'SEXO
A palavra "revolução" estava na moda nos anos 60. Não é à toa que ela foi empregada até na hora de descrever as mudanças ocorridas na área do sexo. Neste caso, no entanto, ela é particularmente inadequada. Dá a impressão de que tudo virou de ponta-cabeça de uma hora para outra, que homens, mulheres, gays e lésbicas deixaram de lado séculos de repressão e, em 1969, todos marcharam alegremente para Woodstock, no EUA, para uma festiva celebração de amor livre. Não é exato. Poucas áreas registraram uma mudança tão silenciosa e gradativa quanto a que diz respeito ao relacionamento amoroso . Outra impressão errada é a de que a humanidade fez mais sexo, e de maneira mais intensa, dos anos 60 para cá do que em toda a História pregressa. Ë só ir aos livros, onde os escritores colocam no papel o que as pessoas não têm coragem de dizer em público. Nas obras dos libertinos franceses do século 18 há passagens que escandalizariam os hippies de Woodstock. Nos anos 30, época em que maior parte dos namoros ocorria no portão, o autor americano Henry Miller retratou, em Trópico de câncer, a exuberante orgia em que viviam os intelectuais em Paris. Duas foram, na verdade, as mudanças ocorridas. A primeira é que o que antes era velado tornou-se, por assim dizer, oficial. O sexo deixou de ser conversa de banheiro ou de livro proibido para virar assunto de publicações sérias e programas de televisão. Deixou de ser feito às escondidas nas garçoniéres e no banco de trás dos carros para ganhar os espaços "institucionais" dos motéis e até da casa dos pais. Estes últimos perderam a função de guardiãs da virgindade das filhas. Em vez disse, dão conselhos sobre contraceptivos e prevenção de doenças venéreas. Discriminados ao longo dos séculos, gays e lésbicas também enfrentam menos dificuldades quando decidem revelar a sua opção. A outra mudança é química. Duas invenções popularizadas pela indústria farmacêutica contribuíram para diminuir a ansiedade em ambos os sexos. A primeira, de 1960, é a chegada ao mercado da pílula anticoncepcional. A segunda, de 1998, é o Viagra. Uma liberou a mulher dos riscos de uma gravidez indesejada. Outra exorcizou da vida da maioria dos homens o fantasma da impotência. Ë duvidoso que se faça hoje mais e melhor sexo do que em qualquer outra época da História da humanidade. Mas não há dúvida de que hoje há mais gente fazendo isso e tudo é menos estressante.
Etapas do Relacionamento Amoroso
1900 O namoro começa após a auorização do pai da mulher. Se o noivado é desfeito, a mulher tem mais dificuldade para arranjar um segundo pretendente.
A moça deve chegar virgem às núpcias, sob pena de ser devolvida ao pai.


1910 Os papéis são claros no casamento: o homem sustenta a família e manda no lar. A mulher cuida dos filhos e da casa.


1920 O namoro ocorre em lugares públicos. O casal passeia na praça, vai a festas, mas sempre com um parente "sgurando vela".


1930 Os manuais de conselhos matrimoniais passam a falar da harmonia na vida sexual do casal, mas recomendam serenidade


1940 Os pais nao criam empecilhos para o namoro da filha se o moço for "de futuro"


1950 As mães aconselham as moças sobre o risco de se tornar "perdida", ou seja, de perder a virgindade antes do casamento
Maridos e mulheres passam a discutir a vida sexual


1960 No clima de paz, amor e pílulas anticoncepcionais, os jovens soltam as amarras e fazem sexo sem pensar em casamento
O casamento "até que a morte os separe" passa a ser questionado


1970 Os bailes com música lenta e rock pauleira são lugares ideais para os "amassos", uma gíria da época.
O sexo passa a ser o fator determinante para um casal continuar junto


1980 A AIDS altera curso do processo de liberdade sexual e pede mais responsabilidade nas relações
O casamento acontece mais tarde e os casais esperam mais tempo para ter o primeiro filho


1990 O sexo e o namoro já é socialmente aceito. Pais mais liberais até cedem a casa para facilitar as coisas.
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