Capitulo 7
O Resgate
Dor, ódio e tristeza eram os únicos
sentimentos que habitavam na sua alma, eram os únicos que permaneciam em seus
pensamentos. Seu corpo estava jogado numa imensa cama de casal, no mesmo local
que havia sofrido a agora pouco.
Seu corpo inteiro doía, sangrava,
chorava, morria a cada segundo que passava e a cada momento sentia que vida não
lhe queria mais, seus olhos se abriram lembrando-se dos belos fios roxos de
Xyen, só continuava vivo por causa dele, agarrava-se à esperança de que um dia o
rapaz voltasse e o tirasse dessa vida, esse era o motivo que lhe dava forças
para levantar todos os dias ignorando a dura e fria realidade, que ele era
apenas um dos milhares de assassinos de Rayzen, que era apenas um garoto
manchado pelo sangue inocente de várias vítimas, de vítimas que não tinham nada
a ver com a sua vida, de pessoas que matara sem saber a razão.
A razão lhe vinha às vezes num dos
seus sonhos, enlouquecia ao ver os rostos das suas vítimas, chorava toda vez que
recebia uma missão. Ele era o encarregado de matar as pessoas depois do seu
próprio interrogatório.
Virou a cabeça para o outro lado,
sabia que tinha que se levantar, não agüentava mais ficar naquele quarto,
lentamente foi até a beira da cama, levantou-se soltando um leve gemido de dor,
depois foi até suas roupas ou o que sobraram delas. Ao pegar as roupas tratou de
sair daquele quarto, se ficasse mais um segundo ali acabaria vomitando.
Andava que nem um zumbi pelos
corredores, queria chegar até seu quarto o quanto antes, não agüentava mais ver
aqueles seguranças o olharem com malícia e divertimento, queria se esconder
logo. Quando chegou na porta do seu quarto tratou de entrar rapidamente, foi
correndo até o banheiro vomitando na privada, suas mãos estavam apoiadas nos
seus joelhos que estavam flexionados para frente.
Depois que soltou tudo para fora deu
descarga e tratou de retiras suas roupas, queria tomar um banho, tirar aquele
cheiro do seu corpo.
Ao entrar no Box ligou o chuveiro, a
água morna começou a cair por seu corpo, imediatamente suas feridas arderam em
contato com a água, entretanto suportou aquela dor, o que mais queria no momento
era se lavar. Pegou uma bucha e começou a esfregar pelo seu corpo, a princípio
devagar, mas quando se lembrava dos toques de Rayzen sobre seu corpo forçava
mais a bucha fazendo sua pele branca ficar avermelhada, fez isso por todo seu
corpo chegou até a cortar um pouco sua pele, mas no momento isso era o que menos
lhe incomodava.
*
- Pegaram o garoto?
- Sim, senhor!
Rayzen estava no seu escritório,
agora falava com Shell ao telefone.
- Alguém os viu?
- Um rapaz chamado de Shibushi.
- Esse não é...
- Isso mesmo!
- Entendo... traga o garoto até
aqui!
- Suka irá matá-lo?
- Quem mais faria isso? – sorriu.
- Se quiser eu...
- Ele o fará!
- Sim, senhor!
- Venha agora.
- Entendido!!
Rayzen coloca o telefone do gancho
com um sorriso de vitória na cara, seus planos estavam dando certo, agora só
faltava dar um fim no garoto iniciando uma guerra entre Ryori Nako e o
misterioso líder do tráfico de Pratania.
Relaxou na sua grande poltrona, logo
tratou de acender um charuto, estava relaxado, nada poderia incomodá-lo no
momento.
*
- Vamos para a casa principal! –
Shell diz.
- Sim!!
Os homens mascarados movimentaram-se
rapidamente, dois deles trataram de pegar o moreno desacordado e colocá-lo
novamente na van preta. Momentos depois, os homens já estavam longe daquela
fábrica.
*
Um porsche preto corria a uma
velocidade incrível pela avenida, nele tinha três pessoas que pelas suas
expressões pareciam estar bem preocupadas.
- Vai nos matar desse jeito Nako! –
Shibushi diz segurando-se no cinto de segurança.
- Calma loiro, não vou deixar que
nada lhe aconteça! – Xyen da uma virada para trás dando uma piscada para
Shibushi.
Ryori olhou de canto para o rapaz
tentando entender qual era a dele, mas logo voltou a sua atenção para a rua a
sua frente, já que naquela velocidade não poderia ficar se distraindo com coisas
tolas, pois se precisasse desviar de algo não daria tempo e acabariam morrendo
mesmo.
- Onde é? – Ryori pergunta ao ver um
cruzamento.
- Direita.
Ryori ia seguindo as instruções do
rapaz cegamente, seu coração estava acelerado, para falar a verdade estava
desesperado, só de imaginar Yuy morto, sua vida iria perder completamente o
sentido.
- Rayzen fica num lugar muito
seguro, será muito difícil entrar lá... preciso falar com Suka antes, caso ele
tente matar o seu Yuy! – Xyen pegou seu celular.
- Você tinha um celular aí!!! Por
que não ligou antes? – irritou-se.
- Por que eu só posso ligar a noite
para o Suka! E não nos falamos muito, para não descobrirem, acho que nesse ano
só falei com ele umas duas vezes, e ele nem sabe que eu sou o atual líder do
trafico de Pratania – sorriu.
- Idiota! – xinga.
- Que cara estressando... Como você
agüenta? – virou-se para Shibushi.
- Er... eu... – viu que Nako o
olhava com curiosidade, ficou com medo de falar besteira, entretanto os dois o
olhavam agora esperando uma resposta – Eu... Olha que árvore bonita! – aponta
para uma mudinha de plantas do outro lado da rua, mas como estavam a uma alta
velocidade ninguém conseguiu ver direito.
- Hum... Acho que aquilo não era uma
árvore! – Xyen comenta.
- Hum... – Ryori ignora.
- “Graças a Deus” –
tranqüilizou-se ao ver que esqueceram do assunto.
Xyen esqueceu-se da árvore e voltou
para o seu celular, discou os números do celular de Suka e esperou.
*
Suka estava no meio do quarto,
estava de frente para um espelho que pegava seu corpo inteiro, nele podia ver as
marcas da violência que sofrera. Fechou os olhos cansando-se de olhar para seu
corpo machucado, foi até seu armário colocando uma calça jeans preta, e uma
camiseta verde escura de manga longa, deixou seus cabelos molhados soltos e se
jogou na cama de barriga para baixo, já que suas costas estavam doloridas demais
para suportar seu peso.
Seus belos verdes estavam se
fechando de cansaço quando para sua surpresa e espanto o seu celular toca,
poderia parecer comum, mas só uma única pessoa tinha aquele número. Levantou-se
correndo e foi até o celular que estava dentro de uma gaveta na sua cômoda,
atende-o rapidamente.
- ALÔ!
- Nossa... Quanta pressa para me
atender! – Xyen brincou.
- Xyen?!! Que saudade!! –
seus olhos encheram-se de lágrimas.
- Eu sei que eu sou inesquecível!
– riu – Tudo bem?
- Er... mais ou menos.
- O que aconteceu.
- Rayzen...
- O que ele fez?
- Ele... ele... me...
- MALDITO, DESGRAÇADO, FILHO DE
UMA PUTA.... EU VOU PARA AÍ AGORA!!!! – começou a gritar.
- Agora? Por que?
- Olha, presta atenção, é o
momento de acabarmos com o Rayzen! Vai aparecer um rapaz moreno aí chamado Yuy
Okan, não o mate, ouviu bem?
- Quem é esse garoto?
- Namorado de Ryori Nako.
- Nako? Do tráfico de Pratania?
- Isso mesmo, estou com ele ao
meu lado, estamos indo para aí.
- Mas por que tão rápido?
- Não temos tempo, Rayzen quer
matar o garoto.
- Por que?
- Ele quer que a culpa caia sobre
o novo líder do tráfico de Pratania.
- E o que você tem a ver com
isso.
- Eu sou o novo líder do trafico.
- Tá brincando!
- Não estou droga, bom, não mate
o garoto, entrarei pelos fundos.
- Cuidado, a segurança está
melhor do que antes.
- Eu vou entrar com tudo e
arrebentar aquele cretino, pode deixar que eu vou lhe resgatar... te... te...
gosto...er... eu ... te... adoro! – suspirou.
- Eu te amo! Venha logo!!!!
- Até mais gatinho.
- Tchau.
Por incrível que parece o humor de
Suka melhorou gradativamente, deu um sorriso de canto, agora iria ter sua
vingança, teria a pessoa que amava ao seu lado e o principal, sua liberdade, uma
coisa que nunca possuiu, agora poderia respirar o ar exterior sabendo que era
livre.
Correu até seu armário pegando suas
armas, pegou uma espada de 30 cm. Duas armas, alguns explosivos, granadas,
bombas de fumaça, colocou um sobretudo preto para esconder seus “brinquedinhos”
e saiu do quarto.
Suka foi aos pontos principais
daquela fortaleza, colocou uma bomba em cada canto, colocou nos portões
principais, secundários, banheiros, janelas de saída, colocou nos corredores do
escritório de Rayzen, mas não pôde colocar no seu escritório, já que a guarda
dali iria suspeitar e nenhum daqueles guardas era burro. Fez todo o seu serviço
em menos de 30 minutos, depois voltou para o seu quarto, sabia que Rayzen iria
pedir que fosse até o galpão 01 pegar o tal de Yuy Okan.
*
- Hei! – Xyen chama a atenção de
Ryori fazendo brecar com tudo.
Shibushi estaria com a cara no vidro
se não usasse um cinto de segurança, Xyen segurou-se com tudo no banco do carro,
depois olhou assustado para o ruivo que o encarava.
- O que foi? – Ryori indaga.
- Eu... Ia dizer que gosto... Muito
daquele restaurante ali ó! – apontou para trás onde tinha um restaurante de
comida chinesa.
- SEU FILHO DA PUTA, ACHA QUE EU
ESTOU BRINCANDO, SE ALGUMA COISA ACONTECER COM O YUY EU TE MATO!!! – gritou.
- Calma... Calma... – Xyen sorria
amarelo – Você que se precipitou e parou de repente!
Ryori o ignorou, ligou o carro e
saiu em alta velocidade.
- “Então... Você o ama realmente
Nako. Não tenho dúvida, você o ama mais do que me amou, sinto-me estranho,
sinto-me traído de alguma forma... Agora eu entendo que nunca poderia
interferir, mesmo que Yuy morresse... Você nunca ficaria comigo, acredito que se
Yuy morresse, você nunca mais ficaria com ninguém, não duvidaria que você se
matasse também...”. – Shibushi olhou para a rua, seus olhos estavam mais
serenos que nunca, nesse momento crítico começava a pensar sobre toda sua vida.
- Estamos chegando, é melhor irmos a
pé agora... – Xyen diz deixando seu lado brincalhão e mostrando um homem muito
sério.
Ryori parou o carro num beco, a
escuridão camuflou o automóvel, três figuras saem do carro.
- Eu vou lhes dar as instruções... –
Xyen diz – Nada de nos separarmos, aquela fortaleza é um labirinto cheio de
armadilhas, então, controle seus sentimentos... Ah e Shibushi, pode deixar que
eu te protejo! – lhe deu uma piscada.
- Tá... Tá! – gaguejou.
- Hum... – Ryori olhou torto – O que
faremos?
- Quando Yuy estiver nas mãos de
Suka, nós entraremos, pode deixar que a segurança exterior é moleza, agora a
interna é problema... Eu cuidarei da interna junto com Suka e Ruk, agora você
Ryori, tente cuidar da externa.
- Ruk... – Shibushi fala consigo
mesmo, mas os dois ouviram.
- Calma gatinho, ele está bem... Ruk
é muito forte! – sorriu.
- Hum... Claro! – ficou
constrangido.
- Vamos esperar que Suka entre em
contato, enquanto isso se preparem, pois não teremos muito tempo, Rayzen pode
desconfiar de Suka e tudo por ir por água baixo!
*
Aizu sai do seu quarto, queria falar
com Ruk, não conseguia ficar em paz sabendo que ele estava tão perto dele.
Correu até o seu quarto, deu algumas batidas na porta fazendo o soldado mandar
esperar.
- Diga Aizu! – Ruk diz ao abrir a
porta.
Aizu nem deu tempo, deu um pulo
fazendo Ruk cair no chão com ele em cima.
- Você ficou louco? Sai de cima de
mim! – Ruk tentou empurrá-lo, mas Aizu grudou nele.
- Fiquei sim, por favor, vamos
fugir... Fique comigo! – o abraçou com força impedindo que as mãos de Ruk o
empurrassem para trás.
- Eu já tenho alguém especial para
mim, entenda isso!
- Eu não me importo, fique comigo e
com ele então, mas fique comigo!
Ruk pensou em retrucar, mas viu que
os sentimentos do moreno eram verdadeiros, não queria feri-lo com palavras
rudes. Deixou-se ser abraçado, teria que conversar seriamente com o moreno.
- Aizu...
- Não vou te soltar.
- Não, quero conversar com você,
vamos nos sentar!
Aizu ergue seu olhar, seus belos
vermelhos mostravam-se desesperados, ele se afasta devagarzinho caso Ruk
tentasse empurrá-lo para fora do quarto ele o agarraria novamente, mas Ruk não
fez isso, pelo contrário, ele puxou o moreno até a sua cama fazendo-o sentar.
Os dois ficaram se fitando por um
bom tempo, Ruk soltou um longo suspiro, aquilo ia ser difícil e doloroso, mas
teria que ser feito, felizmente ou infelizmente seu coração não era mais dele.
- Aizu... Eu amo o Shibushi...
- Eu sei! – interrompeu – Mas você
poderia ficar com ele, e a noite comigo, ele não vai saber!
- Você sabe o que está me propondo?
– indagou indignado.
- Eu não me importo, eu gosto tanto
de você que não me importaria de ficar apenas 5 minutos com você todos os dias,
ou apenas um dia da semana...
- Não é essa a questão, eu nunca
faria isso com você... Isso é muito baixo, e nunca faria isso com Shibushi
também... Entenda, o mesmo sentimento que você tem comigo, é o mesmo que eu
tenho com ele ou maior!
- Eu não sei o quanto esse cara
gosta de você, mas ninguém lhe ama mais do que eu!
- Isso nunca iremos saber, não
sabemos o que se passa no coração de Shibushi, nem eu e nem você!
- Mas eu te amo... O que quer que eu
faça? Apague tudo de uma vez? – elevou o tom de voz.
- Gostaria que não sentisse isso por
mim, mas isso não se pode pedir, então, por favor, tente pelo menos diminuir
esse sentimento...
- Idiota! Eu sempre gostei de você,
você sempre me ajudou, sempre esteve comigo, sempre me beijou, eu ainda me
lembro dos seus toques... Dos seus gemidos... Como quer que eu esqueça? Quando
você sumiu, eu tentei me matar, fiquei louco... Te procurei por todos os
cantos...
- Ryori me ocultou, eu comecei a
trabalhar para ele... Mas ele era diferente de Rayzen, ele me deixava livre...
Nako é muito forte, por isso nunca iria me achar, seus domínios são só dele e
nada pode entrar... Você nunca me acharia!
- Então você estava com Ryori Nako?
Entendo agora... você deixou de trabalhar para um assassino para trabalhar para
outro?
- Sim, eu fiz isso sim! – disse –
Nos encontramos numa noite chuvosa, eu estava sendo perseguido por um dos homens
de Rayzen, eu o matei, mas estava muito fraco, então Ryori Nako apareceu e me
propôs essa oferta, no começo recusei, mas quando vi que não tinha mais saída
acabei aceitando.
- Se você ficar comigo, em menos de
um mês você esquecerá esse tal de Shibushi!
- Não, nunca esquecerei... Desde o
momento que eu o vi... Senti algo mais forte, algo tão forte que superou todos
os sentimentos que eu tinha por você durante anos, em apenas um minuto tudo se
apagou e só o rosto dele veio a minha cabeça apagando todas as lembranças que
compartilhamos!
Aizu começou a chorar, estava muito
magoado. Sabe quando você quer muito uma coisa, quer muito mesmo, e não pode
tê-la? Aquele sentimento arrasador que se instala no seu coração, aquele
sentimento de perda que arranca um pedaço do seu ser, parece que sua alma jamais
irá brilhar, não importando quantas vezes reencarne, esse sentimento era o amor
não correspondido. O amor que o moreno tinha era o mais forte, puro e sincero
dessa terra, não se importava em se humilhar, nada mais importava, nem
dignidade. Queria apenas estar ao lado da pessoa querida, queria apenas poder
vê-la, apenas que ela lhe sorrisse.
Sabe quando você sonha muito com
algo, quando você deseja ardentemente alguma coisa? Mas não pode porque tem uma
grande muralha na sua frente, mas você não tem forças para escalá-la. Quando se
ama e não é correspondido, tudo parece sem cor, sem brilho, sem graça e frio.
Ruk foi até o moreno, levantou os
braços a fim de abraçá-lo, mas parou, não poderia dar esse tipo de tratamento ao
moreno agora, isso seria terrível para ele.
- Nunca se esqueça... Ninguém, ouviu
bem? Ninguém lhe amará mais do que eu te amo! – disse – Lembre-se disso! –
levantou-se saindo do quarto com os olhos rasos d’água.
- Sinto muito Aizu... – Ruk fala
consigo mesmo – Shibushi... Eu te amo! O mesmo sentimento que Aizu tem por mim,
eu tenho por você!
*
Aizu corria pelos corredores, estava
abalado, queria que Shibushi morresse, se o encontrasse o mataria mesmo, não
estaria se importando.
- Aizu!
Pára ao ouvir alguém lhe chamando,
enxugou suas lágrimas, tornou seu rosto impassível e virou-se para trás vendo
que Shell o chamava.
- O que quer?
- Chame Suka, peça para ele ir até o
galpão 01!
- Está certo! – virou-se de costas
novamente indo até o quarto de Suka.
Shell sorriu de canto e foi até o
escritório de Rayzen, iria lhe entregar o relatório da sua missão.
*
- “Onde eu estou? Está tudo tão
frio e silencioso, o que aconteceu? Eu estava no quarto vendo os bichinhos de
pelúcia quando escuto a porta se abrindo com força... Aí... Aí um cara... Isso
um cara! É... E ele... O que ele fez... Ah é! Ele me pegou... E depois,
depois... Droga, eu não me lembro... Onde eu estou? Por que não enxergo nada?”
Yuy estava jogado numa sala pequena,
estreita, sem janelas, sem luz, com apenas uma porta de ferro, estava encolhido
num canto com os olhos vendados, com os braços e pernas presos por algemas de
aço.
*
- Pode entrar! – Suka diz ao ouvir
algumas batidas na porta.
Aizu entra no seu quarto o
encontrando deitado na cama.
- Tem alguém para você no galpão 01!
– disse.
- Tudo bem, já estou indo!
Aizu saiu do quarto sem dizer mais
nada, queria pensar um pouco, estava muito alterado.
- “Aizu está estranho... Será que
ele descobriu? Isso não seria bom... Preciso falar com Ruk agora...” – Suka
se levanta – “Sorte que é de noite, e aquele maldito não poderá ler nossos
pensamentos”.
Ele saiu do quarto rapidamente,
correu até o quarto do soldado, deu algumas batidas especiais na porta.
- Suka? – Ruk ficou confuso, nunca
teve amizade com o rapaz.
- Preciso falar com você!
- O que você quer? – não gostava
dele.
- Entra! – o empurrou para dentro do
quarto e fechou a porta.
- O que...
- Escuta! – interrompeu – Yuy Okan
está no galpão 01 e...
- No galpão 01? Mas o que ele fez
para o Rayzen? E...
- Deixe-me falar idiota! –
irritou-se – Ryori Nako e Xyen estão vindo para cá...
- Xyen? – ficou confuso.
- Deixe-me falar... – estava quase
batendo nele de tanta raiva – Xyen era o líder do tráfico de Pratania, Rayzen
queria que Ryori brigasse com o líder, então ele seqüestrou Yuy okan, para que
jogasse a culpa sobre o líder misterioso, entendeu?
- Hum... E por que Xyen está vivo?
- Eu não o matei, tínhamos um plano
de derrubar Rayzen, agora vamos por tudo em prática... Vamos derrubar a
segurança interna, já coloquei explosivos nos pontos principais, agora ligarei
para eles... – disse finalmente.
- Entendo! – sorriu de canto – Eu
nunca pensei que você fosse desse tipo...
- Que tipo?
- Esquece... Vá logo! – disse- Eu
cuidarei da segurança, e tome conta do Yuy!
Suka sai do quarto com cuidado,
ninguém poderia vê-lo saindo dali ou iriam suspeitar.
Ruk correu até seu armário pegando
suas armas, tratou de sair pelos corredores atrás dos andares mais baixos onde
ficava a sala das câmeras, teria que acabar com elas, isso seria muito fácil
para ele.
*
O celular de Xyen toca fazendo todos
se silenciarem.
- Fala!
- Está tudo pronto... Já falei
com Ruk, ele está indo para sala das câmeras, agora irei até o galpão 01!
- Entraremos em 5 minutos então!
- Até lá então...
- Tome cuidado!
- Você também! – desligou.
Xyen vira-se para os dois, ele da
uma piscada, um sorriso sacana e diz:
- Vamos pra galera!! – e faz um V de
vitória com os dedos.
- Vamos! – Ryori diz.
Os três saem pela rua discretamente,
o sobretudo de Ryori voava para trás com o vento, seus belos fios vermelhos
cobriam parte do seu rosto, escondiam sua ira, seu ódio, sua preocupação, seu
lado assassino. Shibushi andava no meio dos dois com a cabeça baixa e a mãos no
bolso, estava pensando em Ruk, desejava que estivesse tudo bem com ele. E Xyen
andava todo relaxado, assobiava uma melodia qualquer, estava com as mãos no
bolso, às vezes cantarolava alguma coisa.
Eles entram num beco qualquer, Xyen
pediu silêncio com o dedo, fez um sinal para cima mostrando que tinha câmeras
por ali, agora iriam esperar que Ruk as desligassem para que pudessem entrar.
*
Ruk correu até a sala das câmeras,
havia muitos homens ali.
- Hei, você não pode entrar aqui! –
gritou um deles.
- Ordens de Rayzen-sama... Soubemos
que existe um traidor aqui, e eu como soldado da primeira classe vim aqui
descobrir! – disse.
- O que? Não sabemos de nada!
- Claro que não, isso é uma inspeção
surpresa, agora quero que todos fiquem encostados nesse muro... Irei
revistá-los, aquele que se recusar será morto!
Os homens ficaram assustados, cada
um olhou para o outro com suspeita, até que um deles se levanta indo até a
parede, os demais o seguiram, logo tinham 26 homens encostados na parede.
- Vocês! – Ruk aponta para dois
guardas que estavam no começo das escadas.
- Mas...
- Sem mas... Se não serão
considerados traidores! – disse – Vamos!
- Sim, senhor! – os dois guardas
encostam-se na parede também.
- “Idiotas” – Ruk pega sua
metralhadora que tinha o tamanho do seu braço e antebraço, era uma arma mortal e
silenciosa, ele aponta para os homens que estavam calmos, eles pensavam que Ruk
iria revistá-los, mas não foi isso que ele fez. Apontou a arma para o primeiro
da esquerda, segurou o gatinho fazendo 20 balas saírem por segundo da sua arma,
nem havia como escapar daquele ataque.
- Idiotas! – Ruk diz.
O moreno correu até a sala das
câmeras as desligando, ninguém iria suspeitar, pois se alguma coisa acontecesse
os homens daquele andar que avisavam o do andar de cima, e assim ia até chegar a
Rayzen, mas como havia arrancado a raiz da planta, mais nada poderia
preocupá-lo.
*
- Pronto! – Xyen diz baixinho ao ver
que a luz de uma das câmeras que estava disfarçada de um tênis velho jogado no
fio de luz se apagou.
- Aquilo era uma câmera? – Shibushi
ficou surpreso.
- Sim, as câmeras são camufladas! –
disse.
- Inteligente! – comentou.
- Vamos indo! – Ryori diz.
- Calma, não vamos nos apressar e
por tudo a perder – Xyen fica na sua frente – Vamos indo devagar!
Ryori fez um sim com a cabeça, teria
que suportar aquele homem para que pudesse ver o seu moreno novamente, então
apenas concordou ficando em silêncio. Xyen andou até o fim do beco encontrando
uma grande parede de tijolos, foi até um tijolo em especial o empurrando fazendo
um pedaço do chão se abrir.
- Vamos? – Xyen pulou no buraco.
Ryori olhou para Shibushi e
vice-versa, os dois olharam para os lados e foram até o buraco, Shibushi foi na
frente, Ryori queria proteger suas costas.
*
- “SHIBUSHI!!!!” – Ruk estava
nas salas das câmeras, viu quando Xyen entrou, mas quando viu o loiro quase caiu
para trás. – “Ryori é louco? Eu vou até eles, não vou deixá-lo sozinho!!!
Maldição!!!” – ficou nervoso.
*
Suka abre o grande portão de ferro
encontrando Yuy encolhido no chão, foi até ele retirando sua venda. O moreno
piscou algumas vezes sentindo a dor daquela luz nos seus olhos, quando se
recuperou viu um rapaz moreno com belos olhos verdes o fitar com curiosidade.
- Quem é você? – indaga.
- Sou Suka!
- Suka... Onde eu estou?
- Vou tirá-lo daqui!
Suka retirou suas algemas e o tirou
daquela sala.
- Quem é você? O que aconteceu? –
estava ficando nervoso.
- Calma, Ryori vai vir salvá-lo,
logo! – sussurrou em seu ouvido – Agora pare de falar alto, vamos fugir daqui!
- Mas... Eu estou confuso! –
sussurrou.
- Deixe-me te guiar, não faça nada
ousado! Tem muitos guardas aqui, se nos pegam, nos matam!
- Matar? – assustou-se.
- Psiu!!!! Não fale alto!
- Desculpe-me!
- Vamos! – segurou a sua mão e
puxando para fora daquele galpão, pois logo chegariam Shell e seus homens ali.
*
Rayzen estava no seu escritório
falando com Shell.
- Agora é questão de tempo! – disse
dando uma tragada no seu charuto.
- Sim, senhor! – sorriu de canto.
- Vá ver o que Suka está fazendo,
não confio muito nele... – disse – Não mais.
- O que houve senhor? – indagou.
- Isso não é da sua conta verme,
agora vá fazer o que eu lhe ordenei!! – fechou a cara.
- Sim senhor! – fez um aceno com a
cabeça e saiu da sala.
Rayzen estava estranho, sentia que
algo de errado estava para acontecer, o grande chefão se levanta da sua poltrona
indo até a grande janela que mostrava grande daquele grande bairro, soltou um
longo suspiro, estava cansado de governar coisas pequenas como cidade e bairros,
queria algo maior, um desafio.
Sua frustração estava afetando
cabeça, estava ficando louca, sempre queria mais e mais, mais poder, mais força,
mais homens, achava que nada estava bom. Entretanto, agora que teria Ryori Nako
ao seu lado, se seus planos ocorressem como o planejado, ele iria conseguir se
aliar a uma pessoa muito poderosa e influente, que iria abrir as portas do seu
poder.
- “Vou tentar dormir um pouco...”
- Rayzen sai do seu escritório, que ficava no último andar daquela
fortaleza.
*
Ruk corria as escadas
apressadamente, chegou a cambalear algumas vezes, mas não caiu. Respirava com a
boca aberta, estava nervoso demais para pensar em alguma coisa, corria sem se
importa se ia ser visto ou não, preferiria que todos morressem até que ele mesmo
morresse, mas não deixaria que um fio de cabelo do loiro saísse do lugar.
Virou a esquina de um corredor que
já o levaria para mais perto do seu grande amor, entretanto, para sua
infelicidade e surpresa esbarrou-se com Shell fazendo-o voar na parede com o
empurrão e ele foi ao chão.
- Ruk... O que está fazendo seu
idiota? – indagou furioso.
- Shell? – assustou-se.
- O que foi?
- Nada!
- Não minta para mim, eu te conheço!
– sorriu de canto – E como...
- Esquece isso...
- Nunca vou esquecer o que fizemos
naquele dia... Eu, você e o Kitsu... Não pode esquecer!
- Não me lembre disso! – estava
mudando de humor, esse assunto devia estar enterrado.
- Aquela neve, aquela garota, aquele
sangue, os gritos... Hum... Ainda sinto aquele cheiro! – o ruivo colocou a mão
nos seus lábios soltando um leve gemido – Ainda sinto aqueles lábios.
- Aquilo foi...
- Foi maravilhoso! – riu.
- Não, foi a coisa mais terrível que
eu fiz... todos nós... e não fale no nome dele novamente! – gritou.
- Que nome? – perguntou cínico –
Kitsu? – sorriu.
- Cretino... – fechou os punhos.
De repente as imagens daquela noite
vieram à cabeça do soldado, ele fechou os olhos se concentrando para que
pensasse em outra coisa, mas não deu, viu na hora o rosto daquela bela garota,
como haviam sido cruéis, agora não tinha mais volta, teriam que viver com isso
para todo o sempre e fizeram tudo isso por causa de uma coisa muito tola, em
busca de poder.
Ruk chacoalhou a cabeça apagando
aqueles pensamentos, olhou para aquele homem que se divertia com seu sofrimento,
ao contrário de Shell que nem se importava. O soldado lembrou-se do loiro
imediatamente, teria que ir protegê-lo.
- Sai da frente! – disse.
- Mas que pressa! – cruzou os braços
– Tudo isso para quê? Vai ver Aizu? Sabia que eu conheci o seu namoradinho! –
sorriu.
- O que? – havia começado a se
interessar pelo assunto – O que você fez? – sentiu um pouco de medo, sabia do
que o outro era capaz, sorte que tinha visto Shibushi com Ryori e Xyen, pois se
não estaria morto de preocupação.
- Não estava com pressa?
- DIGA!!! – gritou tão alto que fez
um eco pelos corredores.
Shell descruzou os braços, conhecia
Ruk o suficiente para saber que ele era bem explosivo, caso ele o atacasse teria
que estar em posição já que o moreno era um super lutador e tinha as mesmas
habilidades que a sua. Olhou para aqueles olhos vendo que pareciam uma
tempestade, sentiu um frio percorrer pela espinha, não entendia por que ele
estava tão irritado, seria ciúme? Preocupação? Amor? Não sabia identificar,
devia ser porque nunca sentira nada antes por nada e ninguém, apenas Kitsu, mas
isso era outra história.
Visto que o rapaz não ia dizer nada
acabou por se irritar por completo, deu um passo para frente fazendo-o recuar
dois passos, pensou que socá-lo até dizer o que ele havia feito com o seu
Shibushi, mas de repente o alarme de aviso contra invasores é soado.
- O que? – Shell ficou bem sério,
seus belos verdes ficaram mais escuros isso era sinal que ele queria sangue,
sorriu, passou a língua por entre os lábios mostrando o prazer que sentiria
nisso.
Ruk ficou mais preocupado ainda, um
piscar de olhos foi tempo suficiente para que o soldado o perdesse de vista,
olhou para todos os lados apavorado, sentiu um frio percorrer por sua espinha.
- Shibushi! – correu até o portão de
entrada por onde eles vieram, mas é claro que eles não estavam mais lá, então
começou a procurá-los desesperadamente pelos corredores.
*
- O que? – Rayzen levantou-se da sua
cama imediatamente, sorte que nem havia se trocado.
O chefão correu até seu armário
pegando sua arma, saiu do seu quarto, onde 5 guardas já estavam a sua espera,
aquela era sua segurança especial.
- O que está acontecendo? – indagou
furioso.
- Todos os homens que cuidavam da
rede de câmeras e telefones foram mortos! – disse um deles.
- Mas como foram mortos? Quem fez
isso?
- Não sabemos senhor, mas deve ser
alguém de dentro!
- Descubram esse traidor e o matem!
- Sim, senhor! Já demos ordens ao
guardas do galpão 02, 03, 05 e 06!
- E Suka?
- O que tem senhor?
- Ele está com um prisioneiro muito
importante.
- Não o vimos! – diz.
- SEUS IDIOTAS, INCOMPETENTES... VÃO
ACHÁ-LOS AGORA MESMO!!!!
- Sim, senhor! – um dele pegou o
comunicador passando a missão para todos o guardas.
*
Xyen corria de mão dada com
Shibushi, o loiro olhava toda hora para Ryori que parecia estar bastante nervoso
e irritado com aquela situação também.
- Aqui! – Xyen os puxou para um vão
do corredor, já que vinham uns dez guarda naquele mesmo corredor, eles ficaram
abaixados em silêncio, quando os guardas passaram, eles se levantaram.
- Onde está nos levando? – Ryori
pergunta.
- Para um lugar secreto... Está
perto daqui, só que o maldito alarme foi acionado, agora não será fácil! – olhou
para Shibushi – Acho melhor você ficar aqui!
- O que? – Ryori interfere.
- Eu não vou ficar aqui sozinho –
Shibushi diz.
- Escuta aqui gatinho, acho melhor
você ficar aqui, é muito perigoso! – diz colocando a mão nos seus ombros.
Ryori ficou sem saber o que fazer,
olhou para Shibushi depois para Xyen viu que apesar daquele cara ser estranho,
no momento ele estava falando sério e teria que concordar que aquilo era
realmente perigoso para o loiro.
- Shibushi... Fique aqui! – Ryori
diz.
- Parece que entendeu! – Xyen diz –
Viu, até o ruivinho concordou comigo, então fica aqui gatinho que nada vai
acontecer, pegue essa arma e fica abaixado nesse canto, pode deixar que ninguém
vai entrar aqui!
- Mas... – tentou argumentar, mas
Xyen o calou com um beijo.
Ryori fica a boca aberta, seus olhos
ficaram arregalados ainda não acreditava no que estava vendo, deu algumas
piscadas vendo que os dois ainda se beijavam. Shibushi por sua vez nem se mexia,
estava perplexo, quando Xyen se separou deu um sorriso sacana e comentou.
- Você tem os lábios bem macios! –
diz.
- Seu... – Ryori o jogou contra a
parede fazendo um forte barulho.
- Calma, calma!!! – Xyen levanta as
mãos para o alto.
Shibushi sai do seu transe e olha
para os dois que começavam a discutir, ficou um bom tempo parado apenas
observando, quando de repente sentiu vontade de rir e o fez chamando a atenção
dos dois.
- Você está bem? – Xyen pergunta.
- Estou... Bom, acho melhor vocês
irem indo! – diz o loiro.
- Acho que não é bom ele ficar
sozinho! – Xyen comenta com Ryori.
- Hum... – Ryori o fuzila com o
olhar.
- Podem ir! – Shibushi diz – Vão
logo! – apressa.
Xyen e Ryori ficaram meio
hesitantes, mas acabaram correndo para longe do loiro que lhes desejou boa
sorte.
*
Suka parou de repente ao ouvir o
alarme tocar, olhou para Yuy que estava assustado.
- Droga... – ia falar algo para o
moreno, mas foi interrompido por vozes dos soldados.
- ALI ESTÁ ELE! – os soldados que
vinham de um corredor começaram a atirar nos dois.
Suka agarrou a mão de Yuy e o puxou
para o outro lado do corredor fugindo das balas, entretanto não foram rápidos o
suficiente já que uma delas entrou na coxa de Suka o fazendo gritar de dor.
Porém, os dois não pararam de correr.
Yuy ficou preocupado com o rapaz,
tentou parar para ajudá-lo, mas este apenas gritou para que ele continuasse. Yuy
sentiu-se um inútil, não tinha forças para fugir dali sozinho e nem para ajudar
aquele rapaz misterioso.
Os dois corriam como se suas vidas
dependessem disso, na hora sentiu vontade de ter o ruivo ao seu lado, estava com
medo, queria vê-lo e não sabia o que estava acontecendo afinal. Mas se ele
estava em perigo, Ryori deveria estar também. Morreria por Ryori, mas não
permitiria que ele se machucasse.
*
Shibushi sentou-se no chão segurando
a arma que Ryori lhe dera, estava se sentindo muito solitário naquele lugar,
podia ouvir tiros, gritaria e passos pesados. Algo dizia que ele tinha que sair
dali, que alguma coisa estava errada. O loiro olha para o pequeno corredor que
estava, ele tinha uns 5 passos de distância até o corredor principal, porém era
bem escuro e não tinha nada para que alguém precisasse entrar ali.
Shibushi se levantou, olhou para os
lados soltando um longo suspiro, seu coração estava batendo a mil por hora,
quando ergue seu olhar viu uma coisa que o deixou pasmo. Ficou tão pálido que
pensou que iria morrer, abriu a boca pensando em gritar, mas nenhum som saiu,
pensou em correr, mas não conseguiu se mover.
Viu um homem, não sabia se era bem o
homem, pois parecia mais um demônio. Ele estava em cima dele, grudado com as
mãos e os pés no teto, usava uma roupa toda preta, seus olhos eram vermelho
sangue, e seus olhos tinham um brilho mortal. Shibushi não sabia que aquele ali
era Aizu, e que ele o odiava por ser dono do coração do soldado.
Um piscar de olhos foi o suficiente
para que aquele demônio sumisse, Shibushi olhou para frente, para trás, para os
lados, mas não o encontrou. Quando de repente a arma foi arrancada da sua mão,
olhou para trás vendo aquele par de olhos vermelhos que o engoliam.
Shibushi virou-se ficando de frente
para aquele rapaz, quando fez isso começou a dar uns passos para trás intimidado
com aquela face de morte, foi andando até que bateu suas costas na parede do
corredor principal. Um piscar de olhos foi o suficiente para que Aizu se
aproximasse dele colocando seus braços lado a lado com seu pescoço.
Aizu parecia que penetrava no seu
corpo com aquele olhar, ele buscava ler a alma de Shibushi por seus azuis.
- Então você é Shibushi? – Aizu
pergunta com uma voz rouca.
- Quem... Quem é você? – gaguejou.
- Ruk nunca falou de mim?
- Não sei, como se chama?
- Aizu.
- Não.
- Não?!!!!!!! – cerrou os dentes.
- Não... Acho que não! – queria sair
dali o quanto antes, agora se arrependia, devia ter ido com Ryori e Xyen.
- “O que ele tem para você me
ignorar desse jeito, Ruk? O que você tem loiro maldito? É sua beleza? Admito que
é bonito, mas isso não é suficiente! Maldito, vou matá-lo!! Vou matá-lo aqui e
agora, estou vendo que não tem como se defender!!!”.
Shibushi gritou ao sentir uma
pontada no estomago, olha para baixo vendo que Aizu havia lhe dado um soco. O
loiro curvou o corpo para frente batendo a cabeça no pescoço de Aizu, mas Aizu
puxa sua franja para trás erguendo sua cabeça.
Aizu passou a mão por seu rosto
pensando:
- “Se deformá-lo...Talvez Ruk não
ligue mais para você” – Aizu sorriu com seu pensamento.
Aizu sai de perto de Shibushi e o
joga no chão por seus cabelos fazendo-o gemer, ficou rodeando o loiro com os
olhos carregados de ódio. Parou ao lado dele e começou a chutar as suas costelas
fazendo gritar de dor.
*
Ruk sentiu uma pontada no peito,
sentiu que algo estava errado. Corria sem parar, procurava em todos os cantos,
matava todos os guardas que entravam no seu caminho. De repente para sua alegria
cruza com ninguém mais, ninguém menos que Ryori e Xyen.
- Ruk? – Xyen o abraçou.
- Onde está o Shibushi? – perguntou
no abraço.
- Que saudades! – Xyen o puxou lhe
dando um selo nos lábios.
- ONDE ESTÁ O SHIBUSHI?!! – gritou
desesperado.
- Deixamos ele... – Ryori ia
terminar de falar, mas Ruk agarra a gola do seu sobretudo.
- ONDE ELE ESTÁ, RYORI? ONDE O
DEIXARAM? CADÊ ELE?!!
- Calma! – Xyen o segurou pela
cintura – Deixamos ele na ala sul, no pequeno corredor que corta o corredor Z-3!
– diz.
Ruk nem esperou mais nada, saiu
correndo na direção que Xyen havia lhe dito. Xyen ficou coçando a cabeça todo
confuso.
- Ryori?
- Hum?
- Por que estava assim?
- Oras... Porque ele está preocupado
com o Shibushi! – disse.
- Eu sei, mas por que ele está tão
violento? – fez um carinha triste – Ele não era assim.
- Se soubesse que Suka está em
perigo, que pode morrer... E algum idiota fica no seu caminho te abraçando e o
impedindo de ir, o que faria? – o ruivo cruzou os braços.
- Eu.... EU MATARIA O CARA QUE TAVA
NO MEU CAMINHO, EM FALAR NISSO!! VAMOS PROCURAR O SUKA!!! – Xyen saiu correndo.
- “Esse cara é louco” – Ryori
corria atrás dele.
*
Shibushi cuspia sangue, ele fez um
esforço enorme para ficar de quatro no chão, pois não conseguia respirar
direito. O loiro geme ao sentir seus cabelos serem puxados para trás por uma mão
forte.
Aizu inclinou para frente bem
próximo ao ouvido de Shibushi e sussurrou:
- Está gostando? – sorriu – Ainda
não acabou.
Aizu retirou uma faca que estava
escondida na sua bota, passou a parte cega da faca pela bochecha de Shibushi
fazendo-se sentir aquele metal gelado. A mão do moreno se fecha ainda mais nos
fios dourados de Shibushi puxando para cima fazendo-o ficar de pé. O moreno
torceu o seu cabelo arrancando alguns fios loiros.
Shibushi abriu os olhos vendo como
sua vista estava embaçada pelo sangue que escorria de um corte na sua testa até
seus azuis claros. O loiro ficou confuso, não sabia se aquilo era uma ilusão ou
não, mas no começo do corredor podia ver Ruk correndo na direção dele, abriu um
sorriso bem pequeno, já que nem tinha mais forças para respirar.
Aizu segurou a faca com força, viu
que Ruk se aproximava deles, mas ele estava muito longe.
- Vocês não vão ficar juntos... –
Aizu sussurra.
O moreno pegou a faca e enfiou nas
costas do loiro fazendo abrir a boca num gemido mudo, Aizu sentiu o sangue do
loiro escorrer por sua mão e pingar o chão tingindo-o de vermelho. Viu que Ruk
gritou o nome do loiro estendendo a mão na ilusão de tocá-lo.
Aizu ficou sério, não ficou nem
triste e nem feliz com que fizera, quando vê que Ruk está muito próximo a eles,
o moreno solta Shibushi e some de repente.
Ruk corria desesperadamente tentando
pegar o loiro antes que ele caísse no chão, parecia um filme em câmera lenta, os
belos fios dourados de Shibushi voaram para trás enquanto seu corpo caía, seus
olhos iam se fechando rapidamente, seus joelhos se dobravam e seu tronco ia
caindo para frente. Ruk chega centímetros antes que Shibushi chegasse ao chão, o
soldado ficou ajoelhado no chão, retirou a faca que ainda estava no corpo do
loiro fazendo gritar de dor.
- Shibushi! Shibushi!! Olha para
mim! – Ruk da um tapinha em seu rosto.
- Ruk... – sorriu.
- Hei! HEI NÃO FECHE OS OLHOS!! –
lágrimas surgiram nos olhos do soldado.
- Estou cansado... E... Isso dói
tanto! – uma lágrima solitária escorre por sua face.
Shibushi levanta sua mão com muita
dificuldade tentando alcançar o rosto do soldado. Ruk segura sua mão e a coloca
no seu próprio rosto como o loiro queria. Shibushi sorriu e pediu:
- Me... Me... Beija!
Ruk fechou os olhos deixando um
monte de lágrimas escorre por seu rosto, ele abre novamente e se aproxima dos
lábios do loiro sentindo como estavam secos e frios, encostou seus lábios nos
deles. Iniciou-se um beijo lento e molhado, Shibushi não fazia muita coisa,
estava perdendo os seus sentidos e Ruk o agarrava como se assim pudesse impedir
que ele partisse.
- Eu... Te... Amo... – tossiu – E...
- Não diga mais nada!
- Não... Preciso... Eu... Percebi
que te amo... – tossiu – Mais... Do que... Eu ... Eu... Amei o Ryori... Eu... Te
amo... Mais... Que a todos...
- Eu sei!! Agora, se me ama mesmo...
NÃO ME DEIXE!!!
- Como... Cof... Cof... Vou fazer
isso?... Cof... Cof... – Shibushi fechava e abria os olhos, só que agora ele
demorava muito para abrir novamente.
Ruk estava ficando desesperado, ele
olha para os lados tentando pensar em algo, mas nada passou por sua cabeça,
olhou novamente para Shibushi que estava com os olhos fechados. Seu coração
parou uma batida ao sentir a mão dele cair no chão como se fosse uma pedra.
Continua...
Hello! ^^”
Eu sei, eu sei... Prometi que esse
seria o último capitulo, só que está com 16 páginas, tá muito grande.
Então o próximo capítulo vai ser o
último. Além disso, eu estou demorando muito para postar, então vou fazer esse
capitulo separado para o pessoal não ficar me xingando.
Eu vou acelerar agora, já que essa
semana eu não tenho aula!!!
Muito obrigada a todos que estão
comentando e opinando!!!! Fico muito feliz com isso!
Eu agradeço a Bra Briefs que
desenhou o Shibushi, o Ryori e o Yuy!!! Eu adorei moxa!
*
Esse capítulo ficou triste!!! Eu
tava quase chorando enquanto escrevia a última cena.
O que será que vai acontecer?
Próximo e último capítulo já está
saindo. Peço desculpas mais uma vez pela demora, mas não é todo dia que eu tenho
tempo e inspiração para escrever.
Eu tava tão cansada, então uma santa
revisou toda a fanfic para mim.
A Yume Vy corrigiu esse capitulo!
Muito obrigada moça!!! ^^
Um beijo.
Ah! E obrigada por lerem!
9/10/2004
Por Leona-EBM