu.
-
Quais seriam então? – sorriu.
-
Hum... Está olhando para uma! – o barman abriu seus braços mostrando todo o seu
corpo para o loiro que acabou sorrindo.
Shibushi prestou mais atenção naquele homem, viu como era bonito e estiloso, ele
tinha cabelos castanhos que chegavam até a sua nuca, algumas mechas maiores eram
da cor vermelha, seus olhos eram de um verde bem escuro combinando perfeitamente
com sua pele amorenada. Sem contar que ele usava roupas negras, rasgadas,
brincos, correntes, mas nada exagerado.
-
Olha, por que não espera o meu expediente acabar? – perguntou com um sorriso
sedutor no rosto.
-
Que horas seria isso?
-
Cinco horas, mas eu dou um jeito para sair as quatro, o que acha?
-
Hum... Tarde!
-
O que você fará nesse tempo então? – perguntou se aproximando mais do loiro.
-
Procurar alguém que saia mais cedo! – sorriu.
-
Boa resposta! – disse desanimado.
-
Eu vou andar um pouco, até mais! – Shibushi deu um último gole na sua bebida e
saiu dando um sorriso para o barman que se amaldiçoou.
O
loiro era o motivo de grandes olhares, ele foi até a pista de dança onde já o
puxaram para dançar, nem viu direito quem se esfregava no seu corpo, olhou para
trás procurando uma saída quando um cara fica atrás dele o segurando pela
cintura, suspirou fundo e começou a se mover junto com eles.
A
música era agitada, porém, se movia lentamente, podia sentir bem aqueles dois
homens esfregando-se nele, teve uma hora que quis sair dali, mas para o seu
desagrado os dois homens o abraçaram, agora que estavam mais perto pôde ver que
eram irmãos gêmeos, eram idênticos, só as roupas que os diferenciavam.
-
Hei gracinha, vamos para um lugar mais calmo? – perguntou o que estava atrás
dele.
-
Não, obrigado.
-
Vamos, não vamos lhe fazer nada... – o da frente diz.
-
Vamos naquela mesa... – o que estava atrás dele aponta para uma mesa vazia num
canto afastado.
-
Tudo bem então!
Os gêmeos sorriram vitoriosos. Os três caminharam até a mesa prometida, a mesa
tinha um banco de ferro que a rodeava, Shibushi sentou-se no meio dos dois
irmãos.
-
Como se chama? – perguntou um deles.
Os gêmeos eram belos, tinham cabelos ondulados que desciam a sua cintura da cor
vinho, uma pele bem clara, olhos verdes, eram altos e fortes, um deles usava
roupas claras e o outro usava roupas escuras, era tudo jeans.
-
Shibushi Iroyr!
-
Eu sou o Uchiry e esse é o meu irmão Yeimi – disse o que usava roupas escuras.
-
Então Shibushi, você não parece ser daqui! – comentou Yeimi.
-
Por acaso está escrito na minha testa “Eu não sou daqui?” – sorriu.
-
Não, não... – os dois riram – É que nunca o vimos antes.
-
Aqui é bem cheio por sinal... – comentou Shibushi.
-
Nitrus é uma das boates mais badaladas, só perde para Gaia e Reitron – disse
Uchiry.
-
Essas são boas? – indagou.
-
Muito! – os dois dizem.
-
Então por que estão aqui?
-
Por que gostamos de novos lugares! – Yeimi sorri.
-
E você vem de onde?
-
Chiella!
-
Sudeste de Pratania, certo? – Uchiry indaga.
-
Certo – sorriu.
-
Bom, Shibushi... Você gosta de jogos? – Yeimi se aproximou mais dele colocando a
mão da sua coxa.
-
Hum... Se for bom...
Os irmãos sorriram, Uchiry se aproximou mais do loiro colocando a mão na sua
cintura. Yeimi inclinou-se para frente dando um beijo no pescoço do loiro,
enquanto Uchiry deslizava a sua mão pela sua coxa.
-
O que acha de irmos para um lugar mais reservado? – Yeimi sussurra no seu
ouvido.
-
Onde seria esse lugar?
-
Um motel aqui perto... O que acha?
-
Não sei... – ficou confuso.
-
Vamos vai... Não podemos fazer muita coisa aqui! – Uchiry diz.
-
Tudo bem então.
Os dois sorriram. Eles se levantam, pagam as contas que havia nas suas comandas
e dão o fora dali rapidamente, Shibushi foi até o carro deles, sentou-se atrás
com Yeimi que o abraçou imediatamente lhe dando fortes chupões pelo pescoço.
O
motel era pertinho dali, na verdade existiam milhares deles naquele quarteirão,
foram em um chamado “Canto dos Pássaros”, viu uma pequena fila de dois carros na
entrada.
Pegaram um quarto normal sem muito luxo, quando entraram trataram de agarrar o
loiro.
-
Que pressa... – comentou.
-
Você é lindo demais! – Yeimi comenta.
Shibushi foi puxado por Uchiry pela cintura, os dois caminharam até a imensa
cama que quase pegava todo o quarto, os dois deitaram-se na cama. Uchiry tratou
de tirar toda a roupa do loiro, uma a uma jogando-as no chão, enquanto isso
Yeimi já tirava a sua e subia na cama ficando atrás do loiro.
O
único que ainda se encontrava vestido era Uchiry, ele se afastou dando lugar
para o seu irmão que tratou de começar a lamber todo o corpo do loiro.
-
Vou fazer você gozar... Tanto que vai enlouquecer! – disse – como você é
gostoso, não vejo a hora de entrar em você.
Shibushi ouvia aquelas palavras em silêncio, não tinha muito que falar achava
aqueles dois lindos, havia escolhido muito bem para uma primeira noite. O loiro
enlaçou o pescoço de Yeimi o puxando para baixo fazendo seus lábios se
encontrarem iniciando um beijo quente e bem molhado. Uchiry sobe na cama, ele
olhou para o seu irmão que sorriu, os dois levantam Shibushi fazendo-o ficar
sentado. Shibushi ficou encostado no peito de Uchiry, enquanto Yeimi descia seus
lábios por seu peito deixando um rastro de saliva por ali.
Os lábios de Yeimi começaram a sugar os mamilos de Shibushi, ora mordia, ora
chupava, ora lambia, deixava aquele botão rosado cada vez mais avermelhado.
Quando conseguiu o resultado que queria começou a descer sua língua até o membro
do loiro, começou a lamber a parte interna da sua coxa lentamente, com
movimentos fortes e circulares, umas das suas mãos começaram a apertar as bolas
de Shibushi fazendo-o suspirar.
Uchiry puxou o rosto de Shibushi para trás lhe dando um longo beijo, Shibushi
pôde ver que Uchiry era bem mais forte que Yeimi, ele parecia ser o mais louco
também, além disso, era o mais calado.
Quando os seus lábios finalmente se separaram, Uchiry o segura pela sua cintura
o virando de frente para ele, Yeimi se ajoelhou atrás do loiro afastando seus
cabelos para o lado para beijar o seu ombro. Uchiry sentou-se na cama com as
pernas abertas, o loiro entendeu o que ele queria, antes mesmo de abaixar por
conta própria para fazer o que lhe era pedido, Yeimi começou a empurrar
sutilmente suas costas para baixo fazendo-o ficar cada vez mais próximo do
membro do outro.
Segurou o membro de Uchiry pela base, deslizou suas mãos por ele várias vezes
com movimentos fortes e rápidos, depois foi aproximando a sua boca, quando
finalmente pôs o seu membro na boca pôde ouvir um gemido de prazer vindo da sua
vitima, uma de suas mãos acariciava o saco de Uchiry fazendo o seu prazer
aumentar.
Yeimi sentou-se na cama tinha uma visão perfeita de todo o corpo de Shibushi, já
que estava atrás dele, levou uma das suas mãos até seu pênis o estimulando,
começou a bombeá-los excitando-se com a cena que via. Depois de um tempo, estava
tão duro quanto seu irmão que recebia toda a atenção do loiro, cansado de ficar
só olhando puxa Shibushi pela cintura atacando seus lábios com selvageria,
sentindo o gosto do seu irmão neles.
-
Agora é minha vez... – disse ofegante.
-
Como quiser... – Shibushi sorriu.
Yeimi seguro-o pelo cabelo o puxando para baixo.
-
Fique assim... De joelhos! – Uchiry fala em seu ouvido.
Shibushi inclina seu corpo para frente segurando nas coxas de Yeimi que estava
ajoelhado na cama, passou a língua por seu pênis, depois chupou suas bolas
devagar fazendo o rapaz ficar mais louco ainda, quando ele já estava para mandar
o loiro chupá-lo de uma vez, Shibushi coloca todo o seu membro na boca fazendo
Yeimi jogar a cabeça para trás num grito mudo.
Uchiry sorriu, adorava ver o seu irmão daquele jeito, entretanto, no momento
iria cuidar daquele loiro que estava numa bela posição. Postou-se atrás de
Shibushi o segurando pela cintura, inclinou-se para frente dando várias lambidas
por suas nádegas, passou um dedo no vão das suas nádegas vendo como ali estava
quente. Levou um dos dedos até sua boca os molhando com sua própria saliva,
depois começou a penetrar o loiro que gemeu baixinho.
Yeimi sabia o que seu irmão iria fazer, então segurou a cabeça de Shibushi para
que ele não parasse com que estava fazendo.
Uchiry colocou mais um dedo fazendo Shibushi contorcer seu corpo, mas não muito.
Os irmãos sorriram, seus verdes se encontraram em um olhar cúmplices. Uchiry
retirou os dedos do interior do loiro, os levou até a boca sentindo o seu gosto
salgado, sorriu.
-
Vamos meu irmão... Mete logo nele! – Yeimi disse entre um gemido.
-
Já vou...
Uchiry segurou a base do seu membro, sua outra mão separava uma nádega da outra,
aos poucos foi empurrando seu membro naquele lugar apertado, sentiu toda a
resistência que o corpo do loiro tinha, mas isso não era nada para ele, forçou
mais um pouco colocando a cabeça do seu pênis. Shibushi por sua vez sentia seu
coração acelerado, havia parado de chupar o outro com aquela penetração, porém,
não afastou sua cabeça já que ela estava presa pela mão do próprio.
-
Continua... Vai! – Yeimi começou a puxar o cabelo de Shibushi para trás e depois
puxava sua cabeça para frente pedindo que ele continuasse.
-
Enquanto não chupar meu irmão... Ficarei parado aqui! – Uchiry diz.
Shibushi viu que não tinha muitas escolhas, então continuou com que estava
fazendo, só que agora acelerou as suas chupadas fazendo Yeimi gemer cada vez
mais alto ao sentir a aproximação do orgasmo. Uchiry sorriu, olhou para as
costas do loiro vendo como eram finas e brancas, deslizou uma mão por elas
sentindo o suor dele.
Shibushi sentiu um líquido quente descer garganta a baixo, sentiu as mãos de
Yeimi lhe soltarem, tirou sua boca dali para olhar melhor para o rapaz, viu que
ele havia jogado a cabeça para trás, fazendo seus cabelos encostarem-se à cama.
Entretanto, não teve tempo para admirar aquele belo rapaz, pois Uchiry voltou a
penetrá-lo.
-
Agora você vai me sentir... – Uchiry o puxou na direção dele fazendo seu corpo
entrar cada vez mais no seu pênis.
Uchiry entrou todo no loiro ganhando um grito abafado do próprio, esperou-o se
acostumar com a invasão depois continuou os movimentos de vai-e-vem, lentos a
principio, mas depois começou a aumentar o ritmo das estocadas fazendo o loiro
gemer sem parar.
Yeimi aproxima-se do rosto de Shibushi, ergue sua cabeça olhando para suas
pálpebras que se mantinham fechadas, viu como sua boca estava aberta, às vezes
cerrava os dentes para agüentar a força que Uchiry metia dentro dele. Passou a
mão por seu rosto, depois por sua pálpebras, aproximou-se do seu ouvido pedindo:
-
Abra os olhos...
Não teve resposta, aliais, Shibushi nem ouvia o que ele dizia.
-
Hei, quero ver seus olhos... – insistiu.
Yeimi olhou para o seu irmão, este apenas lhe sorriu e parou os movimentos.
-
Abra os olhos... Vamos! – pediu acariciando seu rosto.
Shibushi abriu os olhos encontrando aquele par de esmeraldas que o fitavam com
tanta atenção, sentiu um frio percorrer a sua espinha, algo ali o incomodava.
Uchiry continuou a penetrá-lo ao ver que Shibushi fez o que seu irmão lhe pediu.
Entretanto, quando começou a se movimentar Shibushi fechou os olhos novamente,
porém, desta vez ele os abriu quando Yeimi lhe pediu.
-
Olhe para mim... – sorriu – está gostando?
-
Es... Tou... – gemeu, não sabia porquê, mas se falasse alguma besteira ali iria
sair machucado.
-
Que bom... – sorriu – Quer que ele vá com mais força?
-
Não... – na verdade se ele fosse com mais força iria desmontar.
-
Por que não? Seria tão bom...
-
Es... Ta... Bom assim...
-
Uchiry meu irmão, parece que ele está satisfeito com você!
-
Isso é ótimo! – riu.
Yeimi voltou sua atenção para Shibushi, olhou para o seu membro que estava
solitário, o agarrou com uma das mãos fazendo o loiro gritar.
-
Vamos dobrar seu prazer! – disse.
Yeimi começou a masturbá-lo, não demorou muito para que gozasse na sua mão
contraindo todo seu corpo, perdendo todas suas forças e os vestígios de sanidade
que ainda mantinha. Uchiry por sua vez acabou gozando no seu interior ao sentir
seu membro ser estrangulado daquela maneira, acabou por desabar nas costas de
Shibushi que caiu na cama.
-
Estão bem cansados... – sorriu – Meu irmão, não irá me satisfazer agora?
-
Espere um pouco... – disse com a voz ofegante.
-
Tudo bem! – sorriu – Acho que encontramos um rapaz muito gostoso, legal e puto
como a gente! - passou a mão pelos fios loiros de Shibushi.
Uchiry se levantou, ficando de joelhos, Shibushi virou de barriga para cima para
poder respirar melhor, quando fez isso encontrou dois pares de olhos verdes o
fitando com desejo, os dois eram pura luxúria, pelo visto aquela noite ia ser
muito longa.
*
-
Vamos indo!
-
Vamos!
Haviam ficado um bom tempo naquele quarto, depois haviam tomado um banho juntos,
agora estavam saindo do motel.
-
Adoramos ficar com você! – Yeimi o abraça pela cintura enquanto andavam até a
recepção.
-
Digo o mesmo, estava um tédio ficar naquele apartamento sozinho – comentou.
-
Um cara como você não vai ficar muito tempo sozinho em Rondon!
-
Hum... Quantos anos vocês têm? – Shibushi pergunta.
-
24! – Uchiry responde – E você?
-
18... – sorriu.
-
Nossa, nem parece! – Yeimi diz surpreso.
Os três dividem a conta e vão até o estacionamento.
-
Para onde vai agora? – Uchiry perguntou se sentando no banco de motorista.
-
Me leve até a boate.
-
Eu te levo para casa.
-
Deixei meu carro na boate.
-
Beleza! – Yeimi abriu a porta de trás pedindo para que Shibushi entre – Vamos te
deixar lá.
-
Obrigado! – sorriu.
-
Vamos, entre!
Shibushi entrou no carro seguido por Yeimi, Uchiry tratou de sair dali logo.
Como havia pedido, Shibushi estava na frente da Nitrus, viu que algumas pessoas
saiam da boate, olhou para o relógio vendo que eram 05:40 horas.
-
Obrigado! – Shibushi saiu do carro.
-
Hei, toma! – Yeimi lhe deu um papel – liga para gente se quiser! – deu uma
piscada.
-
Pode deixar! – sorriu – Tchau!
Os irmãos se despediram e partiram dali deixando o loiro parado no meio da
calçada. Shibushi estava exausto, o que mais queria era ir para casa e dormir.
Foi andando até o estacionamento, pegou seu carro e partiu.
*
Sábado 17:00 horas.
Shibushi finalmente abre os olhos, senta-se na cama sentindo o seu corpo
dolorido, fazia muito tempo que não dormia com alguém, e ainda por cima
deitou-se com dois irmãos loucos, mas tinha que admitir que eles eram legais.
Não era de ficar dormindo com qualquer um, mas estava realmente necessitado,
precisava ficar com alguém ou iria enlouquecer.
Levantou-se da cama indo até a cozinha, estava morrendo de fome. Abrindo a
geladeira não encontrou muita coisa, tinha uns pedaços de pizzas de três dias
atrás, alguns vegetais e leite, porém, não tinha o que mais gostava “frutas”.
-
Preciso fazer compras – falou consigo mesmo – aliais, preciso arrumar esse
lugar! – disse olhando para o seu apartamento – Vou fazer isso hoje!
Comeu os pedaços de pizzas, depois tomou um copo de leite, pronto. Agora toda
sua comida havia acabado, mas primeiro iria arrumar seu apartamento, depois
pensaria no resto.
Foi até umas caixas empilhadas no canto da sala, as abriu revelando um monte de
almofadas de cores e forma diferente ia jogá-las no chão quando vê que ele
precisava de uma vassoura antes. Pegou uma vassoura na lavanderia e começou a
faxina.
Às 20:00 h. havia conseguido limpar todo o seu apartamento, claro que o lugar
não estava sujo, mas sempre tinha um pozinho ali e aqui. O loiro sorriu, estava
cansado, mas podia sentir o ar mais limpo, então agora sim poderia arrumar suas
coisas.
Foi até uma das caixas onde tinham as almofadas às jogando no chão, arrumou-as
para que ficassem no lugar que desejava, depois colocou vários tapetes pela
casa, abriu uma caixa cheia de mensageiros do vento, tratou de colocar na frente
de cada janela, trocou as cortinas por umas de pano mais leve e cores claras, e
aos poucos foi transformando aquele lugar.
Eram 2:00 horas, estava sem sono algum.
-
Acho que vou fazer compras agora, com certeza não terá fila! – pegou sua
carteira e saiu de casa.
*
Segunda-feira 6:30 da manhã.
Shibushi ia para maldita escola que seus pais lhe mandaram, era uma das melhores
escolas do país, tinha que usar um uniforme horrível na sua opinião. Usava uma
camisa branca com um tigre desenhado na manga direita, a calça era por livre
escolha, então Shibushi colocou uma calça jeans clara com um tênis bem esporte,
carregava uma pasta embaixo do braço.
Viu como aquele colégio era enorme, ficou parado na frente do portão principal
abobado com seu tamanho, quando viu que estava interrompendo a passagem saiu do
caminho parando num canto qualquer.
-
“Acho que vou me perder” – pensou.
Pediu informação para um aluno qualquer que lhe explicou que cada prédio era de
um determinado ano, explicou-lhe também os intervalos, as salas, comentou sobre
alguns professores e no final acabou levando-o até a sua sala. “Sala 10 do 3°
ano”.
-
Boa sorte! – o rapaz vai embora.
Shibushi sentou-se numa das carteiras do fundo, a última da fileira do meio,
ficou lá em silêncio até que o primeiro sinal bate fazendo alguns entrarem,
cinco minutos depois bate o segundo sinal fazendo todos entrarem na sala,
minutos depois uma professora muito idosa com cara de poucos amigos entra na
sala.
-
Bom dia!
-
Bom dia! – a sala responde num coral.
Shibushi debruçou-se na mesa, não estava com saco para assistir aula de
história, virou-se para o lado esquerdo onde tinha uma grande janela, ficou a
observar o pátio. Depois começou a olhar para todos os alunos vendo como estavam
atentos a aula. Viu que muitos ali faziam tipo, outros eram normais, outros
tímidos, viu os nerds da sala nas primeiras carteiras, depois viu um povo
desligado do lado direito dele e do lado esquerdo tinham três figuras diferente.
Uma bela mulher com roupas curtas e justas, um rapaz com um moicano verde e por
final um ruivo muito bonito que estava jogado na última carteira encostado à
parede.
Ficou olhando para o ruivo que percebeu o seu olhar encarando-o de volta,
Shibushi sentiu um frio na espinha, aqueles azuis claros eram aterrorizantes,
aquele ali com certeza não fazia tipo, ele era o “tipo”.
A
aula foi chata, tédio puro, Shibushi estava quase deitado na cadeira, estava
quase pegando no sono quando a garota que estava na sua frente se vira para trás
puxando conversa.
-
Oi! – sorriu.
Shibushi ergue a cabeça observando aquela jovem, ela era bonita, tinha cabelos
negros até os ombros, olhos verdes e uma pele amorenada.
-
Oi!
-
Como se chama?
-
Shibushi.
-
Bonito nome, eu me chamo Yara!
Ficou esperando que ele dissesse alguma coisa, mas ele não o fez.
-
Você não é daqui é?
-
De chiella!
-
Que legal, meus avós moravam lá... – sorriu – Você está a quanto tempo aqui?
-
Uma semana.
-
Está gostando?
Shibushi lembrou-se dos irmãos na hora, sorriu e disse:
-
Estou.
-
Já saiu para algum lugar?
-
Fui na Nitrus sexta.
-
Ah! Lá é muito ruim pesado demais! – fez uma cara feia – Todo mundo que vai lá é
gay, cuidado viu, já que você é muito bonito!
-
Hum... – não gostou do comentário.
-
Que menina irritante! – a voz de uma mulher chama a atenção dos dois.
Quem havia falado foi à moça que estava sentada ao lado do ruivo, Shibushi viu
que ela estava com uma cara de poucos amigos.
-
Isso não lhe interessa sua puta!
-
O que disse? – levantou-se.
-
Isso mesmo que ouviu! – levantou-se também fazendo todos da sala as olharem.
-
Algum problema Yara? – duas garotas se aproximaram.
-
Nenhum, apenas baratas no meu caminho! – disse sem tirar os olhos da garota.
-
Melhor dar o fora! Nem começou o ano e já quer arranjar encrenca? É melhor se
cuidar! – disse uma delas.
-
Pare com isso Nereida! – o rapaz de moicano pede.
-
Hum, essa garota me irrita.
-
Todo mundo te irrita, agora senta aí e cala a boca! – diz.
-
Não fala assim comigo Jin!
Shibushi estava sem falas, até quem fim algo de novo havia acontecido, ele olhou
para o ruivo que olhava para o teto, depois olhou para Jin vendo que ele
observava as suas unhas e por fim para Nereida que o encarou também com um leve
sorriso no rosto. Momentos depois, as garotas voltam para os seus lugares e para
infelicidade de Shibushi Yara voltou a conversar com ele.
-
Ah! Viu como esse povo é chato? – disse irritada.
-
Hum.
-
Você trabalha?
-
Não.
-
Você não é de falar muito, né?
Shibushi estava de saco cheio, aquele tipo de menina o irritava, a famosa
“popular sabe tudo”, estava se segurando para não mandá-la para o inferno.
-
Você me acha bonita? – perguntou finalmente.
Shibushi olhou-a bem nos olhos, tinha que admitir que a garota era bonita, mas
ser só bonita fisicamente não queria dizer que ela era “bonita” para Shibushi, o
loiro olhou para a janela vendo que quase todo mundo o olhava agora, até mesmo
aquele ruivo misterioso o olhava de canto.
-
Nenhum... Pouco! – disse finalmente fazendo quase toda a sala rir.
A
garota se levantou irada e apontou um dedo na cara de Shibushi.
-
Seu cretino, você deve ser gay... Ta na cara, seu puto vadio, você acha que pode
arranjar encrenca no começo do ano comigo? – perguntou furiosa – Não vai falar
nada? Está com medo é? Escuta aqui, é melhor você ir se desculpando ou eu irei
infernizá-lo até o final desse ano.
Shibushi debruçou-se na mesa, depois abaixou a cabeça e voltou a dormir, Yara
por sua vez ficou mais nervosa ainda, ela falou mais um monte de besteira e por
fim se sentou.
*
Intervalo novamente.
Shibushi estava sentado debaixo de uma árvore, olhava para quadra de basquete
onde alguns garotos jogavam, estava se sentindo muito sozinho.
-
OI!
Vira-se para trás vendo Nereida se aproximar.
-
Oi! – sorriu – Tudo bom?
-
Tudo! Posso? – apontou para o chão.
-
Claro!
Nereida se sentou ao seu lado.
-
Gostei de você!
-
Obrigado...
-
É diferente, as pessoas daqui são irritantes!
-
E por que está aqui então?
-
Trabalho aqui!
-
O que faz?
-
Conhece drogas?
Shibushi estreitou o olhar.
-
E fala assim abertamente comigo? – indagou.
-
Sim, sei que não é louco de falar para ninguém, aliais, você tem cara que usa.
-
Um pouco... – desviou o olhar.
-
O que curte? – sorriu – Ninfeto, Liquos, Hollix?
-
Qualquer uma! – suspirou.
-
Hum... Estou vendo que não escolhe, mas diga-me, tem uma que prefere?
-
Eu não quero nada! – disse irritado.
-
Tudo bem, eu não falo mais... Ouvi dizer que foi na Nitrus.
-
É!
-
Gostou?
-
Sim.
-
Conheceu muita gente?
-
Apenas três caras...
-
Sei, quais os nomes, talvez eu os conheça.
-
O barman...
-
O Lynis! – sorriu.
-
E dois irmãos gêmeos... Chamados...
-
Uchiry e Yeimi! – interrompeu-o.
-
Esses mesmo... Os conhece? – sorriu.
-
Sim, conheço quase todos os freqüentadores das baladas!
O
sinal toca fazendo Shibushi se levantar.
-
Vamos indo?
-
Primeiro eu vou resolver umas paradas aí... Nos vemos depois!
-
Até mais então!
*
O
dia havia sido normal, havia conseguido algumas amizades, conseguiu um monte de
inimigas e havia conhecido uma traficante, estava tudo uma maravilha. Agora
mesmo voltava para casa com passos lentos e demorados.
Drogas, lembrou-se da primeira vez que as usou, até hoje desejava não ter as
conhecido, mas na época estava muito perturbado, lembrara que estava pensando na
sua mãe, naquela maldita carta que ela escrevera, pensava como alguém poderia
ser tão cruel.
Parou na frente de uma lanchonete, estava com vontade de tomar alguma coisa, já
que o sol o fizera ficar com sede.
Ao entrar no estabelecimento procurou sentar numa mesa próxima a janela, jogou
sua pasta em cima da mesa e jogou-se na cadeira, não demorou muito para que uma
atendente viesse ao seu encontro.
-
Boa tarde! – ela lhe entrega o cardápio.
-
Boa tarde! – sorriu.
-
À vontade! – se retirou.
Shibushi folheou aquele cardápio vendo a variedade de sucos que tinha ali,
tratou de pedir algo bem pesado já que sentia seu estomago reclamar de fome.
Ergueu uma das mãos, um atendente veio ao seu encontro com um bloquinho de
folhas, fez seu pedido e debruçou-se na mesa olhando com melancolia para os
casais que passaram pela rua.
*
Uma semana havia se passado, Shibushi não agüentava mais aquele lugar, havia
feito muitas amizades não podia negar, porém, nada naquela cidade lhe atraia.
Havia ido a Nitrus novamente, mas não achou ninguém de interessante, havia
ficado com o barman, mas nada além de beijos, havia se encontrado com os irmãos
ruivos novamente, mas não ficou com eles também apesar dos seus pedidos.
*
Sexta-feira a noite, não podia ficar em casa, tratou logo de sair.
Suas vestes claras e sensuais chamavam a atenção de muitos olhares, tanto
femininos como masculinos. Shibushi havia mudado de lugar finalmente, agora
estava na fila da boate Gaia, viu como o movimento ali era mais intenso.
Quando entrou viu a diferença da outra boate com essa. Gaia era enorme, tinha
vários ambientes, não era totalmente escura, tinha um bom som, as pessoas
pareciam ser mais calmas também.
Pegou uma bebida no balcão e foi se sentar numa das mesas que ficava num
ambiente mais calmo.
-
Shibushi!
Virou-se para trás ao ouvir seu nome, para sua surpresa encontrou Nereida.
-
Oi! – sorriu.
-
Até quem fim veio aqui! – sentou-se na cadeira a sua frente.
-
Cansei da Nitrus!
-
É bom respirar novos ares... – sorriu.
-
Er... Nereida você poderia me vender?
-
Hum... Sabia que não ia resistir!
-
Preciso me acalmar! – disse.
-
Espere um pouco, vou falar com Nako! – disse se levantando.
-
Nako? – indagou.
-
Sim, meu chefe!
-
Pensei que você era a chefe...
-
O que é isso? Esse pedaço todo é de Ryori Nako, o traficante mais respeitado
daqui!
-
Por acaso é aquele que está na nossa sala? – riu.
-
Ria, mas não na frente dele se não quiser uma bala no meio da testa! – disse
mais séria – Vou buscar!
Shibushi ficou quietinho no seu canto bebendo sua tequila, quando aquele ruivo
maravilhoso começou a vir na sua direção, parou de beber para olhá-lo melhor.
-
Oi! – Shibushi sorriu.
-
O que você quer?
-
O que você tem?
-
Agora, só Ninfeto!
Shibushi torceu o nariz, queria algo para se acalmar, porém, Ninfeto era muito
forte.
-
Hum... Tenho Liquos também!
-
Quanto?
-
100 g. 50 reais!
-
Pode ser...
O
ruivo ficou perdido naqueles azuis escuros, havia notado aquele rapaz desde que
ele entrara na escola, mas nunca havia ficado tão próximo dele. Ficou
maravilhado com suas roupas claras e transparentes, com seus longos fios
dourados, com sua pele pálida, ele parecia ser tão o oposto de si próprio,
talvez isso tenha chamado a sua atenção o que era uma coisa muito difícil.
Levou uma das mãos até o bolso pegando umas pílulas vermelhas, depois entregou
para Shibushi, este ainda estava hipnotizado com a beleza do ruivo, mas voltou a
si quando ouviu sua imponente voz.
-
50!
-
Claro! – pegou sua carteira dando uma nota de 50 para o ruivo.
Ryori pega o dinheiro colocando no bolso, depois ficou olhando para o loiro que
prestava atenção no pacote que comprara há instantes atrás.
-
Algum problema? – Shibushi perguntou.
-
Nenhum!
-
Quer se sentar? – apontou para cadeira à frente.
Ryori olhou para a cadeira e depois para o loiro, não sabia o que ele tinha de
tão especial para estar deixando desnorteado daquele jeito. Quando Nereida
apareceu pedindo algumas drogas para o loiro, havia feito questão de trazê-las
pessoalmente, coisa que jamais faria com qualquer um.
Acabou por se sentar afinal, iria ouvir um pouco daquele loiro sensual, se fosse
um idiota como todos que cruzavam seu caminho iria se levantar deixando-o falar
com as paredes.
Os dois ficaram se encarando por um longo tempo, nenhum deles sabia o que dizer,
e perguntas como “você vem sempre aqui?”, não fazia o estilo de nenhum dos dois.
Shibushi resolveu tomar uma pílula de Liquos, abriu o pacote tomando com um gole
de tequila, Ryori apenas o observava com um olhar atento.
-
Mora aqui há muito tempo? – Shibushi inicia a conversa.
-
Desde sempre...
-
Hum... Sempre trabalhou nisso?
-
Não.
-
Curte drogas também?
-
Não.
-
Imaginava...
-
Imaginava? – Ryori indaga.
-
Vocês geralmente vendem, entretanto, são inteligentes demais para consumirem –
sorriu de canto.
-
Tem razão, se sabe disso, por que usa?
-
Porque me ajuda a esquecer... Coisas!
-
Coisas?
-
Não quero lembrar!
-
Como quiser... – estava ficando cada vez mais interessado naquele rapaz
misterioso.
-
Gosta de dançar?
Ryori pensou um pouco e por fim respondeu:
-
Gosto.
-
Quer?
-
Não!
-
Então até mais!
Shibushi levantou-se deixando Ryori com a cara no chão, na verdade o rosto do
ruivo mantinha-se impassível a qualquer reação sua, mas por dentro estava
impressionado com o modo que o loiro o tratara.
Viu como todos os olhares caiam sobre seu corpo, colocou seu cotovelo na mesa
apoiando sua cabeça na sua mão para assim poder olhar melhor para o loiro que
começava a se movimentar na pista, viu como ele não conseguia ficar muito tempo
sozinho, em menos de um minuto um rapaz veio dançar com ele.
Estava se perdendo, seu corpo se levantou sozinho, sua capa voou para trás, seus
belos fios ruivos presos a um baixo rabo de cavalo voaram para trás, o ruivo
imponente cortava o salão. Ele chegou até o loiro que dançava com os olhos
fechados, colocou a mão na sua cintura e o puxou para si, quando fez isso
Shibushi abriu os olhos, ficou perdido naquele olhar.
Ryori deslizou seus lábios pela bochecha de Shibushi, depois foi descendo até
seu pescoço dando leves beijos, subiu para seu ouvido sussurrando:
-
Vamos para outro lugar! – dizendo isso o puxou pelo braço para fora dali.
Shibushi sentiu um pouco de medo, não sabia com quem estava lidando, mas pelos
olhares que as pessoas davam para Ryori podia ter uma noção do quanto ele era
respeitado. Viu que estava sendo levado para os fundos da boate.
Uma porta se abre com duas batidas que Ryori deu, um jovem sai e os dois entram,
Shibushi viu que era um quarto vazio, não tinha absolutamente nada, nem um
tapete sequer. Ryori fechou a porta e logo depois o agarrou por trás dando
várias lambidas na sua nuca.
-
Calma aí...
-
Silêncio!
-
Eu não quero! – tentou se soltar.
-
Não me contrarie, sei que você também quer!
-
Você que não pára de me olhar!
-
Você que me convidou a sentar!
-
Sentar, não transar!
-
Você é direto, gosto disso, faz tempo que não me sentia assim!
Apertou ainda mais a sua cintura fazendo o loiro ficar com um pouco de
dificuldade para respirar. Ryori vai andando até a parede prensando o corpo
menor nela.
-
Não minta... Sei que você também quer, mas mesmo que não quiser... – riu – Terá
que me agüentar, loiro! – disse no seu ouvido.
Shibushi viu suas roupas serem arrancadas, sorte que Ryori não as rasgou. Depois
que retirou sua camisa começou a lamber seu ombro desnudo, sua língua passava
por toda sua costa deixando um longo rastro de saliva.
Ryori se afastou um pouco para jogar seu sobretudo no chão, depois retirou sua
regata preta, suas botas e sua calça jeans em cima do casado. Shibushi havia
virado seu rosto para trás vendo aquele ser perfeito se despir na frente dele.
-
Gostou da visão? – Ryori abre os braços mostrando seu corpo perfeitamente
definido.
-
Hum... – Shibushi estava meio tonto, devia ser o efeito da droga que tomou.
-
Vem... – Ryori o vira fazendo suas costas ficarem contra a parede – Parece que
está meio tonto! – sorriu.
Ryori o puxou pelos braços os afastando um pouco da parede para assim poder
retirar sua calça branca com mais facilidade, Shibushi não fez nada, além do
mais estava muito tonto para perceber alguma coisa. Suas roupas jogadas no chão,
e seus corpos estavam nus e excitados.
Os lábios de Ryori atacaram a curva do pescoço do loiro dando leves mordidas e
longas e deliciosas lambidas no lugar fazendo o loiro suspirar. As mãos do ruivo
deslizavam pela pele macia do loiro sentindo como era delicada, sensível e bem
cuidada.
Shibushi por sua vez estava confuso, estava sendo forçado a aquele sexo? Se
estava, por que não saia? Por um único e simples motivo, desde a primeira vez
que vira o ruivo havia se encantado por ele, e já tinha se pegado sonhando nele
algumas noites.
-
Segura no meu pescoço! – Ryori pede.
Shibushi enlaça o pescoço do ruivo como foi pedido, depois sentiu suas pernas
serem puxadas para cima ficando com elas em volta da cintura do ruivo que o
segurava com firmeza. O loiro soltou um gemido baixo ao sentir um dedo
pressionar a sua entrada com certa força abrindo o seu anel rapidamente para
assim engolir aquele dedo que estava tão louco para entrar. Ryori mexeu o dedo
no seu interior lentamente sentindo como era quente e apertado, sorriu
intimamente ao ver que havia conseguido um belo parceiro para essa noite.
A
sala vazia não significava nada para ambos, Nako não queria ficar no chão já que
este era muito frio e duro, e sabia que tinha força o suficiente para segurá-lo
no colo enquanto o possuía como havia desejado desde que ele mudara para sua
escola.
Seus lábios se encontraram mais uma vez, só que desta vez quem os procurou foi
Shibushi mostrando que não estava sendo forçado a nada, ao contrário, ele estava
gostando e muito.
As mãos ansiosas de Ryori agarraram as coxas do loiro deixando várias marcas,
nada que não pudesse sair com o tempo, depois deslizou sua mãos até suas nádegas
as sentindo com a palma da mão, cansou-se de tanto esperar, viu que o loiro
estava excitadíssimo como ele. Levou uma das mãos até seu membro segurando-o
pela base e começando a guiar até a sua entrada, Shibushi agarrou-se aos seus
ombros ao sentir aquele grande volume pedindo passagem para entrar no seu corpo.
-
Como você... É apertado! – Ryori gemeu.
-Ahhhhhh!!!
– Shibushi gritou ao sentir a cabeça do seu membro entrando em si.
Ryori parou um pouco e continuou a penetrá-lo, se quisesse poderia soltar o
loiro afazendo ele sentar com tudo nele, mas algo o impedia de ser cruel, não
sabia o porquê disso, mas aquele garoto mexia com ele de uma maneira muito
especial. Finalmente uniram-se seguidos por um grito alto de dor e prazer do
loiro que afundo a sua cabeça na curva do seu pescoço.
Os lábios do ruivo trataram de encher o rosto rubro de Shibushi com um monte de
beijos, podia até parecer uma cena comum para um casal que estava num momento
muito intimo, porém, um deles era Ryori Nako, um ser cruel que não se importava
com nada e ninguém a não ser ele próprio, era algo realmente incrível, ele mesmo
estava confuso com os sentimentos estavam cruzando o seu peito naquele momento.
Alguns segundos se passaram, Ryori viu que podia continuar, Shibushi também
começou a se movimentar lentamente em cima daquele membro enorme que o
atravessava por inteiro.
-
Isso... Vai... – Ryori o comandava seguido dos seus gemidos, estava atordoado ao
sentir seu membro ser estrangulado daquele jeito, não demoraria muito para
gozar.
Shibushi estava ficando cada vez mais louco, não sabia se era a droga que
tomara, se era aqueles azuis que o fitavam com tanta atenção ou se era ter seu
membro pressionado no abdome do ruivo.
O
vai-e-vem foi ficando cada vez mais forte, seus corpos se balançavam para cima e
para baixo em movimentos rápidos, fortes e profundos. Seus braços agarraram-se
com força o corpo do outro mostrando que já estavam chegando ao seu limite, mas
nenhum deles paravam, os dois continuavam a se movimentaram cada vez mais até
que Shibushi não agüentou e acabou gozando no abdome do ruivo.
-
Ahhhhhhh!!!! – um grito de prazer foi solto enquanto se aliviava, contraio todo
seu corpo sentindo a força daquele orgasmo arrebatador. Tremia em leves
espasmos, suas mãos já não seguravam o corpo do ruivo com tanta força, então
tombou para trás encostando suas costas na parede nua e fria.
Ryori por sua vez segurou mais o corpo do loiro ou ele iria cair e é claro que
ele iria junto, continuou com os movimentos dentro do loiro, não demorou muito
para que gozasse também fazendo seu jato de esperma bater contra a parede do
ânus do loiro provocando neste mais um gemido de prazer mostrando que ainda
estava acordado. Ryori foi abaixando devagar com o loiro no seu colo, ele
sentou-se para trás fazendo shibushi ficar sentando em cima dele.
Shibushi saiu de cima de Ryori, porém, este não deixou que ele saísse do seu
colo, então os dois ficaram abraçados sentindo como seus peitos movimentavam-se
rapidamente para baixo e para cima mostrando a respiração acelerada, seus rostos
pálidos agora se encontravam rosados, suas mãos estavam meio trêmulas e seus
corações batiam tão rápido que parecia que ia sair dos seus corpos.
Um tempo se passara, os dois começaram a se recuperar com a medida do tempo,
Shibushi ergueu a cabeça encontrando aquele par de azuis o fitando, ficou meio
constrangido, sentiu um pouco de medo, entretanto não deixou de se fascinar com
aquele belo rosto que o seduzia cada vez mais.
-
Tudo bem? – Shibushi perguntou.
-
Hum hum! – disse sem se mover.
-
Bom, acho melhor...
-
Vai ficar! – disse – Não quero que vá embora, não agora.
-
O que quer de mim? – estranhou.
-
À noite ainda nem começou... – sorriu.
*
“Confuso, jamais pensei em estar
Seus gestos me fizeram desmontar
Suas palavras numa doce melodia me fizeram
dançar”
Ryori estava com a mão em volta da cintura do loiro, este estava com os olhos
vermelhos de sono, não havia dormido bem semana passada e depois de tanto
“exercício” estava começando a ficar cansado, porém, para o seu azar parecia que
Ryori ainda queria curtir a noite.
-
Vamos sair um pouco! – disse.
Shibushi sentiu-se ser levado para algum lugar, não sabia o que se passava na
mente daquele rapaz enigmático, tentou puxar alguma conversa com ele, mas havia
recebido respostas com: hum, é, não sei, cala a boca, sim, não, etc.
O
ruivo havia levado-o até o seu carro que estava estacionado nos fundos da boate,
pelo jeito ele tinha o estacionamento exclusivo. Os dois entraram no carro, e
Ryori tratou de sair dali.
-
Onde estamos indo? – indagou.
-
Num bar.
-
Por que não ficamos lá?
-
Porque eu quero um lugar mais calmo – disse sem desviar seu olhar da direção – “O
que está acontecendo comigo?” – Mesmo Ryori não entendia o que estava
fazendo, só sabia que não queria perder aquele loiro sedutor de vista.
-
Onde fica?
-
Não se preocupe, se quisesse te matar já o teria feito! – diz virando-se para o
loiro que prendeu a respiração.
-
“Shibushi, seu idiota... não devia se envolver com traficantes, ah droga, já
estou vendo que estou ferrado!” – pensou o loiro.
“No vento desta noite cálida
Meu coração não mais se sente só
Com sua companhia, meus passos não mais caminham
só”
O
porsche preto corria pelas vazias avenidas deixando só poeira para os
lanterninhas. Não rodaram muito e pararam na frente de um bar que tinha poucas
pessoas, dava até para ver o seu interior e algumas mesas vazias, Shibushi
ergueu o olhar lendo o nome do bar.
-
A Cachorra? – olhou para Ryori.
-
Não é um nome muito interessante, mas é isso aí! – comentou.
Shibushi não se agüentou e acabou rindo, curvou seu corpo para frente colocando
a mão na sua boca tentando abafar seu riso, estava sentindo-se um idiota, pensou
que seria levado para um lugar mais sério, mas no final estava num bar chamado
“A Cachorra”. Parando com seu acesso de riso olhou para o ruivo que se mantinha
sério, limpou algumas lágrimas que ficaram nos cantos dos seus olhos e olhou
para Ryori.
Ryori ficou olhando para aquele anjo loiro, não sabia o motivo, mas achou-o
lindo sorrindo, queria que ele sorrisse mais, quando o loiro começou a rir não
perdeu um gesto seu, havia ficado hipnotizado com seus gestos, falas, olhares e
sorrisos.
“Calafrios, seus lábios estão a me provocar
Pensamentos surpresos vêm ao meu pensar
Como um sorriso seu pode fazer-me voar?”.
-
Então, vamos entrar? – Shibushi pergunta.
-
Vamos!
Os dois saem do carro, logo um manobrista vem ao alcance dos dois, Ryori deixou
a chave do carro com ele e entrou no bar, pelo visto o ruivo era bem conhecido
ali, na verdade todos os lugares que ia todos o conheciam.
Sentaram-se numa mesa na área de fumantes, Ryori deixou um recado dizendo que
não queria ser incomodado por ninguém.
-
Gosta daqui? – pergunta.
-
Muito, é bem calmo!
-
Pelo jeito não gosta que fiquem no seu pé...
-
É o que eu mais detesto!
-
Sempre trás seus ficantes aqui? – sorriu de canto.
-
Não – fechou a cara.
-
Desculpe-me.
-
Tudo bem...
Ryori pegou um maço de cigarros no seu bolso, pegou seu isqueiro tratando de
acender um cigarro, quando o fez deu uma forte tragada e depois soltou a fumaça
para o alto.
-
Quer? – ofereceu para o loiro.
-
Não fumo.
-
Hum...
-
Que horas são? – indaga.
-
São... – olhou para seu relógio de pulso – 3:00 horas...
-
Estou vendo que vou voltar quebrado... – disse desanimado.
-
O que faz nessa cidade?
-
Estudos...
-
Só isso?
-
Só, e você, por que está naquela escola? – indagou – E tem quantos anos?
-
Estou naquela escola por causa de uma promessa, e eu tenho 19 anos.
-
Vejo que nunca faz nada em aula!
-
Me observa muito? – sorriu.
-
Er... – constrangeu-se – Ta na cara que não faz nada.
-
Aquelas lições são muito fáceis, ridiculamente fáceis, porém não tenho paciência
e nem tempo para fazê-las! E você faz tudo pelo jeito, não?
-
Faço, não tenho nada para fazer em casa, só saio nos finais de semana –
suspirou.
Os dois ficaram conversando durantes horas, haviam pedido algumas bebidas mais
tarde, haviam se dado muito bem, cada um mostrava mais interesse pelo outro a
cada segundo que passava.
-
Bom, eu tenho que ir! – Shibushi diz bocejando.
-
É já são 6:00 horas... E o bar até está fechando.
-
Por que não fecharam ainda? – indagou sonolento.
-
Porque eu estou aqui!
-
Ah! Claro, o poderoso Ryori Nako está aqui! – riu.
-
Isso mesmo, venha, eu te levo para casa!
-
Não, me deixe na boate, deixei meu carro lá.
-
Depois mandarei buscá-lo, não se preocupe.
-
Mas... E as chaves? – indagou.
Ryori sorriu, Shibushi fez um não com a cabeça.
-
Eu o quero inteiro.
-
Vai ter, agora vamos! – levantou-se.
Os dois saíram do bar para alegria dos donos e empregados que estavam quase
caindo de sono, mas quem seria louco suficiente para pedir gentilmente para que
Ryori Nako saísse do seu estabelecimento?
Ryori não era um homem amigável, havia matado um garçom semana passada, pois
este havia lhe confundido com outra pessoa e o xingado. Ryori poderia mandar dar
uma surra do infeliz, mas não, ele o finalizou com um tiro na testa. Essa era a
dura realidade, esse ruivo maravilhoso era um assassino de sangue frio, era
sarcástico, adorava brincar com suas vitimas e sua crueldade impunha muito
respeito em todos da cidade.
Havia gangues rivais, porém, todas que se bateram de frente com Nako acabaram
caindo dos seus cavalos com tanta força, que haviam despertado medo nas outras
gangues que procuravam seguir o mesmo exemplo.
*
-
Obrigado! – Shibushi abriu a porta do carro para sair, mas uma mão em seu ombro
o puxa de volta.
-
Vem aqui! – Ryori o puxa pela cintura aproximando seus corpos.
Shibushi sorriu, viu que aquele ali era do tipo mandão, achou melhor não
questionar. Levou uma das mãos até a face do ruivo sem tirar seus olhos dos
dele, depois foi se aproximando até seus lábios se uniram em um beijo
apaixonado. O loiro afastou-se rapidamente antes que a coisa esquentasse.
-
Até mais... – saiu do carro.
Ryori não disse nada, ficou apenas a observar aquele belo anjo que entrava na
portaria do prédio, quando viu que só tinha ele ali tratou de dar a partida
sumindo daquela rua.
*
Chegando no seu apartamento jogou seu sobretudo em cima do sofá, descalçou suas
botas as jogando num lugar qualquer, depois foi até o seu sofá jogando-se nele.
-
Que noite... – falou consigo mesmo – Parece que eu ainda não estou sozinho! –
sorriu.
Os instintos de Ryori eram anormais, porém, sabia que a pessoa que estava no seu
apartamento não iria feri-lo, na verdade essa pessoa era um dos seus homens mais
fieis. Sorte dele que o havia encontrado há uns meses atrás.
-
Senhor Nako!
-
Ruk, o que faz aqui?
-
Procurei-o por toda parte! – o soldado foi se aproximando mais do sofá.
-
Diga e vá embora.
-
Temos alguns traidores no grupo.
-
Traidores? – virou-se para ele.
-
Sim, soube que alguns deles estão trabalhando para algumas gangues rivais, além
disso, estão desviando nossa verba.
-
Mesmo... – ficou pensativo – Tudo bem, Ruk, você é o único que eu confio, sabe
que não podemos nos ver juntos, não por enquanto!
-
Você me ajuda, eu te ajudo... Um dia eu voltarei para o meu antigo lar... E
terei minha vingança! – disse baixinho.
-
Esqueça-os, viva o agora! – Ryori levantou-se – Me diga quem são!
-
Juk, Laurin e Cler!
-
Eles têm postos importantes na gangue!
-
Realmente!
-
Elimine-os! Mas antes, descubra o máximo de informações possíveis.
-
Pode deixar! – sorriu.
Num piscar de olhos o soldado sumiu da sua vista, um vento frio vindo da janela
aberta chamou a atenção de Ryori que foi até ela fechando-a.
-
“Posso confiar em alguns, sorte a minha encontrá-lo naquele dia de chuva”.
(Flash Back)
Os cães latiam ferozmente, porém, nenhuma pessoa foi para fora para ver o que
havia assustado tanto os seus animais. Portanto, continuavam a latir sem parar
fazendo um barulho ensurdecedor.
A
noite já estava bem alta, a luz da rua estava bem fraca e em alguns pontos nem
existia mais iluminação. Ninguém passava por ali, nem eram loucos, porém,
podiam-se ouvir passos.
-
Não fuja! – gritou um homem.
-
Se... Se você se aproximar eu...
Um homem loiro, alto, com uma metralhadora na mão apontava para um rapaz caindo
a uns 50 passos à frente.
-
O Senhor Rayzen está zangado com você!
-
Foda-se! – tentou se levantar.
-
Vamos Ruk, seja bonzinho... Vem pro papai, vem! – riu o loiro.
Ruk levantou-se soltando um longe gemido pela fratura exposta que havia no seu
braço esquerdo, sem contar que duas balas alojaram-se na sua perna direita e
esquerda. Seus cabelos jogados no rosto lhe davam um ar de selvagem, suas roupas
rasgadas, seus cortes, as manchas de sangue, parecia um cadáver vivo.
O
loiro apontou-lhe a arma mais uma vez com um sorriso vitorioso no rosto, Ruk
fechou os olhos vendo que não tinha mais forças para desviar-se daquele ataque.
-
“Aizu...” – abriu os olhos lembrando-se de alguém importante para ele.
-
Morra!! – aperto o gatilho descarregando um cinto de balas, quando parou de
atirar não viu ninguém a sua frente, apenas a penumbra que avançava cada vez
mais naquela rua deserta.
O
loiro olhou para os lados segurando com firmeza a sua arma, sabia do que o
moreno era capaz, seus olhos castanhos ficaram atentos a qualquer movimento
suspeito. Ouviu um barulho atrás dele, quando se virou já tratou de atirar na
primeira coisa que viu, porém, para sua infelicidade era apenas um cachorro que
havia conseguido escapar.
-
Está com medo?
O
loiro arregalou os olhos ao ouvir aquela voz fria e divertida atrás de si,
agarrou com força o gatinho pronto para atirar, porém, antes mesmo de pensar em
virar para trás uma faca havia atravessado o seu peito fazendo seu sangue jorrar
para fora.
-
AHHHHHH!!!!!! – o loiro deu uns passos para frente largando a arma no chão que
acabou por disparar mais alguns tiros.
-
Gosta dessa sensação? – Ruk pergunta se aproximando dele.
O
loiro virou-se para trás com as mãos sujas de sangue, olhou com pavor para
aqueles olhos acinzentados, viu como eram frios e perigosos, havia se
precipitado e subestimado o seu inimigo, agora estava pagando o seu erro com sua
própria vida.
-
Seu... Mal... Di...To! – caiu no chão enterrando ainda mais a faca que estava
cravada nas suas costas abrindo mais ainda o buraco e manchando a calçada com
seu sangue impuro.
Ruk ajoelhou-se no chão, estava exausto, havia fugido de um poderoso quartel
cheio de soldados fieis e sádicos, agora que havia conseguido fugir não tinha
mais forças para continuar a caminhar. O sangue começou a sumir com as gotas de
chuva que começavam a cair, o céu acinzentado combinava perfeitamente com os
olhos inexpressivos de Ruk. Quando Ruk ia cair no chão exausto, segurou-se e
virou-se para trás ouvindo alguém bater palmas.
-
Quem é você? – Ruk levantou-se meio cambaleante.
-
Bela luta! – sorriu o ruivo.
-
Rayzen te mandou!? – deu um passo para trás pegando a metralhadora que estava no
chão e a apontou para o ruivo.
-
Rayzen? Então Rayzen está envolvido nisso? – indagou – Ele sabe que aqui é o meu
pedaço, e que não pode entrar!
-
Quem é você?
-
Nako, Ryori Nako! – disse.
-
O líder do trafico de Pratania... – falou consigo mesmo, porém não abaixou a
arma.
-
O que Rayzen quer de você?
-
Me matar...
-
Por que?
-
Isso não é da sua conta! – irritou-se.
-
Soube que ele faz experimentos em humanos, então você é um rato fugitivo! –
sorriu.
-
Maldito! – ergueu ainda mais a arma a fim de por um fim naquele ruivo arrogante.
-
Posso lhe ajudar, se você trabalhar para mim!
-
O que?
-
Estou precisando de caras fortes, que façam um bom serviço! – disse apontando
para o cadáver estirado no meio da calçada.
-
Não direi nada de mim...
-
Não quero saber!
Os dois ficam se encarando por um bom tempo, a chuva começou a ficar cada vez
mais forte os castigando com suas inúmeras gotas que molhavam cada vez mais seus
corpos. Ruk olhou bem nos olhos de Ryori vendo que ali não tinha intenções
ruins, vendo que era apenas um chefão afim de mais um empregado eficiente.
-
O que quer de mim?
-
Será meu informante e assassino!
-
O que ganharei com isso?
-
Rayzen nem saberá que você existe!
Ruk achou a proposta muito tentadora, porém, se aceitasse esse serviço estaria
fazendo o mesmo que fazia antes, ficou indeciso. Ryori por sua vez cruzou os
braços mostrando-se impaciente com a demora.
-
Eu aceito!
-
Não tinha muitas escolhas mesmo! – Ryori diz finalmente.
-
Não seja me...
-
Não me provoque ou cairá no chão como esse homem!
-
Acha que pode me matar, você é um humano nor... – antes de terminar de falar,
Ruk viu que Ryori estava a um centímetro dele com um calibre 36 encostado na sua
garganta.
-
Dizia alguma coisa?
-
Não...
-
Ótimo! – sorriu – Agora vamos!
(fim do flash back)
Não haviam começado a trabalhar juntos numa boa, nem eram tão amigos, mas era
incrível como os dois concordavam com a mesma coisa e como pensavam juntos, em
pouco tempo cada um foi pegando respeito pelo outro.
Ruk não tinha por quê trair Ryori, pois este o tratava bem, deixava-o livre,
dava-lhe dinheiro e o mais importe, o ocultava de Rayzen, que era o seu pior
inimigo. E Ryori achava Ruk um ótimo empregado, era confiável, sabia que o
moreno só tinha a perder se o traísse e ninguém a além dele era poderoso o
suficiente para protegê-lo de Rayzen.
*
*
Shibushi jogou-se na sua cama soltando um gemido abafado, estava exausto e
dolorido, nem deu tempo para se trocar, já havia caído num sono profundo.
O
sol, o belo e maravilhoso astro que iluminava a vida de todos os habitantes
dessa Terra, as pessoas acordavam com um sorriso no rosto ao receber essa luz
intensa e tratavam de levantar-se para o novo dia que chegava.
O
sol, o maldito e escandaloso atrapalhava a vida das pessoas que viviam da
escuridão, das pessoas que amavam ver aquele belo luar no meio do céu azulado e
recheado de estrelas. Essas pessoas fechavam as janelas com sete chaves tentando
impedir a sua passagem, porém, isso era em vão, e no final acabavam por se
levantar mal humoradas.
-
Ah! Maldita claridade! – Shibushi levantou-se meio cambaleante indo até a janela
cobrindo com a cortina, depois se jogou na cama novamente.
Cinco minutos se passaram, o loiro levantou-se praguejando algo, os motores dos
carros lá embaixo não o deixam dormir em paz. Então, vencido pelo dia acabou por
se levantar indo até o banheiro tomar um longo banho para tirar aquele cheio de
bebida, cigarro e drogas do seu corpo.
Vestiu uma calça de sarja branca, colocou um roupão branco e um chinelo de dedo.
Foi até a cozinha fazendo uma vitamina de frutas, comeu alguns cereais e se
jogou no sofá da sala com um livro na mão.
-
“Vamos ver onde eu parei... onde eu parei... parei... aqui!” - quando
encontrou a sua página o telefone da portaria toca. – Droga!
O
loiro levanta-se correndo, porém, não viu a pilha de revistas que estava na
frente e acabou por cair de cara no chão. Momento depois se levantou gemendo de
dor, já bastava os hematomas da noite passada, agora tinha que se preocupar com
esses?
-
Oi! - conseguiu atender ao telefone.
-
Senhor Iroyr?
- Hum?
- Tem um rapaz aqui querendo vê-lo.
- Quem é?
- Chama-se Ryori!
- Ryori?! – Assustou-se.
-
Sim!
- Pode mandar subir! – Sorriu.
Shibushi pôs o telefone do gancho com um sorriso bobo no rosto, correu até o seu
quarto retirando o roupão e colocando uma larga camisa branca de um tecido leve
e transparente e uma calça do mesmo estilo, depois correu até a sala arrumando
as revistas espalhadas pelo chão.
-
Já vou! – avisou, quando ouviu a campainha que tinha o som de sinos tocando.
-
Bom dia! – Shibushi cumprimenta o ruivo que estava parado a sua frente com as
mãos no bolso, usando suas vestes negras de sempre.
Ryori foi entrando no apartamento sem dizer nada, viu que era um lugar muito
estranho, depois olhou para Shibushi que fechava a porta. O ruivo sentiu-se
incrivelmente bem naquele ambiente, raramente sentia-se assim em algum lugar,
até mesmo na sua casa sentia-se mal. Respirou fundo sentindo o cheio de ervas,
flores e plantas que existiam ali, viu que tinham muitas plantas e flores, notou
também que a sacada do seu apartamento era repleta por pássaros, ficou
desnorteado com as cores claras que cobriam aquele apartamento; olhou para o
chão vendo que não existia sofá ou cadeiras, mas um grande tapete bem decorado e
algumas almofadas.
-
Já tomou café? – indagou.
-
Já! – virou-se para ele.
-
Sente-se! – apontou para as almofadas – tire os sapatos!
Ryori parou e olhou para o loiro, depois abaixou retirando sua bota as jogando
em um canto qualquer, depois se sentou nas almofadas vendo como eram macias e
confortáveis.
-
Acordou cedo! – comentou sentando-se de frente para ele.
-
Já são 15:00 horas! – disse algo finalmente.
-
Acordei agora! – sorriu.
-
O que é isso? – apontou para o seu rosto.
-
Isso? – ficou confuso – Isso o que?
-
Aqui! Está vermelho! – encostou no seu próprio rosto mostrando o lugar.
-
Ahhh... – sorriu – Quando o telefone tocou fui correndo atender, aí não vi a
pilha de revistas e acabei caindo.
-
Então, por isso demorou a atender? – acabou sorrindo, mas não muito.
-
Foi! – sorriu.
Os dois ficaram se olhando sem saber o que dizer, até que Shibushi começa a
puxar conversa.
-
Acordou que hora?
-
10:00!
-
Cedo!
-
Tenho que trabalhar! – sorriu.
-
O que veio fazer tão cedo aqui?
-
Hum...
-
Não que eu esteja reclamando! – sorriu – Gostei muito da visita!
Ryori ajoelhou-se olhando para o loiro de cima, com uma das mãos puxou pela nuca
na sua direção colando seus lábios, depois disso ambos fecharam os olhos
iniciando um beijo apaixonado. Ryori deu um impulso para frente fazendo Shibushi
cair para trás ficando no meio das suas pernas, suas mãos apertavam suas coxas
com força deixando novas marcas por debaixo do pano.
-
Queria... Levá-lo para almoçar, mas como está muito tarde...
-
Jantar? – sorriu.
-
Pode ser!
-
Tudo bem, eu faço algo agora...
-
Sabe cozinhar?
-
Claro que sei!
Ryori sorriu, depois saiu de cima dele o puxando de volta para cima fazendo
Shibushi sentar-se novamente.
-
O que estava fazendo antes de eu chegar?
-
Lendo!
-
Hum... – olhou para o livro que estava em cima de uma mesinha que tinha um palmo
de altura – Energia Espiritual? – indagou pegando o livro na mão.
-
Ensina a ter paciência, buscar novos caminhos além da violência etc!
-
Isso não serve para nada... – olhou-o nos olhos.
Shibushi puxou o livro da sua mão, abriu numa página lendo:
-
“O homem não pode fazer tudo sozinho, porém, seu egoísmo sempre soa mais alto.
As pessoas têm medo de se misturarem, têm medo que pensem mal delas e que lhes
façam mal, porém estamos todos juntos num mesmo barco, com um único destino, a
destruição”.
-
Nossa... Gostei! – Ryori sorriu.
-
Tem outros...
Ryori o puxou fazendo o loiro ficar sentado no meio das suas pernas assim
poderia ler junto com ele e aproveitar o calor do loiro.
*
Eram 20:00 horas, nem haviam saído para jantar fora, estavam se divertindo
demais para quererem parar no momento, além disso, Shibushi havia pedido comida
chinesa por telefone, agora os dois estavam sentados no chão da sala jogando
baralho.
-
Bati! – Ryori diz.
-
Droga! – disse desanimado.
-
Calma você aprendeu esse jogo hoje!
-
Mesmo assim, não da para ganhar de você!
-
Eu sei que sou bom, mas da para você tentar ganhar uma!
-
Convencido... – disse olhando para o teto.
-
Vamos apostar agora!
-
De jeito nenhum!
-
Por que?
-
Vou perder tudo que tenho... Não! – cruzou os braços fazendo um não com a
cabeça.
-
Não apostaremos dinheiro, que tal, feijões?
-
Hum... Aí sim! – sorriu – Vou pegar! – levantou-se correndo, porém, para sua
infelicidade não viu a bota do ruivo e acabou tropeçando nela caindo para trás,
entretanto não sentiu bater, quando olhou para trás viu que o ruivo o segurava.
-
Você... – riu – É um desastrado mesmo...
-
Você que deixou isso aí! – apontou para a bota.
-
Não me culpe – riu mais alto ainda.
Shibushi ficou invocado por estar rindo dele, porém, Ryori estava rindo e bem
alto por sinal, isso significa que ele estava mais solto e a vontade, e isso num
único dia de convivência.
Ryori levantou o loiro com facilidade, era bastante forte, não podia parecer,
mas era extremamente forte.
-
Tudo bem? – perguntou.
-
Estou! – ficou de pé – vou buscar os feijões...
Ryori o segurou por um braço impedindo que fosse, depois o virou fazendo seus
corpos se colarem. Seus lábios se aproximaram lentamente iniciando um longo e
caloroso beijo, as mãos de Shibushi adentraram na camiseta de Ryori sentindo
toda sua musculatura, indo para os seus mamilos os apertando com força
arrancando um leve gemido do ruivo. Ryori por sua vez desceu a mão para as
nádegas do loiro as apertando e massageando, mostrando todo o seu desejo.
Os dois foram caindo devagar até sentarem no chão, o ar estava faltando para
ambos e os toques audaciosos faziam-nos sentir cada vez mais prazer. Os dedos de
Ryori trataram de começar a abrir a camisa do loiro, enquanto este o enlouquecia
com seus beijos, mordidas e chupadas que dava em seu pescoço e na sua boca.
Quando Ryori finalmente abre sua camisa pára e olha para o tórax do loiro vendo
como era belo, sorriu, e mergulhou naquela pele macia iniciando uma noite de
prazeres.
*
-
Mas... Que merda é essa? – Ryori abre um olho encontrando o loiro dormindo ao
seu lado. Ficou parado a observá-lo por bom tempo, até que o maldito despertador
toca novamente fazendo o loiro abrir os olhos lentamente.
-
Ryori...
-
Hum... – pelo jeito estava de mau humor, queria poder olhá-lo mais.
-
O... O despertador! – sentou-se na cama indo até o relógio que estava debaixo da
cama.
-
O que está fazendo? – Ryori engatinhou até a beira da cama vendo só a parte
traseira do loiro, pois a outra parte estava enfiada debaixo da cama.
Shibushi volta para trás com o despertado na mão, Ryori olhou-o como se fosse um
extraterrestre, então o loiro achou melhor se explicar.
-
Sempre que eu o ponho perto da cama eu acabo jogando-o longe! – sorriu.
-
Então por que não põe não penteadeira?
-
Por que eu levanto, desligo e volto a dormir! – sorriu – se eu o pôr debaixo da
cama, eu vou ter que abaixar e pegar, assim eu acabo acordando!
-
Você é estranho!
-
Todos somos!
-
Está lendo demais aqueles livros!
-
Ler faz bem!
-
Hum... Que horas são?
-
6:00 horas!
-
Por que levanta tão cedo? – reclamou.
-
Porque não quero chegar atrasado, oras! – levantou-se finalmente fitando o ruivo
de pé – Você está uma graça de quatro desse jeito! – apontou para sua cara.
Ryori olhou para trás vendo que estava de quatro, sentou na beira da cama e se
levantou ficando maior que ele mostrando como era imponente.
-
Da próxima vez eu vou lhe por de quatro! – sussurrou no seu ouvido.
-
Hum... Vai ser interessante! – sentiu um frio percorrer por sua espinha.
-
Vai ser uma delícia te pegar desse jeito...
Os dois sorriram maliciosamente, por fim acabaram se beijando.
-
Escola... Tem prova hoje!
-
Droga, não sei nada daquilo!
-
Você não disse que era muito fácil?
-
E é, porém eu não sei tudo!
-
Eu te passo cola – riu – isso vai ser hilário.
-
Sabe fazer isso?
-
Claro...
-
Você não tem cara que sabe colar!
-
Hei, eu sou bom nisso!
-
Vamos ver... – disse meio duvidoso.
*
Os dois entraram na sala de aula seguidos dos olhares de muitos alunos, Shibushi
tratou de sentar-se no seu lugar de sempre, mas antes de encostar o traseiro na
cadeira Ryori o puxa pelo braço.
-
Sente-se atrás de mim! – o puxou.
-
Mas... – nem teve tempo de reclamar, já se viu arrastado pelo ruivo.
-
Sempre ponho um nerd atrás de mim... Bom, dessa vez vai ser você!
-
Nerd? – torceu o nariz.
-
Um nerd.... – se aproximou – Muito gostoso eu concordo... Acho que nem vou
conseguir fazer essa prova direito... Nem merda nenhuma dessa escola!
Shibushi sorriu, às vezes Ryori falava coisas românticas, do jeito dele é claro.
-
Bom dia! – Nereida chega.
-
Bom dia! – Shibushi sorriu.
-
Nossa, pelo visto estão bem animados hoje! – se aproximou do loiro – Pelo visto
você fez bem a ele, conseguiu domar a nossa fera! – riu.
Ryori a olhou canto, a garota sabia que era melhor parar ou ir acabar morrendo
ali mesmo, lembrou-se da última vez que fez uma piadinha dessas, havia caído no
chão com um tiro que o ruivo havia lhe dado, sorte que não havia pegado em algum
ponto critico.
Um garoto se aproximou do trio, ele se dirigiu somente a Shibushi.
-
Preciso falar com você!
-
Hum... – Shibushi ia se levantar, mas parou ao ver o olhar que Ryori dava ao
rapaz.
-
O que você quer? – Ryori perguntou.
O
garoto se assustou, Ryori nunca havia falado com ninguém daquela sala, mas
parecia que não queria que ele se aproximasse do loiro.
-
Preciso falar com você! – olhou para Shibushi.
-
Xiiii! Vou dar uns rolê por aí! – Nereida se afasta dos três.
-
Tudo bem... – Shibushi levantou-se.
Ryori olhou os dois se afastando com ódio, mas não fez nada, jogou-se no seu
lugar mostrando todo o seu mau humor.
Um tempo havia se passado e nada de Shibushi voltar, a professora da primeira
aula já havia entrado na sala, e o loiro ainda não voltara. Cansado de tanto
esperar levanta-se fazendo a professora se calar.
-
Aonde vai senhor Nako? – perguntou.
-
Não é da sua conta! – saiu.
A
professora respirou aliviada, quando Ryori saiu da sala tratou de dar uma lição
de vida para os alunos falando mal das três figuras do fundo da sala, já que
nenhuma delas estava presente no momento.
*
Shibushi estava encostado na pia do banheiro olhando para o garoto a sua frente
com perplexidade, havia sido simplesmente agarrado por ele. Ele se chamava Linky,
era alto, quase da altura do ruivo, era moreno, olhos verdes, cabelos castanhos
escuros que cobriam seus belos verdes, era muito bonito.
-
Não vê que estou afim de você a uma cara?
-
Não estou interessado!
-
Está com aquele assassino? – perguntou indignado.
-
Isso não é da sua conta! – cruzou os braços.
-
É sim, tudo relacionado a você é da minha conta... Você não pode ficar com
aquele verme patético!
-
Não fale assim...
-
Se ofende por ele? Esperava mais de você! – diz cerrando os dentes.
-
Sinto muito, então é melhor encerrarmos essa conversa, vamos voltar! – Shibushi
virou-se de costas indo a direção a porta, porém seu corpo foi prensado contra a
parede.
-
Eu sou muito melhor que ele, se quiser te como mais forte que ele... O que acha?
– deu uma lambida no seu pescoço causando nojo no loiro.
-
Eu nunca ficaria com alguém como você, me solta! – Shibushi sentia-se um inútil,
todos os homens que conhecia eram bem mais fortes que ele, nem dava para se
defender.
Linky tocou na coxa do loiro a apertando, Shibushi ia gritar, mas sua boca foi
tampada pela mão forte do moreno fazendo com que saísse apenas gemidos abafados.
Shibushi estava ficando desesperado, não acreditava que ia ser violentado
naquele banheiro daquele jeito.
-
É melhor... Soltá-lo seu verme patético! – a voz fria de Ryori invade os ouvidos
de ambos.
-
Nako? – Shibushi sorriu para o ruivo.
-
Hum... – Linky arregalou os olhos assustando-se com as palavras do ruivo, havia
usado as mesmas palavras para xingá-lo momentos atrás, então significa que ele
havia ouvido tudo.
-
Solte-o! – pediu mais uma vez.
Linky soltou o loiro que se afastou rapidamente dele indo para o outro lado do
banheiro, agora Ryori e Linky estavam de frente, o moreno parecia tremer de medo
e Ryori de ódio. Shibushi temia pela vida de Linky, já tinha ouvido muito sobre
Ryori, mas nunca havia presenciado sua crueldade.
-
Parece que você mexeu com a pessoa errada! – Ryori diz se aproximando com passos
lentos e firmes, mostrando assim todo seu poder, sua força e seu olhar
assassino.
-
Acha-se o maioral? – Linky fechou os punhos, flexionou as pernas e inclinou um
pouco o corpo, pelo jeito aquele ali sabia artes marciais.
-
Olha só, o garotinho sabe judô! – sorriu debochado.
-
Deixe-o Nako! – Shibushi interveio na conversa.
-
Fique no seu canto! – Ryori diz sem tirar os olhos da sua futura vitima.
Cansado de tanto esperar que o ruivo se aproximasse, Linky partiu para cima
levantando os braços pronto para lhe aplicar um golpe, porém, para sua
infelicidade Nako apenas se desviou do golpe ficando atrás dele, antes que o
moreno se virasse para lhe dar um chute, o ruivo lhe aplicou um golpe nas costas
fazendo-o cair no chão com tudo.
Ryori rodeou o corpo como se fosse um felino, cruzou os braços olhando com
desprezo para o corpo estriado no chão, quando viu que ele estava começando a se
levantar tratou de lhe chutar as costelas fazendo-o cair novamente no chão
levando consigo um grito abafado.
-
Chega Nako! – Shibushi se aproximou o puxando pelo braço, entretanto Ryori não
se moveu um centímetro sequer continuando a chutar o moreno que já cuspia
sangue.
-
Ele vai aprender... – Ryori diz ignorando os pedidos do loiro.
-
Pára com isso!! – Shibushi estava ficando desesperado.
-
“Como pôde tocá-lo seu verme?” – estreitou seu olhar.
Ryori pára de chutá-lo, mas não por quê Shibushi pedia, mas sim porque estava
ficando cansado, ele olhou para o loiro que parecia desesperado, ficou enciumado
não podia negar.
-
E você... – avançou em cima dele o segurando pelos ombros – Por que veio aqui
com ele?
-
Eu... Eu...
-
Eu disse para você ficar!
-
Não disse não!
-
Não queria que viesse!!
-
Você não manda em mim e...
-
Olha como fala comigo, você é meu e...
-
Eu não sou seu, não sou mais um objeto ou brinquedo seu... Não diga bobagens!
Ryori ficou surpreso, Shibushi nunca havia falado assim com ele, aliais, ninguém
nunca havia falado assim com ele. Demorou um pouco para engolir aquelas palavras
e continuar o assunto.
-
Quem você acha que eu sou para falar assim comigo? – apertou as mãos que estavam
envolta dos seus ombros aproximando mais ainda seus corpos.
-
Realmente... Acho que não devia falar assim com você – disse abaixando a cabeça.
-
Que bom que entendeu... – sorriu.
-
E nem... – levantou a cabeça – Me relacionar com você, agora me deixe em paz!
-
Eu decido quando terminar...
-
O que quer fazer então? Termine comigo agora, vamos!
-
Eu... Não...
-
O que foi? Apenas diga “cai fora”, assim eu levo o pé e você fica satisfeito! –
sorriu.
-
Eu...
-
O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
Os dois se viram para a porta do banheiro vendo o inspetor dos alunos do quarto
ano. Ele abriu a porta com tudo fazendo-a bater com força contra a parede.
-
Inspetor Row! – Ryori sorriu de canto.
-
Senhor Nako, eu não sabia que era o senhor.
-
Tudo bem, tire esse lixo do chão! – apontou para o moreno que estava
inconsciente.
-
Claro!
Shibushi olhava indignado para o inspetor que se comportava como um cachorrinho
obediente na frente de Ryori, só faltava lamber seus pés e receber um carinho na
cabeça para que isso se afirmasse.
Shibushi via-se livre do ruivo agora, viu que sua atenção estava voltada para o
moreno desmaiado nos braços do inspetor, olhou nos seus olhos para ver se ele o
olhavam, porém não teve resposta, resolveu ir embora então.
Ryori fitou o loiro discretamente enquanto ele partia, não sabia o que dizer ou
fazer, pela primeira vez na sua vida estava sem palavras, o que ele tinha que o
deixava daquele jeito?
“E mais uma vez
E durantes mais alguns segundos
O tempo passou
E até hoje não entendi
Por que você faz meu coração palpitar”.
*
-
“Droga, por que sempre eu? Será que eu nunca encontrarei alguém? Sempre me
jogam fora como se eu fosse um copo descartável, nunca perguntam se eu estou
bem, se estou gostado ou se eu quero... também, olha como quem eu fui me
envolver... eu nunca mais quero vê-lo, que você morra Ryori Nako!”.
Shibushi corria pelos corredores, nem se importava com as pessoas que o olhavam,
nem como os inspetores que o mandavam parar, nem com merda nenhum, no momento
queria fugir. Fugir, essa palavra já era marca registrada do seu dicionário,
porém, não agüentava mais fazer isso, queria encontrar um lugar para poder ficar
em paz, uma pessoa amada ou apenas um amigo, coisas que nunca pode desfrutar na
sua vida.
Correu para fora dos portões, queria chegar na sua casa, no seu cantinho, aonde
se sentia bem, o único lugar que podia chorar sem se importar. Começou a correr,
seus belos fios loiros voavam para trás com o vento que batia contra seu rosto,
parecia um anjo preste a decolar com suas imensas asas.
Corria pelo mesmo caminho que ia e vinha da escola, porém, parou de repente ao
avistar do seu lado direito uma viela, ela não era nada interessante, pelo
contrário, era feia e seja, mas Shibushi via além dela, viu que ao longe tinha
um lugar cheio de árvores, não sabia o que era. Hesitou no começo, mas acabou
indo, o que teria a perder afinal?
*
Ryori entrou na sala de aula sob o olhar de todos, mas qualquer um que cruzava
seu olhar com o seu acabava desviando rapidamente por medo, mas Ryori nem
ligava, achava tudo um tédio afinal. Sentou-se no seu lugar sem fazer barulho,
depois olhou para trás vendo a pasta do loiro, suspirou e voltou sua atenção
para seu canivete, começou a riscar a sua mesa com ele.
*
Diferente, aquele lugar era diferente de Rondon, pelo menos dos lugares que já
havia ido. Seus belos azuis estavam mais calmos agora, estava num parque
abandonado, dava um pouco de medo, mas como sua alma estava perturbada no
momento, nada iria amedrontá-lo.
A
mata estava bem alta, chegavam até a sua cintura, as árvores eram belas e altas,
algumas eram coloridas, tinha muitas rochas pelo caminho; um pouco mais a frente
tinha um lago, viu que o mato cobria a sua superfície. Portanto, teria que tomar
muito cuidado, pois se pisasse num lugar em falso acabaria afundando e não sabia
qual era a profundidade do lago.
O
loiro parou por um momento, olhou para os lados procurando algum lugar para se
acomodar, viu uma rocha lisa e comprida num canto, foi até ela sentando e
soltando ao mesmo tempo toda sua respiração num desabafo. O cheio da mata, o som
do lago, o chilrear dos pássaros, tudo naquele lugar o deixava relaxado, acabou
deitando-se na pedra ignorando seu desconforto.
*
-
O que foi Nako? – Nereida levantou-se do seu lugar indo até o ruivo.
Ryori não respondeu, nem a olhou, ficou com sua cara de enterro. A garota viu o
que ele tinha feito na mesa, ficou assustada. Ryori não era de demonstrar a sua
raiva, muito menos em público.
“Porra” era o que estava escrito na sua mesa, poderia ser um desabafo? Se fosse
a garota nem poderia tentar consolá-lo, sabia que se o contrariasse poderia não
viver para ver o dia seguinte.
Ryori debruçou-se na mesa fechando suas pálpebras, estava cansado, irritado e
confuso.
“Mais uma vez
E mais uma vez
Vi-me procurando seu olhar
Nos meus pensamentos você voltou a caminhar”.
*
Dois dias se passaram. Shibushi não havia ido a escola, nem aparecido nas
boates, na verdade nem havia saído de casa.
Jogado numa das almofadas da sala estava o loiro, seus belos olhos miravam o
teto branco, lágrimas, se perguntava como ainda as tinham. Seu corpo estava
imóvel, não tinha vontade de se levantar e nem fazer nada.
-
O que está acontecendo comigo? – falava consigo mesmo – Será que eu estou...
Estava confuso isso era evidente, porém não queria acreditar que estava
apaixonado pelo ruivo.
-
Puxa... Nem o conheço... Ele não presta, se acha o maioral, pensa que pode
tudo... Droga, ele pode tudo... Mas como fui gostar de alguém assim? – suspirou
indignado consigo mesmo.
*
*
-
Por favor,... – suplicava.
Estava num lugar escuro, frio e silencioso.
-
Não... Me deixe ir...
Seu coração estava acelerado, queria viver, tinha seus pais, seus amigos, uma
vida, queria ser veterinário, queria se casar e ter filhos, enfim não queria
morrer.
-
Pare... Eu vou embora se quiser...
Desespero, só de pensar que nunca mais veria o rosto dos seus amigos, seus pais,
dessa Terra maravilhosa, tudo isso o fazia suplicar por sua vida.
-
Não... Eu... – Gemia de dor.
Arrastava como um verme pela terra fria e úmida, seu sangue espalhava pela terra
escura, suas mãos seguravam com força as rochas para conseguir se arrastar. Seus
olhos arregalados de pavor, sua boca seca de tanto suplicar, sua face pálida
pelo medo, tudo ali mostrava que sua alma havia morrido, que só restava a sua
carcaça a ser enterrada num solo qualquer.
O
vento daquela noite era silencioso, parecia saber o que ia acontecer, sua força
varria as folhas caídas das árvores, como dizia os budistas: “Todas as folhas
que caem jamais irão voltar”, podia-se perceber que o passado não iria voltar
para que consertasse o seu erro.
Queria uma chance, uma chance pedir desculpas, dizer que não se importava mais,
que havia sido um tolo, mas aquilo não era uma briga de escola onde poderia sair
correndo e depois levava uma advertência, nem poderia voltar para os braços dos
seus pais contando toda a história.
-
Por favor,...
-
Chega de chorar... – diz uma voz fria carregada de deboche.
-
Eu... Não queria...
-
Não queria? Resposta errada... – diz Ryori.
-
Por favor,... – Linky suplicava.
-
Mexeu com a pessoa errada...
-
Pode ficar com ele... Eu não me importo...
-
Eu vou ficar com ele... – sorriu.
Ryori rodeou a sua vitima, havia batido nela o suficiente para que suas pernas
se quebrassem, assim como suas costelas, seus dedos, pés e mais alguns ossos.
-
O que ganhará me matando?
-
Prazer...
Linky sentiu um frio percorrer a sua espinha ao ouvir aquilo. Ele iria morrer na
mão daquele lunático, apenas por prazer? Tentou se arrastar mais rápido para
longe dali, usaria toda força que tinha para fugir, pois se não fizesse agora,
nunca mais iria fazer. Ryori só pôde rir do seu vão esforço.
-
Onde pensa que vai? – pisou nas suas costas fazendo o moreno gritar de dor e
desespero – Eu ainda não terminei com você!
-
Por... Por favor,...
Ryori abaixou-se ao seu lado, do seu casado retirou uma faca grossa, comprida,
prateada, com um cabo preto. Olhou para sua vitima sem expressão nenhuma em seus
olhos, de repente um grito agonizante foi-se ouvindo.
-
Está se divertindo? – Ryori perguntou.
Ryori havia enfiado a faca na coxa do moreno, depois a girou abrindo mais o
corte, fazendo o seu sangue jorrar para fora manchando toda a sua calça e a mão
do ruivo.
-
AHHHH!!! – o moreno não sabia se se movia ou ficava parado tamanha a dor que
sentia.
Ryori tirou a faca e encravou-a na outra coxa fazendo o mesmo estrago, agora o
seu semblante estava pior que antes, eram frios, assassinos, medonhos, parecia
um robô, dava medo em qualquer pessoa.
Depois de “brincar” de furar sua vitima que já não sentia direito mais seu corpo
tamanho o choque que levara, o ruivo resolveu acabar com a brincadeira. Puxou os
cabelos do moreno para trás erguendo a sua cabeça, depois colocou a faca no seu
pescoço, mas não se moveu, antes se aproximou mais dele sussurrando no seu
ouvido:
-
Na outra reencarnação aprenda a se comportar como o verme que você é! – dizendo
isso rasgou sua garganta.
O
brilho daqueles verdes foi sumindo, sua pele estava mais branca que antes, seus
movimentos pararam. Ryori soltou seu corpo fazendo-o bater contra a terra
molhada pelo seu sangue amargo e rancoroso.
-
Idiota... – pega um lenço no seu casaco limpando a faca, depois de fazê-lo
jogou-o em cima do cadáver indo embora sem olhar para trás.
*
*
Manhã chata, deprimente aos seus belos azuis, silenciosa, simplesmente patética,
ainda não entendia o porquê desses sentimentos. Seria, por acaso o loiro? Será
que ele havia mexido mais do que podia imaginar consigo?
“E mais uma vez
Continua a ecoar
Por minha mente
Sua doce voz continua a ecoar”.
Olhou mais uma vez para aquele lugar vazio, por que ele não vinha mais para
escola? Será que estava com medo? Não, pelo que pode conhecer do loiro diria que
ele não era do tipo de se intimidar com qualquer coisa. Mais uma coisa havia lhe
chamado sua atenção, sua tristeza, o loiro emanava uma tristeza tão profunda por
seus azuis escuros, ele era tão solitário, tão cabisbaixo, isso o deixava com
vontade de ir abraçá-lo e dizer que não ficaria mais sozinho.
Seus pensamentos foram interrompidos, ergueu um pouco a cabeça só para ver que
batia na porta da sala de aula, ficou totalmente ereto quando viu o loiro
entrando pedindo desculpa pelo seu atraso. Viu que ele voltou para o seu lugar
de antes sem olhá-lo, ficou encarando-o, mas parou ao ver que a sala inteira
começou a olhá-lo.
A
aula não passava, o tempo não passava, não conseguia mais ficar olhando para
aquele anjo entristecido, queria ir falar com ele, queria abraçá-lo, beijá-lo,
olhá-lo, queria qualquer coisa que o aproximasse daquela pessoa, porém, não se
moveu, ficou apenas a observá-lo de longe.
“Seus azuis continuam a prender-me
Deixe-me em paz
Sua presença me enlouquece
Vem, não me deixe mais agonizar”.
O
sinal do intervalo finalmente toca, os alunos começaram a se levantar, alguns
saiam correndo para fora da sala não agüentando mais aquele inferno.
Shibushi ficou arrumando suas coisas, colocando suas folhas dentro do fichário,
depois colocou as coisas em baixo da carteira, estava pronto para levantar olhou
para o chão vendo um par de coturnos pretos, levantando o olhar encontrou
aqueles azuis que o fitavam com seriedade e algo mais que não pode identificar.
-
Não veio mais? – Ryori perguntou com uma voz baixa e rouca.
-
Não como pode ver...
-
Por que?
-
Não senti vontade.
-
Ou não queria me ver? – Ryori sentou-se na mesa ao lado encarando-o de cima.
-
Por acha isso?
-
Porque brigou comigo e sumiu, não teria outra coisa... Ou teria?
-
Isso lhe interessa?
Ryori ficou em silêncio, não queria falar dos seus sentimentos, queria beijá-lo
e mostrar que queria ficar com ele, mas Shibushi era o tipo de pessoa que
gostava de conversar, contrário dele, que quando não consegue mais se expressar
ele tenta agir usando a sua força física.
-
Muito...
-
Eu... – ficou sem reação.
-
O que foi? Acha que não me importaria? – estava surpreso com suas próprias
palavras. Será que gostava tanto assim dele para estar passando por cima do seu
orgulho?
-
Eu... Não pensei que se importaria...
-
Por que?
-
Porque você é do tipo que não se importa...
-
Tem razão... Eu sou desse tipo mesmo, não me importo com nada...
Shibushi abaixou a cabeça, finalmente havia resolvido ir para a escola e agora
esse ruivo vinha acabar com o resto que sobrara do seu coração.
- Mas... Tem coisas têm valor para mim e... E pela primeira vez... Não sei
como... Encontrei uma! – disse finalmente.
Shibushi encarou-o com um brilho diferente no olhar. O queria aquilo? Esperança?
Alegria? Felicidade? Talvez, seja tudo isso. Ryori sorriu ao receber aquele
sorriso do loiro, aos poucos seus sorrisos se abriam mais ainda para que
finalmente iluminassem seus rostos antes entristecidos.
-
Você está falando sério? – indagou.
-
Eu mesmo não acredito, pois nunca senti algo assim...
-
Sentiu algo? Como assim? – ficou confuso.
-
Eu... – estava constrangido – Eu... Fiquei com... Vontade de vê-lo... Isso nunca
ocorreu antes...
Shibushi sorriu, viu que Ryori não era muito bom com as palavras, viu que não
sabia se expressar, então era melhor deixar ele em paz. O loiro levantou-se sob
o olhar do ruivo que acabou se levantando também.
-
Não vai me dizer nada? – ficou nervoso, não sabia lidar com esse tipo de
situação.
-
O que quer realmente, Nako? – suspirou.
-
Eu... Eu... – olhou para o chão – Eu... Quero ficar com... Você! – disse
baixinho.
-
Mesmo?
-
É... Eu tinha ficado com ciúmes... Isso nunca ocorreu antes... Me... Me...
-
Me? – sorriu.
-
Me... Perdoe – disse encabulado.
Shibushi queria rir, ver Ryori Nako daquele jeito era realmente hilário, mas se
conteve não queria estragar aquele momento tão legal, afinal de contas, ele
estava apaixonado e não queria afastar-se dele.
Ryori coloca suas mãos nos ombros do loiro esperando alguma reação dele, quando
o viu fechando os olhos com um sorriso no rosto sentiu que podia abraçá-lo, sem
demorar muito o puxou num apertado abraço, sentiu mais uma vez aquele cheio de
ervas, aquele calor, aquele corpo delicado, e acabou por sorrir fechando seus
olhos.
O
casal ficou o dia inteiro junto na escola, muitos comentaram, mas ninguém era
louco de se por no caminho de Ryori Nako.
*
O
último sinal toca fazendo muitos suspirarem aliviados, Ryori espero o loiro na
porta da sala, este foi até ele com seu material na mão.
-
Vamos? – Ryori desencostou-se da porta.
-
Vamos... – sorriu.
-
Eu te levo...
-
Não precisa.
-
Não é bom ficar andando por aí sozinho...
Shibushi olhou-o de lado e acabou sorrindo, viu que Ryori falou isso olhando
para o teto como se fosse uma coisa boba, mas na verdade ele estava preocupado e
não queria demonstrar.
*
Dois meses se passaram.
Ryori estava muito mudado, não era tão cruel como antes, agora ele ouvia e
depois atirava, pois antes, ele simplesmente matava qualquer um que tentasse
entrar no seu caminho ou qualquer um que sem querer esbarrasse nele.
O
ruivo havia ficado um pouco, não muito, mas um pouco arrependido por ter matado
Linky, quando Shibushi descobriu o que havia feito ficou muito chateado e quase
brigaram feio, mas o ruivo havia pedido desculpas com tanta sinceridade que ele
acabou aceitando.
Agora o casal “20” como eram denominados por muitos, estava mais unido do que
nunca. Ryori tentava controlar o vicio do loiro, sorte que Shibushi não era
muito viciado, mas às vezes ele necessitava de drogas e é claro que Ryori o
controlava.
*
Encostado a uma grande e extensa árvore estava Ryori, em seus braços tinha o
corpo do loiro que estava com a cabeça apoiada no seu peito. Os dois estavam
passeando quando encontraram um belo campo onde podiam fazer churrascos,
piqueniques, pescar, etc. Estavam longe de Rondon, era uma cidade turística bem
pequena, mas muito aconchegante.
Estavam tranqüilos, seus corações estavam calmos, seus ânimos altos, seus
desejos realizados. Os dois se davam incrivelmente bem, claro que discordavam de
muitas coisas, porém, isso não era maior que a afinidade que tinham com o outro.
Sempre se abriam para o outro, sempre falavam o que pensavam, contavam seus
medos, seu passado, tudo que estava mais oculto no fundo das suas almas era
revelado para o outro.
-
Aqui é muito gostoso! – comentou o loiro.
-
Verdade, você gosta de lugares assim, não é mesmo? – sorriu, alisava os seus
fios loiros com os dedos numa leve caricia.
-
Sabe que sim!
-
Gosto mais de barulho!
-
Hahaha... Acha que eu não sei disso? Mas respirar esse ar é bom de vez em
quando!
-
Hum...
Shibushi desencosto-se do ruivo olhando nos olhos com ar divertido, adorava
quando ele ficava com aquela cara contrariada.
-
O que foi? Que bico é esse? – riu.
-
Não estou de bico.
-
O que é isso então? – apontou para sua cara.
-
Você vê coisas demais.
-
Como você é mal humorado, meu deus! – gargalhou.
-
Pára de rir!
-
Hahahaha...
Ryori olhou para o loiro que ria sem parar da sua cara, não via graça naquilo,
mas quando o via rir não sabia o porquê, mas ficava com vontade de rir também,
porém, agora Shibushi estava rindo dele e não ficar rindo de si próprio, então
segurou seu riso com facilidade.
-
Há-há-há! – Ryori disse sério – Isso não tem graça!
Shibushi inclinou para frente dando um beijo na sua bochecha.
-
Te amo... – sorriu.
-
Sabe... Que eu também!
Os dois se abraçaram, Ryori logo tratou de tomar aqueles lábios para um beijo
quente e apaixonado.
-
Vamos indo?
-
Vamos!
Os dois se levantaram saindo daquele lugar abraçados.
*
*
Já era tarde da noite, os dois chegaram no apartamento do loiro aos risos. Ryori
jogou suas botas num canto e se jogou numa das almofadas, Shibushi logo que
tirou seus sapatos foi até ele jogando-se nos seus braços.
-
Está cansado? – Shibushi pergunta próximo ao seu ouvido.
-
Não! – sorriu.
-
Adoro ficar juntinho assim de você!
-
Eu... Gosto de ficar em qualquer lugar com você!
Shibushi abraçou o ruivo adorava quando ele falava alguma coisa com carinho, já
que eram raras as vezes que fazia isso, mas aos poucos ele estava perdendo esse
medo de se expressar.
O
ruivo pegou o controle remoto do som ligando-o bem baixinho, sorriu ao ver que
não tinha um cd de músicas clássicas que Shibushi tanto apreciava, mas sim um cd
de rock que ele havia lhe dado semana passada.
-
Gostou do cd?
-
Não muito, só tem gritaria.
-
Você tem que escutar com atenção... A letra é muito bonita!
-
Só fala de dor, abandono, tristeza... Não estou afim disso!
-
Melhor do que aqueles violinos irritantes que sempre tocam a mesma coisa!
-
Não são irritantes e não tocam as mesmas coisas! – ergueu sua cabeça encarando-o
meio contrariado.
-
Hahahaha... Tudo bem, não são irritantes só cansativos!
-
Para você!
-
Tudo bem criança... Tudo bem...
-
Não me chame de criança!
-
Mas você é uma, o que eu posso fazer?
-
Então quando eu vou crescer?
-
Hum... Acho que eu vou te ensinar como é ser um adulto! – sorriu.
-
O que eu tenho que fazer então? – sorriu.
-
Vamos ver... Primeiro vou te ensinar a beijar!
-
Adultos gostam de se beijarem? – começou a brincar.
-
Adoram...
-
Hum... Eu também, então já sou um adulto?
-
Está quase lá, depois dessa noite... Acho que você pode crescer um pouco.
-
Por que está dizendo isso?
-
Porque essa noite promete!
Ryori puxou a cabeça do loiro pela nuca aproximando seus lábios, quando se
tocaram ficaram parados apenas sentindo a maciez do outro, depois deslizaram
entre eles numa caricia muito gostosa, e finalmente aprofundaram-se num beijo, a
língua quente e ansiosa de Ryori invadia a boca do loiro deixando uma gota de
saliva escorregar pelo canto da sua boca descendo pelo pescoço. Quando seus
lábios se separaram para buscar o ar que estava começando a faltar, Ryori
avistou aquela saliva que escorria lentamente pelo pescoço do loiro, foi até o
final dela a limpando com a língua seguindo o seu rastro, voltando para a boca
do loiro chupando delicadamente os seus lábios.
Num impulso Ryori ficou por cima do loiro, ficou sentado no seu abdome, suas
mãos estavam lado a lado na sua cabeça assim todo seu tronco cobria o loiro
fazendo uma sombra sobre ele, agora seus azuis estavam refletidos no de
Shibushi, olhavam-se apaixonadamente.
-
Você é lindo, sabia? – Ryori diz, estava perdido.
-
Não mais que você! – sorriu.
-
Nunca serei belo como você... E não existem ninguém mais belo que você, essa
pessoa ainda não nasceu!
Ryori tocou no seu rosto passando as costas da sua mão na sua bochecha sentindo
sua maciez, quando Shibushi fechou os olhos inclinou-se para frente dando um
beijo em cada uma das suas pálpebras. Depois desceu seus lábios para o seu
pescoço dando leves beijos. As mãos de Shibushi desabotoavam a sua própria
camisa, depois a sua calça, depois começava a despir o ruivo, ele cuidava dessa
parte.
Ryori atacou o peito do loiro com fortes lambidas, seus mamilos foram atacados
por seus dentes, mordia aquele pedaço de carne, levemente é claro, jamais
machucaria Shibushi. Sorria quando sentia as mãos do loiro empurrando a sua
cabeça para baixo, sabia o que ele queria, e este pedia sem pudor nenhum.
-
Calma... – Ryori riu.
Sua boca foi descendo lentamente pela barriga do loiro só para contrariá-lo
ainda mais, quando sentiu seus fios vermelhos serem puxados e torcidos achou
melhor parar de brincar. Com um sorriso sacana no rosto começou a desce sua
língua até chegar no seu membro coberto por sua calça jeans, deu um beijo no
volume que despontava, depois foi retirando as suas calça com a ajuda do loiro,
logo em seguida sua roupa de baixo foi jogada aos cantos.
A
mão direita de Ryori deslizou até sua coxa, quando chegou no seu membro o
apertou arrancando um gemido do loiro, sentindo motivado a ganhar mais daqueles
sons continuou a masturbá-lo, sempre aumentando e diminuindo o ritmo, depois
parou com os movimentos e se aproximou daquele membro dando uma leve lambida na
sua extensão, o membro do loiro foi sendo introduzindo na sua boca aos poucos,
instantes depois começou a sugá-lo com voracidade tirando o resto de sanidade
que ainda restava na cabeça de Shibushi, que começou a gritar de tanto prazer
que sentia, se contorcia na boca do ruivo não agüentando mais todo aquele
prazer, não demorou muito para que a onda quente que subia por todo seu corpo o
fizesse gozar de repente na boca do ruivo.
Ryori lambeu os próprios lábios sentindo aquele gosto, fechou os olhos se
concentrando mais naquele sabor que tanto gostava de sentir, era uma iguaria
para ele. Não pôde ficar apreciando por muito tempo, já que Shibushi o puxou na
sua direção o beijando, enlouquecendo com seus toques, começou a arrancar as
suas roupas, Ryori se segurou para não cair em cima dele.
-
Deixe-me cuidar de você agora! – disse com uma voz ofegante.
Shibushi deu uma lambida na orelha do ruivo, introduziu a sua língua no seu
ouvido fazendo o ruivo gemer de prazer, sabia que aquele era o seu ponto fraco.
Desceu seus lábios até sua boca a devorando num beijo cheio de desejo e luxúria,
um rastro de saliva se fez por seu corpo até chegar no seu membro o abocanhando
fazendo o ruivo apoiar-se nos cotovelos para ver melhor seu membro sumindo e
aparecendo na boca do ruivo. Seus azuis não se desviavam daquela cena por razão
alguma, gemia a cada chupada, estava quase gozando então puxou o loiro que
hesitou um pouco em soltá-lo, mas por fim soltou-o indo até o seu encontro
beijando para que ele próprio sentisse seu gosto.
-
Vem cá... – Ryori o chama.
Shibushi fica ajoelhado na frente do ruivo, Ryori agarrou o membro do loiro o
masturbando novamente com um das mãos, ficou maravilhado ao vê-lo jogando a
cabeça para trás em puro êxtase. Estrangulou o seu membro impedindo que o loiro
ejaculasse, este gemeu de dor e protesto.
-
Vem... Senta aqui... – Ryori o puxou pela cintura, sem soltar o seu membro.
-
Hum... – Shibushi estava meio contrariado – me solta Nako.
-
Senta aqui primeiro... – riu.
-
Maldito...
Ryori riu, quando Shibushi se aproximou segurou a base do seu membro guiando-o
até a entrado do loiro, a cabeça encostou no buraco sentindo sua resistência,
Shibushi ficou parado.
-
Vem... – Ryori o chama.
Shibushi suspirou antes de começar sentar naquele membro enorme, segurou o
membro o ruivo o guiando até a sua entrada, sua outra mão segurou o ombro de
Ryori para que não se desequilibrasse. Um gemido de dor escapa pelos lábios do
loiro, ele fecha os olhos franzindo o cenho mostrando toda sua expressão para o
delírio de Ryori que assistia tudo de camarote com um ligeiro sorriso no rosto.
Ryori suspirou ao sentir a cabeça do seu membro entrar naquele lugar tão quente
e apertado, enquanto Shibushi deixou um grito escapar, porém, apesar da dor e
resistência continuou a descer deixando aquele grande pedaço de carne penetrá-lo
cada vez mais ignorando toda sua dor, pois estava excitadíssimo, queria sentir
Ryori dentro de si logo.
Ryori solta o membro do loiro segurando na sua cintura, começou a puxá-lo para
baixo com firmeza, sentia a mão de Shibushi tremer em seu ombro, olhou para sua
face rubra e suada pelo esforço, queria ver seus olhos, mas seria pedir muito no
momento. Momentos depois, se uniram, Shibushi apoiou sua cabeça na curva do
pescoço do ruivo respirando acelerado.
-
Tudo bem? – perguntou alisando seus cabelos.
-
Hum... – fez um sim com a cabeça.
Ryori levantou a cintura do loiro com facilidade, depois a desceu novamente
iniciando uma lenta penetração, aos poucos começou aumentar o ritmo, ouvia os
gemidos do loiro que estava próximo ao seu ouvido se excitando cada vez mais.
Tinha força suficiente para subir e levantar o loiro, seus músculos ficavam a
mostra quando fazia esse movimento, mostrando toda sua masculinidade, sua força
e sua beleza. Os movimentos foram aumentados ao ver que Shibushi se remexia em
cima dele, viu que ele já estava pronto para iniciarem, então começou a
penetrá-lo com mais força, levantando e descendo aquele corpo com mais força e
velocidade, claro que Shibushi ajudava.
O
som dos seus corpos se batendo eram praticamente ocultados pelo rock pesado que
tocava, mas nenhum dos dois ouvia ou via alguma coisa sem serem eles próprios,
estavam concentrados no seu prazer e em proporcionar prazer para o outro.
Shibushi gemia por sentir seu ânus ser alargado por aquele imenso membro que o
rasgava e por ter o seu sexo pressionado entre ele e o abdome de Ryori, sentia
que o seu segundo orgasmo se aproximava, estava perdendo as estribeiras, sentiu
um calorão subir por todo seu corpo, acabou gozando novamente sujando todo o
abdome de Ryori, este sorriu ao sentir aquele líquido bater contra seu abdome.
Shibushi deixou seu corpo mole depois de contraí-lo ao máximo.
O
membro de Ryori foi esmagado no seu interior fazendo gemer ainda mais, não se
agüentou e acabou gozando também fazendo seu jato quente bater contra a parede
do seu ânus e escorrer pelas suas e as coxas do loiro.
Ryori abraçou o corpo do loiro sentindo como ele respirava pesadamente, depois o
levantou fazendo sair de cima dele e deitaram no tapete abraçados esperando a
respiração normalizar.
A
música estava num tom mais baixo, para alegria de Shibushi, mas mesmo depois que
o tom subiu ele não resistiu e acabou dormindo nos braços do ruivo, Ryori por
sua vez ficou acordado olhando para aquele anjo que dormia com tranqüilidade em
seus braços, mostrando toda sua confiança, seu amor, seu carinho e dedicação.
Uma lágrima solitária escorre pelo olho direito de Ryori, depois vem outra, e
outra e mais outra fazendo o seu belo rosto ficar cheio de lágrimas.
Um tempo se passou, Ryori se levantou com o loiro em seu colo, foi caminhando
até o seu quarto o deixando na cama, pegou um lençol cobrindo o seu corpo,
depois se sentou na beira da cama ficando a observar o seu amor dormindo.
-
Eu te amo Shibushi Iroyr... – sussurrou.
*
*
*
Oito meses haviam se passado, o casal havia passado por altos e baixos, mas
nada, absolutamente nada os desviaram desse amor que os consumia. Shibushi até
ajudava o Nako nos assuntos do tráfico, já que ele sabia falar muitas línguas e
era muito inteligente, porém, Ryori não o deixava se aproximar demais, pois não
queria envolvê-lo com essas pessoas do mundo negro.
Ryori havia melhorado o desempenho na escola, ele competia com Shibushi, por
isso sempre fazia as lições, Shibushi por sua vez sempre o arrastava até a
escola todos os dias fazendo o ruivo cumprir a misteriosa promessa que havia
feito para alguém especial.
Era um novo ano letivo, o casal estava indo para escola como sempre, conversavam
sobre qualquer coisa, foi quando Ryori desviou sua atenção para um garoto
moreno, com belos olhos azuis que entrava no colégio.
-
O que foi Nako? – Shibushi indagou ao ver que ele parou de andar, olhou na mesma
direção do ruivo vendo que ele observava um garoto.
-
Nada...
-
Você está olhando para um garoto? – ficou com ciúmes.
-
Não me venha com seu ciúme! – irritou-se, uma coisa que odiava no loiro era o
seu ciúme que o sufocava de vez em quando.
-
Tudo bem... – achou melhor deixar quieto, não queria brigar.
*
Shibushi andava pelos corredores numa boa quando viu Ryori conversando com o
garoto moreno, se escondeu atrás de um armário e ficou a observar os dois, viu
como Ryori o olhava já que estava de frente para ele, ficou com muito ódio
daquele garoto. Quem ele pensava que era para ficar arrastando suas asinhas
assim para cima do seu ruivo?
O
loiro foi até o ruivo que já voltava para sala de aula, antes que Ryori
entrasse, ele o puxou pelo braço.
-
Falando com o garoto novamente? – perguntou com todo seu cinismo.
-
Ahh! Não! – reclamou.
-
Não me diga que vai me trocar por uma criança?
-
Não me enche o saco Shibushi! – entrou na sala.
-
Merda! – Shibushi vira-se de costas indo embora, Ryori ficou nervoso, mas acabou
indo atrás dele.
-
Espera! – o chamou.
-
Me deixa agora!
-
Vai ficar pensando besteira!!!!
-
Vai para ele, vai!
-
Isso é ridículo, nem sei o nome dele!
-
Me deixa em paz! – correu.
Ryori correu atrás dele, os dois correram até para fora dos portões da escola,
Shibushi correu até que se sentiu puxado para trás, viu que Ryori agarrou o seu
braço.
-
Pára com isso! – irritou-se.
-
Me solta!
-
Não!
-
O que você quer?
-
Por que não pára de agir como uma criança?! – apertou a mão que segurava seu
braço.
-
Está me machucando, Nako!
Ryori o soltou, Shibushi cruzou os braços olhando para o chão.
-
Não faça essa cara de cão sem dono, eu estou cansado! – gritou – “Droga, o
que está acontecendo comigo? Não queria brigar com ele, mas de uns dias para cá
eu me cansei, o que está acontecendo? Será que a magia acabou? Mas eu ainda
sinto algo, acho melhor que eu desse um tempo, isso! Um tempo!”.
-
Cão sem dono? É assim que você me vê? – magoou-se.
-
Acho melhor darmos um tempo e...
-
POR CAUSA DE UMA CRIANÇA?
-
Não é por outros motivos...
-
Não minta!
-
Não estou mentindo... Eu só não sinto o mesmo que sentia por você é isso, queria
dar um tempo para pensar!
-
Não!
-
Como “não”? – estava perdendo a paciência.
-
Não quero... Te perder.
-
Você não vai me perder e...
-
Você é idiota, Nako? Sempre que dão um tempo terminam! – esbravejou.
-
Olha como fala comigo! – apontou o dedo na sua cara.
-
Não me venha com essa... Eu vou embora... – virou-se de costas.
Ryori o abraçou por trás colocando seu queixo em cima dos seus ombros, como
Shibushi era um pouco menor ele ficou um pouco inclinado para frente fazendo
suas mechas vermelhas caírem por seu rosto.
-
Vamos dar um tempo, depois conversamos... – disse.
Shibushi ficou em silêncio, estava abalado demais para falar alguma coisa.
Quando Ryori o soltou ele saiu correndo com os olhos rasos d’água, Ryori ficou
parado o vendo partir.
-
“Eu não sinto o mesmo que sentia por você Shibushi, mas eu continuo gostando
de você... mas aquele garoto... o que ele tinha que me chamou a atenção? Não
sei, realmente não sei, mas aqueles olhos, foi como da vez que conheci
Shibushi... fiquei simplesmente abobado... droga! O que está acontecendo? Quero
ver aquele garoto de novo, mas primeiro preciso terminar com o Shibushi, mas o
que eu to pensando? Terminar com o Shibushi? Por que eu faria isso? Para tentar
algo com o garoto? Mas eu nem o conheço, o que é isso que estou sentindo? Que
confusão, a única pessoa que me ajudava nessas horas é o Shibushi, mas não vou
poder falar isso com ele, seria muito irracional da minha parte... maldição!!”.
*
-
“Droga, Nako! Droga, droga e droga!!! Por que isso? Estávamos tão bem! Eu te
conheço muito bem para saber que não me ama como antes, droga... aquele garoto,
maldito... apareceu na hora errada... o que ele falou para o Ryori naquela hora?
Eu preciso dar um jeito nele, antes que ele o tire de mim!”. – estava muito
alterado e nervoso.
*
Shibushi estava drogado, havia se drogado para suportar toda a dor que sentia,
estava com o coração despedaçado, o pior que sabia que estava perdendo o ruivo,
mas o que havia feito de errado? Não sabia, porém, iria consertar, mas primeiro
teria que acabar com aquele garoto antes que Ryori pensasse nele novamente.
Ficou na porta do colégio esperando o moreno sair, quando o viu se despedindo
dos seus amigos foi indo atrás dele, viu que o garoto estava indo para lugares
mais fechados e inabitados, ficou contente com isso, seria bem mais fácil.
*
-
Shibushi? – Ryori estava saindo da escola com Nereida, quando viu loiro
passando, viu para onde ele ia, ficou indignado ao ver que ele estava indo atrás
daquele garoto que não tinha culpa de nada.
-
O que foi Nako?
-
Nada, cuide dos Punks... Depois eu vou para lá!
-
Mas Nako...
-
Agora não Nereida... – correu.
-
Esses homens... – suspirou.
*
Shibushi aproximou-se do garoto, sorriu ao ver que ele não tinha escapatória,
sabia que não era muito forte, mas aquele garoto era bem menor que ele, seria
fácil domá-lo.
-
Hei!! Você!!- Shibushi o chamou.
-
O... O que quer?- O moreno percebeu que estava drogado.
- Vamos... Anda!!!- começou a arrastá-lo para um canto afastado das ruas.
- Me solta!!!- O moreno se debatia, mas oo rapaz o segurava com força.
O moreno foi arrastado até um beco bem escuro, foi jogado com força contra a
parede de cimento. Sentiu a dor inundar seu corpo, parecia que tinha quebrado
suas costelas.
- Relaxa pequeno...- o levantou pela golaa da camisa e o prensou contra a parede.
Começou a explorar seu corpo com as mãos.
- Não... Não... Me SOLTA!! SOCORRO... ALGGUÉM ME AJUDE!!- O moreno tentava se
debater novamente, mas apenas irritou mais seu agressor que o golpeou duas vezes
no rosto.
- Cala boca!!!- desta vez atacou seu lábiios com um beijo selvagem.
- É melhor parar Shibushi...- uma voz auttoritária surge.
- Ryori?- o loiro parou a agressão ao verr de quem se tratava.
- O que pensa que estava fazendo?
- Nada...
- Nada? Sabe que esse garoto pode te denuunciar!!
- É só o calarmos...
- Não é tão fácil!!!
O moreno abre os olhos para ver quem discutia com o rapaz que acabara de lhe
agredir.
- Você...?- O moreno vê o ruivo de hoje dde manha.
- Você o conhece afinal Ryori?- o loiro ggritou irritado.
- Não, mas eu acho melhor você não dizer mais nada se não quiser entrar numa
fria.
- Hum...- Shibushi sai meio contrariado.
O ruivo foi até o moreno que estava meio assustado. O ruivo o pegou no colo.
- Você está bem? – Ryori perguntou.
*
“Memórias consumidas
Como se estivessem abrindo o ferimento
Estou me excluindo novamente
Vocês todos presumem
Estou a salvo aqui no meu quarto
(a não ser que eu tente recomeçar)
Não quero ser o único
Que as batalhas sempre escolhem
Pois percebi que sou o único”.
Shibushi correu para o seu apartamento, trancou-se em seu quarto jogando-se na
cama, seus olhos estavam encharcados de lágrimas, soluços e mais soluços eram-se
ouvidos naquela solidão que estava mergulhado. Não queria deixar Ryori, ele era
o seu remédio, ele havia se tornado a sua droga, o amava demais para que o
deixasse partir.
“Não sei por que vale a pena lutar
Ou tenho que gritar
Não sei por que incitar
E dizer o que não quero dizer
Não sei como fui para esse caminho
Sei que não está tudo bem
Então estou
Largando o vício
Esta noite”.
Não sabia como havia ido para esse caminho desconhecido, nem se lembrara de como
havia se apaixonado daquele jeito. Valia a pena continuar a lutar? Sabia que sua
luta estava perca, ao ver aquele olhar de Ryori já pode constatar que não tinha
mais volta, que tudo iria acabar, que nunca mais poderiam viver aqueles tempos
novamente. Queria gritar, chorar, espernear, mas quem iria ouvir? Quem estaria
ali para amá-lo? Quem iria lhe fazer companhia?
“Agarrando a minha cura
Tranco a porta tento
Recuperar o fôlego
Me machuco muito mais
Que antes
Não tenho outras opções”.
Shibushi levantou-se chutando tudo que tinha no caminho, virou sua cama de
cabeça para baixo, destruiu seus vasos de plantas que estavam em cima da sua
estante, jogou seu sapado no espelho da penteadeira fazendo-o partir em mil
pedaços. Parou de repente ajoelhando-se no chão segurando a sua cabeça com as
mãos, seus cabelos vieram tudo para frente cobrindo seu rosto manchado de
lágrimas de dor.
“Pintarei isso nas paredes
Pois sou o único errado
Nunca mais lutarei
É assim que acaba”.
Estava errado? Acha que sim, mas estava lutando por seu amor, isso seria errado?
Seria certo lutar por quem ama, mas nunca atacar uma pessoa inocente. “Quando
você está com raiva tem o direito de ficar com raiva, mas isso não lhe da o
direito de ser cruel”. Já lera essa frase nos seus livros, mas agora via
como ela era difícil de ser seguida.
“Não sei por que vale a pena lugar
Ou tenho que gritar
Mas agora eu tenho um pouco de clareza
Para mostrar o que quero dizer
Sei que não está tudo bem
Estou largando o vício
Largando o vício
Esta noite”.
-
“Ryori, eu não sei o que aconteceu conosco? Mas, por favor, me perdoe... eu
te amo! Quero que fique comigo, mas sei que quando você põe algo na cabeça, não
tira tão facilmente... me perdoe meu amor... você é tudo que eu tenho, você é
minha droga, minha paixão, você é o meu vicio... preciso te consumir para
continuar a viver” – chorava.
A
noite era fria e solitária, Shibushi ficou jogado no chão do quarto relembrando
todos os bons momentos que passou com o ruivo, sabia que nenhum deles iriam
retornar, ao constatar isso se deprimia cada vez mais. Iria deixar Ryori seguir
o que estava sentindo, porém, estaria sempre por perto caso um dia ele queira
retornar.
*
“ Maltratada, enganada e prostituída, assim me
fizeram, e assim que sou... aqui deixo a sua mercê meu bom Deus, minha pequena
luz e a minha desgraça. Que os anjos ouçam seu choro, e que a luz guie alguém a
esse pequeno fruto do diabo, a esse ser desprezível, eis aqui meu único filho.
Que uma tempestade não caia na cabeça de quem vier a tê-lo... seu nome é
Shibushi... que pra mim, significa... dor!”.
*
Fim
Hello!!
O
que acharam? Por favor, comentários... Eu necessito deles, eles são a minha
droga, sem eles eu não escrevo mais!!!! Depois não reclamem se eu parar de
escrever!!
Eu tava louca para fazer um especial desses! Fãs de Shibushi e Ryori me
agradeçam! Fãs de Ryori e yuy não me apedrejam!! ^^””
Os versos que têm na fic foram feitos por mim, então não permito uma cópia!!!
Essa música que pus no final é de Linkin Park: Largando o Vício. Essas últimas
palavras é a carta da mãe do Shibushi, quem leu Mundos vai entender.
Espero que tenham gostado da história desses dois, não é muito emocionante, mas
pelo menos é fofa!! Mas o moreno agarrou o coração do ruivo mesmo, e Shibushi
ficou sem saber o que fazer! Viram como ele não é tão mal assim? Expliquei como
Ruk e Ryori se conheceram, não queria fazer um dramalhão, pois a fic vai parecer
uma novela mexicana, e sinceramente, eu não to afim disso!
Bom, COMENTÁRIOS, por favor! Eu não mordo, não mato, não chuto, nem jogo pedras,
etc. só agradeço ^^
Bom, é isso.
Ah! E obrigada por lerem.
17/09/2004
19:34h.
Por Leona-EBM